Aliança Gennaía Kárdia

2 Capítulo 2: O imponente mago Max


Notas iniciais
Fred finalmente consegue sua luta contra o mais poderoso mago de nível A. Será que ele conseguirá sua tão desejada vitória?

Os olhos castanhos da bela ruiva Mel estavam brilhando, ela estava ansiosa para retornar a arena. Sua saia rodada e florida, que batia um pouquinho acima do joelho, balançava cada vez mais conforme ela ia deixando o corredor. Vaidosa, ela checava se sua blusa branca estava em perfeito estado. Mas logo atrás, a adversária de Mel seguia com aquele mesmo olhar absolutamente frio. Seu nome é Christine Silver, uma bruxa do clã Silver – que é o quarto maior clã e também o mais misterioso de todos na aliança –, de cabelos longos e lisos que batiam em seu quadril, uma pele pálida, olhos da cor de vermelho-sangue, lembrando muito os de um vampiro, usando um chapéu pontudo preto, uma longa capa preta com bordas prateadas, blusa e calça, ambos com da cor preta e detalhes prateados.

Assim que as competidoras chegaram à arena, a boca flutuante baixou até ficar no meio de ambas.

-Não é permitido exceder os limites da arena. A luta acaba quando uma das duas se render ou não tiver mais condições de prosseguir – Disse a boca flutuante – Comecem! – E subiu novamente, ficando na altura da mais alta arquibancada da arena.

Ambas já estavam se encarando, mas Mel estava mais animada, sua expressão quase sorridente. Christine mantinha o olhar frio e, sorrateiramente, tirou algo que estava, até então, preso em sua cintura. Era um livro, surrado, de capa preta e nele não havia gravuras ou escritas. Foi naquele momento que a bruxa, pela primeira vez desde o anúncio da luta, tirou os olhos de Mel e então olhou o livro, enquanto sua adversária ficava em guarda por isso.

-Arte sombria: Ataque da Pantera! – Disse Christine que havia lido o ataque em seu livro.

As páginas começaram a brilhar em uma espécie de luz negra, projetando uma imagem na frente de sua dona que ia, cada vez mais, lembrando uma pantera, de expressão feroz e que não se demorou em partir pra cima de Mel. Esta, por sua vez, apontou a mão direita na direção da fera que avançava e disse em alta e clara voz:

-Invocação: Raízes! – A mão de Mel brilhou em um verde e no mesmo segundo, raízes brotaram do solo de uma só vez e prenderam as pernas da pantera, envolvendo seu corpo em seguida e apertando até a criatura, que se debatia e gemia, desaparecer por completo.

-Uma druida, interessante. – Disse Christine com falso interesse – Quero que se transforme.

-Me dê um bom motivo. – Provocou Mel, com um sorriso desafiador.

A bruxa lançou um olhar perigoso que não durou mais que dois ou três segundos. Depois, voltou a dar atenção ao livro em sua mão e disse:

-Arte sombria: Sucubus! – Novamente o livro estava brilhando com aquela mesma luz negra.

Outra vez era-se projetada uma imagem que ia tomando forma física, mas dessa vez, maior e bem mais peculiar. O corpo de uma mulher com poucas vestes, pele clara e com marcas roxas e bem visíveis nas pernas e nos braços, asas que mais pareciam de um morcego – só que bem maiores, proporcionais ao tamanho da mulher -, olhos em um peculiar lilás e unhas avantajadas, surgiu por completo e o público, principalmente os homens, surpreendeu-se.

-Ui, ui... Quanta gente hoje. – Comentou a sucubus recém-conjurada, com uma voz sedutora e olhando as arquibancadas com interesse.

-Ataque! – Ordenou Christine de um jeito frio, sem sequer olhar a sucubus, concentrando-se apenas em Mel.

A sucubus deixou de olhar o público, tirando um chicote que estava preso em sua cintura e chicoteando o chão, com um sorriso extremamente malicioso para Mel, que retribuiu à altura.

-Vamos brincar, queridinha... – Disse a sucubus, em um tom de voz perigoso.

Mel apontou a mão direita na direção da sua segunda oponente, assim como fizera da última vez com a pantera.

-Invocação: Raízes!

