Alive

1 Prólogo


Notas iniciais
Olá pessoas! Aqui é a Mariana, postando eu mesma -aleluia- o capítulo editado. De agora em diante, só em situações extremas a Bea postará para mim. Agora vocês podem me xingar que eu mesma verei tudo eu mesma! Obrigada por tudo. [Prólogo já revisado] Lembrando que como é um prólogo, ele vai ser pequeno mesmo.

Emma

Olho a minha volta. A cor branca, por mais que vazia, cansa meus olhos por ser vibrante naquela sala. A mesa de recepção de mármore e algumas plantas ganhavam destaque por ser algumas das poucas coisas que não tinham aquela coloração. Apoio os cotovelos nos braços da poltrona da qual me sento, encarando o nome da clínica no canto da parede da sala, com o símbolo da medicina ao lado. Minha respiração, como sempre, arde minhas narinas e meus pulmões. Parece impossível, mas com o tempo, eu me acostumei. Infelizmente, acostumar, não significa parar. Nunca para.

Eu poderia simplesmente dormir ali até que meu nome fosse chamado, é claro, se eu fosse capaz de sonhar. Ou pelo menos, ver uma imensidão negra enquanto durmo. Mas não é isso que acontece. Eu não tenho sonhos, daqueles do qual você é, de certa forma, transportado para outra dimensão fora da sua ou algo do tipo. Eu tenho pesadelos. Pesadelos podem ser, em parte, sonhos, porém, meus pesadelos são diferentes. Alguns pesadelos são com aranhas, mortes, escuridão. Do que as pessoas que estão sonhando têm medo. Eu não vou para outro lugar: continuo aqui. Vivendo. Respirando. Como havia dito, não há descanso.

Suspiro, com dificuldade e me recosto mais na poltrona macia. Depois de pouco menos que dez minutos, uma mulher entrou na sala. Tinha um típico sorriso cansado de enfermeira, usava uma camisa e uma saia branca. Seu salto alto era de uma cor meio azulada e leve, trazia certa tranquilidade. Seus olhos eram um tom de castanho escuro normal e seu cabelo mantinha a mesma linha. Anotando algo em sua prancheta, ela chama:

– Emma Beauregard – a enfermeira olha em volta da recepção e me levanto, como se tivesse em minhas mãos todo o tempo do mundo. Mas, que diferença faz, quando não se tem nenhum?

Quando alcanço a mulher, ela mostra-me um sorriso e me guia até a sala do doutor. Ela parece um pouco relutante, hesita a cada passo, e logo vejo que minha ficha era o que estava na tal prancheta. Logo me sinto desconfortável e penso no que poderia estar escrito na minha ficha. Não como se eu não soubesse, mas as vezes poderiam ter feito drama demais na “explicação”? De qualquer forma, ela já estava, no mínimo, achando que eu iria cair no chão e me contorcer de dor a qualquer momento, então, decido ignorar e deixá-la me guiar até a sala.

O corredor não era grande, só haviam quatro portas. Na terceira, ela para e bate na porta.

– Entre. – uma voz monótona atravessa a porta e só então percebo o crachá na roupa branca, onde estava escrito “Alexandria” em uma letra cursiva, porém bem legível.

Alexandria abre lentamente a porta, sorri para mim e convida-me a entrar.

Apenas assinto, lhe dou um sorriso de lado e adentro a sala. É pequena, mas, ironicamente, tem um ar alegre. As paredes alternam entre o azul claro e o verde.

Perto da porta, há uma mesa de madeira, onde, na parte de trás, Joshua está sentado, digitando em seu computador. Folhas estão espalhadas por parte da mesa, mas não deixa o ar menos organizado.

Eu conhecia o médico fazia algum tempo. Ele tratava, ou tentava tratar do meu problema fazia alguns anos. Formado há não muito tempo na faculdade, a diferença de nossas idades não era muito grande. Com o tempo, viramos meio amigos. Porvavelmente, por já ter visto muitos casos bizarros em sua curta carreira, era um dos poucos que não me olhavam com medo ou pena. Na verdade, seu humor negro era, de certa forma, divertido. Só queria que ele tivesse mais noção de momentos oportunos e inoportunos para fazê-lo.

– Oi, Emma. Achei que sua consulta iria ser semana que vem? – diz ele, sem se preocupar em tirar os olhos do notebook, onde continua digitando frenéticamente.

– Sim, mas minha mãe achou melhor vir antes, só pra ter certeza dos remédios novos. – Nem sequer um movimento. Agora ele está me irritando. Quer dizer, tudo bem que somos meio amigos, mas eu continuo pagando para que ele deixe de fazer sejá lá o que for por um segundo para que pudéssemos ter uma conversa ou consulta decente.

