Além Do Amor
2 Saí de casa
Notas iniciais
Eu estava grávida e não tinha ninguém. Não um pai para o meu filho pelo menos.
Desde que contei sobre minha gravidez à Lucca e ele disse que não assumiria nada, eu me senti perdida.
Já faz dois meses, e passo mais tempo no meu quarto do que fora dele. Choro mais do que sorrio, na verdade, eu já nem lembro quando foi a última vez que sorri de verdade sabe?
Mas havia mais um problema. Eu precisa contar aos meus pais que estava grávida. Não, eu ainda não havia contado.
Minha mãe vive tentando querer entender o que está acontecendo comigo, até porque ela jamais cairia na desculpa de que eu estou nesse estado apenas porque terminei com Lucca. Eu nunca fui de ficar sofrendo pelos cantos por causa de um namorado, e ela sempre soube disso.
E eu realmente não estava sofrendo por ter terminado com Lucca. Lógico que eu estava extremamente decepcionada por ele ter me abandonado num momento desses, mas eu sabia o quanto Lucca era irresponsável e jamais deveria ter me deixado levar pelas suas palavras.
Eu o amava. Mas agora, daqui a 7 meses na verdade, eu teria um filho para criar e precisava ser forte.
Porém meus pais, são os não tão típicos, que educam os filhos à moda antiga sabe? Eu sou filha única, e eles sempre foram muito rígidos comigo.
Estudei nas melhores escolas e estou — estava — me preparando para entrar numa faculdade de medicina.
Bem que isso não é algo que me deixa triste, eu nunca quis cursar esta faculdade. É o sonho dos meus pais, sonho que eles realizaram e hoje são importantes médicos de Los Angeles. Porém não é o que eu quero.
Mas é isso. Eu preciso contar aos meus pais, que a única filha deles, está grávida e vai ser mãe solteira aos dezoito anos.
(...)
Respitei fundo uma, duas, três vezes. Desci as escadas e fui em direção à sala de estar de casa, onde eu sabia que meus pais estariam num domingo à noite, provavelmente assistindo à algum filme.
– Mãe. Pai. — chamei-os me pondo na frente da televisão para que prestassem totalmente a atenção em mim.
Eles me olharam com suas expressões calmas de sempre, porém sempre havia nos seus olhares algo como: "se você aprontou alguma coisa, nós iremos te matar."
Ok, talvez eu tenha exagerado um pouco. Mas os olhares deles as vezes me davam medo.
– O que é minha querida? — minha mãe perguntou com a voz tranquila.
– Eu preciso contar uma coisa à vocês. — respira fundo Sophia, você consegue. — Estou grávida. — disparei as palavras sem a certeza de que haviam entendido.
– Mas que brincadeira sem graça é esta Sophia? — minha mãe perguntou agora com a voz firme e brava. No fundo, ela sabia que não era brincadeira.
Abaixei a cabeça para encarar o chão, e senti meu rosto ficar úmido pelas diversas lágrimas que já escorriam pelo meu rosto.
– Eu fui irresponsável, eu sei, mas eu confiei em Lucca mãe. Só que ele é um babaca que jamais vai agir como um homem de verdade, ele é apenas um moleque e, eu demorei demais para enxergar isto.
– Isso não é desculpa Sophia! — meu pai falou com o tom de voz um tanto alterado.
Os dois já estavam de pé à minha frente, e minha mãe chorava.
– Eu não vou deixar você sujar o nome da nossa família Sophia. — meu pai continuou.
– O que você quer dizer com isso? — perguntei o encarando incrédula.
– Você vai abortar esta criança!
– O que? É claro que não! Mãe!
Ela apenas me encarou decepcionada.
– Então arruma as suas malas e vai embora. — minha mãe falou por fim, chorando sem parar e já não mais olhando nos meus olhos.
Eu não estou acreditando nisso. Eles estão se importando mais com o que vão pensar sobre a nossa família do que ajudar a própria filha? Agora quem não quer mais ficar nesta casa, sou eu.
(...)
Já eram por volta das onze da noite, quando toquei a campanhia do apartamento de Anne repetidas vezes.
Logo, um loira descabelada abriu a porta. Ela me olhou, encarou as malas no chão ao meu lado e esfregou as costas das mãos nos olhos.
Minha melhor amiga, assim como no dia em que descobri que estava grávida, apenas me abraçou forte e chorou junto comigo sem ao menos saber exatamente o que aconteceu.
Entramos no seu apartamento e ela pôs minhas malas ao lado do sofá da pequena sala de estar.
– Eles me expulsaram de casa Anne! Eles preferiram não manchar o nome da família à ajudar a sua própria filha! — disparei entre soluços e lágrimas.
– Ai meu Deus! — minha amiga exclamou me abraçando de novo. — Calma Sophia, eles estão apenas de cabeça quente, daqui alguns dias, ou até amanhã talvez, eu tenho a certeza de que eles irão te ligar e pedir pra você voltar pra casa. — a loira disse tentando me tranquilizar.
– Você não está entendo Anne, eles queriam que eu abortasse essa criança! Tudo pra não manchar a droga do nome da nossa família! Que tipo de pais eles são? — suspirei.
Anne fez o possível e o impossível para me acalmar, me lembrando que tudo isso poderia fazer mal ao bebê.
Talvez uma hora depois, ou mais, ela pôs um colchão velho no chão do seu quarto ao lado da cama e disse que iria dormir ali, deixando sua grande e confortável cama de casal para mim.
Logo, minha melhor amiga dormiu e acho que passei boa parte da noite, pensando no que faria daquele dia à diante.
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