Notas iniciais
Como a one é grande eu vou dividi-la em partes, como fiz antes. Se quiserem que eu prossiga com a história, deixa a opinião nos comentários.

Minha esposa é uma Alien. Não quero dizer que ela seja estranha ou algo do tipo, quero dizer que ela é um Alien mesmo, que veio de outro planeta. Plutão. Que nem é mais considerado um planeta de verdade, e foi por isso que ela veio à Terra, para descobrir o porquê de tanto menosprezo pela pequena e bela casa dela. Inacreditável, não é?

Aposto que estão curiosos para saber como é que eu, Daniel Silva, um cara de nome comum, acabei me casando com uma Alienígena, mas fiquem tranquilos, eu irei contar aqui como tudo aconteceu.

Eu trabalho como guia turístico, e foi durante um passeio com vários gringos que eu a conheci, ela era uma das pessoas que tinham comprado o pacote completo requerendo meus serviços. Tão deslumbrante em meio aquele grupo de turistas queimados de sol e cheios de protetor solar no rosto. O que mais me chamou a atenção foi sua altura, um e sessenta e dois. Baixinha e graciosa.

Ela era a mais atenta do grupo, sempre me perguntando coisas sobre a história do lugar ou curiosidades culturais. Aproveitei-me da situação para dar encima da pequena, fui um sucesso.

— Linda, — chamei sua atenção — poderia vir aqui? Quero te perguntar uma coisa.

Ela se desvencilhou dos gringos que observavam as ondas da praia e veio até mim. Seu cabelo ruivo misturando-se com o pôr-do-sol explosivo e sua pele branca ganhando um tom amarelado. Fiquei tão distraído por sua beleza que quase me esqueci de respirar.

— Sim? — Linda perguntou quando me alcançou.

Fiquei um tanto sem jeito, tinha passado o dia soltando-lhe indiretas e até arriscando umas cantadas clichês, mas um convite para jantar era diferente, poucas tinham esse privilégio. Remexi a areia da praia com a ponta de meu tênis, sentia-me como um adolescente bobo e confuso que tentava chamar a atenção da sua paixonite.

— Gostou do passeio?

Encarei-a com meus olhos verdes, todas as garotas com as quais eu já tinha saído elogiavam a cor de meus olhos, eu não via mal algum em usar de minhas armas. Linda sustentava meu olhar com uma sinceridade imensa, o que quase me fez recuar.

Bem, eu queria a convidar para sair, assim como eu já quis com várias outras turistas bonitas, observar aqueles límpidos olhos azuis me deixavam hesitante pelo simples medo de me prender definitivamente neles.

— Foi ótimo! — ela abriu um sorriso radiante capaz de ser confundido com o sol.

E, como uma flecha disparada por sua satisfação, as palavras saltaram para fora de minha boca, ela ficou surpresa, eu muito mais. Até pensei estar sendo vitima de uma pegadinha feita por eu mesmo.

— Por que não mora aqui comigo?

Foi o que eu disse. De forma estúpida e sonhadora. Minhas bochechas queimaram em um incêndio rubro, porém, as de Linda nem mesmo chegaram a ficarem mais rosadas do que o normal.

Pareceu que eu tinha caído em um feitiço, algo como uma poção do amor. Inebriado pelo redemoinho em meu peito e a confusão em minha cabeça, eu mal fui capaz de esboçar uma desculpa para o meu pedido idiota. Eu a conhecia a pouco mais de uma semana!

— Brincadeira! — falei, tentando controlar o tremor em minha voz — Eu só quero convida-la para um jantar.

— Eu aceito. —Linda respondeu imediatamente.

Os outros turistas já vinham em nossa direção, quando eu me soltei dos olhos azuis para tentar amenizar minha felicidade. Meu peito parecia um tambor e meus lábios não conseguiam impedir um sorriso bobo de moldar minha boca.

— Eu te pego as oito, então? Você está hospedada em que quarto do hotel?

Linda deu um passinho se aproximando de mim, seu jeito manhoso de mover o pequeno corpo atraindo minha atenção.

— Meu quarto é o 18. — respondeu, o tom baixo.

— Em qual restaurante você quer ir?

Faltavam uns cinco passos para os gringos nos alcançarem quando Linda me fitou desentendida. Não compreendi de início, muito avoado por ela ter aceitado sair comigo para me lembrar de que Linda não conhecia nenhum restaurante da cidade.

— Ah, é mesmo! — levei uma das mãos a testa e depois de uma risada nervosa indiquei o grupo — Acho melhor eu escolher, não é?

— Não, não é isso. — ela disse enquanto nós andávamos em direção ao calçadão junto dos outros turistas.

Então, foi minha vez de não entender. Reparei tão intensamente no movimento leve e hipnotizante de seus lábios que não ouvi o que ela disse. O grupo parou de repente. Sacudi minha cabeça um pouco, para me livrar do feitiço de Linda.

Os gringos nos encaravam e gritavam em suas línguas nativas. Olhei ao redor, perdido, desorientado. Resolvi pedir a Linda que repetisse o que tinha dito. E ela o fez.

— Eu aceito morar com você.

Meu queixo caiu.

Foi assim que tudo começou. Eu e ela. Nós. Ficamos noivos uma semana depois e nos casamos após um noivado de três meses e foi exatamente no dia do casamento que eu descobri o segredo tão bem guardado de minha pequena noiva.