Além Do Amor
1 Prólogo
Notas iniciais
2 meses antes.
– Está atrasada Anne. — contei à minha melhor amiga.
– Quanto tempo?
– Duas semanas.
Ela me encarou preocupada, o que me deixou mais desesperada ainda, não que eu estivesse realmente desesperada. Eu só estava com medo, e estava descontando isto nas minhas unhas.
– Eu vou à farmácia comprar alguns testes de gravidez ok? Me espera aqui e vê se não tem um surto, por favor. — Anne avisou se esforçando ao máximo para parecer tranquila com tudo aquilo.
– Pode deixar, eu não vou quebrar nada Anne. Prometo. Agora vai logo!
Cinco minutos. Dez. Quinze. Vinte.
Mas que demora é essa? A farmácia é do outro lado da rua. Só podem ter sequestrado minha amiga!
E com esses pensamentos super positivos, eu vou surtar de vez. Positivo. E se der positivo? Ah meu Deus.
Ouço a porta se abrir e no segundo seguinte se fechar.
– Aonde você foi Anne? No Japão? Achei que haviam te sequestrado!
– A farmácia estava cheia, eu não tenho culpa.
– Tá. Me dá logo esses testes. — peguei os "palitinhos" e corri para o banheiro me trancando lá dentro.
Passei minutos lá, longos minutos, talvez até horas.
– Sophia! Já faz quase uma hora que você entrou no banheiro, dá pra pelo menos dar um sinal de vida? Se não vou achar que você morreu caramba!
Me levantei do chão gelado aonde eu estava sentada até então e abri a porta. Anne pegou os dois testes da minha mão, olhou o resultado e no segundo seguinte me abraçou forte.
Poucos minutos depois eu estava sentada no sofá da sala do apartamento de Anne, em seus braços. Chorava feito criança.
– Ele vai me ajudar. Ele vai assumir esse filho, eu sei que vai. — disse em meio aos soluços.
– Você sabe o que eu penso sobre o Lucca, Soph.
Mas não era ela quem eu queria que acreditasse nisso, era eu mesma.
Eu o amava, como nunca havia amado ninguém até então, mas eu sabia o quanto babaca ele podia ser quando queria. E ser pai aos dezenove anos não é exatamente o que ele quer, não é o que eu quero aos dezoito.
Mas ele precisa me ajudar. Afinal ele tem a sua parcela de culpa, eu não fiz esse filho sozinha.
(...)
Em um certo dia, uma semana depois, enrolando Lucca o máximo possível para não vê-lo, tirei a coragem que eu não tinha para ir até o apartamento onde ele morava e contá-lo sobre a gravidez.
– Oi gostosa. — Lucca me cumprimentou com seus apelidos de sempre, enquanto já me agarrava por trás.
Sai de perto dele e o mesmo me encarou confuso.
– A gente precisa conversar. — avisei. Eu precisava falar logo, antes que a pouca coragem que me restasse se esvaísse.
– O que foi agora? — perguntou com cara de tédio.
Eu iria falar de uma vez só, já que sempre que começo a enrolar para contar algo à alguém, acabo perdendo a coragem.
– Eu estou grávida Lucca. — contei olhando diretamente em seus olhos.
– O que? Você só pode estar brincando comigo! — ele surtou.
– Eu não brincaria com uma coisa dessas. E eu vou ter esse filho você queira ou não!
– Eu não vou ser pai aos dezenove anos Sophia! Você está louca! — o encarei decepcionada.
– É isso o que você pensa? Então tudo bem. — passei as costas da mão no rosto para enxugar as lágrimas que insistiam em cair. — Eu vou criar esse filho sozinha. Dane-se você.
Virei as costas e sai do apartamento onde ele morava sozinho, batendo a porta logo atrás de mim.
Eu não preciso dele para criar meu filho. Vou educá-lo muito melhor sozinha do que com a ajuda daquele canalha!
Mas que ele vai se arrepender disso, ele vai.
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