Melody então pegou o microfone que já estava ligado, pois Jason já tinha arrumado as coisas antes de sair da sua casa. Emily puxou a primeira música na bateria que evidentemente era a primeira musica que sempre ensaiavam. Melody começou a tocar o baixo, e começou a cantar. Eles se impressionaram com o quão linda era a voz de Melody cantando e após terminarem a musica, eles a aplaudiram, e Jason pensou que ela era bem melhor cantando do que até mesmo Lawrence mesmo não tendo dito isso. O ensaio foi excelente, tudo tinha ocorrido perfeitamente. Terminaram o ensaio e Emily disse:

– Temos tudo pra continuar isso. Melody, você é melhor do que eu imaginava, parabéns.

– Obrigada, eu acho...

– Vocês querem continuar então?

– Devemos continuar. – Disse Jason, confiante.

– Ótimo. Amanhã nos vemos na escola então, pois já está tarde e preciso ir. – Disse Emily, já saindo e deixando Jason e Melody a sós. Eles ficaram em silêncio por alguns segundos, até que começou a ficar constrangedor e Jason disse:

– Você... manda muito bem, Melody.

– Obrigada...

– Por que nunca mostrou seu talento?

– Não sou muito confiante com minha voz, sempre cantei pra mim mesma, apenas...

– Não deveria, é realmente um desperdício.

– É... Bom, já está tarde, não é? Preciso ir.

– Ah, claro. Amanhã nos vemos então?

– Sim, na escola. – Disse Melody, já guardando seu baixo.

– Quer ajuda?

– Não, eu já sou acostumada a leva-lo, obrigada. Boa noite, Jason.

– Boa noite então, e se cuida.

– Me cuidarei.

Melody saiu da casa de Jason sem pensar em muita coisa, estava um pouco confusa. Nunca havia cantando para ninguém e agora estava disposta a cantar a enormes plateias. Será que daria certo? Ela não sabia. Chegou a sua casa, e como o normal, se trocou e deitou, mas dessa vez apenas dormiu. No dia seguinte, a escola foi quase que como um dia comum, tirando o atormento da cabeça de Melody por tudo que estava acontecendo em tão pouco tempo. Melody agora começaria uma nova rotina, indo para escola e Nistenyém e a assim respectivamente. Melody saiu de sua casa ás 14h e 30 minutos, usando o anel do disfarce para esconder a armadura e quando chegou, Emily estava discutindo com um cara que tinha asas imensas.

– Uryem, eu não te suporto!

– Hahahaha. Você é muito fofa.

– Cala sua boca! Sai daqui!

– O que está acontecendo? — Perguntou Melody, tirando o disfarce.

– Então essa é a sua aprendiz?

– Não te interessa! Some daqui!

– É tão besta quanto os outros nisteniuns. Até mais.

Ele então saiu, voando com suas asas negras.

– Quem era ele?

– É só mais um babaca que se acha melhor que todos. Está preparada pra lutar com monstros mais fortes?

– Mais fortes?!

– Sim, ou você acha que vai ficar aqui pra sempre? Aliás, é um desperdício gastar magia com essas árvores.

– Mas...

– Relaxa, você tem uma espada excelente, não tem perigo. Vá à montanha dos golens de pedra.

– O que são golens?

– Você verá.

Elas se teletransportaram.

– Eles são mais legais, pelo menos não ajudam os outros.

– Mais “legais” entre aspas, né.

– Mais legais pra matarmos, haha. Enfim, agora você vai aprender outra magia.

– Outra?

– A de raio não faz tanto efeito neles, por terem magias que os defendam.

– E o que faria efeito neles?

– Fogo.

– Ah...

– É o mesmo esquema, Melody. O nome dessa magia é “ação vulcânica”.

– Certo.

– Eles podem não morrer apenas com a magia, então se caso isso acontecer, não hesite e os ataque com a espada.

– Sem magia?

– Sim. Vamos então.

O chão começou a tremer.

– O que é isso?!

– É algum golen vindo, se prepara.

