Alcuhuati
1 Aberração
Em algum continente pertencente a algum outro planeta, em alguma outra época.
Alcuhuati, este era o nome do continente, apesar que ninguém saiba o que isto significa. Perto de sua limitação ocidental, havia um deserto conhecido como “Niroa'd” pela cultura humana. Sim, havia humanos também, mas perderia muito tempo explicando estes fatos. Este deserto foi onde todas formas de vida surgiram, passando por ele, e logo espalharam-se pelo continente (somente nele, até onde sabe-se). Logo ao lado, havia uma das peças mais importantes para a história deste continente. “Floresta Anciã”, onde continham os Elfos, uma das maiores raças. Dizem os humanos terem dado este nome por serem as primeiras formas vegetativas, que logo abrigaram a maioria das espécies racionais. Porém, metade dela estava tomada por “Drasskairht” o império humano. Este que estendia-se ainda por mais uma imensa parcela de terra ao leste, e suas muralhas acabavam em Horizon, um campo que se estendia quase infinitamente até o começo de um outro tipo de horizonte, um horizonte negro que ninguém atreve-se a explorar. Ao norte, a praia dos trasgos. Por mais perigosa que seja, era o único jeito de qualquer raça que não seja humana atravessar o caminho em direção ao resto sem necessitar passar pelo reino humano. Ao norte, as montanhas de Ertallus, dominada pelos gigantes. Ainda existiam muitas outras coisas, mas somente estas vejo questão de citar por agora.
Outro fato interessante de destacar-se era que os humanos podem ser considerados a raça mais fraca de todas, além de que são um em um milhão de humanos que nascem com a possibilidade de utilizar magia. Mesmo assim, tornaram-se o reino com o maior território e não possuem nenhum predador. Alguns dizem que é por causa de sua tecnologia. Na verdade, ela seria equivalente à nossa durante a idade média, assim como a maioria das coisas deste mundo.
Perto da cidade Ch'tarael. Era uma cidade consideravelmente pequena. Fora das muralhas, que deveriam medir uns seis metros. A vegetação era escassa, o que deixava com uma aparência meio desértica.
Um homem vestindo um sobretudo e um capuz estava correndo, fugindo de outros seis que vestiam cotas de malhas.
–Hoje que você morrerá aberração!
Um deles, que empunhava uma balestra, dispara uma seta em sua direção. O homem num impulso desvia e continua a correr. O que atirara, resmunga pelo erro.
Quatro dos outros carregavam lanças, o que restara, uma espada branca com entalhes dourados que combinava com seu cabelo loiro.
Numa das pausas para respirar, ele avista uma gruta e entra para dentro. Logo seguido pelos outros. Lá estavam sem luminosidade alguma então um dos lanceiros apoia sua lança na parede e usando pedras aquecidas que trazia em seu cinto, tentara acender uma tocha. Foi pego de surpresa por um corte vindo de uma espada que o decapitou. Ele derruba as pedras e seu sangue arruinara-as, e logo também caí duro no chão. Outro também tentara ao mesmo, e ao acender enxerga o cadáver de seu companheiro e ao lado, o homem que o matou empunhando uma espada fina extremamente bela, porém manchada de sangue. Ele pega novamente sua lança e parte raivosamente desejando cravar sua lança no pescoço do homem que tirara a vida de seu amigo. Este que apenas caminha um passo desviando e com leveza e precisão desfere um corte no pescoço do homem tão profundo que poderia ter acabado com todo seu sangue somente nesse ataque. Ao avistar outro dos lanceiros, rapidamente faz um corte, sem deixar tempo de reação.
Aquele mesmo da balestra, estava preparando um tiro certeiro, e olha para os cadáveres, quando retorna o olhar para o homem, ele estava na sua frente o encarando. Ele começa a tremer e derruba a balestra, mas antes que pudesse pensar em se render, levou um corte no peito.
Pensando que era agora que havia vingado seus companheiros, outro parte para cravar sua lança nas costas do homem. Mas não esperava que o cara do sobretudo escondia dentro dele outra espada, e a sacaria e a usaria para bloquear seu ataque. Nem todo o peso colocado na lança foi capaz de aguentar aquela peculiar lâmina fina, que era idêntica à outra. Agora com a lança do oponente quebrada, o homem simplesmente virou-se e cravou sua espada no peito do homem, provavelmente em um órgão vital.
–Você pode ter matado todos meus companheiros... Mas vou mostrar que a morte deles não foi em vão!
Em uma investida usando toda sua força, o último que sobrou tenta decidir a batalha, mas nem aquela bela espada foi capaz de parar aquelas duas que acabaram com a vida de seus amigos. Após o choque das 3, ambos recuam. Foi a vez do fugitivo tentar matar seu perseguidor, desfere uma estocada com suas duas espadas em um único ângulo. O loiro apara as duas empurrando-as para baixo com sua larga espada de duas mãos, e tenta desferir um corte de baixo para cima mortífero. O homem, ou "aberração" como fora chamado anteriormente, atira-se para trás e usando suas duas espadas afasta aquela lâmina, mas antes que pudesse se recompor o outro tenta finalizar de vez. Porém levou uma rasteira. O cara do sobretudo levanta enquanto o outro caia. Nessa hora, ele corta os dois braços do homem, obrigando-o a derrubar aquela espada. Ele afasta-a chutando e embainha sua espada. Segurando pela cabeça, levanta o perdedor que estava quieto por orgulho. Olha-o fixamente nos olhos e faz um corte em seu pescoço profundamente.
