– Não se esqueça de fechar o portal.

Melody se espantou.

– O que faz aqui? Deveria estar em aula, Emily.

Emily sorriu, ironicamente.

– Estaria se você estivesse lá. Mas agora que você sabe de tudo, não tenho muita necessidade de ser guardiã. Ontem, após você ter ido embora, Herding que é o líder desse mundo me chamou e eu expliquei o que havia acontecido. Estranhamente, ele abriu uma exceção para você.

– Uma exceção?

– Você teria que ter 18 anos para conhecer o mundo Nistenyém. Se ocorresse algo como ontem, e a pessoa ser mais nova que isso, suas lembranças sobre esse mundo seriam apagadas e a pessoa seria renunciada daqui. Mas ele abriu a exceção como já disse então se prepare para as aulas.

– Aulas? Mas já são 10h50, eu já perdi a aula.

– Estou dizendo aulas daqui.

– Aqui tem escola?!

– Não.

– Então...?

– Prazer, sou sua mestra.

Melody a encarou, sem entender.

– Você achou que eu seria sua guardiã para sempre?

– Só não achei que um dia você me daria aulas.

– Lá na cidade tem um estoque de espadas e armaduras para novatos. Passe lá. Ás três da tarde quero você pronta, aqui. O treinamento começará hoje.

– Espada? Eu nunca nem toquei em nenhuma! Estoque, como vou saber onde é isso?

– Se virá. 3 horas.

– Mas eu não...

– Tchau.

Emily sumiu no meio de um brilho e Melody ficou sem reação então olhou para o seu redor e vendo que não tinha ninguém por perto, começou a caminhar. Pensou que já que realmente não teria ajuda, o melhor seria procurar a cidade sozinha do que ficar parada. Depois de um longo tempo andando, finalmente encontrou a cidade e percebeu o quão maravilhoso era aquele lugar e aquelas pessoas. E era apaixonada por asas. Ficou andando pela cidade por um tempo, mas logo resolveu perguntar a alguém onde era o estoque de espadas e armaduras.

– Oh, sim. Você é uma espadachim novata.

– Acho que sim.

– Deve ser por isso que falou comigo... – Cochichou o jovem. – Venha, te levarei até o estoque.

– Mesmo?! Obrigada.

Melody ficou contente de ter encontrado um garoto gentil. A viagem foi rápida, mas também silenciosa.

– É aqui.

– Ah! Muito obrigada mesmo... Se você não estiver com pressa, poderia entrar comigo? Sabe, eu não conheço ninguém aqui...

– Pode ser, mas não se acostume. Só entrarei porque Marc é muito bom com todos.

– Obrigada!

Eles entraram no estoque, era um lugar cheio de espadas e aparentemente sem nenhuma pessoa.

– Marc! Marc, onde está você?

– Aqui no fundo, Jhon!

Melody parou de observar a espada para descobrir de quem era aquela voz.

– Espere só 1 minuto! – Gritou o homem.

Melody ainda o procurava.

– Pronto. Desculpe demorar, estava arrumando essa espada, é um modelo novo e nunca fui testada. É muito boa para novatos e até mesmo para pessoas de alto nível de experiência em batalhas. Chama-se Fúria Negra.

O homem era grande e também aparentava ser muito forte. A espada também era muito bonita, com lâminas longas e de aparência afiada, contendo um cabo com asas negras.

– Eu a trouxe, uma espadachim novata e está precisando de equipamentos.

– Ah, oi baixinha. – Esfregou a cabeça de Melody – qual é o seu nome?

– Melody Owilia.

– Melody Owilia?! – Ele olhou assustado e seus pensamentos iam longe.

– Sim.

Ele estranhamente sorriu.

– Então, baixinha, vamos achar uma vestimenta que você gosta. Quais são suas duas cores favoritas?

– Preto e azul.

– Oh sim, ótimas cores. Vou ver o que tenho lá no fundo.

Depois de 3 minutos ele apareceu com roupas.

– Isso é uma armadura? – Perguntou Melody, insatisfeita.

– Não a subestime. Elas não são como as armaduras do mundo humano.

– Mas são roupas tão comuns.

– Isso porque elas te protegem com magia. Vamos, vista, veja se serve.

– Er... – Melody foi ficando vermelha.

– Cof cof – tossiu Jhon – Marc... Ela é uma garota, não pode se trocar na nossa frente. Sei que há muito tempo que não vem novatos espadachins aqui e por isso você não se lembra de que eles não podem se trocar com magia mas...

– Tá, tá. Ali no fundo tem um quarto, pode se trocar ali.

– Okay...

– Confie, não vamos te espiar. – Disse Jhon, brincando.

Melody sorriu, e de algum modo, se sentia bem perto daquelas pessoas, quase como se estivesse em casa. Alguns minutos depois:

– Pronto Melody?

– Sim...

– Saia daí para vermos, então.

– É que não ficou muito bom.

– Só saberemos se nós vermos.

Ela saiu então, tentando se esconder com as mãos, muito envergonhada. Eles se surpreenderam com o quão bonito aquela roupa teria ficado nela.

– É, até que ficou legal. – Brincou Jhon.

– E agora falta a espada. – Disse o ferreiro Marc, se virando para busca-la – Aqui está.

– Essa?! – Perguntou Melody, surpreendida.

– Você não acabou de fazê-la? Perguntou Jhon.

– Sim, e normalmente não deixaria com uma iniciante.

– Então... – Disse Melody, duvidosa.

– Você não é uma iniciante qualquer, vejo isso nos seus olhos, e sei que fará por merecer.

Um sino alto tocou.

– O que é isso? – Perguntou Melody, curiosa.

– O relógio. Significa que agora são 2 horas.

– Duas horas?! Preciso ir!

– Boa sorte, baixinha. – Disse Marc, sorrindo.

Melody saiu do estoque de espadas, correndo, puxando Jhon consigo e pode ouvir, de longe.

– Me deixe orgulhoso!

Melody e Jhon caminhavam.

– Pra onde você precisa ir mesmo?

– No mesmo lugar que eu estava.

– Aham, como se eu soubesse... Seu guardião te espera lá?

– É perto da pedra grande e na verdade, uma guardiã.

– Ei, não corra assim. Acho que ela não vai se importar de você chegar alguns minutos atrasada.

– Ela é muito rígida.

– Tá, mas estamos quase chegando, pode ir devagar.

– Está bem...

Eles chegaram um pouco antes de Emily.

– Oi, Emi! Esse é...

– Oi Jhon. – Disse Emily.

Jhon cumprimentou Emily com a cabeça.

– Vocês já se conhecem? – Perguntou Melody, um pouco espantada.

– Sim, é um amigo meu. Agora, chega de papo furado. Jhon, já sabe.

Jhon concordou com a cabeça e se teletransportou