Aliensexualidade
2 Parte 02
— Daniel, — José me chamou — se acalma, cara.
Eu andava de um lado para o outro, nervoso. Já tinha roído quase todas as unhas das minhas mãos. Não podia acreditar que aquilo estava para acontecer. Tentei afrouxar a gola da blusa branca, sentia como se a gravata azul escuro estivesse tentando me estrangular.
— Como eu posso ficar calmo?! Hoje é o dia do meu casamento! — disse parando de andar e fitando meu melhor amigo — Eu vou me casar daqui a três horas!
José tentou me tranquilizar, mas não resistiu à tentação de me perturbar:
— Na verdade, três e meia. — ele sorriu — Elas costumam se atrasar.
O encarei, irritado por sua descontração enquanto eu estava uma pilha de nervos.
Linda. A imagem de minha noiva surgiu em minha cabeça. Os olhos azuis me fitando depois de um beijo quente, os cabelos macios em minhas mãos, o corpo pequeno encaixado no meu durante um abraço. Comecei a ficar mais tranquilo, quer dizer, eu a amava, não tinha o que temer.
Espera. Vasculhei em minha mente por todas as nossas lembranças juntos nos últimos meses. Os passeios pela cidade, os jantares, os beijos, os abraços. Nossa primeira vez. Perdi-me no meio da lembrança daquela noite incrível.
—O que pensa que está fazendo?! — Linda gritou se debatendo.
Coloquei-a no chão de seu quarto. Eu ria animadamente, tínhamos acabado de voltar da casa de José e quando chegamos ao hotel não consegui desistir da ideia de erguer Linda do chão. Era mágico! Eu sentia uma sensação indescritível quando estava perto dela e como se um buraco fosse feito em meu peito quando chegava o fim do dia e eu tinha de dizer boa noite.
Era estranho, normalmente, eu seduzia a garota para conseguir o que eu queria, mas no caso de Linda, eu não tinha coragem de forçar nada, eu tinha medo de perdê-la. No momento eu não me imaginava sem ela.
— Você é tão baixinha! — disse ainda rindo.
Linda virou a cara, emburrada, ela detestava sua altura, o que me deixava bastante inclinado a provoca-la. Ela não resistiu ao meu rosto sorridente e acabou rindo também.
— Daniel.
Meus olhos se voltaram para a boca avermelhada dela. Ah, como explicar o quão hipnotizante eram aqueles lábios? Desde o primeiro dia que vi Linda eu me senti atraído por ela. Como se enfeitiçado, eu busquei me aproximar da turista bonita. Então, eu percebi que estava apaixonado.
— O que? — perguntei apressado, escondendo a vontade intensa que eu tinha de agarra-la.
Ela deixou um sorrisinho enfeitar seu lindo rosto e percebi que seus olhos puxavam a atenção dos meus. Sinceramente, ela me enlouquecia!
— Será... — seus dedos mexiam na simples aliança que eu tinha comprado para ela — que você pode me ensinar algo?
— Claro! — respondi, desanimado.
Eu pensei que ela ia dizer alguma coisa do tipo: por que não fica aqui está noite?
— O que quer saber?
Seu rosto ficou da cor de um tomate e eu me impressionei, pois era difícil Linda ficar envergonhada. E fui atraído mais uma vez por aquela misteriosa força que insistia em me unir a minha noiva. Aproximei-me dela e depositei um leve beijo em seus lábios.
Os olhos azuis ficaram esperançosos, e depois, por algum motivo, ela baixou a cabeça, como se indecisa.
— N-nada. — respondeu, a voz vacilando — Esqueça.
Foi aí que eu não pude mais segurar minha paixão, Linda era tão fofa, irresistível!
— Eu te amo. — falei pela primeira vez o que sentia.
Linda, surpresa, demorou em compreender o tamanho do significado de minhas palavras, deixei-a se apoiar em meu peitoral. Éramos noivos, não é? Abracei o corpo que se encaixava no meu tão perfeitamente. Ela ficou na ponta dos pés para alcançar minha boca.
E naquela noite eu não fui para o meu quarto, dormi no número 18.
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