Quando finalmente acaba a aula, saio da sala de aula e encontro Megan no corredor. Conto para ela sobre minha conversa co Lucian.
—O que? -Megan franze a sobrancelha -Não acredito que ele fez chantagem.
—Eu sei -afirmo
—E a carta? Você abriu? -questionou ela com curiosidade
—Não! Ele falou que não era para abrir.- reclamo
Megan me olha severamente.
—E desde quando você faz o que Lucian manda?-contesta
—Esquece Megan, vou ter que jantar com ele de qualquer jeito.
—Sabe o que eu acho ainda mais estranho?-ela suspira
—Não, o que? -pergunto
—Lucian não tem cara de fazer cartinhas para salvar a vida de alguém, ele está paranoico!

Isso era verdade, Lucian já me surpreendeu de diversas formas mas escrever cartas não é a dele. Eu e Megan passamos pelo portão da escola. Livres, finalmente livres.
Caminhamos silenciosamente até minha casa, quando chegamos Megan foi tomar banho e eu fiquei na cozinha com minha mãe. Espero Megan entrar no chuveiro para conversar com minha mãe.
—Mãe, o pai da Megan vai viajar por um mês e ela pediu para ficar aqui -digo num tom de pergunta
—Claro que pode! -mamãe concorda sorrindo -Mas por que ela não fica na casa dela?
—Ah mãe, ela odeia ficar naquela mansão. Eu acho que na verdade ela fica muito solitária já que o pai vive viajando a negócios.
Minha mãe dá um sorriso triste e começa a subir as escadas. Lembro-me sobre o jantar com Lucian.
Subo as escadas rapidamente para me encontrar com ela.
—Mãe, hoje eu vou ter que sair lá pelas oito horas.-digo dando um sorriso travesso -O que? Você está no Rio de Janeiro querida, você sabe o que tem oito horas por aqui? -questiona reprovatoriamente -Eu sei mãe, mas é importante! Eu juro ficar nas proximidades e pode me ligar a hora que quiser. Minha mãe me olha pensativa e depois concorda. -Só se você lavar a roupa amanhã, já que é sábado.

—Sério mãe? Isso é chantagem.
—Que nada querida! Ou é isso ou você fica em casa.
Olho para ela e sorrio.
—Tá bem!
Corro para o meu quarto e começo a remexer nas minhas roupas, eu tenho que fazer Lucian se arrepender de ter me chantageado. O que faria um metido popular não gostar?
—O que você está pensando?- megan indigna
—Quero que Lucian se arrependa da chantagem, e acho que a melhor forma de um metido não gostar é se eu ir feia ou com alguma coisa que ele não goste- suspiro
—Há, então vá do jeito que você está -ela brinca entre gargalhadas
—Ridícula- digo sorrindo
—Já sei, vai de roupas pretas, vire gótica por um dia –ela aconselha
—Mas eu amo coisas coloridas!- reclamo
—Eu sei, eu sei, mas ouvi dizer que Lucian odeia preto –ela contesta fazendo cara de tédio
Olho para minhas roupas pretas, uma camisa, uma jaqueta, uma bota e uma meia calça. Retiro essas roupas do meu guarda roupa e coloco-as em cima da mesa.
—Agora vai tomar um banho que você está fedendo — resmunga meg
Pego minha toalha e vou para o banheiro, tomo um banho quente e demorado, quando saio passo perfume e creme para a pele. Vou andando de toalha até o meu quarto e me visto. Após ter colocado tudo e me arrumado Megan aparece.
—Uau, você está incrível — Meg bate palmas
Era verdade, eu ficava muito bem de preto, mas mesmo assim, eu preferia roupas coloridas.
—Eu sei- concordo sorrindo
—Agora, vamos arrumar o cabelo.
Megan se aproxima e meche meus cabelos cacheados até ficarem uma bagunça.
—Vai embolar -digo quase gritando
—Calma, eu sei o que estou fazendo -ela me acalma -Viu?
Meu cabelo estava horrível! Tudo para cima e completamente cheio.
—Adorei -digo rindo
Megan dá uma piscadela

***

O som da campainha inunda nossos ouvidos. -Já? -digo olhando o relógio.

