Alice
3 "Infantilidade sua, achar que não."
Notas iniciais
– Alice! – Vejo Kate me chamando e atrás dela vejo Jennifer – Desculpa não termos te acordado, é que você parecia estar tendo um sonho bom.
– Tudo bem. Mas qual era a finalidade desse discurso? – digo após abrir um pacote de biscoitos que peguei no refeitório.
– Normalmente é alguns avisos para o começo do ano como não fumar, não beber e etc. – diz Jennifer, enquanto coloca seus cabelos ruivos atrás da orelha. – Eu sei, parece estranho, mas há pessoas que fazem isso.
– Tenho me surpreendido com as atitudes dessas pessoas. – digo. Eu não esperava que isso fosse engraçado, mas elas riram e para não ficar de fora resolvi rir também.
– Você é divertida, Alice. – Kate diz com um sorriso. Ela se vira para Jennifer e diz: — Temos que ir agora.
– Para onde? – pergunto intrometida.
– Educação Física. – Jennifer diz com uma careta e então, elas vão embora.
Sento-me na mesa do refeitório. Esse internato é diferente dos outros. Nunca imaginei internatos com mesas onde há flores e principalmente com cadeiras tão confortáveis. As paredes são cobertas por um papel de parede azul, onde também há algumas pinturas de pássaros. O piso é totalmente de madeira, parece bem antigo. Aqui não tem internet, e muito menos sinal de telefone. Precisarei achar algo para me divertir. Mas antes disso, devo comparecer a sala da Sra. Collins, ela deve saber algo divertido para fazer.
Assim que chego ao corredor ele está meio estranho, as paredes estão tortas, e o lustre começa a se mexer. Seguro fortemente na parede até cair no chão. Os quadros saltam da parede e começam a falar algo em latim. Fico aterrorizada. Será que isso é algum tipo de magia, ou algo da minha cabeça? Ao me verem perplexa, eles olham para mim.
– Qual seu nome garota? – Um quadro, com uma grande lagarta azul com óculos, pergunta.
– Alice. – digo, tentando saber se isso é uma miragem ou se realmente aconteceu. Os quadros sussurram meu nome e fazem algum comentário em latim, mas não consigo entender.
– Alice. Estávamos te esperando há muito tempo. – O quadro com a lagarta continua falando. – Finalmente chegou a hora.
– A hora do que? – digo. – Não estou entendendo.
– Essa não é a Alice certa! – ouço um quadro falando, mas não sei qual deles, todos falam ao mesmo tempo.
– Eu sou a Alice, mas não sei se sou a certa. – digo. – Ai meu deus Alice! Você está tendo uma miragem só pode. Isso é impossível, quadros não falam!
– Infantilidade sua, achar que não. – diz novamente o quadro com a lagarta.
– Obviamente isto é impossível. Não entendo o que você está falando. Quem é a Alice certa? – pergunto, mas não recebo respostas. – Quem é a Alice certa? – aumento o tom da voz, querendo achar respostas, mas minha voz sai distante.
– Alice? – Abro os olhos e vejo que estou sentada no chão, em frente à diretoria. – Alice, você está bem? – Vejo também que a Sra. Collins está do meu lado.
– Sim. – digo. Se eu contasse isso para alguém, ninguém acreditaria em mim, então decido manter em segredo. Ela me ajuda a levantar. – Desculpe Sra. Collins.
– Tudo bem, Alice. Mas acho melhor você ir para o quarto. Você não me parece muito bem. – ela diz, então a obedeço.
– Sra. Collins. – digo após parar no corredor e viro-me. – Tem alguma outra Alice no internato?
– Não que eu saiba querida. – ela diz, agradeço e vou para o quarto.
Assim que chego ao quarto, minha cabeça esta quente. Estou com febre. Tomo um banho gelado e deslizo para a cama. O que foi isso que acabou de acontecer? Porque aqueles quadros estavam falando? E quem é a Alice certa?
– Você pode ser a Alice certa. – ouço essas palavras vindas do quarto. Abro os olhos, mas há apenas eu aqui. O que será que está acontecendo?
Tomo coragem e levanto da cama. Ela desaparece como mágica. Minhas roupas também mudam. Começo a caminhar por um longo corredor. Ouço barulho de goteiras. Não me lembro de haver um corredor no quarto. Onde será que estou?
– Você está no caminho certo, vá em frente! – ouço a mesma voz, mas desta vez ela vem atrás de mim. Viro-me rapidamente mas não vejo quem é.
– Quem é você? – digo, na esperança de receber alguma resposta. Ninguém responde, mas vejo um sorriso surgindo na parede do corredor. – Apareça!
O sorriso que estava presente desapareceu. O que está acontecendo aqui? Quando desisto de encontrar o sorriso, vejo-o de novo, mas desta vez no teto.
– Por favor, apareça! Eu só quero ir para casa. – digo, suplicando.
– Pobre menina. Apenas quer ir para casa. – ouço a voz novamente. Ela vem do sorriso que está no teto. Esse sorriso vai tomando forma até se transformar numa cabeça de um gato. Os olhos azuis dele são enormes e seu pelo parece ser bem macio. – Que inconveniente.
– Quem é você? – digo.
– Eu sei quem eu sou e você sabe quem é? – diz o gato, chegando mais perto de mim.
– Sou a Alice. – digo. – Mas não a Alice certa.
– Como sabe se é a certa ou não? – diz o gato, me deixando cada vez mais surpresa. Neste segundo ele começou a rodopiar e apontar para baixo, onde vi uma pequena porta, em que nem mesmo o menor dos anões passaria por lá.
– Qual o caminho para sair daqui? – digo, mas o gato desapareceu. – Gato! Qual o caminho para sair daqui? Por favor, Gato! Eu preciso sair daqui. – repito essas frases e elas vão ficando cada vez mais distante.
Acordo assustada. As meninas me olham perplexa. Não sei bem ao certo o que aconteceu. Elas esperam eu falar, mas apenas peço um copo de água. Elas chamam a diretora que rapidamente chama um médico para me examinar. Minha cama está encharcada de suor e minha febre está cada vez mais alta. Então foi tudo um sonho?
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