Melody avistou um monstro enorme, todo feito de pedra.

– Isso é um golen?! – Perguntou Melody, assustada.

– Se prepara!

Melody deu uns passos pra trás e já correu pra atacar. O golen morreu no primeiro ataque, que foram várias chamar de fogo em direção do monstro.

– Ah, você deu sorte.

– Ele morreu no primeiro...

– Sim. Vamos continuar, você precisa achar algum que não morra no primeiro ataque pra entender como é.

– Certo...

– Melody, você pode saber sozinha quando deve se preparar, em relação a esse monstro.

– Entendi.

Melody sentiu o chão tremendo e se preparou. O monstro morreu com um golpe apenas, e assim repentinamente. Vez ou outra Melody pegava algumas balas para recuperar sua energia, mas não achou nenhum golen que não morresse só com a magia.

– Acho que estou entendendo o problema... – Disse Emily, pensativa.

– O que foi?

– Sua espada é muito forte, sendo assim você é muito forte pra esses monstros. Isso é incrível.

– Como assim?!

– Você vai ter que matar alguns monstros mais fortes.

– Não dá!

– Sua espada é forte o suficiente, Melody. Mas por enquanto, você já fez mais que o suficiente.

– Isso significa que acabou o treinamento?

– Por hoje sim.

Melody deu um pulo de alegria.

– Mas só por hoje, não se empolgue. Você poderia vir a Nistenyém a noite?

– Acho que sim, mas por quê?

– Temos uma coisa a fazer.

– Como assim?!

– Aqui em Nistenyém está ocorrendo uma série de assassinatos, e precisamos resolver.

– Emily, eu sou só uma aprendiz!

– Eu sei. Mas você pode me ajudar. São vampiros.

– Vampiros?!

– Sim...

– Você tem certeza que precisa da minha ajuda?

– Por favor, Melody.

– Tá... Que horas?

– Ás 21h, pode ser?

– Eu não posso passar a noite aqui?

– Provavelmente, isso vai acontecer.

– Ah... Vou avisar minha mãe então, e logo eu volto.

– Certo.

Melody se teletransportou para o primeiro portal, colocou seu disfarce e voltou ao mundo humano. Chegou em sua casa, comeu algo e avisou sua mãe que passaria a noite na casa de Emily, em 1 hora já estava em Nistenyém onde se teletransportou para a casa de sua amiga, a qual não se encontrava. Não tendo o que fazer, voltou ao primeiro portal e foi procurar por monstros para caçar e testar suas habilidades. Não foi nada muito surpreendedor, e ela mesma achou que aqueles monstros eram muito fracos pra ela, mas ficaria por ali mesmo, pois não sabia seu nível e o nível de todos os inimigos ao redor do mundo. Depois de lutar um pouco e se cansar, em vez de tomar poção resolveu se sentar logo ali na floresta e observar. Aquele lugar era realmente lindo, parecia um sonho. Quanto tempo frequentava ali? 4, 5 dias? E ainda assim não havia caído sua ficha. Ela estava em um mundo mágico, onde tudo pode acontecer. O mundo do sonho dela. Onde havia varias montanhas e árvores, e dragões e pessoas voando por aí sem saber o seu próprio limite. Onde os moradores viviam bem um com o outro, com quase nenhuma intriga. Era tudo realmente perfeito. Melody olhou para o lado e conseguiu avistar um pequeno lago em frente a uma caverna, e resolveu admirar um pouco. Se levantou e chegou mais perto, olhando cada detalhe que se poderia ver até que ouviu uma voz que reconheceu dentro da caverna e se aproximou, para tentar descobrir quem é. Ela acabou entrando, e procurando. Quando encontrou:

– Melody! O que faz aqui?!

Melody o encarou surpresa.

– Isso é um dragão?

– Sim... mas não é o que você está pensando...

– Ele é tão fofo!

– Sério?!

– Sim! Ele está machucado?

– Um pouco... Ele caiu durante um voo... Você não liga de eu estar cuidando dele?

– Claro que não! Eu acho isso fantástico, Jhon!