Assim que as raízes brotaram do solo, a sucubus voou, mas foi perseguida pelo ataque, até que desistiu de continuar fugindo e usou as grandes unhas em sua mão para estraçalhar com elas. Mel cerrou o olhar ao ver a cena, enquanto a sua segunda oponente sobrevoava a uma baixa altura, sorrindo de um jeito bem debochado.

-Não é assim que você deve tocar o meu corpinho. – Debochou, tocando levemente a boca com uma das grandes unhas.

-Você é bem abusadinha. Por que não aprende com a sua mestra? Ela é bem na dela. – Retrucou Mel.

Os olhos vermelho-sangue de Christine foram de encontro a sucubus ao ordenar:

-Pare de enrolar e ataque!

-Own, seja mais carinhosa, mestra. – Retrucou, toda manhosa antes de se virar novamente para Mel e voar em sua direção com o chicote em mãos.

-Detesto esse cenário – Reclamou Mel, analisando o lugar por rapidíssimos instantes – Que seja...

Em uma transformação quase instantânea, Mel deixou a forma humana e transformou-se em uma feroz tigresa, avançando sobre a sucubus que não recuou, mas foi recebida com um pulo e uma mordida certeira no pescoço. Uma espécie de sangue roxo desceu pelo pescoço daquela que havia sido abocanhada pela tigresa, enquanto o público assistia a cena com atenção e a boca flutuante estava aberta, surpresa.

Christine assistia a cena com indiferença, mas notava-se que havia recuado cerca de dois passos. A tigresa Mel soltou o pescoço da sucubus, que caiu no chão desacordada e sangrando, desaparecendo em meio a uma fumaça escura pouco tempo depois. Em seguida, ela rugiu ferozmente para a oponente bruxa, que apressou-se em ler outro trecho do livro:

-Escuridão em plena luz da visão, Eclipse!

Tudo que Mel conseguiu entender era que no momento seguinte, já não estava enxergando sequer a própria pata. O ataque de Christine havia bloqueado totalmente a visão da druida, que sacudia a cabeça de um lado para o outro, tentando recuperar a visão. A bruxa, por sua vez, fechou o livro e o prendeu de volta na cintura. Depois tirou um peculiar punhal meio desgastado do bolso e começou a flutuar, não subindo mais que cinquenta centímetros do chão. E flutuando, partiu em direção a tigresa na mais pura intenção de golpeá-la, no entanto, Mel que estava sacudindo a cabeça, ficou completamente imóvel.

Christine parou no meio do trajeto, desconfiada pela atitude da tigresa e mantendo-se em guarda com o punhal, enquanto sua oponente começava a caminhar sorrateiramente em sua direção. Ela não pode enxergar ainda, mas será que está sendo guiada pelos outros sentidos? — Questionou-se a bruxa em pensamento.

A tigresa rugiu outra vez, ainda mais feroz. Estava furiosa pelo ataque traiçoeiro e se guiava pelos outros quatro sentidos, muito atenta à audição e ao olfato.

-A luta está realmente complicada para as duas participantes. Quem será a primeira a iniciar o próximo ataque? – Narrou à boca flutuante, enquanto o público ficava realmente apreensivo.

Tanto ela como eu executamos técnicas que nos esgotaram, não posso me dar ao luxo de desperdiçar essa forma, pensou Mel. A tigresa começou a correr na direção da bruxa, que flutuou rapidamente para o lado a fim de despistar sua adversária temporariamente cega. Mas para a surpresa de Christine, a tigresa começou a segui-la e a bruxa começou a fugir instintivamente, embora sua expressão não demonstrasse medo algum.

Ambas participantes percorreram boa parte da arena em disparada, até que...

VAPT!

A bruxa havia tirado a capa preta e lançado sobre a tigresa, aproveitando esse rápido intervalo para lançar o punhal que perfurou a capa e algo mais. Assim que Mel conseguiu se livrar da capa, cambaleou um pouco, vendo algumas gotas do seu próprio sangue cair no chão, resultado do corte que havia pegado de raspão em sua perna esquerda, enquanto a arma branca continuava presa à capa.

-Parece que essa foi sua última cartada. – Comentou Mel, voltando a forma humana e com um ferimento que permaneceu em sua perna esquerda, um pouco mais ensanguentada.