Era exatamente sete e cinquenta e sete. Megan faz cara de nojo e pula na cama com seu celular.
—Megan, fala para minha mãe que eu já fui.-grito saindo quando ela entra no banheiro
Desço as escadas correndo e abro a porta.
—Olá princesa... -ele olho bem para mim — gótica.
—Que horas você marcou? -questiono alto .
—Oito horas.- ele afirma com tédio e com um sorriso falso.
—Só que agora são... -olho para meu relógio -Exatamente sete e cinquenta e oito.
—Sério? -ele pergunta ainda com o sorriso irritante.
—Vou fazer esse dia um inferno -afirmo sorrindo maliciosamente.
Bato a porta na cara dele e sento-me na mesa.
Pego minha bolsa que estava na mesa, confiro se meu celular estava lá e espero. Quando deu oito horas a campainha toca novamente.
—Olá novamente princesa gótica-ele resmunga — Já disse alguma vez que adoro preto?
Olho para ele irritada, ou Megan sabia e fez eu ir de preto ou ele estava tentando fazer da noite inesquecivel e pelo jeito que conheço Megan, eu acho que é a opção um.
—Vamos logo – falo
Saio rapidamente antes que minha mãe aparece e ficasse conversando com Lucian. Saio andando quando do nada ele pega no meu braço.
—O que foi? -pergunto
—Meu carro está estacionado ali -ele diz apontando para um carro O carro era simples mas, era daqueles antigos bem caros daqueles filmes americanos. Sério?-me pergunto

—Não, não mesmo -digo balançando a cabeça -Você é menor de idade!
—Mas eu sei dirigir tá!
—Não, só vou se for perto... -reclamo
—Mas é perto!
—Então vamos a pé -digo sorrindo
Quando ele percebe que não vou entrar no carro, não importa o que ele falasse, ele para de reclamar e começa a andar do meu lado. Andamos por mais um tempo até que eu paro bruscamente.
—O que foi? -ele questiona
—Tá cheio de homens ali – digo
Estávamos andando por um passeio estreito, mais a frente havia uns cinco homens cambaleando e com uma garrafa de cerveja. Era só o que me faltava, bêbados.
—Foi você que quis vim a pé -ele resmunga
—Andar a pé em um lugar cheio de cobras e animais selvagens parece mais seguro que andar de carro com você.- retruco
—Obrigada pela confiança! -ele fala sarcasticamente e depois fica com cara feia.
Viro-me para ficar de frente com ele.
—Por que eu acho você ridículo mesmo?
—Eu acho que você quis dizer charmoso -ele diz erguendo as sobrancelhas, fazendo charme.
—Idiota! Eu quis dizer o que eu disse -rebato
Lucian é o único que me irrita facilmente.
—Quantos anos você tem? -pergunto -Nove?
—Para ser exato tenho dezesseis. -ele diz

—Você é um idiota imprestável, só pensa em si mesmo.

—Ah Kat, se você soubesse, me agradeceria milhares de vezes.

