Alguém Como Você

30 Capítulo XXX - Desfile


Notas iniciais
Gente capítulo 30 (OMG O.O). É isso mesmo produção? Pelo visto sim né? Então... Boa leitura pessoal!!!

Alguém Como Você

Por Myuky e ReH-San

Capítulo XXX — Desfile


Assuou o nariz mais uma vez, sentiu uma pontada, fechou os olhos eles arderam, mas finalmente suas glândulas lacrimais deram trégua. Outra pontada franziu o cenho tentando entender se a dor era pela falta de uma boa noite de sono, ou pelo fato de ter chorado tanto. Apesar disso tinha uma única certeza, sua cabeça doía, mas seu coração estava dez vezes pior.

Queria que alguém lhe dissesse que nada aconteceu. Fitou o breu que era o quarto e sua única companhia, Snow dormia tranquilamente em um dos cantos do quarto, seu lugar especial. Olhou o rádio relógio 5h00, com a luz que ele emitiu pode ver quem realmente queria ali, no porta-retratos a foto de sua mãe.

– Queria que você estivesse aqui! – sussurrou.

Sua mão tateou a cama atrás de algo que logo encontrou um caderno velho com fechadura, provavelmente um diário. O largou novamente, daria um jeito de abri-lo, mas antes queria uma tomara banho e quem sabe toda a dor que estava sentindo fosse embora junto com a água?!

...

Era a quadragésima vez que ligava, mas apenas ouvia o som da caixa postal, pensou por várias vezes em ir até lá, no entanto, ela deveria estar dormindo.

“Quem em sã consciência acredita que ir até a casa da namorada de madrugada é loucura, mas que ligar diversas vezes não?” pensou com ironia seu eu interior. Suspirou pesadamente e discou o número outra vez, nenhum bip, apenas a caixa postal.

– Por favor, precisamos conversar... – foi à única coisa que disse e desligou.

“Quadragésima primeira...” pensou enquanto se jogava no sofá.


FLASHBACK #ON

– Estou cansada! – disse sentando-se em uma cadeira.

– Eu também – reclamou juntando-se a amiga na cadeira ao lado.

– Ei mocinhas... – chamou. – Já estão cansadas? Ainda não é nem meio dia, vamos lá, ânimo, pois o dia só está no começo... – avisou.

– Tá Kure-san. Vamos Ino-chan! – chamou a garota que levantou a seguindo.

...

– Já são 18h40, as pessoas estão chegando e ainda precisamos arrumar as modelos – disse desesperada.

– HINATA! – gritou fazendo a morena a fitar – Fica calma, já fiz isso várias vezes, vai dar tudo certo e será sempre assim.

– Sério? – indagou incerta.

– Sim Hina, agora respire.

...

O teatro com sua estrutura rústica e bela estava lotado. Pessoas conversando, filas de fotógrafos postos próximos à passarela, a orquestra arrumada com localização privilegiada, tudo no devido lugar. Na coxia as vozes se confundiam mulheres andando de um lado para outro, maquiadores, cabelereiros, todos agindo para que tudo saísse perfeito.

Tic-Tac, Tic-Tac, a hora avança.

– O show vai começar! – anuncia-se na coxia. Respirações descompassadas podem ser ouvidas, enquanto esperam a deixa para entrar.

– A Griffe Hina’s, tem o prazer de apresentar o 7º Desfile Beneficente.

Aplausos soam por todo o lugar. A música se inicia. Os acontecimentos aquela altura passavam em câmera lenta aos olhos de Hinata, que observava cada detalhe com encanto e um sorriso bobo nos lábios. A loira ao seu lado compartilhava o mesmo sentimento, com os olhos brilhando intensamente. Kurenai a mais velha estava satisfeita e nostálgica, não era sua primeira experiência e não seria a última, mas tudo saía melhor do que podia imaginar e aquelas garotas ao seu lado traziam lembranças de quando começou no ramo.

...

A última modelo acabara de entrar na coxia se posicionando na fila, para novamente entrar acompanhada com as outras e as estilistas. Mais aplausos ecoaram, flashs por todos os lados, no fim da passarela um microfone fora posto. A fileira de mulheres esbeltas deu uma volta parando em seguida como estátuas, o silêncio retomou o lugar e os olhos fixaram nas três mulheres em frente ao microfone.

