Alguém tem algo a esconder
4 Du, Du Hast
Notas iniciais
Estacionei meu carro em frente à universidade da Luz e observei o movimento desenfreado dos estudantes que saiam pelos portões. Me interessavam os que partiam inocentemente para uma parada de ônibus qualquer. Era um local muito bom depois das nove da noite, visto que a movimentação era precária. Uma moça sozinha encostou-se lá. Era a hora.
– Boa noite, moça! Você sabe me informar onde fica a rua Tedesco Alves de Lima? Estou perdido! Diga que sabe, pelo amor de Deus. — Ri educadamente para ela.
Ela riu de volta com o meu apelo desesperador, prosseguindo:
– É a primeira a esquerda depois do girador, senhor.- Ela foi simpática.
– Muito obrigada, me salvou! — Dei partida no carro e encenando no meu jogo, dei a ré na mesma hora, como se tivesse esquecido de perguntar-lhe algo.- Você não quer ir comigo? Melhor não ficar aí sozinha. Lhe dou uma carona só pela sua educação em ajudar um homem perdido. — Sorri para ela convincente.
Ela pensou por um instante, olhou pros lados percebeu sua solidão.
Aceitou.
Ainda conversando com a moça, descobri que a mesma fazia Artes na universidade e que seu pai havia estado ocupado para pegá-la na sua volta para casa.
"Eu te peguei."- Pensei sentindo minha chama latente acender-se com meu combustível essencial: adrenalina.
Depois de seguir girador à frente, ela me olhou e questionou:
– Moço, é a esquerda. — Disse ainda com um sorriso desconfiado.
Encarei-a e pedi que ficasse calada, fazendo um sinal com o dedo indicador por sobre meus lábios, mostrando uma arma que estava embaixo do meu banco.
Ela lacrimejou colocando as mãos na boca, tapando seu grito.
Liguei o som do carro, ouvindo Rammstein coloquei minha máscara de coruja. Eu havia comprando no dia das bruxas, era bem assustadora até. Grande olhos vermelhos e um rosto defeituoso fazia o composto de horror.
Sem entender, a moça me disse ainda com sua mão por sobre a boca:
– Não me mate, moço. Por favor!- Sua voz era trêmula e irregular pelo choro desesperador. Eu adorava.
Ignorando, enveredei o caminho para a casa às ruínas da prostituta da minha falecida mãe. Ficava a poucos quilômetros dali.
~*~
Segurando-a pelos cabelos, imobilizei-a enfiando o polegar e o indicador em suas narinas. A menina desmaiou. Quando despertou, comecei a sufocá-la de novo. Deliciava-me observando todas as expressões dela, e esperei que parasse de respirar completamente. Tirei-a do carro, deitei seu corpo desfalecido no chão da sala e estuprei seu corpo ainda quente. Depois, para ter certeza de que estava morta, estrangulei-a facilmente com o próprio lenço que a moça estava. Certo de que havia a matado, carreguei seu corpo até o quartinho dos fundos, eu tinha e utilizava instrumentos cortantes para dissecação. Sou graduado em enfermagem.
Retirei precisamente suas mãos, considerando suas articulações. Eu as preservava. Sua cabeça foi removida como meu troféu. As guardava em um cemitério especial, com um propósito. Membros e tronco, cortava-os em pedaços e coloca em sacos plásticos para serem jogados aleatoriamente.
Acabado meu ritual os colocava na mala do meu carro e livrava-me do que não me interessava caminho a dentro. A cabeça era o que me interessava. Voltando pela madrugada escura, parei em bar para beber e conversar com meus colegas de bar, policiais que me respeitavam muito pelo meu trabalho absurdamente humanitário no hospital da cidade. Sem levantar suspeita alguma, um homem bom e bem quisto como eu, peguei meu carro acenando para eles, dei partida.
Cavei por alguns minutos no quintal da casa da minha falecida mãe, enterrando meu troféu novo. Minha mãe era absurdamente ridícula, em todas as fases de minha vida. Me batia constantemente, queimava-me com cigarros e recebia inúmeros homens na nossa casa em uma noite só. Ela adorava ser vista e chamar atenção de todos. Gentilmente, criei um cemitério só para ela. Todas as cabeças ficam viradas para a janela do quarto da minha mãe. Agora ela tinha mais uma admiradora.
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