– Entendo. Então, algo mudou com o novo estilo de remédio? – Com novo estilo de remédio, ele quis dizer, além de ter um vocabulário ridículo, remédios injetados direto na veia, usando provisóriamente aquelas seringas que os diabéticos usam para injetar insulina. Não entendi muito bem o porquê de ser provisóriamente, afinal, são seringas, mas...

– O que você acha? – Pergunto, dessa vez com um tom transbordando irritação, já sabendo que falar diretamente não adiantaria.

– O de sempre. – As palavras são seguidas por um longo suspiro dramático. Meus olhos se reviram, quase automáticamente, mas consigo não bufar.

– Que surpresa, nunca imaginaria tal acontecimento! – Uma risada seca brota em minha garganta, para completar a frase de sarcasmo.

– Muito menos eu. Ah, foi tão chocante que acho que senti uma espada me atravessando! O fogo inexistente me queima, e, céus, por que respirar arde tanto? – Ele ri com gosto. Por mais que muitas vezes fosse engraçado, eu não estava em um dia para as suas piadinhas de humor negro sobre mim, e o fato dele continuar olhando e digitando naquele maldito computador não ajudou em nada. Mesmo assim, forço uma risada fraca e deixo o ambiente silencioso por alguns segundos.

– Então, mais algum remédio que tenha descoberto ou devo esperar mais umas semanas para ver se o efeito não é mais lento? – Decido ir direto ao assunto, sem vontade alguma de conversar.

– Esperar. Estou pesquisando novos medicamentos e tratamentos a base de comprimidos. – Josh finalmente levanta o olhar e quase dou um berro de “aleluia”, mas me seguro. – Recomendo algum tipo de distração. Se quiser, podemos dar umas voltas. – Traduzindo: Já que ninguém consegue agir normalmente perto de você sem ser um especialista em doentes mentais, vou te ajudar a se distrair.

– Tudo bem. Me fale o horário depois.

– Certo. Nos vemos depois. Qualquer emergência, me ligue. – Logo, ele volta com a digitação e não desgruda mais os olhos da tela. Estranho tal ato, mas ignoro. – Hm, já está liberada.

Assinto e me retiro da sala. Não avisto mais Alexandria, e nem faço questão. A recepcionista mostra-me um sorriso bondoso e devolvo-lhe com um sorriso de lado e um aceno, passando rápidamente pela recepção e saindo da clínica em passos largos.

Enquanto ando, começo a sentir ainda mais o ar me faltando, e o que não falta, queimando. A cada passo, sinto como se não devesse estar habilitada de tal ato. Como se não devesse estar habilitada até mesmo de respirar. A ardência comprova meus pensamentos. Suspiro, e logo me arrependo ao sentir piora.

Em cerca de onze minutos, chego em casa. Tiro a chave de meu bolso e abro a porta. Seguro um ofego, sabendo que, assim como um símples suspiro, apenas vai piorar. Logo sou abordada por minha mãe, perguntando com sua voz animada, porém vazia, pois já sabe as respostas, sobre os medicamentos.

Seus cabelos são da mesma cor do meu, porém um pouco mais curtos. Seus olhos são escuros – o que não combina com seu rosto delicado e muito menos com o brilho bondoso que suas órbitas possuem. Não é feio, apenas diferente.

– O de sempre. – Minha voz sai cansada. Eu queria, realmente queria poder dar-lhe uma notícia boa, uma novidade, para que parasse de ver a sua expressão de decepção e falsas esperanças sempre que chego de uma consulta.

Suas sobrancelhas ficam juntas, e por um segundo, seu sorriso doce desaparece, mas logo em seguida volta, juntamente com palavras murmuradas como “Tudo bem. Já é um começo, certo? O que vai querer para o almoço?” entre outras.

Apenas assinto e devolvo um “Tanto faz. Estou faminta. O que estiver mais perto de ser feito rapidamente já está ótimo.”

Sento-me no sofá e pego um livro qualquer em cima da mesa, realmente para me distrair da fome, enquanto xingo-me por sentí-la. Logo, leio as palavras: "Você pode sair do inferno. Mas ele nunca sairá de você."

Sinto uma sensação estranha. É como se alguém já tivesse dito-me aquela frase, com exatidão nas palavras, mas é está distante demais para que eu me lembre.

Ouço a voz de minha mãe chamando-me para a mesa de jantar, levanto-me e sento-me.

Suspiro, sem me preocupar com a dor que causará, pois sei que o estou prestes a fazer, será muito pior.

[Por enquanto, o único capítulo oficial é este. Os próximos são antigos que ainda vou refazer. Quando essa mensagem não estiver mais aqui, é porque já está tudo arrumado.]

Notas finais
Espero que tenham gostado do novo prólogo! Provavelmente postarei o capítulo um neste domingo, talvez antes. Mais uma vez, se sentirem demora, xingamentos/lembretes/perguntas/o que vocês quiserem são bem vindos: @priordead (Twitter.) XOXO