Além do que já notei
7 A claridade
Melody então pegou o microfone que já estava ligado, pois Jason já tinha arrumado as coisas antes de sair da sua casa. Emily puxou a primeira música na bateria que evidentemente era a primeira musica que sempre ensaiavam. Melody começou a tocar o baixo, e começou a cantar. Eles se impressionaram com o quão linda era a voz de Melody cantando e após terminarem a musica, eles a aplaudiram, e Jason pensou que ela era bem melhor cantando do que até mesmo Lawrence mesmo não tendo dito isso. O ensaio foi excelente, tudo tinha ocorrido perfeitamente. Terminaram o ensaio e Emily disse:
– Temos tudo pra continuar isso. Melody, você é melhor do que eu imaginava, parabéns.
– Obrigada, eu acho...
– Vocês querem continuar então?
– Devemos continuar. – Disse Jason, confiante.
– Ótimo. Amanhã nos vemos na escola então, pois já está tarde e preciso ir. – Disse Emily, já saindo e deixando Jason e Melody a sós. Eles ficaram em silêncio por alguns segundos, até que começou a ficar constrangedor e Jason disse:
– Você... manda muito bem, Melody.
– Obrigada...
– Por que nunca mostrou seu talento?
– Não sou muito confiante com minha voz, sempre cantei pra mim mesma, apenas...
– Não deveria, é realmente um desperdício.
– É... Bom, já está tarde, não é? Preciso ir.
– Ah, claro. Amanhã nos vemos então?
– Sim, na escola. – Disse Melody, já guardando seu baixo.
– Quer ajuda?
– Não, eu já sou acostumada a leva-lo, obrigada. Boa noite, Jason.
– Boa noite então, e se cuida.
– Me cuidarei.
Melody saiu da casa de Jason sem pensar em muita coisa, estava um pouco confusa. Nunca havia cantando para ninguém e agora estava disposta a cantar a enormes plateias. Será que daria certo? Ela não sabia. Chegou a sua casa, e como o normal, se trocou e deitou, mas dessa vez apenas dormiu. No dia seguinte, a escola foi quase que como um dia comum, tirando o atormento da cabeça de Melody por tudo que estava acontecendo em tão pouco tempo. Melody agora começaria uma nova rotina, indo para escola e Nistenyém e a assim respectivamente. Melody saiu de sua casa ás 14h e 30 minutos, usando o anel do disfarce para esconder a armadura e quando chegou, Emily estava discutindo com um cara que tinha asas imensas.
– Uryem, eu não te suporto!
– Hahahaha. Você é muito fofa.
– Cala sua boca! Sai daqui!
– O que está acontecendo? — Perguntou Melody, tirando o disfarce.
– Então essa é a sua aprendiz?
– Não te interessa! Some daqui!
– É tão besta quanto os outros nisteniuns. Até mais.
Ele então saiu, voando com suas asas negras.
– Quem era ele?
– É só mais um babaca que se acha melhor que todos. Está preparada pra lutar com monstros mais fortes?
– Mais fortes?!
– Sim, ou você acha que vai ficar aqui pra sempre? Aliás, é um desperdício gastar magia com essas árvores.
– Mas...
– Relaxa, você tem uma espada excelente, não tem perigo. Vá à montanha dos golens de pedra.
– O que são golens?
– Você verá.
Elas se teletransportaram.
– Eles são mais legais, pelo menos não ajudam os outros.
– Mais “legais” entre aspas, né.
– Mais legais pra matarmos, haha. Enfim, agora você vai aprender outra magia.
– Outra?
– A de raio não faz tanto efeito neles, por terem magias que os defendam.
– E o que faria efeito neles?
– Fogo.
– Ah...
– É o mesmo esquema, Melody. O nome dessa magia é “ação vulcânica”.
– Certo.
– Eles podem não morrer apenas com a magia, então se caso isso acontecer, não hesite e os ataque com a espada.
– Sem magia?
– Sim. Vamos então.
O chão começou a tremer.
– O que é isso?!
– É algum golen vindo, se prepara.
