Aliança Gennaía Kárdia
3 Capítulo 3: Madeleine
Notas iniciais
As lutas de nível A estavam para terminar. Nikolas estava outra vez no centro da arena, dessa vez contra Madeleine Absalon, do clã Absalon, uma druida que já usava sua transformação de leoa contra o mago de fogo. Enquanto isso, Fred, que já havia participado de outra não tão difícil luta após a que tivera contra Max, se recuperava no corredor, sentado ao lado de Mel que queria poder usar suas habilidades druidas de cura para ajudar o amigo, mas isso era contra as regras, pois cada competidor deveria usar os próprios meios se quisesse ter alguma vantagem.
-Estás pronto para o que vem pela frente, Fred? – Perguntou o mestre Lei que acabara de chegar ao corredor.
-Claro que estou. Ai... – Alguns ferimentos tornaram a afirmação do guerreiro pouco válida.
Lei sorriu e sentou-se ao lado dos discípulos, entrelaçando os próprios dedos entre as mãos.
-Nikolas ou a druida do clã Absalon. Madeleine, literalmente uma fera.
-Sim, mestre. Mas não vou dar mole pra ela ou para o Nikolas, nem pensar.
-Fred, não fique se achando só porque venceu o Max. – Repreendeu Mel, chamando a atenção do mago que estava próximo, mas preferiu não encará-los por mais de três segundos.
-Venceu, mas pagou um preço por isso. Tanto Max, quanto aquele bruxo do clã Absalon e também o próprio Fred, estão em situações delicadas. E isso irá pesar muito quando lutarem contra a criatura de nível super S. Os vencedores de cada nível já estarão em situações complicadas quando enfrentarem o último desafio, por isso é que farão isso juntos. Mesmo assim, nada do que acontece dentro da aliança pode ser comparado com o que acontece fora dela, portanto, precisam se esforçar.
Mel e Fred assentiram e instantes depois, ouviu-se o anúncio de que Nikolas havia sido derrotado.
-Inacreditável. – Disse Fred, olhando para o mestre Lei e para Mel, esta também um pouco surpresa.
-Não há favoritos em um combate, Fred. A quantidade de fatores que podem determinar a vitória ou a derrota de alguém é grande. Habilidade e força são apenas dois nessa imensa variedade. – Explicou o mestre Lei.
Pelo corredor, Nikolas regressava com um pequeno sorriso no rosto e vários ferimentos, uma maioria que mais pareciam mordidas e arranhões. Seus cabelos tão brancos e vivos, agora estavam sujos e degradados.
-Fiz o meu melhor, mas parece que ainda não é suficiente. Mestre, esse não é o meu limite, é? – Questionou o garoto, sentando-se ao lado de Mel e Fred.
Lei olhou para ele e então sorriu ao dizer:
-Sim, nesse momento é o seu limite. Porém, estamos falando do presente. Agora descanse. – Ergueu a mão e acertou diretamente a orelha de Fred – Quanto a você, vá lutar! Tente voltar inteiro, não quero meus discípulos na lista de fatalidades dessas competições.
-Pode deixar, mestre. – Respondeu o garoto empolgado, esfregando a orelha vermelha com a mão, mas sem se importar com isso.
-Ei, Fred. — Para a surpresa dele e dos demais, exceto o mestre Lei que já havia se retirado, era a voz de Max que o chamava – Essa oponente não é nada fácil. Esse aí só está inteiro porque ela quis assim.
-“Esse aí” coisa nenhuma, eu tenho nome! – Retrucou Nikolas de prontidão, irritado.
Max pareceu ignorar o outro mago e sua interferência, mantendo sua atenção e seu olhar sério em Fred, que continuava meio perplexo, porém atento.
-Madeleine Absalon é uma druida poderosa. Já enfrentou criaturas das terras de Darkmoon, inclusive alguns humanoides de lá. Não preciso dizer o quão fortes são os que pertencem àquelas terras.
-E por que está me dizendo essas coisas?
-Porque seria sem graça ficar no dois a um. Temos que acertar contas e é melhor que esteja vivo e inteiro quando isso acontecer. – Desviou o olhar de um jeito orgulhoso e silenciou-se.
O sorriso de Fred voltou e este apenas assentiu com a cabeça, ouvindo o chamado da boca flutuante e seguindo para a arena.
-E aí vem o nosso semifinalista das lutas de nível A, Fred Rayon. Sua adversária é nada menos que a vitoriosa Madeleine Absalon.
