Alffs
5 Incêndio
Conto tudo para Megan, inclusive que depois que a briga terminou nó jantamos pizza.
—O que? Sério, Pizza?
—Sério que você está chocada que jantamos pizza?
—Eu sempre soube que você lutava bem Kat, mas pizza já é de mais né!
—Que coisa em Meg!
Nós estavamos almoçando uma obra culinária perfeita, estava uma delícia (olha que foi minha mãe que fez).
—Cara, desde quando sua mãe aprendeu a cozinhar? Ela era péssima!
—Eu estou ouvindo! -minha mãe grita lá do segundo andar.
—Eu não sei -cochicho para Megan.
Nós duas rimos e acabamos de comer.
—Temos um sábado inteiro pela frente, o que vamos fazer? -Megan pergunta
—Lavar a roupa e assistir um filme -digo sorrindo
—Adorei!
Olho no relógio que tem na cozinha, já são três horas da tarde, nós haviamos dormido como pedra e, em vez de almoçarmos estavamos praticamente tomando café. Até eu colocar a roupa na máquina e pegar o filme já vão ser praticamente umas quatro horas, então é melhor me apressar.
Me levanto e entro na sala, era pequena, tinha um sófa de três lugares e outro de dois. Também tem uma televisão de quarenta e duas polegadas (minha mãe adora assistir) e uma mesinha de centro. Entro na lavanderia, que na verdade é um lugar pequeno com uma máquina de lavar. Minha mãe tinha colocado o cesto de roupas ali então era só eu jogar na máquina e fim.
Faço isso eu logo vou para a cozinha. Megan havia acabado de lavar os pratos, e já que não tinha muitas coisas para lavar ela logo acabou.
—Pronto! -ela diz -Vamos ver o filme?
—Falta a pipoca -digo -Meg, pode fazer a pipoca enquanto eu subo lá em cima e pego o filme?
—É que...
—O que? -pergunto -Vai me dizer que você não sabe fazer uma pipoca?
—Sei! -ela exclama -Quem não sabe fazer uma pipoca... -ela diz dando um sorriso atrapalhado.
Dou de ombros e vou ao meu quarto. Estava uma bagunça, as roupas que eu usei ontem estavam espalhadas pelo chão do quarto e também tinha o band-aid em cima da minha cama (na minha testa tinha um galo enorme da briga de ontem. E é claro que minha mãe perguntou o que tinha acontecido e eu claro menti, eu falei que quando eu fui entrar em casa, eu estava morta de sono e nem reparei na porta, e minha mãe acreditou (não sei como).
Procuro o DVD na mesa do meu computador, no meu guarda-roupa e até em baixo da minha cama, e em nenhum desses lugares o CD estava. "Onde eu coloquei esse DVD?"-eu penso. Eu aluguei ele há uma semana, cheguei em casa e me joguei no sofá.
Desço até a sala e procuro o DVD no sofá. Nada.
—Megan! -grito -Você sabe onde está o DVD? Eu to refazendo meus passos mas seria muito útil se você soubesse!
—Não! -ela grita da cozinha -Você e sua mania de refazer seus passos.
Dou um sorriso para mim mesma e nem respondo Megan. Essa minha mania já me ajudou diversas vezes. Onde eu fui depois do sofá? Eu me lembro de ter ido... Já sei, tomar um banho quente.
Subo correndo as escadas e vou ao banheiro, procuro no chuveiro, na pia e até mesmo na privada e como era de se esperar, nada. Continuo refazendo meus passos, depois do banheiro eu fui ao quarto de minha mãe, depois fui no meu quarto e vesti minha roupa e como última coisa eu estava... regando a minha orquídea! Olho nas minhas plantas uma por uma e não acho nada, eu já estava perdendo as esperanças quando reparei numa ponta de plástico dentro do vaso da planta, bem dentro da terra.
—O que é isso? -sussurro para mim mesma
Puxo a ponta de plástico do vaso, o que fez uma bagunça de terra em volta mas, valeu o esforço pois lá estava o DVD da locadora. O que um DVD estava fazendo dentro de um pote de planta, eu não sei mas, depois eu penso nisso, já aconteceu coisas muito estranhas com terra que nem me importo mais.
Minha mãe aparece na porta.
—Vai assistir aquele filme de novo?
—Vamos -digo -O que você vai fazer hoje mãe?
—Hoje, nada -ela diz -Eu vou pular na minha cama e assistir umas séries e dormir, hoje, nem pensar em sair.
Dou um sorriso para ela e desço as escadas para ver como Megan está indo com a pipoca.
—Como vai a pipoca?
—Acho que está ótima -Megan diz
Ela me mostra a travessa com a pipoca e eu quase dou um treco, a pipoca estava totalmente queimada, estava saindo até fumaça preta.
—Acho que ficou meio queimada, mas dá para comer -ela diz sorrindo
—Megan, isso está totalmente queimado!