Melody avistou um monstro enorme, todo feito de pedra.
– Isso é um golen?! – Perguntou Melody, assustada.
– Se prepara!
Melody deu uns passos pra trás e já correu pra atacar. O golen morreu no primeiro ataque, que foram várias chamar de fogo em direção do monstro.
– Ah, você deu sorte.
– Ele morreu no primeiro...
– Sim. Vamos continuar, você precisa achar algum que não morra no primeiro ataque pra entender como é.
– Certo...
– Melody, você pode saber sozinha quando deve se preparar, em relação a esse monstro.
– Entendi.
Melody sentiu o chão tremendo e se preparou. O monstro morreu com um golpe apenas, e assim repentinamente. Vez ou outra Melody pegava algumas balas para recuperar sua energia, mas não achou nenhum golen que não morresse só com a magia.
– Acho que estou entendendo o problema... – Disse Emily, pensativa.
– O que foi?
– Sua espada é muito forte, sendo assim você é muito forte pra esses monstros. Isso é incrível.
– Como assim?!
– Você vai ter que matar alguns monstros mais fortes.
– Não dá!
– Sua espada é forte o suficiente, Melody. Mas por enquanto, você já fez mais que o suficiente.
– Isso significa que acabou o treinamento?
– Por hoje sim.
Melody deu um pulo de alegria.
– Mas só por hoje, não se empolgue. Você poderia vir a Nistenyém a noite?
– Acho que sim, mas por quê?
– Temos uma coisa a fazer.
– Como assim?!
– Aqui em Nistenyém está ocorrendo uma série de assassinatos, e precisamos resolver.
– Emily, eu sou só uma aprendiz!
– Eu sei. Mas você pode me ajudar. São vampiros.
– Vampiros?!
– Sim...
– Você tem certeza que precisa da minha ajuda?
– Por favor, Melody.
– Tá... Que horas?
– Ás 21h, pode ser?
– Eu não posso passar a noite aqui?
– Provavelmente, isso vai acontecer.
– Ah... Vou avisar minha mãe então, e logo eu volto.
– Certo.
Melody se teletransportou para o primeiro portal, colocou seu disfarce e voltou ao mundo humano. Chegou em sua casa, comeu algo e avisou sua mãe que passaria a noite na casa de Emily, em 1 hora já estava em Nistenyém onde se teletransportou para a casa de sua amiga, a qual não se encontrava. Não tendo o que fazer, voltou ao primeiro portal e foi procurar por monstros para caçar e testar suas habilidades. Não foi nada muito surpreendedor, e ela mesma achou que aqueles monstros eram muito fracos pra ela, mas ficaria por ali mesmo, pois não sabia seu nível e o nível de todos os inimigos ao redor do mundo. Depois de lutar um pouco e se cansar, em vez de tomar poção resolveu se sentar logo ali na floresta e observar. Aquele lugar era realmente lindo, parecia um sonho. Quanto tempo frequentava ali? 4, 5 dias? E ainda assim não havia caído sua ficha. Ela estava em um mundo mágico, onde tudo pode acontecer. O mundo do sonho dela. Onde havia varias montanhas e árvores, e dragões e pessoas voando por aí sem saber o seu próprio limite. Onde os moradores viviam bem um com o outro, com quase nenhuma intriga. Era tudo realmente perfeito. Melody olhou para o lado e conseguiu avistar um pequeno lago em frente a uma caverna, e resolveu admirar um pouco. Se levantou e chegou mais perto, olhando cada detalhe que se poderia ver até que ouviu uma voz que reconheceu dentro da caverna e se aproximou, para tentar descobrir quem é. Ela acabou entrando, e procurando. Quando encontrou:
– Melody! O que faz aqui?!
Melody o encarou surpresa.
– Isso é um dragão?
– Sim... mas não é o que você está pensando...
– Ele é tão fofo!
– Sério?!
– Sim! Ele está machucado?
– Um pouco... Ele caiu durante um voo... Você não liga de eu estar cuidando dele?
