Além
2 O Espelho
Sejam bem-vindos de volta á minha narração. Por favor, me lembrem, onde eu havia parado? Bem, não creio que obterei uma resposta! Mas... Se não me engano, estava eu, Bartholomero e Alfaghar, meus dois amigos. E, ó, é claro, os curiosos Kuth e Ruth, as queridas Sementes Escarlates. Lá estávamos à beira da perdição na Lagoa de Madeira!
Enfim, os pedaços de madeira, esculpidos em forma de braços, pernas, patas, qualquer coisa que tenha a função de agarrar, puxar e estrangular. Todos nós estávamos prontos,
Das extremidades da lagoa nebulosa, sombria e agonizante se aproximava o som daquele aterrorizante ruído de madeira velha e gasta! Eu, particularmente, não ousava nem sequer em piscar os olhos! Estava totalmente concentrado, e assim como os outros, muito pálido também. Ainda não tínhamos nos esquecido do alto rugido que ouvimos mais cedo. Aquele sim se podia temer, e isto ainda não era nada comparado ao que vinha.
Estavam bem perto já, e não resistimos mais esperar.
–Agora! – Eu gritei com toda minha voz – Ataquem agora!
Eu joguei uma magia de fluência no primeiro avanço ameaçador de um galho robusto, grande e, pela aparência, bem revestido. Magias de fluência funcionam da seguinte maneira: Elas são, na maior parte das vezes, verdes e estrondosas. Quando reagem com um objeto sólido, adentra sua estrutura e o desmonta por dentro. E assim foi feito!
Minha magia entrou para o interior do galho e, em poucos segundos, o mesmo se implodiu. Esse sim foi o sinal para que Alfaghar cortasse com um único movimento três mãos de madeira que chegavam perto dele (mesmo estas sendo bem mais finas comparadas a que eu acabara de destruir). Bartholomero também pegou uma perna e a quebrou. Isso era só a primeira onda, mais estavam vindo. Eu iluminei meu cajado e lancei poros amarelados em várias delas, que entraram em suas fendas (as que tinham, pelo menos) e começaram a se despedaçar.
–Ás vezes eu desejo ser um mago... – Comentou Bartholomero, enquanto estrangulava várias que iam a sua direção.
–Eu também! – Acrescentou Alfaghar, cortando mais e mais com sua espada.
–E eu desejava ter seus músculos – então olhei para Alfaghar – e sua habilidade com espada! Agora parem de reclamar!
Alfaghar sacou o estilingue, pois, sendo o mais rápido de nós, já havia terminado com a maioria do seu lado da canoa, então para facilitar, eliminava as madeiras que vinham mais distante. Eu usei um feitiço de gelo, soltando vários e vários flocos do meu cajado, que, assim que colidiam com as madeiras, as colocava em esquifes de gelo e afundavam.
Percebi Bartholomero rangendo os dentes, logo então bateu palmas e rajadas de ar se manifestaram, quebrando as madeiras que estavam á distância.
–Brilhante! – Eu disse
–Para um balofo como ele... – Comentou Alfaghar – Haha!
–Muito engraçado, mas eu ainda te quebro por isso. – Retrucou Bartholomero
–Calados! – Eu disse
Kuth e Ruth estavam no meio de nós três, na canoa, até que resolveram se levantar.
–O que estão fazendo? – Eu perguntei – Ou melhor, o que farão?
–Você verá! – Responderam
Em seguida, pularam para o alto e suas cascas se abriram. Duas asas de inseto saíram, suas barrigas emitiram uma luz vermelha e cuspiram uma gosma alaranjada nas ameaças. As mesmas começaram a derreter.
Meus olhos brilharam.
–Que criaturinhas interessantes! – Falei comigo mesmo
–Fascinante! – Disse Alfaghar, parando para olhar.
–O quê? – Disse Bartholomero impressionado – Por que não fizeram isso antes?