– Boa noite! – iniciou Kurenai – Agradeço a presença de todos, como sabem esse é o 7º Desfile Beneficente, em prol de algo maior que nós, que começou com o sonho de mudar o mundo através da moda. Mas o mundo é grande, não é mesmo? Então o que fazer? – fez uma pausa – Simples, se não podemos mudar o mundo, então ao menos tentaremos mudar ou ajudar aqueles que estão próximos. Não é mundo, mas para aqueles que são beneficiados é o mundo deles que muda e isso já é muito gratificante. – ela pausou, tomou fôlego – Essa era a ideia da minha querida amiga Hyuuga Harumi. Eu abracei essa causa no momento em que ela disse que era “em prol de algo maior que nós” e acho que muitos também. – Pausou novamente – Harumi foi uma mulher sonhadora, amiga, estilista e uma mãe apaixonada. Acho que todos notaram a semelhança, certo? – fitou Hinata que tinha os olhos marejados – Como não notar? – sorriu – Ainda por cima compartilhando a mesma paixão da mãe... Sabe vejo muito de nós nessas duas meninas, elas têm muito talento. – Comentou. Algumas cabeças menearam em concordância – E, é por tudo isso que esse 7º Desfile Beneficente é feito em memória de um sonho... – nas cortinas postas antes da entrada da passarela, a imagem de uma linda mulher de feição delicada, olhos perolados, cabelos azulados e pele alva projetou-se sorrindo. O recinto explodiu em palmas, as três mulheres se abraçaram.

– Você se parece com ela... – comentou Ino para uma Hinata chorosa.

...

– Com toda sinceridade, você deveria ser modelo – disse galante.

– Sério? – recebeu um leve aceno em resposta – Ah, obrigada! – agradeceu a loira de olhos verdes, trajada de um vestido tomara que caia roxo com detalhes branco, sapatos de salto agulha nude e cabelos presos em um coque falso.

– Eu não posso te deixar um único instante só – comentou vendo o homem de antes se afastar, a loira virou.

– É, mas você prefere ficar com as anoréxicas – disse irônica – Hum... Até que aquele cara tem razão – falou pensativa.

– Razão? – indagou o moreno vestindo um conjunto de terno, sem gravata, sapatos pretos e o cabelo com o penteado de sempre.

– Sim Sasuke, razão. Ele disse que eu deveria ser modelo.

“Modelo?” pensou confuso.

– Você não acha? – perguntou fazendo pose.

– Mas... Por que você seria modelo Ino? – inquiriu Sasuke.

– Ora, para você me dar atenção – respondeu cruzando os braços.

“Ino... Modelo... Homens...” pensou “Isso é uma péssima ideia”.

– Você não precisa ser modelo – disse rapidamente.

– Não? – inquiriu.

– Não! – respondeu envolvendo-a pela cintura – Você sempre terá minha atenção — disse a beijando em seguida.

...

– Será que agora me deixam aproveitar sua companhia?

– Não sei talvez nos deem um minuto Itachi – puxou a mão do homem fitando o relógio – 23h e contando... – o moreno sorriu de lado abraçando-a.

– O desfile estava incrível Hime – comentou o Uchiha trajado de calça jeans de lavagem escura, camisa azul, blazer preto e sapato social preto.

– Sério? – indagou a mulher de olhos perolados que trajava um vestido de alça única verde esmeralda que ia até pouco antes do joelho, sapatos de salto preto, cabelos soltos e a franja jogada de lado.

– Sim!

– Não está falando por falar, está?

– Não, como poderia? – ela deu de ombros o fazendo rir. – Você se parece com sua okaa-san sabia? Agora sei por que és tão linda! – a morena corou.

– Obrigada. E já perdi as contas de quantas pessoas disseram isso ou trocaram nossos nomes “Harumi, opa... Err Hinata”. – falou imitando a voz de alguém – Mas, acho que faz parte... – o homem meneou a cabeça concordando – Sem falar que talvez eu possa encontrar meu pai...

– Você quer realmente encontra-lo não é?

– Hai e sei que isso pode ajudar – falou sonhadora.

– Hinata-sama?! – alguém chamou. Itachi suspirou.

– Nosso “um minuto” acabou – comentou pesarosamente.

– Até que durou muito – a morena falou desvencilhando-se dos braços fortes de Itachi. – Tenho que ir... – avisou.

– Tudo bem, terei a vida inteira para ficar com você – Hinata sorriu e saiu vermelha após receber um selinho, fazendo Itachi rir.

“Acho que será sempre assim” pensou pegando uma taça de champanhe, alguém esbarrou em seu braço quase o fazendo derrubar o liquido no chão.

– Oh, gomen! Sou muito atrapalhada – falou.

– Karin? – inquiriu o moreno.

– Itachi?! – falou espantada – Ah, como sou boba, devia ter imaginado que estaria aqui – disse à ruiva que trajava um vestido preto de alças finas, cabelos no penteado habitual e sandálias na cor prata.

– O que faz aqui? – indagou Itachi sério.

– Ora, você sabe, vim prestigiar o desfile.

– Hum... – murmurou desconfiado.

– É sério Itachi, você me conhece e sabe que eu adoro a Griffe Hina’s – o Uchiha arqueou a sobrancelha.

– Então parece estar tudo bem – comentou baixo, mas não o suficiente, pois a ruiva ouviu.

