Além da psicologia
9 Eu tenho um amigo
Notas iniciais
– Não foi em uma semana, mas teve só três dias a mais — disse ao Filipe na semana seguinte. Ele estava um pouco diferente, estava sem os óculos que penduravam em sua camisa.
– Nossa, eu terminei de ler todos em duas semanas, e achei que tinha sido rápido! — ele respondeu animado e pegando os livros de volta.
– Mas e aí? Você tem outros pra me emprestar?
– Você já leu Percy Jackson?
– Hm... Não, leio poucas sagas, leio mais livros soltos.
– Mas leia essa, você vai se apaixonar.
– Se você diz...
Depois ficamos em certo silêncio constrangedor na praça de alimentação. Debrucei-me sobre a mesa e respirei devagar. Amo efeito que a respiração faz em mim...
– Você está animada para as férias? — ele perguntou quebrando o silêncio.
– Hã? É apenas daqui há um mês.
– Mas o baile de fim de semestre é daqui a duas semanas.
Endireitei-me na cadeira.
– Você vem? — questionei.
– Sim.
– Com quem?
– Só. Sempre fui aos bailes da escola sozinho.
– Por quê? — perguntei sorrindo.
– Não preciso de outras pessoas para me divertir.
– Oh...
Fiquei constrangida, não sei por quê. Pareceu uma indireta pra mim. Talvez ele não gostasse de ser meu amigo e só conversasse comigo por pena.
– Você vem?
– Pro baile? Não, não sou como você.
– Você precisa dos outros para se divertir?
– O problema não é esse. É que eu já não sou a favorita da turma, e ir pro baile sozinha vai ser só mais um motivo pra me chamarem de louca.
– Então eu sou louco?
– Não, Filipe. É que eu já tenho a fama.
– E você acha que eu também não sou alvo das críticas?
Lhe lancei um olhar de interrogação. Ele sorriu e me puxou para mais perto e me olha nos olhos.
– Eu sou o nerd quieto que anda com a garota problemática. Acho que isso é motivo suficiente.
De repente senti vontade de chorar. Não sei por quê, mas senti. E eu chorei.
– Ei, por que está chorando? — Filipe perguntou me puxando para um abraço.
– Nem eu sei. — E de repente começo a rir.
– Já deveria estar acostumado com isso.
Nós dois rimos.
– Tudo bem, mas se eu estiver estragando sua reputação, você pode deixar de falar comigo.
– Por quê? Eu gosto de ser comentado.
– Ah, então você anda comigo pra ganhar fama?
– É, e isso é uma fama cruel.
Afastei-me de seu abraço.
– Você deve ser então muito corajoso por ser meu amigo.
– E mais corajoso serei por te acompanhar no baile. Se você quiser ir, é claro.
Prendi a respiração mordi o lábio inferior.
Ele me chamou para ir ao baile.
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