O guerreiro deparou-se com uma bela garota que, bem como todos os de nível A, tinha mais ou menos a sua idade. Cabelos castanhos, lisos e longos, uma pele clara, um gracioso vestido roxo com detalhes em branco, olhos verdes e penetrantes que já focaram o alvo no primeiro instante sem vacilar, essa é Madeleine que Fred havia visto pela primeira vez e ficado realmente perplexo por um detalhe...
-Vai lutar de vestido? – Perguntou ele, com uma expressão de estranhamento.
-Sim. Tem algum problema nisso? – Questionou ela, indiferente.
O garoto passou a mão na cabeça, como se tentasse entender aquilo.
-Não, mas e se bater um vento forte? Vai mostrar a sua...
-Cale-se! – Interrompeu ela, indignada e suspirando antes de responder – Estou bem vestida, não se preocupe.
A boca flutuante pareceu estar entretida com o assunto, até que lhe caiu à ficha e então ela desceu até os competidores.
-As regras são as mesmas. O vencedor irá se juntar aos outros no desafio final dessas competições. Comecem! – Narrou, levantando voo.
A druida não perdeu tempo em se transformar naquilo que Fred viu ser uma imponente leoa. E no embalo, partiu para cima do guerreiro e pulou em cima do mesmo, que segurou na cara do animal para evitar mais aproximação com o próprio rosto.
-Hum, que forte. – Comentou a leoa, com a voz original de Madeleine, para a surpresa do guerreiro que arregalou os olhos.
-Incrível! Você pode falar enquanto está transformada. – Disse o garoto todo empolgado – Sabe, a Mel ainda não consegue falar enquanto fica na forma animal. Como você faz?
A leoa franziu o rosto, perplexa com tamanha tranquilidade do adversário para conversar em meio aquela situação.
-Que ousado. Não vê que posso devorar sua cabeça? – Cerrou o olhar, em ameaça.
Fred, que estava com uma expressão inocente de entusiasmo, também cerrou o olhar e sorriu de um jeito desafiador.
-E você? Não vê que posso arrancar sua cabeça em centésimos de segundo?
Foi quando a leoa percebeu que as mãos do garoto estavam repletas de magia. Ele não estava brincando, pois aquela magia tão concentrada lhe daria força suficiente para esse ato brutal.
-Você não é tão idiota como aparenta, porém... – Disse voltou para a forma humana.
Fred se viu segurando o rosto de Madeleine, ambos em uma posição interessante, já que ela estava em cima dele. Corando violentamente, o garoto soltou o rosto da druida e a mesma sorriu satisfeita, ambos se levantando.
-Trapaceira! – Exclamou ele, indignado.
A garota sorriu novamente, arqueando a sobrancelha para o adversário.
-Você é tão bobinho. Mas, tudo bem, chega de brincar.
Seu semblante mudou para algo sombrio e Fred percebeu que ela iria mostrar do que realmente era capaz. E mostrou. Madeleine estendeu a mão direita, que brilhava em um verde fluorescente, na direção do seu oponente e quase que instantaneamente, fortes raízes brotaram do solo e não deram chance de escapada para o guerreiro, que se viu totalmente imobilizado.
-Floresta de Baixa Esmeralda, onde teus frutos rendem vida e a vida rende satisfação. Dai-me emprestado tua força e dela eu possa retirar a vitória em nome da linhagem de druidas... – Recitava a garota, enquanto Fred tentava se livrar as raízes.
O público estava em silêncio, todos atentos e alguns já sabendo do que se tratava cântico da druida.
-Como uma garota de nível A pode saber utilizar uma habilidade assim? – Questionou-se o mestre Lei, um tanto preocupado e em seguida, olhando para uma mulher que aparentava ter seus quarenta e cinco anos, ruiva e dentro de um vestido roxo, semelhante ao da druida Madeleine, porém um pouco mais elaborado.
-Você deveria saber que há competidores em transição de níveis, mestre Lei, meu querido. – Respondeu a mulher ruiva, usando uma graciosidade incomum, tanto na voz quando no olhar.
-Admirável raciocínio, mestra Elizabeth. Mas ainda acho que essa técnica é surpreendente demais, até mesmo para alguém em transição ou iniciação no nível S. – Cerrou o olhar, em um tom calmo e perigoso.
A mulher sorriu com uma inocência incomum e Lei retribuiu, disfarçadamente apertando seus punhos com força.