– É claro, por que não estaria? – retrucou tentando não parecer sínica.

– Não é nada – ele respondeu – Agora se me der licença... – a ruiva assentiu e ele saiu por uma próxima. Karin observou a cena, vagou o olhar pelo salão, fez um gesto leve com a mão e saiu.

...

– Hina-chan! Quero te parabenizar, o desfile estava ótimo.

– Kiba? – indagou assustada.

– Gomen, te assustei?! – falou o moreno de calça social, camisa vermelha e sapato preto.

– Eu... Eu achei que estivesse bravo comigo, o que faz aqui? – perguntou confusa.

– Não, eu não estou. Eu vim te prestigiar, você merece, sem falar que um desfile como esse requer de todo o apoio.

– É verdade – Hinata sorriu – Então... Somos amigos? – inquiriu incerta.

– Sim, mas você precisa me apresentar uma modelo.

– Claro! – disse prontamente – Pode escolher – falou fitando o salão.

– Eu já escolhi, mas ela não está aqui, eu a vi indo para lá – apontou para uma porta de acesso ao local onde se podia ir para entrada do público no teatro, ou seguir até a coxia de passagem restrita.

– Então vamos, ela não deve estar longe – Hinata comentou divertida seguindo porta a fora.

...

Jogado em uma poltrona olhando a abóboda, Itachi divagava nos desenhos da estrutura, aquele lugar em seus cálculos devia ter pelo menos cem anos. Foi tirado de seus devaneios ao sentir um peso sobre si, fitou com os olhos arregalados.

– Karin o que você está... – não pode completar a frase sendo tomado por um beijo.

...

– Será que ela veio para cá? – indagou Kiba, apontando para uma porta entreaberta.

– Não sei, é mais provável que ela esteja na coxia – disse Hinata sem dar muita importância, passou por Kiba olhando de relance para dentro, voltou os olhos para ter certeza que não via coisas, concentrou sua visão na fresta. Seu coração acelerou, levou a mão sobre a boca como se tentasse conter um grito que não veio, sentiu uma vertigem e saiu andando pálida de volta ao salão, ignorando as chamadas do Inuzuka.

...

– O desfile foi um sucesso...

– Eu que o diga, estou tão orgulhosa e feliz – disse a mulher de olhos vermelhos.

– Eu estou vendo você sorri para tudo e para todos – comentou Asuma divertido, o homem trajava uma camisa branca, blazer marrom, jeans, sapatênis preto.

– Kure-san! – chamou a voz vacilante.

– Hina querida, você está bem?

– E... Estou, eu quero avisar que vou embora, precisa de mim?

– Não querida, mas você realmente está bem?

– Hai. Só me sinto cansada – explicou.

– Certo. Então boa noite querida.

– Oyasumi! – despediu-se caminhando apressada.

...

– Karin, o que você pensa que está fazendo? – inquiriu irritado empurrando à ruiva.

– Mostrando a você, que ainda gosta de mim! – falou sorrindo.

– Karin, assim você só prova que é maluca, passar bem! – disse ríspido deixando a mulher para trás.

...

– Eu sinto muito Hina – a morena seguia a passos firmes sem olhar para trás – Eu sabia que ele era um canalha e como te disse ele não sabe dar valor ao seu coração – continuou – Hina, você está atordoada deixe que eu te leve... – puxou a mão da morena a fazendo parar para encará-lo. Os olhos de Hinata estavam vermelhos e sua expressão triste. Kiba a trouxe para perto com o intuito de beijá-la, mas foi repelido pelas pequenas mãos da morena, que o empurrou com toda força que tinha. O Inuzuka a fitou surpreso e a expressão de tristeza da Hyuuga passou para decepção.

– O que está tentando fazer Kiba? – inquiriu – Eu... Eu pensei que fosse meu amigo.

– Mas, eu sou!

– Não Kiba, você não é! Se fosse não diria “eu te disse” e muito menos tentaria me beijar. É tão difícil entender? – sibilou.

– Entender? – ele repetiu confuso.

– Eu amo o Itachi! E agora tudo o que queria era um amigo, mas você não é esse amigo... – as lágrimas que segurava caíram livremente – Talvez eu mereça isso, pelo que fiz você passar – sussurrou soluçando – Sayonara Kiba, espero que um dia me perdoe – deu as costas e entrou no carro. O Inuzuka atônito fitava o automóvel de azul vivo desaparecer garagem a fora.

– O que eu fiz? – perguntou em voz baixa para si mesmo.

...

– Kurenai-san, você viu a Hina?

– Itachi o que faz aqui? Eu achei que estivesse com ela, a Hinata acabou de sair.

