Melody se assustou: “Como? Não! É impossível uma pessoa envelhecer em tão pouco tempo. Isso é um sonho, é a única solução.” Ela começou a rir:

– Isso é um sonho! Você... quer dizer, você de verdade, disse isso!

Emily a olhou seriamente e disse:

– Você é desse mundo Melody, de Nistenyém. Você é uma nistenium, como eu. Isso não é um sonho.

– Isso não é possível! Como você envelheceu assim?

– Aqui nada é impossível.

– Mas então... se eu sou daqui, porque você não me mostrou? Porque sempre escondeu?!

– Porque eu tenho... tinha que esperar você completar 18 anos. Está tudo acabado. Está realmente tudo acabado.

– Mas então, o que você fazia lá, comigo?!

– Eu sou sua guardiã. Depois de um tempo você começou a correr muito perigo no mundo humano, e eu tinha que te proteger. Também tinha que ter certeza que você estaria madura o suficiente para enfrentar esse mundo.

Melody abraçou Emily.

– Então todo esse tempo você esta me protegendo?! — Perguntou, sorrindo.

– Não... me abrace Eu não gosto disso.

Melody se afastou.

– Me desculpe.

– Não me referi aos abraços.

Melody a encarou, confusa.

– Não gosto de ser sua guardiã.

O ar de felicidade de Melody sumiu de repente.

– Por-por-por quê?

– Eu era uma espadachim. Uma ótima espadachim, mas pelo que aconteceu... Eu não consegui... E como castigo eu virei sua guardiã. Ninguém merece ser guardiã de uma novata.

Os olhos de Melody se encheram de lágrimas.

– Emily... Emily!

Emily olhou pra baixo com cara de desprezo e depois de um tempo tornou a dizer, como conclusão:

– Está acabado... Está tudo acabado.

Melody a fitou.

– Esqueça isso, e vá para casa.

– Mas...

– Anda Melody!

Melody então saiu confusa e intrigada.

No dia seguinte Melody faltou à aula. Estava com a cabeça cheia de pensamentos e provavelmente não conseguiria prestar atenção nas aulas então seria inútil ir. “Que lugar era aquele? Era real e eu tenho quase certeza. Mas como? Isso não é possível. E se é, porque sou um deles? E porque Emily não gosta de ser minha guardiã, ou seja lá o que for? Achei que ela fosse minha melhor amiga.” Melody já não sabia em que pensar. Não achava respostas para as suas perguntas. Depois de um longo tempo, obteve resposta: voltar para aquele lugar. Sabia que Emily havia pedido para esquecer, mas ela havia pedido algo impossível. Se ela tinha meia certeza, ela precisava ter certeza absoluta. Levantou-se, foi ao banheiro, lavou o rosto, escovou os dentes, trocou de roupa, desceu as escadas, tomou café sem pronunciar uma palavra, agradeceu sua mãe pela comida, e saiu de casa. Lembrava-se bem do caminho então foi fácil chegar ao lugar: uma cachoeira com uma pedra enorme por perto. Quando chegou, observou tudo muito bem. Agora, de dia, se lembrava: ela conhecia aquele lugar. Ia quando era muito pequena, com o seu pai, antes de ele desaparecer de sua vida. Ela gostava de lá. Também se lembrava de histórias que seu pai a contava sobre dragões, e pessoas que podiam voar aos céus sem limites. “Espera... Será que esse lugar que meu pai me falava era aquele lugar?”. Ela resolveu se aproximar “Bem, foi aqui o lugar, mas como eu faço para entrar?”. Tentou jogar uma pedra em cima da pedra grande, mas não funcionou. Gritou “Abra!”, não funcionou. Foi à floresta, pegou um galho e colocou embaixo da pedra para empurra-la para cima, mas não adiantou. Então, cansada de tanto esforço, se encostou à pedra para descansar e quase caiu no chão por a pedra se levantar. Ficou feliz, mas não demonstrou, afinal não estava ali por diversão. Entrou no portal e apesar de não ter percebido, no mundo Nistenyém existia a mesma pedra grande da floresta depois de atravessar o portal.