Alffs
3 A carta de Lucian
Notas iniciais
A campanhia começa a tocar. Abro os olhos e me levanto.
–Quem pode ser? -Megan pergunta ainda de olhos fechados.
Minha mãe deve ter saido há algum tempo então, eu terei que atender. Me levanto e desço as escadas devagarinho. A campainha toca novamente.
Abro a porta e dou de cara com a dona Elisa, minha ex-sogra.
–Desculpe te incomodar tão cedo querida -ela diz
–Não, imagina -afirmo tentando não soar sarcastico.
–É que Willian não vai para a casa desde ontem a tarde. Você saberia onde ele está? -ela pergunta preocupada.
Sinto minha cabeça girar, espero não ter ficado pálida. Será que ele não conseguiu sair de lá? Será que está ferido?
–Eu acho que sei onde ele está — suspiro -Vou ir busca-lo agora.
Dona Elisa acena com a cabeça e vai embora aliviada. Subo as escadas de dois em dois. Será que...?
–Quem era? -Megan pergunta ainda deitada
–Era a dona Elisa -digo
–Provavelmente para falar que sente muito o termino de vocês...-ela resmunga sonolenta.
Meg nem se da o trabalho de rolar um pouco para a direita, ela estava bem na ponta da cama. Ela nem pareceu notar que seu cabelo estavam cobrindo seu rosto.
–Não. Para falar que Will não vai para casa desde ontem a tarde. -desabafo meus dedos estaram tremendo de nervosismo
–Ai!
Corro até a cama onde eu pude ver Megan caida de cara no chão. Ela se levanta e finge que nada aconteceu, como ela era desastrada!
–Você quer dizer que acha que Will não saiu de lá? -ela questiona se aproximando
–E-eu não sei-admito
–Então vamos descobrir -ela esclama -Mas eu acho que ele deve estar tomando todas por ai.
Nós trocamos de roupa e nos arrumamos do melhor jeito que conseguimos. Em menos de meia hora já estavamos saindo de casa, só que desse vez iamos de ônibus.
Descemos em frente ao parque. Ele estava exatamente como ontem, só que desta vez as flores estavam mais vivas do que nunca.
Paro atrás de uma árvore. Megan continua andando até que encontra um buraco coberto de folhas, era quase impossivel alguem encontra-lo pois estavamos longe da parte mais explorada do parque.
–Meg, será que ele morreu? -eu perguntou parando a poucos passos dela.
–Também acho que sim, bem que ele merecia... Brincadeira é logico -ela disse -Pare de ser dramática!
Volto para as árvores me afastando do buraco.
–Ei! Vamos! — ela grita
Megan sai de perto do buraco e se aproxima.
–É que eu falei para ele que não ia ajuda-lo, e não vou. — digo decidida.
Quando eu digo uma coisa eu cumpro, e eu falei para ele que não ia ajuda-lo.
Megan me olha pensativa e por fim concorda, ela me conhece melhor que nunca e sabe como é meu gênio.
Ela vai andando calmamente em direção ao buraco. Da distancia em que estavamos, eu só podia ver ela chutar as folhas e mecher a boca, provavelmente devia estar conversando com Will. Ela estende a mão e começa a puxar ele, fazendo fazendo um imenso esforço mas não estava conseguindo.
"Vai Megan, você consegue!" falo para mim mesma.
Escuto um barulho e me viro, é apenas um cachorrinho. Quando olho novamente para Megan, Will estava de pé ao lado dela. Eu começo a sentir um alivio imenso. Ele estava molhado e sujo, mas eu não senti pena. Porque eu não sentia pena ?
Ele vai embora rapidamente, quer dizer ele corre. Megan volta para mim com uma cara de satisfação.
Antes de falar com ela eu olho no meu relógio, são oito horas, já havia se passado um bom tempo.
–Megan, obrigada! -exclamo com alivio
Dou na minha amiga um abraço apertado.
–Já são oito horas! Temos que chegar em casa cedo -resmungo
–Por que?
–Hoje temos aula -digo sem animação.
Megan faz uma careta mas não discute.Eu e ela concordamos que estudar a tarde era horrível! O sol a tarde era um inferno. Caminhamos até ao ponto de ônibus.
–Kat, meu pai vai ficar fora um mês, eu poderia... -ela pergunta
–Claro -digo antes que ela termine a frase.
Ela sorri para mim. Pegamos o primeiro ônibus e fomos para casa.
Chegando em casa, abrimos a porta e fomos para a cozinha, minha barriga está roncando de tanta fome.
–Kat, você sabe cozinhar alguma coisa? -pergunta Megan.
Olho para ela incrédula, vai me dizer que ela que vive praticamente sozinha não sabe conzinhar?Ah esqueci, ela é rica.
–Macarrão instantâneo -digo orgulhosa
–Miojo? Sério? -ela questiona rindo.
–E você sabe o que?-pergunto.
–Sei fazer um monte de coisas tipo... hã... -Megan resmunga nervosa
Começamos a rir. Fomos ao meu quarto e esperamos minha mãe. Meu quarto era lilás, cheio de flores decorativas (Megan se irritava com isso, ela sempre me chamava de florista). Meu quarto também tinha uma bicama de solteiro branca e um armario roxo. O quarto em si era bastante espaçoso, cabia até uma escrivania com livros e meu computador.
Depois de uma hora e com meu estomago roncando, minha mãe chega.
–Querida cheguei!