– Sair? – repetiu e saiu de lá rapidamente rumando para garagem, enquanto tentava inutilmente ligar para sua Hime. – Droga! – falou fazendo eco pelo recinto, o carro já havia saído e o telefone caia na caixa postal. Passou a mão nos longos cabelos nervosamente, sem entender o que acontecia.

– Ela foi embora! – falou uma voz atrás de si, fazendo o Uchiha virar. Kiba estava parado, encostado a um pilar.

– Eu percebi – disse ríspido.

– Ela viu a Karin te beijando e pensou o pior – explicou com pesar caminhando até o homem e parando alguns centímetros antes. Itachi o fitou, piscou os olhos tentando assimilar as coisas – Eu sinto muito, como posso ser tão burro?

– Como? – indagou sem compreender.

– Eu queria vocês dois separados e não percebi que esteva a magoando, eu sou muito burro! – repetiu as últimas palavras. Itachi franziu o cenho para em seguida arregalar os olhos.

– FOI ARMADO? – gritou, sua voz fez eco pelo estacionamento.

– Sim – respondeu. O olhar de Itachi trasbordava de raiva, encurtou a distância que os separava, desferindo um soco certeiro na face de Kiba que caiu no chão.

Os olhos de Kiba lacrimejaram colocou a mão no nariz, onde um pouco de sangue escorria, talvez tivesse quebrado.

– Você é realmente burro – vociferou Itachi.

– Eu mereci essa... – levantou-se. Itachi ignorou o comentário andando de um lado a outro pensando no que fazer – Sei que quer falar com ela, mas antes é necessário que a Hina se acalme. Amanhã vou até ela dizer a verdade!

– Você vai mesmo – falou ameaçadoramente, saindo para voltar ao salão.

...

– Então cachor... Kiba deu certo? – indagou à ruiva – Argh! O que é isso? – perguntou com certo nojo.

– Sangue – respondeu sarcástico.

– Ah, foi a pilantra que fez isso? – indagou divertida.

– Não, foi o Itachi! A casa caiu Karin – a ruiva o fitou assustada – Eu estava muito cego para te ajudar – riu fraco – Nunca mais, nunca mais – repetiu enfaticamente com o dedo em riste – Me procure, ouviu? – disse entre dentes – Fique longe deles – ameaçou – E Hina vai saber a verdade.

– Há! Há! Há! – riu dissimuladamente, fingindo não ligar para as palavras do Inuzuka – Você acha mesmo que ela vai acreditar?

– Ela pode até ficar com raiva de mim, mas vai acreditar e você irá dançar. Escreva o que digo Karin! Sayonara – falou sorrindo vitorioso ao ver os olhos astutos da ruiva murchar receosos, entrou no carro e saiu.

FLASHBACK OFF#


6h00...

“Quinquagésima quarta tentativa!” pensou “Será que Kiba vai mesmo dizer a verdade? Será que ela chegou bem em casa?... Itachi não pense o pior a Hime é cuidadosa” advertiu o subconsciente.

– Itachi menino, o que faz aqui? – indagou Aya ainda vestida de roupas para dormir.

– Eu não dormi – respondeu de olhos fechados.

– Estou vendo, parece tão abatido, o que aconteceu? – realmente Itachi estava abatido, parecia que de um dia para outro envelhecera anos.

– Hinata viu a Karin me beijar e...

– Aquela! – sibilou Aya, interrompendo Itachi – E você foi atrás dela?

– Esse é o problema, não consigo falar com ela.

– Tentou o Sasuke?

– Ele está com a Ino, ainda não sabe – explicou.

– Claro, mas não interessa! Você vai subir tomar banho e eu irei pedir para fazerem o café. Enquanto isso, vou derrubar seu irmão da cama. Depois você vai atrás dela! – disse a mulher com o tom de voz firme. Itachi sorriu abrindo os olhos.

– O que seria minha vida sem você? – levantou-se, deu um beijo na testa da mulher – Arigatou Aya!

– Não me agradeça ainda, somente quando tiver a garota de volta – Itachi assentiu e saiu da sala.

“Nunca te vi assim garoto. Tão vivo! Acho que essa menina realmente te merece” pensou a senhora.

...

Fitou o reflexo no espelho, olheiras enormes, face e olhos inchados devido ao choro, colocou os óculos escuros, saiu do closet indo até o criado-mudo pegou as chaves. Olhou a cama pagando o diário, passou as mãos no fecho, ainda não sabia como abri-lo, muito menos como ele ficara aguardado por tanto tempo sem ninguém perguntar sobre, o colocou na bolsa e saiu.

Suspirou pesadamente com as mãos no volante, queria um abraço amigo, pensou nas possibilidades, mas sua única esperança estava fora de cidade e com o celular desligado. “O jeito é dirigir sem rumo” concluiu cantando pneu e saindo da mansão.

Notas finais
E assim acabamos esse capítulo, obrigada por ler e aguardo seus comentários. Beijos Myu ^^