Como ele é rabugento! Então, Kuth e Ruth deram as mãos e suas barrigas ascenderam num laranja muito forte, chegou a cegar-nos por um instante. Logo conseguimos ver (caso contrário eu não estaria aqui descrevendo para vocês!) os dois, que cuspiram um monstro de gosma grande, mas não suficiente para encher a lagoa. Quando ele caiu no chão atrás da nossa canoa, ondas se formaram na água e nos avançou mais rapidamente. Vimos o monstro apenas relar nas madeiras das extremidades da lagoa e derretê-las com um toque. Seu bafo também as derrotava facilmente. Devorava algumas, esmagava outras, até desaparecer e Kuth e Ruth caírem desmaiados e completamente sem energias na canoa. Bartholomero tirou seu casaco de urso e os cobriu.
Ficamos algumas horas navegando para recuperarmos o fôlego, pelo menos sem nenhum perigo grande. Dormimos também, com turnos, é claro. Enquanto dois dormiam, um ficava remando e observando. No meu turno, percebi algumas madeiras soltas nas extremidades, claramente estavam esperando o momento certo, pois não pareciam tão dispostas assim após o ataque daquele monstro de gosma.
Recuperados de energia, avistamos uma árvore que, eu nem ao menos consigo descrever! É impossível de se esquecer do tamanho daquilo. Devia haver, pelo menos, uns quarenta metros de altura! E eu não estou brincando com vocês, isto é sério mesmo!
Eu e os outros ficamos boquiabertos, até mesmo Kuth e Ruth abriram seus olhos e se espantaram ao ver o tamanho daquela árvore. Ela havia folhas mistas de verde e um amarelo carvalho, cuja estas últimas estavam com buracos. Abaixo dela, nas raízes, havia um túnel, completamente escuro. Não se podia ver nem o vácuo naquele túnel, nem mesmo forçando a vista ao máximo. Porém, não tinha nenhum outro caminho que poderíamos ir, então a canoa nos levou para dentro mesmo.
Dentro da árvore era fedido, e o único som que ouvíamos era os de gotas caindo e pingando repetidamente. Não demorou muito, por mais grosso que o tronco fosse (ou ao menos não pareceu demorar para mim) e chegamos do outro lado. Nossos olhos arderam um pouco a ver um local mais claro. Mas ao mesmo tempo isso era um alívio.
Alfaghar ainda estava com a espada desembainhada e o estilingue na mão, enquanto Bartholomero continuava com os punhos cerrados.
–Badwif, olhe! – Grtiou Bartholomero
Eu olhei, e vi crocodilos de madeira nas margens que se avistava nas pontas do lado da lagoa.
–Será que eles são... – Eu fui interrompido pelo o que eu temia.
Os crocodilos começaram a se mexer e entraram na lagoa.
–Badwif, ali! – Apontou Alfaghar do outro lado.
Eu me virei, e desse lado não havia margem, mas sim árvores médias e com galhos longos, e dos mesmos, morcegos de madeira vieram voando em nossa direção.
Eles começaram a me arranhar, enquanto Alfaghar se defendia com a espada. Até que ouvi um grito. Olhei para o outro lado da canoa, e um crocodilo tentara em vão morder Bartholomero, que se esquivou e pisou em sua cabeça, esmagando-a.
–Foi o crocodilo quem gritou. – Disse Bartholomero brincando
Eu levantei um pequeno sorriso, que logo foi tirado do meu rosto. Mais crocodilos abocanharam a canoa, que começou a entrar água.
–Estamos perdidos! – Berrou Ruth no chão
–Quieto! Não sabe o que diz! – Falei
Tentei furar o que era para serem os olhos do bicho, mas obviamente nada aconteceu. Então peguei uma das bolas de chumbo do bolso de Alfaghar e a joguei no centro da cabeça do crocodilo, que se afundou na lagoa. Outro tentou arrancar um pedaço de mim em seguida, mas o derrotei com outra fluência. O outro que restava Bartholomero acabara de quebrar a mandíbula. Quanto aos morcegos, eram difíceis de acertar e Alfaghar temia nos cortar na tentativa de acertá-los. Eu então girei meu cajado e uma forte ventania os jogou contra as árvores de onde vinham e os quebrei contra as mesmas.
A canoa estava quase afundando, até que eu disse.
–Remem para a margem! Remem para a margem!
Eles se questionaram um pouco, mas rapidamente fizeram o que pedi.