Algumas horas depois, em um bar da cidade.
–Uma taça de vinho, do melhor que houver.
Disse um homem ao garçom. Ele deveria estar na casa dos vinte e cinco anos. Estava sentado no balcão do bar. Seus cabelos e olhos eram negros que faziam contraste à sua pele extremamente branca, suas roupas também seguiam o padrão de preto e estavam tapadas por um sobretudo, além de uma braçadeira preta também.
Quando o garçom viera entregar sua bebida, ele apontou o dedo para o lugar onde uma mulher sentava. Na cadeira ao lado. Era muito bela, talvez alguns considerariam-na perfeita. O que deixava estranho o fato de estar frequentando o bar sozinha, visto que a gente que o frequenta tem sua reputação. Por um ângulo parecia estar muita tensa, mas isto não era algo que impedia aquele homem de a cortejar.
–Faça o favor de servir-lo àquela dama.
O garçom obedecera e a mulher fitou o homem com receio. Quando ele se retirou, o homem sorriu e falou:
–Não se preocupe, apenas precisava chamar atenção. Eu percebi.
–Ela o olho, pensa, retorna o olhar, pensa novamente até que finalmente o responde:
–Percebeu o quê?
–Na verdade havia percebido desde o momento que a vi, mas o que matou a charada são seus olhos.
Ele estava os encarando agora mente. Era um belo par de olhos verdes perfeitamente encaixados naquela pele maravilhosa. Ele ainda estranhava o fato de estar no bar.
–O quê tem eles?
–São lindos. Assim como toda você.
Ela se vira pegando a taça de vinho, para tentar esconder o tanto que havia ficado corada.
–Nem um pouco direto, imagina...
Ele solta um outro sorriso e a estende a mão.
–Prazer, Leonhard Hussain.
Ela segura sua mão, em sinal de comprimento e ele a leva para a boca, beijando-a.
–Ana... Ana Sith...
–Então, Ana. Que faz sozinha em um bar desses?
–Na verdade eu... -Ela pensa um pouco antes de continuar -Não achei outro lugar nesta cidade agradável!
–Estava em busca de diversão.
Ele lança mais um sorriso a ela, desta vez qualquer um percebia o ar irônico, ela sem graça responde:
–Tipo isso...
Leonhardt pede outra taça de vinho, e logo a bebeu. Enquanto isso outro homem entra no bar. Vestia um aspecto sujo.
Enquanto isso, alguns homens jogavam cartas. Tinham aspectos sujos e estavam fedendo. Típicos bêbados de bares.
–Cê ouviu falar da aberração?
Um homem de provavelmente cinquenta anos falava, enquanto fazia sua jogada. Um ruivo, possuía menos de quarenta, o mais novo deles, assim como era o melhor no jogo, comenta:
–Ainda não capturaram? Tá todo mundo preocupado. Daqui a pouco vai chegar em algo maior, tipo o imperador. -Ele bebe o gole de sua bebida -Aumento a aposta para trezentos.
Os outros olham surpresos para o que acabará de ocorrer, e logo ficam irritados.
–Passo.
–Cê tá querendo nos foder? Passo...
–Passo também.
–Fica com a grana logo... -Ele largara o dinheiro e retornara àquele assunto -A aberração deve tá há duas semanas, e já matou mais de dois bandos famosos por aqui.
–Três. Outro homem havia chegado no bar e juntado-se à mesa -Acreditaria se eu contasse que estava caçando lebres esta hora da noite, acabei entrando numa gruta e encontrei o bando do Kriger exterminado? Juro pela armadura que estou vestindo -Ele aponta para sua armadura, uma cota de placa de aço da qual se orgulhava muito.
–Que história. Mas quando o Jhonan envolve a armadura o negócio é sério! Topam dar uma investigada, homens?
O ruivo, provavelmente graças à bebida, estava eufórico para descobrir. Todos concordaram em coro e saíram do bar.
Ao ver o homem que entrara, Ana ficou mais tens ainda.
–Vamos para algum... outro lugar? Onde der para conversarmos em paz.
–Pensamentos sincronizados!
Leon bota o dinheiro no balcão referente às duas taças de vinho, e mais um pouco por uma garrafa. A mesma que ele pede e o barmen entrega. Ele a pega e ambos levantam, prontos para sair.
Mas o homem foi em direção aos dois, era notável a diferença de tamanho dele para os dois. Leon era somente poucos centímetros mais alto que ela, já o outro, deveria ser 20.
–Vagabunda!
Ele agarra o braço de Ana com força, depois Leon descobriria que isto deixara marcas.