—Pelo que?
—Por proteger você!-fala rapitamente sem ao menos pensar
—Quando? -pergunto
—Sempre!
—Sério? -pergunto -Me proteger de que?
—De... tudo -ele olha para o pé pensativo -Você é frágil Katarina, sempre precisará de proteção.
—Me dê um exemplo do que você já fez por mim -bato o pé no chão com força -Eu achei que você só ficava causando incêndios por ai.
—Quando Alicia ia colocar o chiclete no seu cabelo -ele afirma sua mão estava tremendo levemente -Eu fiz ela prometer que não ia colocar!
—É mas você resolveu colar ele você mesmo no meu cabelo! -digo irritada -E o boato de que eu era lésbica? E o namorado falso?
—Era para chamar sua atenção! -ele diz
—E conseguiu, você é...
Antes que eu termine a frase eu sinto um toque frio na minha costa. Viro-me rapidamente e me deparo com um dos bêbados que estava na rua mais a frente. Eu havia me esquecido completamente dele! Ou melhor deles. O grupo havia nos cercado completamente.
—O que a traz aqui a essa hora? -ele pergunta
Seu hálito era horrível, cheirava a peixe morto. Ignoro a pergunta dele e sinto meus ombros ficarem tensos.
—Eu e meus amigos vamos cuidar de vocês -ele sorri -E darei uma atenção especial a você -ele diz mexendo no meu cabelo.
Ele se aproxima de mim e agarra meu braço, eu dou um chute em sua barriga e ele cambaleia, antes de voltar ao normal eu dou outro chute só que em sua cabeça e ele cai desacordado. Até que as aulas de artes marciais que minha mãe pagava deram para o gasto.
Lucian estava dando vários socos em outro cara que o cercava e o bêbado estava gemendo de dor, Lucian era habilidoso . Os outros dois bêbados começam a socar Lucian pelas costas e ele começa a gritar mas consegue desacordar outro bêbado, dois já foram. Pego um pela gola da camisa fedida e dou um soco em seu nariz que começa a sangrar rapidamente. Ele me da vários socos na barriga e começa a me chutar. Me recupero e dou uma rasteira nele fazendo-o cair batendo a cabeça no chão. Lucian estava tendo dificuldades com o quarto bêbado. Ele estava com o rosto machucado e com a calça rasgada mas estava até se saindo bem. Ele começa a socar a cabeça do quarto bêbado no chão, o homem desmaia mas Lucian continua socando a cabeça dele no chão.
—Para Lucian, você vai matar ele! -grito desesperada.
Ele para de socar ele e se recompõe.
—Desculpe! -ele diz sem ar.
Seu olho estava estranhamente vermelho,o que me fez me afastar quando ele virou o rosto seu rosto estava bastante ensanguentado que eu até senti pena.
Ele caminha em minha direção lentamente, seus olhos tomam sua cor normal.
—Sabe, eu ainda acho você frágil -ele diz rindo
Dou um sorriso irritado até que me lembro de algo.
—Ei, perai! Não era cinco bêbados? -pergunto alarmada
Quando eu termino a frase, algo rasga a coxa da perna de Lucian. Era uma faca.
Lucian cai gemendo de dor no chão e eu consigo ver seu agressor, era o quinto bêbado, quer dizer ele parecia bem sombrio o que me deu um calafrio.
—Agora só falta uma -ele diz sorrindo
Ele começa a andar na minha direção, ele parecia louco e eu não sei se ele tinha mais uma faca reserva. Ele corre e pula em cima de mim me derrubando, ele começa a socar minha cabeça no chão fortemente. Eu rolo com ele para o lado fazendo com que eu ficasse em cima. Começo a socar seu rosto e bater sua cabeça no chão. Ele estava acordado mais tinha parado de lutar.
Corro até Lucian.
—Você está bem? -pergunto verificando o corte.
Era bem profundo mas Lucian já estava se recuperando.
—To sim -ele diz -Sabe quando eu disse que achava você é frágil?
—Haham
—Não acho mais -ele diz sorrindo
Sorrio para ele e me alegro, odiava que os outros pensassem que eu sou frágil. Percebo um movimento atrás de mim e espero um segundo para ver se não era alarme falso.
—Kat, cuidado! -Lucian grita
Viro-me rapidamente até dar de cara com o quinto bêbado, ele segurava outra faca e apontava para mim. Ele tinha no rosto um sorriso quadrado e assustador.
Sem pensar, eu dou um chute bem na parte íntima, que deve ser muito doloroso por que ele havia caido no chão e estava rolando pela calçada.
—Cara, eu não queria ser ele -Lucian diz rindo
Ele se levanta e anda na minha direção.
—Então, acho que não foi um dos melhores passeios que eu tive -ele diz sorrindo
—Nem me fale -digo revirando os olhos.
—Mas o jantar ainda está de pé né?
—Concerteza -digo sorrindo
Eu escoro Lucian em mim e juntos fomos (sem briga ou bêbados) até o restaurante mais próximo.