–Mas e agora? – Perguntou Kuth
–Não sei. Mas acho melhor subirmos até aquela árvore que passamos antes. – Eu respondi
–O quê?! – Espantou-se Alfaghar – E esta margem? Não podemos simplesmente segui-la até o fim?
–Aí é que está – eu repliquei – Não sabemos quando ela acaba, e, ouça bem!
O mesmo rugido que fazia tudo tremer, inclusive as folhas das árvores e até nós mesmos.
–Quer ir em direção aquilo? – Eu perguntei retoricamente – Muito bem, vá em frente, se mate!
–Você está certo, Badwif. – Bartholomero disse
–Honestamente, vocês estariam mortos nesse ponto sem mim! – Gabei-me
Eles me seguiram, e Kuth e Ruth voltaram para seus tamanhos portáteis e entraram no bolso de Bartholomero.
A volta á árvore pela margem foi sem problemas. Chegamos perto das raízes, “vamos subir”, eu disse. Começamos a escalar. Bartholomero surrava o tronco e subia nos buracos que fazia, enquanto Alfaghar empencava sua espada e subia. Enquanto eu fui ajudado por Kuth e Ruth, que estenderam suas asas e me carregaram até o topo.
–Você é um pouco pesado, mago Badwif! – Disseram
Lá no alto, me colocaram encima de um galho, onde me sentei, e só sua espessura já fazia eu me sentir uma mosca. Minutos depois, os dois chegaram totalmente encharcados de suor e cansaço. Sem ao menos pedir, enfiaram as mãos na minha bolsa e viraram três garrafas de leite de uma vez.
–Vocês são lerdos, hein? Hoho! – Brinquei
Eles me olharam com cara de zangados. Levantei-me e subimos de galho em galho, que eram bem próximos uns dos outros. Por fim, chegamos ao galho mais fino, que ainda assim cabia dois de nós lado a lado. Andamos até o final dele e, acredite o não, Bartholomero que era o mais alto, conseguiu estender o braço e cortar uma nuvem só ao senti-la, como algodão.
–Esta árvore pode até ser alta, mas, chegamos às nuvens? – Perguntou Alfaghar
–Sim e não – Respondi – Veja bem, aqui as nuvens são mais baixas. Olhe ao redor, fora aqui, na Lagoa de Madeira, as nuvens ainda estão inalcançáveis para nós.
–Compreendo – ele disse
–Gente, estão ouvindo isso? – Disse Bartholomero nos cutucando
–O quê? – Me perguntei
Até que! Por fim, ouvimos rugidos. Um seguido do outro, sem parar. Então vimos um movimento lá embaixo, as árvores sendo amassadas em questão de segundos, e se aproximava. Quando estava bem perto, nossa canoa foi arremessada tão forte que a vimos nos passar, atravessar as nuvens e voltar caindo. Tudo parou, só ouvimos o barulho da maneira se quebrando lá embaixo. Não podíamos enxergar nada, era tudo composto por neblina. Ficamos parados ali por um tempo, congelados, suando, pálidos. Não havia som algum, parecíamos estar surdos. Todos quietos. Mas este silêncio foi quebrado quando percebemos a árvore tremer (eu quase caí, mas Kuth e Ruth seguraram minhas pernas e Bartholomero me puxou para trás, Meu coração acelerou!) e então vimos uma pata marrom se prender no tronco. Uma pata enorme, gigantesca. Um focinho se revelou da neblina, e então o resto foi aparecendo. Era um iguana! Sim, um iguana enorme, com uns vinte e cinto metros de comprimento! Era toda marrom, com umas manchas de um tom mais escuro. Seus olhos eram pretos e sua pupila avermelhada. Ela começou a escalar numa velocidade inacreditável. Claramente não pensamos duas vezes e começamos a subir até o fim do galho. A pressa era tanta, mas ao mesmo tempo tínhamos de nos preocupar a não escorregar e morrer lá embaixo.
–Nossa canoa se soltou da margem e continuou o trajeto! Esse bicho a viu e ficou nervoso! – Eu disse correndo em desespero
–Oh, você acha? – Ironizou Alfaghar
–Corre, corre, corre! – Disse Bartholomero, que estava indo atrás.
O iguana chegou no topo da árvore, ficou em pé nos galhos e abriu a boca.