– Claro que não! Eu acho isso fantástico, Jhon!
– Ah...
– Por que você achou que eu ligaria?
– É que aqui em Nistenyém, ninguém gosta de dragões...
– Então, o que eles fazem?
– Sabe, dragões são como aquelas árvores que você enfrentou, para eles.
– Eles, os...? – Melody engoliu sua palavra.
– Sim.
– Isso é horrível!
– Eu sei... E todos me desprezam porque eu os domo... Mas eu não entendo... Eles são carinhosos e ótimos amigos, como eu não poderia cuidar deles?
– E a Emily?
– Ela não os mata em consideração a mim, mas não gosta deles...
– Jhon.
Jhon olhou curioso.
– Você não me ensinaria a doma-los?
Jhon ao invés de curioso, agora a olhava com espanto.
– Desde pequena, eu sempre amei dragões. Meu papai vivia me contando histórias deles... Eu queria mesmo saber cuida-los, e poder voar com eles e ser amiga deles.
– Eu acho que tudo bem...
– Sério?!
Melody o deu um abraço.
– Sim, quando você pode aprender?
– Daqui a pouco eu tenho que ir a casa de Emily... — Melody ouviu o sino batendo e encarou Jhon, pretendendo saber o que significava.
– São 20h.
– Então eu tenho 1 hora... Dá pra aprender algo?
Jhon sorriu.
– É lógico que dá! Bom, primeiro você vai aprender a fazer um curativo, que eu vou fazer agora.
Jhon passou 40 minutos explicando detalhadamente como faria vários tipos de curativos, em vários locais do dragão.
– Entendeu?
– Sim! E é normal você encontra-los feridos?
– Sim, por serem caças...
– Entendo e isso é realmente triste.
– Sim. Agora precisamos fazer uma fogueira.
– Por quê?
– Ela não poderá voar pelo menos até amanhã, pois estou sem ingredientes para fazer uma poção e está tarde, então terei que deixa-la aqui e durante a noite faz frio.
– Mas não é perigoso?
– Eu montarei uma armadilha com magia, assim pra chegar até ela terão que passar por uma armadilha e quebrar um escudo que vou deixar aqui, mas até isso acontecer eu já terei chegado.
– Como assim?
– Essa armadilha me avisa quando está sendo quebrada. Mas raramente acontece, o pessoal não costuma frequentar cavernas. Enfim, vá até a floresta e me traga alguns gravetos.
– Certo.
Melody foi e logo voltou. Jhon os montou e começou a conversar com o dragão, que logo cuspiu fogo nos gravetos.
– Uau! Ele entende o que você diz?
– Ela entende o que quer entender.
– Ela?
– É uma fêmea.
– Como você sabe?
– Depois de um tempo você aprende a diferenciar.
– Ah... Eu acho que já está na hora de eu ir. Obrigada Jhon, quando puder continuamos com isso!
– Certo! Boa sorte no treinamento.
– Obrigada!
Melody se teletransportou pra casa de Emily e ela ainda não estava lá, então voltou ao primeiro portal e a encontrou.
– Veio dez minutos mais cedo?
– Realmente preciso de um relógio.
– Certo. Você quer enfrentar isso?
– Eu tenho escolha?
– Não.
– Então porque pergunta?!
– Para de falar e vamos.
– Não vamos nos teletransportar?
– Os vampiros daqui não são como contam no seu mundo. Em muitas partes são parecidos, mas aqui envolvemos magia.
– Ah, e qual o problema?
– Eles sentem a magia. Se você tele transporta, ele vai sentir que alguém o fez. Além do mais, só poderíamos no tele transportar no campo deles, antes disso a magia é nula e você se transportaria pra algum lugar aleatório do mundo.
– Ah... Mas se isso acontece, eles também não sentiriam nossa presença?
– Sim, mas já resolvi isso. Para de questionar, vamos.
Elas começaram a andar. Logo já eram 22 horas.
– Ainda não chegamos?!
– Falta pouco, Emily... Está vendo aquele lugar sem nenhuma iluminação ali depois daquele grande cercado de arame?! Então, é logo depois daquilo.