-É, eu não tenho muitos truques. Ainda sim, não sou uma bruxa de nível A por acaso.

-Eu digo o mesmo.

Christine e Mel partiram para o ataque, se encontrando e iniciando uma batalha sem armas ou magia.

-Incrível! Nossas participantes partiram para o confronto corpo a corpo! – Narrou a boca flutuante com empolgação.

A druida acertou um soco, dentre vários que já havia tentado sem sucesso, mas a bruxa não recuou por muito tempo e contra-atacou com um belo chute no estômago. Mel se ajoelhou, mas logo sentiu seus cabelos sendo puxados para que ficasse outra vez de pé e sem conseguir reagir até ali, levou um cruzado de direita e foi ao chão inconsciente. Christine olhou para ela, conformada e então foi de encontro a sua capa, tirando o punhal da mesma e guardando-o. Depois de vestir sua capa, o público ficou de pé e começou aplaudir e gritar com empolgação.

-E a vencedora é Christine Silver! – Declarou a boca flutuante.

No espaço especial das arquibancadas, o mestre Lei olhava para Mel com um sorriso, enquanto o mestre Richard, olhando-o, disse:

-Parece que sua discípula não estava totalmente pronta ainda.

-Você acha? Não, mestre Richard. Gosto de pensar que ela estava pronta nessa estreia, mas estar pronto não quer dizer que se vá vencer. Mel entende isso, ela não manteve seu sorriso durante a luta em vão.

O mestre Richard, olhando para o amigo, sorriu com admiração.

Na arena, Christine estava diante de uma derrotada Mel, balançando-a com o pé para que acordasse, até que surtiu efeito.

-Vem, precisamos liberar a arena para a próxima luta. – Disse Christine.

Mel olhou para a bruxa com uma certa surpresa e desconfiança, mas levantou-se logo e as duas seguiram de volta para os corredores.

-Pensou em me matar? – Perguntou Mel.

-Quem sabe. – Sorriu de um jeito malicioso.

-Finalmente um sorriso. Deveria tentar isso mais vezes.

Christine fechou o sorriso, olhando Mel com um pouquinho de raiva e a mesma começou a sorrir por isso, enquanto já se aproximavam dos demais competidores. Fred levantou-se, abraçando Mel de um jeito bem meloso e dizendo:

-Ah, Melzinha, você consegue da próxima vez, não fica assim.

-Me solta, retardado! Ai, cuidado com a minha perna, que droga!

Nikolas começou a rir da cena, sabendo que Fred não perdia uma oportunidade de zoar com alguém.

-Eu vou arrancar sua cabeça! – Disse Mel furiosa, se contorcendo, enquanto Fred fazia uma expressão engraçada de consolação.

Duas lutas aconteceram depois disso, aumentando a tensão de Fred que se mantinha sentado, controlando-se ao máximo para não ir até a arena e xingar a boca flutuante por não andar logo com a sua luta. Mas enfim o momento havia chegado.

-E a próxima luta é entre Fred Rayon... – O garoto arregalou os olhos em meio a um turbilhão de pensamentos e muita ansiedade – contra Max Neer, do clã Neer.

-Uhuu! – Pulou do assento, empolgado, apontando o dedo na direção de Mel e Nikolas – Tá na hora de calar algumas bocas, inclusive as de vocês.

-Vai lá, Guerreiro Meia-Boca. Mostra a sua inutilidade em público. – Debochou Nikolas.

-Quando eu vencer as competições, vou te dar um pouco do dinheiro para você chamar a Sophia pra sair. – Disse Fred com animação.

Nikolas corou violentamente e Sophia Nywall, que estava no banco da frente, ainda mais.

-Cala a boca e sai logo daqui! – Gritou Nikolas, constrangido e irritado, mas Fred sorriu ainda mais e Mel já estava para rolar no chão de tanto rir, embora sentisse algumas pontadas devido aos ferimentos da última luta.

Ao chegar à arena, Fred encarou o público com curiosidade.

-Olha, é o Guerreiro Leão. – Comentou uma das pessoas nas arquibancadas.