–O que ele vai fazer? – Perguntou Bartholomero
–Como eu vou saber? Estúpido! – Respondeu Alfaghar
–Calem a boca e continuem correndo! – Falei
Estávamos nos aproximando do final do galho. E o iguana estendeu uma língua verde com a ponta marrom em nossa direção. Suas primeiras tentativas de acertar um de nós foi falha, até que não conseguia nem ao menos nos alcançar mais com sua língua. Ela saltou para o galho em que estávamos e foi andando na ponta dos dedos. Persistente, não? Ela chegava cada vez mais perto e nós já estávamos no final do galho. Sem caminho para irmos. Ficamos ali, parados, esperando a morte chegar. O que, claro, não aconteceu. O iguana não podia mais avançar, mas sua língua podia. Eu comecei a coçar minha barba, pensando.
–Badwif, o que está pensando? – Perguntou Alfaghar
–Corram na direção dele! – Eu disse
–O quê? Está louco?! – Berrou Bartholomero
–Venham logo, seus imbecis!
Eles vieram atrás de mim, eu cochichei para Kuth e Ruth e lhes dei uma piscadinha. Kuth subiu em cima de Ruth e, sempre que a criatura lançava sua língua, Kuth cuspia gosma para dentro da boca dela e Ruth em sua língua. Ficamos nesse processo até estarmos perto o bastante. O bicho finalmente entendeu que estava sendo enganado, quando bateu sua cauda no galho e todos nós começamos a chacoalhar e com medo de cair. Felizmente, nenhum de nós sequer escorregou para a borda. Continuamos correndo, e, sempre que ele batia no galho, dávamos um salto, evitando riscos. Passamos por baixo da barriga dele e Alfaghar acertou seu estômago com uma de suas bolas de chumbo. Ele berrou de dor e vomitou no galho. Chegamos do outro lado e subimos na sua cauda. Chegando nas suas costas, Bartholomero foi até o pescoço e começou a apertá-lo nas partes frágeis. Alfaghar enfincou sua espada na sua nuca e ele ergueu a cabeça. Começou a sangrar. Corremos até sua cabeça erguida e Bartholomero arremessou seu casaco de urso e quando o iguana viu, estendeu sua língua. Neste mesmo milésimo de tempo, pulamos na língua e andamos até o fim dela. Saltamos para longe dela. Ele devorou o casaco e soltou a língua de novo, tombando do galho. Infortunadamente, a perna direita de Bartholomero foi atingida, se transformando em madeira (e aí está a causa da origem das madeiras animadas que encontramos). O iguana se prendeu no tronco e deu um salto que fez a árvore gigante chacoalhar. Ele estava decidido a nos pegar. Não tínhamos nem ao menos uma prévia de onde iríamos cair. Ele estava quase chegando em nós, até que eu tive uma ideia.
–Bartholomero, jogue Alfaghar na direção da criatura! E não questione! Agora! – Terminei de falar e comecei a cair, junto com os outros.
Bartholomero fez, pegou Alfaghar que estava no ar na sua frente e o arremessou dando um pontapé com sua perna boa. Alfaghar voou desesperado em direção a boca aberta e esfomeada do enorme iguana. Então dei meu último grito que foi:
–A espada!
Ele a desembainhou sem pensar duas vezes. Meu cajado entrou em chamas e eu joguei uma esfera de fogo em direção à lâmina. A mesma entrou em chamas que se esverdearam. Alfaghar deu um espiral no ar e decapitou a criatura gigante. Muito sangue escuro coloriu o céu. O cadáver girou e com seu peso a cauda nos chicoteou para longe dali. Definitivamente morreríamos ali mesmo, mas não era o que destino queria. Caímos numa fossa funda e limpa. Uma água cristalina. Nadamos até para a superfície e vimos uma cascata. Fomos até a margem, estávamos todos ensanguentados e sujos, respirando e expirando rapidamente. Olhamos para trás e vimos uma cama enorme de folhas de madeira maciça e polida. Um caminho de tamanho gigante se estendia até chegar ao fim da lagoa, suja e poluída, e avante estava cheio de neblina.
–Não vou nem olhar pra lá, pois é o último lugar que quero ir. – Disse Bartholomero, passando a mão na sua perna perdida.