-Primeiro portão de energia, abra-te! – As mãos de Madeleine foram tomadas por magia, uma luz no mesmo verde da magia anterior, mas com mais intensidade.
-Droga! Essas raízes estão me irritando! – Reclamou Fred, se contorcendo e sequer percebendo o que sua adversária estava fazendo.
O acúmulo de magia nas mãos da druida já tomara uma proporção realmente grande, mas a luz não tinha uma forma fixa e estava bem desorientada até ali.
Fred finalmente havia olhado para sua adversária e seus olhos ficaram arregalados no mesmo instante.
-O que é toda essa magia? O que você pretende? – Notava-se um certo receio na voz do garoto.
Madeleine pareceu não ouvir e continuou concentrada. Aos poucos a magia ia tomando forma; uma pirâmide.
-Pirâmide do desespero! – Exclamou a druida com determinação, gesticulando as mãos em sincronia.
-Veja, é uma pirâmide feita de magia. – Comentou alguém do público.
-É mesmo. Nunca havia visto um objeto assim na vida. Dizem que as pirâmides são originárias da longínqua Etrixder, no continente do extremo norte.
O guerreiro parecia ter desistido de se contorcer contra a força das raízes que insistiam em prendê-lo ali. Sem sua espada, era dez vezes mais difícil escapar de uma armadilha tão voraz. Por outro lado, a pirâmide verde fluorescente girava lentamente no ar, próximo as mãos de sua adversária, com o topo apontando em sua direção.
-Fúria do leão! – Uma última tentativa, mas o garoto mal conseguiu se soltar de uma das raízes que prendia seu braço e uma nova já voltara a aprisioná-lo.
-O competidor Fred está em sérios apuros. Será esse o seu fim? – Narrou a boca flutuante.
Madeleine lançou o ataque e com velocidade a pirâmide seguiu na direção do seu alvo. Quando chegou bem próximo ao peito do garoto, porém, ela parou bruscamente, causando um som que parecia um estalo. No momento seguinte, Fred gritou desesperadamente e sentiu como se várias lâminas estivessem cortando seu corpo, embora o mesmo não possuísse nenhum novo ferimento. A pirâmide aproximou-se novamente, tocando levemente o peito do garoto e seus gritos ecoaram por toda a arena.
-Acaba aqui, meu querido. – Disse Madeleine em voz baixa, o que mais pareceu um lamento.
As raízes soltaram o guerreiro e desapareceram no chão, também desaparecendo a pirâmide. Fred caiu de joelhos — seus olhos sem brilho, antes de se fecharem — e posteriormente o mesmo ficou deitado de bruços no solo da arena.
-E a vencedora é Madeleine Absalon! – Exaltou a boca flutuante.
O mestre Lei surgiu instantes depois, andando calmamente na direção do seu discípulo caído e sorrindo gentilmente para a druida.
-Meus parabéns, Madeleine. Você lutou com muita dignidade, estou impressionado. – Disse ele.
-Agradeço, mestre Lei.
-Bom, acho que nas condições em que ele se encontra, precisarei levá-lo.
-Não mesmo. – Retrucou a garota de maneira imponente e séria.
-O que disse? – Questionou Lei, com uma expressão confusa.
-Disse que não irá levá-lo, mestre Lei. Fred virá comigo.
-E qual o seu interesse no meu discípulo, senhorita?
-Mantê-lo longe de você já é o bastante. Espero que não se importe, mas a partir desse momento, Fred Rayon, Mel Pallas e Nikolas Glayweer deixaram de serem seus discípulos.
Lei cerrou o olhar por instantes e depois observou na direção do corredor.
-Está falando em nome do seu clã, senhorita?
-Falo em nome da Aliança Gennaía Kárdia.
Em seguida, soldados em armaduras prateadas entraram na arena e de prontidão apontaram suas lanças para o centro, onde estavam Lei e Madeleine.
-Lei Kayros, você está preso por traição. Se entregue ou atacaremos! – Disse um dos soldados.
Lei suspirou, como se estivesse um pouco chateado, mas a sua tranquilidade incomum se mantinha presente.
-Me atacarão? Eu vos traí? Quero detalhes.
-Vazamento de informações sigilosas para o inimigo, a Aliança Destroyer, e conspiração.
Outra vez Lei suspirou, mas agora parecia conformado.