—Mais dá para comer -ela diz
Megan pega algumas pipocas totalmente queimadas e joga na boca.
—Não, não dá -ela diz fazendo careta.
Deixamos a pipoca em cima da mesa e fomos assistir televisão.
—Você sabia onde estava o DVD? -pergunto
—No quarto?
—Estava dentro, dentro mesmo do vaso de planta -digo
—Que estranho -ela diz fazendo careta -São os zumbis!
—Ah Megan! Me polpe! -digo rindo
Coloco o DVD do nosso filme favorito, Divergente e aperto o botão para o DVD entrar. O DVD entra rapidamente e eu pulo no sofá maior e Megan vai para o menor. Por fim aperto iniciar e nosso filme começa. Nós já tinhamos visto esse filme milhares de vezes mas nunca nos cansamos da Tris ou do quatro. Quando a Tris tinha acabado de escolher sua facção, minha mãe desliga a televisão.
—Mãe! Por que você desligou?
Olho para Megan para ver sua cara mas ela e não estava lá. Onde Megan está?
—Você tem coisas importantes a fazer pela frente Katarina -minha mãe diz
Na verdade, o rosto muda, não era minha mãe, era um homem de olhos vermelhos e cabelos escuros, tinha uma postura impecável e era glorioso.
—Você terá uma missão pela frente e terá que aceita-la, sozinha você não conseguirá, e se não aceitar, terá consequências drásticas. Megan sabe as respostas. Acorde menina. Eu irei voltar em breve.
Dizendo isso, o homem desaparece num piscar de olhos e eu acordo. Foi só um sonho. Olho para Megan e ela estava dormindo e o filme já havia acabado. Devia ser umas sete horas já, como o tempo passou rápido! Me levanto e vou a cozinha, bebo um copo d'água e vou em direção a sala, olho para a escada e vejo fogo. Continuo andando quando paro de repente. Fogo! Vou correndo até as escadas e estava mesmo pegando fogo! Corro até o quarto de minha mãe e não encontro nada.
—Mãe! -grito sem obter resposta -Mãe!
O fogo estava alastrando rapidamente e se eu não sair de lá, vou ser cozinhada vida. Saio correndo e procuro minha mãe, não tinha nem sinal dela. Procuro no banheiro e acabo queimando meu braço mas contenho a dor. Corro até o primeiro andar, o fogo estava se alastrando agora pela sala e mesmo assim Megan continuava dormindo. Corro até ela e a sacudo, ela acorda assustada.
—O que foi? -ela pergunta
—Está pegando fogo! -digo com medo
—O que?
Ela pula do sofá e vê que era realmente verdade.
—Temos que sair daqui Kat! -ela diz me puxando para fora
O fogo começando a inundar a sala e eu continuava imóvel.
—Eu não achei minha mãe Megan! -digo tossindo por causa da fumaça
—Ele deve ter saido Kat, vamos!
Megan me puxa violentamente e nós saímos da casa em chamas. Havias varias pessoas e vizinhos ali mas não vejo minha mãe. Megan me puxa novamente e corremos quando uma explosão atinge minhas costas e eu sou lançada ao ar, fica tudo escuro e eu não vejo mais nada. Escuridão. Solidão.
Abro meus olhos e olho ao redor, eu estava em uma maca e a minha casa estava em ruínas. Megan estava a minha direita com os olhos abertos assustados. Olho várias vezes ao redor em busca de minha mãe porém só vejo minha tia e vários vizinhos. Uma enfermeira veio até mim e mediu meu pulso.
—Como se sente? -ela pergunta
Era uma mulher loira com olhos castanhos, parecia ter por volta dos trinta anos.
—Eu estou bem
Na verdade, eu não estava não. Minhas costas estavam ardendo, meu corpo inteiro estava doendo e minha cabeça parecia querer explodir. Troco um olhar com Megan e ela me dá um sorriso encorajador, mesmo que ela estivesse com medo. Continuo a procurar minha mãe e não a vejo. Olho para a enfermeira.
—Onde está minha mãe?
Ela me olha profundamente.
—Nós ainda não temos certeza, pode ser que estejamos enganados e que talvez nem seje ela -a enfermeira diz
—O que? -pergunto
—Acharam um corpo no banheiro -ela diz
Sem esperar, ela sai de perto de mim e vai até o corpo de bombeiros, me deixando sozinha.
—Não pode ser -digo me debatendo.
Tento me levantar, começo a me socar , as lágrimas escorriam pelo meu rosto. Me levanto e caio aos pés da maca. Começo a chorar enquanto a enfermeira começa a correr para me pegar. Sinto um abraço, olho para trás e Megan estava caída ao meu lado me abraçando e chorando.
Minha mãe não pode ter ido embora assim, ela não pode me deixar como meu pai me deixou. Não pode!
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