Eu desci correndo a espera de uma comida pronta que minha mãe sempre traz, e ultimamente ela sempre traz três, uma para cada uma.
–Cadê a comida? -pergunto
Eu estava quase comendo a Meg de tanta fome, mas a Meg não deixou.
–Hoje eu vou cozinhar -ela sorri animada.
Dou um sorriso desanimado a minha mãe. Ela era uma péssima cozinheira do tipo horrível mesmo e pelo jeito terei que comer biscoito.
–Vou no meu quarto deixar a bolsa e já volto -ela diz
Ela sobe até ao segundo andar e eu subo até meu quarto.
–Cadê a comida? -Megan pergunta esperançosamente
–Minha mãe vai fazer — digo
Megan faz uma careta e eu começo a rir. Ela já tinha provado a receita de minha mãe.
Ficamos conversando até as dez horas, depois fomos nos arrumar para a escola. Onze horas nós estavamos prontas para almoçar. Pegamos nossas mochilas e descemos as escadas, havia um banquete a nossa espera.
–Uau -eu e Megan dissemos em únissono
–Comam antes que esfrie, e cuidado para não se atrasarem.
Olho para a Megan com cara pensativa, Megan dá de ombros e enfia uma colher na boca. Ela acena com aprovação e começamos a comer. Não sei onde minha mãe aprendeu a cozinhar mas essa comida estava exelente.
Acabamos de almoçar e saimos de casa. Fomos andando até a escola que não era muito longe. Era um edifício enorme, tinha uma porta que parecia de estacionamento e na entrada uma grande rampa que dava para as salas.
–Perai, aquele ali não é o Lucian?-Megan pergunta
Ela aponta para um menino e cabelos pretos que estava bem longe.
–Ah, não, não, não! -digo
Lucian era o menino mais irritante que eu já conheci. Sempre que ele me vê ele tenta me arruinar, mas é claro que eu também tenho meus truques. Mas hoje eu não estava boa para discutir com ele. Lucian sempre arrumava um jeito de me destruir ou melhor, me irritar. Ele já tentou já tentou chiclete no cabelo (eu fiz ele engolir o chiclete) ,namorado falso e até botou um boato que eu era lesbica.
–Se vira -Megan se adianta.
Ele não estava muito longe, mas como ele é super popular ele estava rodeado de meninas e não havia me notado.
–Eu tenho uma blusa com touca, eu vou pegar.- ela arrisca
Megan vasculha sua mochila e tira de lá uma blusa preta com touca, perfeita para mim. Visto-a rapidamente e coloco a touca. Aceno para Megan indicando para ela ir na frente se não ele ia desconfiar. Megan entende e concorda, em menos de um segundo ela já estava entrando pelo portão.
Espero mais um instante e começo a andar olhando para o chão.
–Ai Lucian, você é perfeito! -ouço uma das meninas falar.
Passo rapidamente com cara de nojo e percebo que Lucian nem estava ligando para elas. Ele parecia procurar alguma coisa ou melhor, alguem e esse alguem com certeza era eu.
Consigo passar pelo portão sem ser vista por ele, olho para o lado a procura de Megan e vejo ela conversando com Gabriel, seu namorado, só que ele não sabe ainda.
Me encosto numa parede longe deles e do portão e fico perdida em meus pensamentos que nem percebo Lucian se aproximando.
–Você nunca vai fugir de mim Kat -ele diz
–Meu nome é Katarina -rebato rispidamente e me afasto
Ele me segue novamente.
–Não precisa ser rude Kat, mas e ai, como vai Will? -ele pergunta sorrindo
Ele sabia que eu havia terminado pois ele nunca havia falado em Will.
–Deve estar bem... -digo dando de ombros
–Bem imundo -ele diz sarcasticamente.
Antes que me desse conta eu pergunto.
–Como você sabia? -questiono
–Tenho meus contatos — ele responde
Olho para ele e dou de ombros.
–Mas para mim não contar para ninguém ... -ele deixa a frase no ar
Viro-me e fico de frente para ele com um olhar desafiador.
–O que você quer? -digo rapidamente
–Só quero levar você para jantar -ele diz
Olho para ele confusa, eu achei que ele ia pedir uma coisa mais complicada e perigosa.
–Não! -digo sem pensar.
Ele me olha profundamente e depois balança a cabeça em sinal de desaprovação.
–Ei garoto -ele puxa um menino que estava perto -Sabe o que ela andou aprontando?
O menino olha confuso e balança a cabeça negativamente. O menino era Robert Graub, o garoto mais fofoqueiro da escola. Ele devia ser filho de afrodite (eu amo mitologia grega) e se Lucian falasse para ele, em um minuto todo mundo iria saber.
–Ela deixou o...
Se ele contasse para Graub, toda a escola saberia hoje mesmo, e eu estaria profundamente encrencada.
–Tá bom, eu vou com você! -digo por fim
Ele larga Graub e dá um sorriso malicioso. O sinal toca, eu já vou me virando quando ele segura meu braço.
–Hoje as oito horas -ele diz — Eu passo na sua casa.
Ele faz uma coisa inesperada, se aproxima de mim e coloca uma carta na minha mochila.
–Abra isso quando for a hora, e eu não estou dizendo a hora que vamos jantar mas sim... Quando sua mãe pedir, abra essa carta.
–Mas...
–Guarde-a bem, ela pode salvar sua vida.
Olho para ele assustada, como aquela carta poderia salvar minha vida? Significa que eu estou correndo perigo?
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