De fato, jamais voltaríamos para lá. Podíamos ver, no final do trajeto da lagoa, nosso remo partido ao meio.
–Deve ter sido ali que nossa canoa parou e o bicho notou nossa presença. – Disse Alfaghar
–E você está certo – Acrescentei – Este lindo lago atrás dessa grande cama deve ser o paraíso que ele guardava. Realmente uma criatura egoísta.
–Afinal, mas o que era ele?
–Parecia... Um iguana.
–Só que bem maior né? – Disse Bartholomero chorando – Venham aqui, preciso de um favor.
Chegamos perto, e ele nos pediu algo terrível. “Arranquem minha perna”, foram suas palavras. Negamos várias e várias vezes, mas ele insistiu tanto, que não vimos outra saída. Eu segurei a coxa dele, enquanto Alfaghar colocou a espada para o alto, ele hesitou muito, até que por fim, ele fez o que lhe foi pedido. A perna de madeira rolou pelo chão, houve sangramento, que eu estanquei, porém pouco, já que a madeira iria se espalhar por ele. Ele gritou, gemeu e lagrimejou tanto, que Kuth e Ruth se negaram a olhar o tempo inteiro. Pegamos algumas raízes e fiz uma alquimia em uma bola de chumbo de Alfaghar e um caco de vidro de um dos potes de leite que havíamos quebrado. A bola de tornou um cano de chumbo e o vidro um cone na ponta. Amarramos no lugar da perna e se tornou o novo apoio de Bartholomero. Acampamos ali por dois dias, caçamos frutas do paraíso particular do iguana gigante, com frutas enormes, por sinal. Bartholomero se acostumou a andar com... Bem, aquilo. Recarregamos os suprimentos e detrás da cascata, havia um arco de pedras, que dava para fora da Lagoa de Madeira.
Do lado de fora havia uma placa, que dizia:
VIAJANTE(S) QUE AQUI CHEGARA(M), A CIDADE DE GUILGLÖR SE ENCONTRA A ALGUMAS MILHAS DAQUI. LHE(S) VEJO PELA FRENTE!
Todos nos alegramos, até Bartholomero ficou animado, então seguimos a diante. A Lagoa de Madeira se provou possível para nós!
Continuamos andando, mas bem lentamente, já que precisávamos parar várias vezes para ajudar Bartholomero, que não estava acostumado com sua nova ‘perna’ ainda. Mas finalmente havíamos chegado à cidade de Guilglör. Logo quando demos o primeiro passo no lugar, vimos vários anões andando. Alguns pacíficos com cestas de frutas, e outros bem mais apressados com gravatas e paletós.
No centro da cidade havia vários tipos de coisas, mercados, hotéis e outras coisas. Mas nossa primeira parada foi em um hospital, é claro. Tratamos de nossa ferida e a perna de Bartholomero foi mais bem cuidada.
Saindo de lá, fomos aos mercados. Compramos frutas, salgados, doces e refrescos. Enchemos nossas mochilas! Em seguida nos hospedamos e passamos a noite na cidade. Na verdade, várias noites.
Três semanas haviam se passado, e, infelizmente para Alfaghar, Kuth, Ruth e principalmente Bartholomero, tínhamos de partir. No final da cidade, havia um bar com uma placa chamativa que dizia “Volte logo!” e logo atrás se encontrava a estrada e o final de Guilglör. Minha primeira opção foi irmos direto para a estrada, mas vi a cara de sede por um bom drink naqueles dois, e me vi obrigado a entrar no bar. Então entramos.
Lá dentro, Kuth e Ruth observavam com as cabeças de fora dos bolsos de Bartholomero, em sua forma de semente. Nos sentamos num balcão no meio de um salão de dança. Um balcão redondo de madeira industrial e bem polida.
–O que vocês irão beber? – Perguntei
–Acho que só vou querer água gasificada desta vez... – Disse Bartholomero
–E você, Alfaghar?
–Vou querer um Espirro de Orc e um pouco de Pó de Duende. – Ele respondeu
–Boa pedida! – Comentei – Vou querer um Champanhe Cinza e uma tigela de olhos de coelho.