– Ah...

– Por que você achou que eu ligaria?

– É que aqui em Nistenyém, ninguém gosta de dragões...

– Então, o que eles fazem?

– Sabe, dragões são como aquelas árvores que você enfrentou, para eles.

– Eles, os...? – Melody engoliu sua palavra.

– Sim.

– Isso é horrível!

– Eu sei... E todos me desprezam porque eu os domo... Mas eu não entendo... Eles são carinhosos e ótimos amigos, como eu não poderia cuidar deles?

– E a Emily?

– Ela não os mata em consideração a mim, mas não gosta deles...

– Jhon.

Jhon olhou curioso.

– Você não me ensinaria a doma-los?

Jhon ao invés de curioso, agora a olhava com espanto.

– Desde pequena, eu sempre amei dragões. Meu papai vivia me contando histórias deles... Eu queria mesmo saber cuida-los, e poder voar com eles e ser amiga deles.

– Eu acho que tudo bem...

– Sério?!

Melody o deu um abraço.

– Sim, quando você pode aprender?

– Daqui a pouco eu tenho que ir a casa de Emily... — Melody ouviu o sino batendo e encarou Jhon, pretendendo saber o que significava.

– São 20h.

– Então eu tenho 1 hora... Dá pra aprender algo?

Jhon sorriu.

– É lógico que dá! Bom, primeiro você vai aprender a fazer um curativo, que eu vou fazer agora.

Jhon passou 40 minutos explicando detalhadamente como faria vários tipos de curativos, em vários locais do dragão.

– Entendeu?

– Sim! E é normal você encontra-los feridos?

– Sim, por serem caças...

– Entendo e isso é realmente triste.

– Sim. Agora precisamos fazer uma fogueira.

– Por quê?

– Ela não poderá voar pelo menos até amanhã, pois estou sem ingredientes para fazer uma poção e está tarde, então terei que deixa-la aqui e durante a noite faz frio.

– Mas não é perigoso?

– Eu montarei uma armadilha com magia, assim pra chegar até ela terão que passar por uma armadilha e quebrar um escudo que vou deixar aqui, mas até isso acontecer eu já terei chegado.

– Como assim?

– Essa armadilha me avisa quando está sendo quebrada. Mas raramente acontece, o pessoal não costuma frequentar cavernas. Enfim, vá até a floresta e me traga alguns gravetos.

– Certo.

Melody foi e logo voltou. Jhon os montou e começou a conversar com o dragão, que logo cuspiu fogo nos gravetos.

– Uau! Ele entende o que você diz?

– Ela entende o que quer entender.

– Ela?

– É uma fêmea.

– Como você sabe?

– Depois de um tempo você aprende a diferenciar.

– Ah... Eu acho que já está na hora de eu ir. Obrigada Jhon, quando puder continuamos com isso!

– Certo! Boa sorte no treinamento.

– Obrigada!

Melody se teletransportou pra casa de Emily e ela ainda não estava lá, então voltou ao primeiro portal e a encontrou.

– Veio dez minutos mais cedo?

– Realmente preciso de um relógio.

– Certo. Você quer enfrentar isso?

– Eu tenho escolha?

– Não.

– Então porque pergunta?!

– Para de falar e vamos.

– Não vamos nos teletransportar?

– Os vampiros daqui não são como contam no seu mundo. Em muitas partes são parecidos, mas aqui envolvemos magia.

– Ah, e qual o problema?

– Eles sentem a magia. Se você tele transporta, ele vai sentir que alguém o fez. Além do mais, só poderíamos no tele transportar no campo deles, antes disso a magia é nula e você se transportaria pra algum lugar aleatório do mundo.

– Ah... Mas se isso acontece, eles também não sentiriam nossa presença?

– Sim, mas já resolvi isso. Para de questionar, vamos.

Elas começaram a andar. Logo já eram 22 horas.

– Ainda não chegamos?!

– Falta pouco, Emily... Está vendo aquele lugar sem nenhuma iluminação ali depois daquele grande cercado de arame?! Então, é logo depois daquilo.