– Mas ainda está longe!
– Só mais 10 minutos andando, para de ser preguiçosa.
– Não sou isso, mas já andamos bastante.
– Só mais um pouco.
Continuaram a andar e quando estavam prestes a chegar Emily parou.
– O que foi?
Sem responder, pegou de uma bolsa que estava amarrada em seu cinto.
– O que é isso?
– Estenda sua mão.
Melody a estendeu e Emily colocou algo como um pó nelas.
– Passe isso em seu corpo, incluindo a armadura, espada ou qualquer outra coisa que a envolva.
– Por quê?
– Isso disfarça a magia que está em você. Assim eles não perceberam nossa presença e poderemos nos infiltrar sem nos preocupar com isso.
Melody afirmou com a cabeça e espalhou por si mesma. Emily fez a mesma coisa.
– Então, vamos.
– Como passaremos por esse cercado?
– Tem uma passagem subterrânea. Venha.
Elas continuaram a andar, até que chegaram a um lugar onde existia uma pedra.
– É como a do inicio?!
– Não. Aquilo é um portal, isso é só pra esconder o buraco. Me ajude a tira-la.
Elas empurraram a pedra e logo tinham em vista uma escada.
– Você quem fez isso?
– Eu e meu antigo grupo de nisteniuns.
– Grupo?
– Agora não é hora de questionar isso Melody. Apenas desça.
– Certo.
As duas desceram a escada e caminharam por um túnel, até chegarem a outra escada, mas dessa vez não havia uma pedra. Não havia saída.
– Como sairemos?
– Eu te falei que antes daqui a magia era nula, certo?
– Sim...
Emily subiu a escada e sussurrou algumas palavras. Logo se abriu uma entrada.
– Venha rápido!
Melody subiu o mais rápido que pode e antes que pudesse respirar Emily a puxou pelo braço. Ambas se esconderam atrás de uma árvore.
– O que foi isso?!
– Não fale alto. – Disse Emily sussurrando.
– O que foi isso? – Perguntou Melody, dessa vez sussurrando.
– Como eu disse, eles sentem a magia. Esse pó que passamos previne que eles não nos encontrem por ela, mas se usarmos isso não impede que eles sintam o local de onde... – Um barulho interrompeu Emily. Ambas olharam disfarçadamente e não havia nada. Melody ia falar uma coisa, mas Emily tapou sua boca. Pouco tempo depois ela soltou.
– Ele estava ali. Se você falasse uma palavra seriamos descobertas.
– Não estou entendendo...
– Como eu estava explicando, eles sentem de onde veio à magia. Logo, alguém vem verificar. Como nos escondemos, e estamos usando o pó ele não pode nos localizar. Mas agora já está tudo bem. Vamos por aqui – Emily apontou o caminho contrário ao que vieram. – Por precaução.
Elas começaram a caminhar pela floresta, mas com muita cautela. Qualquer barulho que ouvissem se escondiam. Logo, ouviram um grito.
– Vamos!
Ambas começaram a correr até que chegaram ao local, quando Melody ficou apavorada com o que viu: uma pessoa com toda sua carne exposta, e um vampiro se deliciando de seu sangue. Melody logo ia ajudar, mas Emily a segurou.
– Eu preciso!
– Não podemos!
– Não viemos aqui pra isso?!
– Sim, mas se nos expuser não salvaremos ninguém além de que podemos ser mortas...
– Não me importo! Viemos para salvá-los!
– Mas ele já está morto.
Melody não deu ouvido e puxou seu braço, correndo em direção a eles. Ela só tinha em mente que precisava ajudar.
– Não! – Gritou Emily. Então logo o vampiro as encarou com seu olhar sanguinário, levantando e indo em direção a Melody, que recuou. Emily, sem ter o que fazer, gritou uma longa magia que parecia ser de outra língua, colocando suas duas mãos sobre o chão. Surgiu uma luz branca em todo o local. Depois disso, Melody já não se lembrava de mais de nada.
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