-É ele sim. Mas ouvi falar que também é muito atrapalhado e problemático, não será páreo pro mago do clã Neer. – Comentou uma outra pessoa nas arquibancadas.

Pouquíssimos instantes depois, o mago entrou na arena, de braços cruzados e completamente despreocupado. Na área especial das arquibancadas, um homem que aparentava ter seus cinquenta anos, cabelo grisalho e curto, uma expressão zombeteira e misteriosa, trajando calça branca, camisa azul com detalhes brancos e uma imponente capa azul com uma borda branca e um brasão – dois cajados que formavam um ‘x’ e um dragão no centro – desenhado no meio, sendo aquilo uma marca bem nítida do clã Neer, fitou o mestre Lei e o mesmo o olhou de volta, curioso.

-Quer um bolinho, mestre Rocco? – Perguntou Lei, oferecendo a tigela de bolinhos de carne.

-Estou sem fome. – Respondeu-lhe com rispidez.

-Ora, o que é isso?! Deveria aproveitar. Sabe, esses bolinhos são da carne de ursos das terras de Darkmoon. É muito difícil de conseguir isso, sem falar que são deliciosos.

-Você continua bem abusado, Lei. – Retrucou em um tom perigoso, cerrando o olhar.

O mestre Lei sorriu como se acabasse de receber um elogio. Devolveu a tigela de bolinhos para a mesinha próxima e depois voltou a olhar para o mestre Rocco de um jeito bem calmo.

-Espero que o falado Guerreiro Leão não perca tão rápido desta vez. – A maldade ficou clara no tom de voz do mestre Rocco e Lei pareceu não entender por rapidíssimos instantes.

-Duas lutas, duas derrotas e uma delas, bem rápida. Max é bem habilidoso e Fred, por outro lado, não podia vencê-lo.

-Falou no pretérito. O que o faz pensar que pode falar no pretérito?

Lei sorriu, olhando para a arena, diretamente para Fred.

-Simples, estimado colega. Fred finalmente está pronto.

O mestre Rocco franziu o rosto, estranhando aquilo e tentando entender do que se tratava, mas logo voltou a sua expressão zombeteira, pensando que, por segundos, havia cometido o erro de dar bola para o que Lei dizia.

A boca flutuante havia baixado na arena, passando a língua por entre os lábios antes de dizer:

-Não é permitido ultrapassar os limites da arena e a luta só acaba quando um de vocês estiver incapacitado de continuar ou desistir. Comecem! – Levantou voo, ficando naquela mesma altura nivelada com a última arquibancada.

Eram audíveis os comentários de que Fred iria perder, alguns até estavam apostando sobre o tempo em que isso iria demorar; talvez trinta segundos, um minuto, as opiniões eram diversas.

-Quanto tempo você vai me fazer esperar? Seria melhor desistir. – Disse Max, meio impaciente.

-Por que não cala a boca e luta? – Retrucou Fred de um jeito desafiador.

-Porque você não trouxe sua espada e isso me fez pensar que havia ficado mais inteligente e iria desistir.

-Está enganado. Minha espada está aqui.

Max fez uma morna expressão de surpresa.

-Então você aprendeu a invocar sua espada... É, admito que esteja mais decente. No entanto – sua mão esquerda começou a ser envolvida por uma luz azul e fria, exalando um fraco vapor de gelo – se foi apenas nisso que dedicou-se a aprender, não vou perdoá-lo.

O mago apontou a palma da mão envolta por magia para Fred, que nem estava em posição de ataque e apenas observava com um sorriso, e lançou-lhe, violentamente, estacas afiadas feitas de gelo. Fred cerrou o olhar começou a desviar com absoluto sucesso de todas elas e assim que terminou sem nenhum arranhão, partiu para cima de Max com um sorriso ainda maior e mais desafiador, dizendo:

-E quem disse que eu não me dediquei a nada além disso?!

O guerreiro estendeu o braço direito enquanto corria e um pequeno portal cinza se abriu, acompanhando-o em pleno ar até cuspir totalmente uma artesanal e bem afiada espada, a qual ele segurou com firmeza e atacou transversalmente na altura do peito de Max, que cobriu seu braço esquerdo com uma grossa camada de gelo e usou para se defender do golpe, mantendo seu olhar sério e aquele ar despreocupado.