– Mas ainda está longe!

– Só mais 10 minutos andando, para de ser preguiçosa.

– Não sou isso, mas já andamos bastante.

– Só mais um pouco.

Continuaram a andar e quando estavam prestes a chegar Emily parou.

– O que foi?

Sem responder, pegou de uma bolsa que estava amarrada em seu cinto.

– O que é isso?

– Estenda sua mão.

Melody a estendeu e Emily colocou algo como um pó nelas.

– Passe isso em seu corpo, incluindo a armadura, espada ou qualquer outra coisa que a envolva.

– Por quê?

– Isso disfarça a magia que está em você. Assim eles não perceberam nossa presença e poderemos nos infiltrar sem nos preocupar com isso.

Melody afirmou com a cabeça e espalhou por si mesma. Emily fez a mesma coisa.

– Então, vamos.

– Como passaremos por esse cercado?

– Tem uma passagem subterrânea. Venha.

Elas continuaram a andar, até que chegaram a um lugar onde existia uma pedra.

– É como a do inicio?!

– Não. Aquilo é um portal, isso é só pra esconder o buraco. Me ajude a tira-la.

Elas empurraram a pedra e logo tinham em vista uma escada.

– Você quem fez isso?

– Eu e meu antigo grupo de nisteniuns.

– Grupo?

– Agora não é hora de questionar isso Melody. Apenas desça.

– Certo.

As duas desceram a escada e caminharam por um túnel, até chegarem a outra escada, mas dessa vez não havia uma pedra. Não havia saída.

– Como sairemos?

– Eu te falei que antes daqui a magia era nula, certo?

– Sim...

Emily subiu a escada e sussurrou algumas palavras. Logo se abriu uma entrada.

– Venha rápido!

Melody subiu o mais rápido que pode e antes que pudesse respirar Emily a puxou pelo braço. Ambas se esconderam atrás de uma árvore.

– O que foi isso?!

– Não fale alto. – Disse Emily sussurrando.

– O que foi isso? – Perguntou Melody, dessa vez sussurrando.

– Como eu disse, eles sentem a magia. Esse pó que passamos previne que eles não nos encontrem por ela, mas se usarmos isso não impede que eles sintam o local de onde... – Um barulho interrompeu Emily. Ambas olharam disfarçadamente e não havia nada. Melody ia falar uma coisa, mas Emily tapou sua boca. Pouco tempo depois ela soltou.

– Ele estava ali. Se você falasse uma palavra seriamos descobertas.

– Não estou entendendo...

– Como eu estava explicando, eles sentem de onde veio à magia. Logo, alguém vem verificar. Como nos escondemos, e estamos usando o pó ele não pode nos localizar. Mas agora já está tudo bem. Vamos por aqui – Emily apontou o caminho contrário ao que vieram. – Por precaução.

Elas começaram a caminhar pela floresta, mas com muita cautela. Qualquer barulho que ouvissem se escondiam. Logo, ouviram um grito.

– Vamos!

Ambas começaram a correr até que chegaram ao local, quando Melody ficou apavorada com o que viu: uma pessoa com toda sua carne exposta, e um vampiro se deliciando de seu sangue. Melody logo ia ajudar, mas Emily a segurou.

– Eu preciso!

– Não podemos!

– Não viemos aqui pra isso?!

– Sim, mas se nos expuser não salvaremos ninguém além de que podemos ser mortas...

– Não me importo! Viemos para salvá-los!

– Mas ele já está morto.

Melody não deu ouvido e puxou seu braço, correndo em direção a eles. Ela só tinha em mente que precisava ajudar.

– Não! – Gritou Emily. Então logo o vampiro as encarou com seu olhar sanguinário, levantando e indo em direção a Melody, que recuou. Emily, sem ter o que fazer, gritou uma longa magia que parecia ser de outra língua, colocando suas duas mãos sobre o chão. Surgiu uma luz branca em todo o local. Depois disso, Melody já não se lembrava de mais de nada.