Alice no País das Maravilhas

2 Capítulo 2 - O Rio de Sangue


Notas iniciais
neste capitulo Alice precisa fazer algo para sair do ladrilho branco, pular seria suicídio, mas existem outros caminhos ele também deve decidir se realmente deve prosseguir e beber o sangue da Fenda ou não...
Alice estava ilhada no pequeno ladrilho branco, que agora parecia diminuir cada vez mais, seu tempo se acabaria logo e ela cairia no vão negro se nada fosse feito. E ainda que ela pudesse sair dali deveria beber sangue, o que não lhe parecia boa idéia, mas segundo a fenda seria a necessário se ela quisesse realmente sair dali... Os conselhos da Fenda Sangrenta poderiam ajudar, mas até quando?

***

— Que faço agora?

— Ora, toma do frasco e pula!

— Que frasco? – eu já estava inteiramente confusa com tudo aquilo!

— Este que estufa teu bolso, menina!

Passei a mão sobre meus bolsos e realmente havia um frasquinho com uma aguinha azul.

— Que isso? – falei baixinho, mais para mim mesma, mas ainda assim a Fenda ouviu

— Beba e pule!

Dei uma olhada para baixo querendo medir a distancia da queda, mas estava tudo escuro ao redor do ladrilho branco. Olhei o frasquinho de cima a baixo querendo qualquer indicação do que era, mas apenas se lia dentro (exatamente, DENTRO!) do frasquinho a palavra Beba! Parecia escrita no líquido azul e de fato estava!

Olhei de novo para o vão além do ladrilho e nada, então bebi...

— Veja que sublime! – disse a Fenda, mas eu não via nada de sublime, não sentia nada de diferente.

Virei mas só vi um vulto negro atrás de mim, parecia que tinha algo preso nas minhas costas, passei a mão e senti plumas e penas.

— Ora nos outros só cresceram asas de morcego.

— Outros? Com asas de morcego? – tentei imaginar como seriam as crianças com asas de morcego frágeis e pequenas nas costa, enquanto finalmente conseguia ver as minhas asas – E o que houve com elas?

— Caíram... – a Fenda disse com a maior naturalidade, devia ter visto as crianças caindo muito freqüentemente – exceto uma além de você

— Quem?

— Uma Sophie de asas brancas.

— E por que as minhas são negras?

— Perguntes a quem sabe... Agora PULA!

— Mas eu não...

— PULE!

— Ahhh!

Pareceu que algumas mãozinhas me empurraram para o vão negro e só tive tempo de guardar a chavinha num de meus bolsos e gritar

Na queda comecei a pensar nos passarinhos recém-nascidos que caiam do ninho tentando voar e Diná os devorava sem dó quando via um no chão.

Acho que aquilo me fez entender como usar as asas quando finalmente vi a Fenda e o chão de ladrilhos refeito, só tinha um detalhe: EU NÃO SABIA POUSAR!

O que me fez derrapar de costas no sangue até bater com a cabeça na parede e prensar minhas asas no chão, o que me causou uma dor horrível já que elas são ligadas diretamente nas minhas costas.

Agora além de dolorida eu estava coberta de sangue.

Levantei com dificuldade e fui abrir a portinha

— Veja Fenda! Abriu! – aquilo era meio absurdo de se dizer já que a Fenda não tinha olhos para ver.

— Mas tu ainda és grande para passar.

Era verdade, mas beber o sangue da Fenda...

— Por que ainda pensa, BEBE!

— Mas é sangue!

— Que tem de mal? Bebeste de um frasco que também não sabias de que era.

Pela portinha pude ver um grande jardim bem grande, com varias fontes, mas a água delas era preta e todas as flores também. Apesar disso senti uma enorme vontade de ir lá, mas como a Fenda disse eu era muito grande. Decidi beber, afinal seria melhor do que ficar presa na salinha para sempre... Pus as mãos juntas embaixo da Fenda até que se enchesse daquele sangue estranho, era aguado e acabara por formar um riozinho que seguia pela porta e passava pelo jardim. Então bebi...

De inicio não senti nada, mas logo comecei a crescer assombrosamente.

— Pensei que iria encolher!

— Paciência criança...

Então quando bati a cabeça no teto da sala encolhi de súbito, mas havia bebido demais e encolhido demais, o suficiente para poder nadar no sangue da Fenda, um ratinho passou nadando por mim e depois uma cobra d’água.

Tentei pedir ajuda, mas eles não me deram atenção e apenas passaram por mim,

O ratinho voltou, parecia não saber aonde ir.

— Sabes onde vai dar este rio.

— Ora, nem sei onde é aqui!

— Se não sabe como chegou aqui?!

— Ora, foi a Fenda que...

— A Fenda?! Pensei que Sophie a tivesse fechado... – pensou o Rato consigo mesmo, mas não baixo o suficiente para que eu não pudesse ouvir

— Quem é Sophie?

— Ora, é a menina das asas brancas... Acho que ela não gostava muito da Fenda...

— E onde ela está agora?

— Não sei, acho que sumiu.

— Não pode ter simplesmente sumido.

— Ora pode sim! Tal como surgiu ela sumiu! Olá Pardal.

Um pardal marrom havia se aproximado de nós a nado, também parecia não saber aonde ir.

— Olá, quem é esta?

— Também não sei. Quem és vós?

— Alice, acho...

— Como assim “acho”? Não sabes quem é?

— Sei, sabia... Mas ganhei asas, cresci, diminui e já nem sei se sou eu ou outra pessoa.

— Se não fosse você quem seria? – perguntou o pardal — Já que não podes ser outra, só lhe cabe ser você, assim se fosse outra não seríeis vós, então outra pessoa inteiramente diferente de você.

Aquilo deu um nó em minha cabeça...

— Mas diga-me, és vegetal ou animal?

— Ora, não acho que eu seja um animal – eu levava tudo para o lado mais metafórico, então não entendi a primeira vista – Então devo ser vegetal, suponho...

— Então... – o Rato deu um olhar malicioso ao Pardal e logo eles estavam se aproximando mais de mim, logo lembrei que ratos e pardais também comem vegetais, então foi um erro tremendo dizer que eu era um... Nadei o mais possível sempre olhando para trás, e os dois no meu encalço, até que eles pararam, deviam estar cansados de nadar, mas então descobri a razão real daquela parada, quando uma cobra d’água passou na minha frente, fiquei imóvel desejando que ela passasse logo, para que eu não afundasse.

A cobra me rodeou demoradamente, me analisando, fechei os olhos, e quando os abri ela já estava ao longe, comendo o Rato e se preparando para ir atrás do Pardal.

A correnteza que o sangue da Fenda me carregou para o jardim, mas passei por ele sem poder apreciá-lo, só consegui sair de lá quando o sangue desembocou num outro córrego de água mesmo e pude nadar para a margem.

Quando levantei a cabeça...

— Ahhhh!

Notas finais
No próximo capitulo...
Alice precisa correr numa corrida, mas pelos motivos errados...