O mago sequer respondeu e tão pouco recuou nem mesmo um centímetro. Criou, em seguida, uma espada de gelo com a mão direita e com ela, atacou horizontalmente e na altura do pescoço de Fred, que moveu agilmente sua espada para uma posição vertical e o bloqueou.

-Aprenda o seu lugar! – Ordenou Max de um jeito frio e imponente.

Os olhos castanhos do mago deram lugar a um azul brilhante e predominante, seguido por um vento forte e gelado que envolveu ambos participantes e alguns metros mais ao redor deles. Fred se manteve firme, competindo força no atrito que sua lâmina continuava a fazer contra a lâmina de gelo que sequer lascava-se. Mas passados alguns instantes, o guerreiro simplesmente foi lançado para trás e chocou-se de costas contra a parede de proteção que limitava o espaço de luta na arena, caindo com facilidade no chão.

No espaço especial das arquibancadas, o mestre Rocco sorria de um jeito bem debochado, enquanto Lei se mantinha tranquilo e atento à luta. Se você não estivesse preparado, continuaria aí, mas como isso não condiz com a realidade atual, pensou ele.

Fred levantou-se com dificuldade, enquanto seu oponente continuava envolto pelo vento e com os olhos azuis, naquela expressão séria e imponente. Os ferimentos já se mostravam presentes e incômodos no corpo do guerreiro, mas ele mantinha o sorriso a qualquer custo e empunhava sua espada com vontade e firmeza.

-Tempestade de Gelo! – Grandes pedras de gelo do tamanho de laranjas, caíram sobre toda a arena e uma barreira vermelha de magia cobriu completamente as arquibancadas e a boca flutuante, evitando que fossem envolvidos, sem falar no próprio mago que se mantinha em uma pequena zona livre do ataque.

Fred tentava cortar todas as pedras que caíam sobre ele, mas acabou sendo acertado no ombro esquerdo e nesse pequeno instante em que baixou a guarda, outra pedra acertou suas costas e o mesmo foi ao chão, sendo atingido por mais duas pedras nas pernas e outra no braço, até que o ataque do mago cessou.

Max permaneceu olhando seu oponente caído, mas demonstrou uma pequena surpresa ao ver que ele estava tentando se levantar novamente.

-Eu vou... Vou vencê-lo... Preciso... Calar algumas bocas. Preciso... Cumprir com a minha palavra! – Gritou Fred, apoiando-se sobre a espada e olhando seu adversário com determinação.

O público ficou apreensivo e ouviu-se algumas vozes mencionando apostas, só que dessa vez apostavam em quem seria o vencedor. E no espaço especial das arquibancadas, um mestre Rocco irritado assistia a luta e deixava sua impaciência ficar cada vez mais evidente, para satisfação silenciosa do mestre Lei.

Ondas de magia douradas começavam a serem exaladas do corpo de Fred e no segundo seguinte ouviu-se duas lâminas se chocando. O guerreiro havia usado o Sprint, técnica de alta velocidade sustentada por magia, e tentado golpear o peito do mago que se defendeu agilmente.

-Está na cara que você melhorou bastante. Não vou pegar leve contigo, Fred. Dane-se as competições, eu vou te fazer em pedaços!

Uma sequência de golpes foi desencadeada por ambos competidores, a maioria de espadas e uma minoria corporal. Tanto Fred quanto Max eram acertados pelos golpes, mas bloqueavam a maioria e isso os igualava naquele confronto.

-Fúria do leão! – Exclamou Fred em alta voz e um rugido de leão ecoou por todo o lugar.

A velocidade e a força do guerreiro haviam dobrado. Max sentiu-se pressionado, embora se lembrasse que aquela técnica não tinha o costume de dar tanto trabalho assim. Por instantes, a espada de Fred se tornou mais rápida e um corte transversal acertou em cheio o peito direito do mago, que franziu o rosto de dor, mas não ousou recuar e ao invés disso, segurou a lâmina da espada com a mão esquerda, parecendo não se importar com os cortes que recebia nela. Fred olhou aquilo com estranheza, mas não recuou com a espada e viu sua arma sendo congelada aos poucos.