A maioria das pessoas nas arquibancadas estava perplexa. E no espaço especial, cadeiras vazias, no entanto os que ali estavam, agora se dirigiam ao espaço de luta na arena. Mestres faziam uma linha de frente, estando os generais logo atrás, seguidos pelos líderes dos clãs. Dentre essas pessoas, um mestre Richard abismado olhava para o até então amigo.
-Isso é mesmo verdade, Lei? – Questionou ele.
-Para que toda a aliança tenha se dado ao trabalho de armar essa emboscada, receio que sim, mestre Richard. Sou o único xamã presente nesse lugar, e um dos pouquíssimos de todo o mundo, é compreensível tudo isso aqui.
-Isso quer dizer que pretendia reagir? – Perguntou a mestra Elizabeth, com uma mão delicada cruzando a frente do peito e tocando o ombro oposto dela própria.
-Sim. Não condiz com minhas vontades ser preso neste momento. E nem deixar que levem meus discípulos...
-Hipócrita! – Interrompeu Madeleine, com um olhar inquestionavelmente furioso – Você nunca os viu como discípulos. Eles não passavam de marionetes para que você conseguisse o que queria.
-Por favor, cale-se! – Disse Lei com um olhar sério para a garota e sem sequer mover um membro de seu corpo, lançou nela uma esfera negra de magia que a deixou inconsciente ao cair alguns metros para trás.
Os soldados avançaram com as lanças, mas foram interrompidos por um grito que ordenou:
-Parem! – Era um homem velho, de barba longa que chegava a tocar seu umbigo, cabelos da mesma cor, prateados, que iam para trás e quase competiam com a altura da própria barba, vestes longas nas cores vermelho e preto, sem falar numa enorme capa preta com um bem gravado brasão – uma marreta dourada no centro e duas águias nas extremidades da arma – e uma expressão nada amigável. Seu nome é Thomas, um dos mestres do mais poderoso clã da aliança, o clã Ignis.
-Senhor, o que fazemos com ele? – Perguntou um dos soldados, sentindo uma urgência em agir logo.
-Nenhum dos guardas atuais seria suficiente para vigiar Lei. Acho que todos irão concordar de que ele precisa estar sob a minha vigilância. Tenho certeza de que o nosso amigo não irá nos dar trabalho enquanto eu estiver de olho nele, não é mesmo, Lei? – Disse o mestre Thomas com total naturalidade, mas Lei desviou o olhar e sequer respondeu, inexpressível e aguardando a prisão – Ótimo. Você é mesmo inteligente como dizem. – Concluiu com um sorriso zombeteiro.
O homem foi escoltado pelos soldados, mestres e generais, enquanto os líderes dos clãs esperavam pelas saídas deles. Um outro homem, pequenino, que media pouco mais de um metro, com um cabelo curto e realmente preto, entrou na arena em passinhos curtos e rápidos. Era um gnomo, que trajava um elegante smoking e tinha uma boca já vista antes; a boca flutuante.
-Dois caídos no chão, próximos aos líderes dos clãs e o fim precoce das competições, nunca pensei que viveria para assistir algo assim. – Comentou o gnomo, seguindo na direção de Fred, enquanto os líderes apenas o observavam.
As pequenas mãos do gnomo foram estendidas sobre Fred e uma luz azul surgiu dela, pouco a pouco curando os ferimentos do guerreiro que foi se levantando devagar, tentando se lembrar do que havia acontecido.
-Prontinho, senhor Rayon. Agora vamos cuidar da senhorita Absalon. – Disse a pequena criatura, seguindo na direção da druida e fazendo o mesmo que havia feito com o garoto. – Pronto, pronto, senhorita Absalon. Agora deixem-me apresentar-me. Meu nome é Lyriel e eu sou o juiz e narrador das competições. Nas horas vagas, também posso curar ferimentos, já que pertenço à classe dos druidas.
-Uau! Nunca pensei que conheceria a pessoa por trás daquela boca maluca. – Comentou Fred com um sorriso empolgado.
O gnomo pareceu se ofender, arqueando a sobrancelha para o guerreiro ao retrucar:
-Maluca? Pois veja só quem fala. Enfim, enfim. Preciso que deixem a arena para que os líderes conversem com o público. Agora, vão! – Disse Lyriel, que encheu o peito e parecia se sentir bem mais alto que os garotos, dada a altura da ponta de seu nariz.
Madeleine segurou no braço de Fred e o puxou bruscamente em direção ao corredor.
-Ei! – Reclamou o garoto, mas foi completamente ignorado e só o que conseguia fazer era seguir a druida.
