​O Castelo de Windsor ainda vibrava com o eco do escândalo. Nas masmorras, Genevieve aguardava o seu destino, enquanto no Grande Salão, o Rei James andava de um lado para o outro, a sua capa vermelha varrendo o chão com fúria.

​— Exílio é pouco, Alexander! — trovejou James. — Ela tentou enganar a Coroa, tentou prender um Príncipe da Inglaterra a uma mentira de sangue! Ela voltará para as terras de sua família em desonra, sem um tostão.

​Alexander, que agora estava ao lado de Francesca, com as mãos entrelaçadas sob a mesa, manteve a calma que a viagem e o sofrimento recente lhe conferiram.

​— James, Genevieve merece o castigo dela. Mas Marina... — Alexander olhou para a pequena menina que, no canto da sala, brincava com Melinda sob a supervisão atenta de Eloise. — Marina é inocente. Ela não tem culpa da ganância da mãe ou da fraqueza do pai.

​James parou e olhou para o irmão.

— Ela não é do teu sangue, Alex. O cavalariço confessou. Ela não tem lugar aqui.

​— Ela pode não ter o meu sangue, mas por semanas eu acreditei que ela era minha. Eu senti o peso de ser pai dela — Alexander disse, a voz firme. — Não vou permitir que ela cresça na miséria ou na desonra por causa dos pecados de Genevieve. Eu quero que ela fique. Quero que ela seja educada em Windsor, sob a minha proteção e a de Francesca. Ela será criada como uma dama, com o apoio da família real, mas sem a mentira da sucessão.

​Eloise sorriu, emocionada com a nobreza do cunhado. Francesca apertou a mão de Alexander, o seu respeito por ele atingindo um novo patamar.

​James suspirou, sentando-se no trono com o peso de mil decisões.

— Estás a pedir para assumires a responsabilidade por uma criança que não é tua, enquanto o reino espera que comeces a tua própria linhagem.

​— Eu estou a dizer que o "Leão Errante" finalmente aprendeu que a maior aventura não é cruzar os mares, mas proteger os que não se podem defender — rebateu Alexander.

​James olhou para Francesca, que acenou positivamente.

— Muito bem. Genevieve será escoltada até à fronteira ao amanhecer e nunca mais poderá pisar em solo inglês sob pena de morte. Marina ficará sob a tutela de vocês. Mas, Alexander... — o Rei apontou o dedo para o irmão — não haverá mais "aventuras". A Inglaterra precisa de estabilidade.

​Mais tarde, nos jardins iluminados pela lua, onde tudo começou, Alexander e Francesca caminhavam perto do lago. O silêncio era interrompido apenas pelo som dos grilos.

​— Tens a certeza disso, Alex? — perguntou Francesca suavemente. — Marina será sempre uma lembrança daquele tempo.

​— Marina será a lembrança de que a honra é mais forte que a mentira, Francesca — ele parou e virou-a para si. — E agora que o meu passado está resolvido, só consigo pensar no futuro. Não quero mais fugas. Quero o castelo na Irlanda, as colinas de Suffolk e, acima de tudo, quero-te a ti.

​Ele ajoelhou-se na relva, retirando do bolso o anel que pertencera à sua avó, uma peça de ouro com uma safira tão azul quanto os olhos dele.

​— Lady Francesca de Kildare, aceitas casar-te com este príncipe que finalmente encontrou o seu porto seguro?

​Francesca sorriu, as lágrimas brilhando nos olhos, e antes de responder, deu-lhe um beijo que selou o destino de ambos.

​— Sim, meu cavalariço. Mil vezes sim.