–Aì, relaxa um pouco.
Leon encosta no cara, que o empurra.
–Cala a boca filho da puta. A conversa é minha com esta vadia aqui. Não basta um segundo que já vem se atirar para cima de outro homem.
–Me larga! Olha o mico.
Leon encara-o com uma expressão de repugnância.
–Não percebe que está fazendo um fiasco? Tirando o fato de estar machucando uma mulher.
–Essa vadia já ia me trair, então cale a boca!
–Bela lógica. Deixa sua esposa em cassa, vai gastar a grana em bordéis e fica puto quando a mulher resolve ir atrás de diversão também.
–Como você...
–Qualquer um perceberia somente cheirando essa roupa onde você acabou de sair. Então, oque lhe dá o direito de agredir-la pelo fato de ter cometido o mesmo erro que você.
–Ela é mulher, é diferente. Na verdade, é uma vadia.
Sem nenhum pingo de noção, ele dá um soco na face de Ana. Ou pelo menos tenta. Em uma rápida reação, Leon colocou a garrafa na frente do punho. Acabou estragando o vestido dela, mas o punho do homem, que havia atravessado camadas de vidro, jazia ensanguentado. Ele grita e bufa de raiva enquanto olha seu punho.
–Corrigindo, o erro dela foi ter casado com você -Usando o que sobrou da garrafa, Leon deu uma coronhada que o deixou inconsciente enquanto Ana chorava assustada. Ele a envolve em seus braços e pergunta -Machucou-se? -Ela apenas responde com a cabeça em sinal de não -Vamos procurar algum outro lugar.
Os dois dirigiram-se para alguma hospedaria qualquer.
O grupo dos homens que estavam jogando cartas no bar, assim como foi-lhes dito, encontraram os cadáveres. O que estava mais bêbado vomitou, e o ruivo o olha com cara de nojo.
–Ninguém é de ferro -Fala o ruivo deles -Deixa ele aí e vamos continuar.
Eles seguem pela caverna, até avistar o cadáver de quem eles chamam de Kriger. O ruivo logo fala:
–O melhor guerreiro da cidade está morto. Vocês sabem o que fazer.
–À esta hora? O duque deve estar dormindo.
–Acorde-o. É melhor mandarmos uma carta agora mesmo.
–Acho que não será necessário, boatos que ele já está por perto. Resolveu vir por conta própria.
Uma mão agarrou a mão do homem que estava vomitando, que grita. Os outros logo correm em sua direção. O homem que usava a balestra ainda estava vivo.
–Ele... -Estava quase sem forças para falar -Parece ser uma pessoa, mas se você visse o que ele fez com o cadáver do Kriger, não acreditaria que é humano.
–Muito obrigado. Levem-o para algum curandeiro.
Disse o ruivo e logo dois botaram o ferido em suas costas para levar em um hospital.
–Obrigado digo eu... Charles é seu nome, não é?
–Haha, até um bêbado como eu virou conhecido então?
–Qualquer criança da minha época já ouviu falar de você.
Algumas horas depois, no quarto da hospedaria.
–Muito obrigada, mesmo.
Ana se abraça em Leon, enquanto derramava mais lágrimas. Ele acaricia seu rosto para acalmá-la.
–Não fique assim. Apenas fiz o que era certo. Aquele cara era, por mais que infelizmente de ser seu marido, um traste dos piores.
Ele se levanta e vai em direção a onde eles haviam jogados suas roupas, meche em seu sobretudo e pega algo, que ela não viu por estar muito escuro no quarto.
–O que aconteceu?
–Nada.
Ele apenas deita novamente ao lado dela.
–Bom... Sei que parece muito, mas muito estranho falar isso para quem apenas se passou uma noite, mas não me arrependo de ter aguentado anos ao lado dele somente por ter te conhecido.
Eles se beijam.
–Ah, mas um dia ficaremos juntos. De verdade. -Aproveitando que ela estava distraída, passa a espada que acabará de pegar em uma veia de seu pescoço -Enquanto, isso, vá me esperando no inferno.
Ele puxa-a encostando sua boca no lugar cortado e começa a beber seu sangue.
Quando amanheceu, mesmo sem ter surgido nenhum raio de sol por conta das nuvens que cobriam o céu, os batedores de uma região próxima à cidade teriam uma ótima notícia para contar.
Por alguns metros era possível ouvir passos, um homem vestindo um manto negro tapando-o quase inteiramente caminhava em direção a Ch'tarael. Quando o vê, um batedor ficou eufórico como uma criança e logo leva seu cavalo para perto. Qualquer um reconhecer-o-iria
–Você é aquele que tanto falam não é? Não acreditava que existia...
Ele o ignorou. Por um fato estranho, alguns lobos que habitavam a região vem o atacar. O homem apenas abre sua mão, sem nem olhar para o lado e os lobos vão parando um a um de respirar.
O batedor ao ver aquela cena assusta-se. Somente porque não conhecia o jeito do único humano capaz de usar magia que existia.
Nunca conversando
Apenas segue caminhando
Espalhando sua magia
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