No quartel general, localizado no território do clã Ignis, ao norte da aliança, se encontravam alguns soldados, generais, mestres, inclusive Thomas, e o recém capturado Lei, que foi forçado a se sentar em uma cadeira dura e toda de madeira. A decoração em vermelho e branco era predominante nas paredes, com as mobílias em maioria nas cores cinza e preto, sem falar nos retratos de pessoas e paisagens importantes, certamente todos do clã.
-Lei, por que está tão quieto? Não fez uma brincadeira que fosse, desde que saímos da arena. Nem mesmo pediu qualquer coisa e aceitou a prisão tão tranquilamente.
-Se colaboram, vocês reclamam. Se não colaboram, vocês reclamam. Afinal, sabem mesmo o que querem? – Retrucou com impaciência.
PAFT!
Thomas acabara de acertar a face do prisioneiro com um forte tapa que o obrigou a virar a cabeça e depois segurou no pescoço do ex-mestre com firmeza, olhando-o com um brilho de ódio e um sorriso cínico.
-Não ouse brincar comigo, desgraçado. Não pense que irá fugir enquanto eu estiver aqui, porque te farei em pedaços no mesmo instante. Um xamã teria problemas para enfrentar um paladino, mas os problemas são ainda maiores quando o paladino sou eu e você sabe disso.
Lei olhou Thomas com desprezo, mas não havia nenhum vestígio de medo em seus olhos e sua boca sequer fazia menção de movimento.
-Vai com calma, Thomas. – Disse Elizabeth, a mestra de cabelos ruivos do clã Absalon, aproximando-se com toda a sua graciosidade – Deixe-o dizer alguma coisa. Que mania tola essa de sobrepor sentimentos pessoais aos assuntos de tal prioridade.
Thomas soltou o pescoço de Lei e aproximou-se rapidamente de Elizabeth, cerrando o olhar ameaçador para ela, porém a mulher o encarou de maneira imponente e destemida, sem vacilo.
-Quer brigar? Seria interessante ver quanto tempo você duraria perante uma bruxa como eu, paladino.
-Acha que tenho medo de você, Elizabeth?
A mulher sorriu graciosamente, tocando o queixo de Thomas com o dedo indicador, fazendo com que ele cerrasse os dentes e olhasse furiosamente para ela.
-Devia ter.
-Acalmem-se, por favor! – Interrompeu o mestre Richard – Lei, por favor, nos diga alguma coisa. Por que nos traiu? O que você pretende? Amigo...
-Não me chame de amigo! – Retrucou Lei em alta voz, encarando com raiva um Richard assustado – Não sou amigo de vocês. E já disse que não tenho interesse em ficar preso. Esperava mais dessa conversa, mas como já vi que não dará em nada...
Os olhos de Lei assumiram um intenso azul e todos ameaçaram atacar no mesmo instante, mas foram impedidos por uma barreira mística que cobriu o homem como se fosse uma cúpula. A sequência de ataques era brutal, ondas de magia e golpes de espadas, machados e marretas faziam todo o prédio do quartel tremer.
-O que é isso? – Questionou Fred que passava próximo ao território do clã Ignis, juntamente com Madeleine.
-Temo que Lei esteja tentando fugir nesse exato momento. – Respondeu a druida.
-Não consigo crer no que você diz. Meu mestre traindo a aliança. É um absurdo!
-Fred, eu sei que é terrivelmente difícil de entender isso agora, mas eu peço que confie em mim. Você ouviu os comentários das pessoas nas arquibancadas sobre o que havia acontecido na arena.
-E onde estão meus amigos? Mel, Nikolas, o que fizeram com eles? – Perguntou, aflito.
-Fique calmo. Eles foram levados para a base central do clã Absalon. E é para lá que estamos indo. O plano era esperar que todos vocês estivessem exaustos por causa das lutas, para que ficasse mais fácil protegê-los sem ter que dar explicações no momento e evitasse que Lei suspeitasse de algo.
-E você? Por que está envolvida nisso tudo?
-Fui designada pelo meu clã para a missão de proteger vocês diretamente. Quase precisei lutar contra a Mel, felizmente isso não aconteceu.
-Entendo, então não houve sorteio dessa vez, as lutas foram todas planejadas.
-Sim. O clã Absalon também foi responsável pelas investigações, até onde eu sei. De uma coisa eu tenho certeza, Fred. – Olhou para o garoto de um jeito meio preocupado – Lei está envolvido em algo realmente perigoso.
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