A perna do guerreiro viajou com violência ao encontro da barriga de seu adversário, mas o mesmo usou sua própria perna para bloqueá-la e continuou a congelar a espada, chegando ao punho e encarando com aqueles olhos tomados pela cor azul, embora já não tivessem mais um brilho tão forte.

-Pra um mago, você tem muita força física. – Comentou Fred com a voz um pouco abafada.

-Me fale você. O guerreiro que possui o espírito do leão lendário, por que demorou tanto para mostrar sua força? – Retrucou o Mago, também ofegante, com um olhar fixo.

-Gosto de fazer suspense às vezes.

Ambos começaram a liberar ondas de magia e as cores dourado e azul pareciam se mesclar nas extremidades, com núcleos distintos.

CRASH!

A espada de Fred havia se partido, ficando boa parte da lâmina na mão ensanguentada de Max. Mas o guerreiro não deu nenhum instante de trégua e acertou seu adversário em cheio com uma joelhada na costela, suficiente para levar o mago de gelo ao chão em instantes.

O guerreiro continuava de pé, embora ferido, observando seu adversário no chão e surpreendendo-se quando o vira levantar-se pouco a pouco, assim como ele próprio havia feito antes. Max encarou Fred com aquela mesma seriedade, seus olhos já castanhos outra vez e uma das mãos segurando a região da costela atingida, com aquele corte no peito que já havia manchado de sangue a sua vestimenta.

-Incrível! Esses dois não conhecem limites. Fica cada vez mais difícil imaginar quem será o vencedor, senhoras e senhores. – Narrou a boca flutuante, empolgada.

Fred já não tinha mais uma espada inteira e abandonou o resto congelado que havia sobrado dela. Ele tinha consciência de que não possuía meios para invocar uma segunda espada, porque só havia preparado uma para a invocação e precisaria utilizar sua magia de outra forma. Já sei, pensou Fred.

Os punhos do guerreiro pareciam estar sugando a pouca magia dourada que ainda restava ao redor do seu corpo. Max, por outro lado, voltava a emanar uma forte magia azulada, mas seus olhos permaneceram normais desta vez. Um partiu em direção ao outro e novamente era desencadeada uma sequência de golpes corporais. Entre socos e chutes, os ferimentos de ambos iam aumentando cada vez mais e o público gritava de empolgação. A torcida estava dividida entre gritar o nome do mago e também o do guerreiro.

-Será que o Fred está bem? – Questionou uma Mel aflita, observando o pouco que era possível do corredor.

-Talvez aquele cabeça oca consiga. – sorriu Nikolas.

-Você bem que queria isso. Aí iria ganhar algum dinheiro pra levar... – Dizia Mel, quando foi interrompida com a mão de Nikolas tapando sua boca.

Sophia Nywall observou a cena, corando e desviando seu olhar para a parede, fingindo estar se distraindo.

A magia concentrada nos punhos de Fred diminuía cada vez mais. Mas os poderes de Max também estavam diminuindo e ele quase não conseguia mais se manter de pé. Com um forte soco, o mago atingiu a lateral da face do guerreiro que ficou desnorteado por alguns segundos, tempo suficiente para receber uma rasteira e perder o direito de ficar de pé. Porém, assim que estava para cair, Fred segurou no mesmo braço que o havia acertado e puxou, indo ambos para o chão.

O céu e a boca flutuante eram tudo que eles conseguiam ver no momento. O grito do público incentivava para que ambos voltassem a lutar, mas tanto Max quanto Fred permaneciam como estavam.

-Tá esperando o que, seu lixo?! Levanta de uma vez! – Ordenou o mago com uma voz um tanto ofegante.

-Não preciso da sua piedade pra vencer.

-Piedade? Idiota! Eu não tenho piedade dos meus adversários. O problema é que eu realmente não consigo levantar. Sem falar que um empate seria patético, então trate de levantar logo!

Fred o olhou e percebeu que a situação de Max estava um pouco mais feia, ele não estava mentindo. Com bastante dificuldade, o guerreiro se pôs de pé e o público começou a gritar seu nome. Então veio a boca flutuante com o anúncio final da luta:

-Depois de uma luta difícil, temos o nosso vencedor, senhoras e senhores. E ele se chama Fred Rayon.