Este último eu pedi pensando em Kuth e Ruth. Os dois saltaram dos bolsos e cresceram para sua forma normal. Devoraram a tigela em questão de minutos, enquanto eu só apreciei um.
–Ho, ho, oh! Devagar! – Eu disse
O balconista era um anão também, de barba e olhos castanhos. Cabelo grisalho e nariz redondo. Ele limpava os copos enquanto batia um papo conosco.
–Então, o que vos trouxe a Guilglör? – Perguntou ele
–Estamos numa aventura! – Respondi, simplesmente
–Humm... Uma aventura é? De que tipo?
–Receio não poder te explicar!
–Como? Por quê?
–É complicado...
–Pois descomplique!
–Não é tão simples, anão!
–Não entendo de coisas complexas!
–Por isso é um anão! Ha ha!
–Hein? – Ele coçou a cabeça – De qualquer forma, que infortúnio! Eu desejava muito saber!
–E por que esta curiosidade?
–Agora você é o curioso!
–Apenas me diga!
–Muito complexo para um... Mago!
–Como sabe o que sou?!
–Intuição de anão!
–Hum... Compreendo!
–Meu nome é Doför!
–Prazer! – Eu disse, chacoalhando sua mão – Eu sou Badwif! Estes são Bartholomero, Alfaghar e os pequenos são Kuth e Ruth.
–Olá! – Ele colocou a mão no queixo – Um bárbaro, um paladino e um mago juntos? Combinação esquisita demais!
–Demais para um anão?
–Sim! Mas... E o que seriam estes? – Apontou para Kuth e Ruth
–São Sementes Escarlates, que conheci na Floresta Vermelha! Nos ajudaram a escapar de lá!
–Vocês foram para a Floresta Vermelha?! – Ele se espantou – E saíram de lá? Incrível!
–Sim, sim! Viemos para cá logo após sairmos da Lagoa de Madeira!
–Inacreditável!
–Ei, estou lhe contando parte da minha aventura! Agora me diga sobre sua curiosidade que tanto me incomoda!
–Sabe o que é... – Ele se aproximou, e começou a sussurrar – Eu realmente estou cansado desse lugar, de ficar limpando copos e mesas! Queria me aventurar como você!
–Hum... – Cocei minha barba – Compreendo...!
Após a conversa, reparei na chuva que havia começado pela janela. E, em seguida, a porta do bar abriu e alguém encapuzado entrou. Nós não podíamos ver seu rosto, mas claramente era um anão! Só de julgar pelo tamanho e a barba molhada escorrendo. Ele se aproximou de uma cadeira e se sentou na frente de uma mesa de madeira. Ele pediu um copo de cerveja de limão e começou a beber, em silêncio.
Sua barba era de cor azul acinzentada, estava amarrada entre o meio e o final. Um tempo se passou, Doför conversava com Bartholomero e Alfaghar enquanto bebíamos. Eu ficava observando aquele misterioso anão, até que, depois de um tempo, a guarda da cidade entrou. Com suas armaduras de ferro e sabres na bainha, eles se aproximaram do anão sentado em frente á mesa.
–Você – disse o capitão deles
O mesmo sacou uma adaga e a jogou na mesa juntamente com uma folha de papel, prendendo na madeira, ameaçadoramente.
O anão simplesmente olhou, e eu me estiquei um pouco para ver. Era um anúncio de fugitivo procurado! O nome era Dinglongorf, com uma recompensa altíssima. Os guardas sacaram a espada e, sem mais nenhuma palavra, avançaram contra o anão. Como se ninguém houvesse visto, o anão sacou de suas costas, por dentro da roupa de chuva que cobria o seu corpo, um machado de duas lâminas gigante (no mínimo gigante para um anão) com um cabo de ferro enrolado com fitas. Ele girou o machado e, num piscar de olhos, todos os braços que empunhavam uma espada estavam girando pelo ar. O capitão ficou boquiaberto, numa tentativa desesperada, ele sacou sua espada e em vão perdeu seu braço também. Caiu no chão gritando de dor, e tentou se arrastar para fora do bar. O anão enfincou uma das lâminas nas costas do capitão, que morreu logo em seguida.
Mais passos largos e rápidos podiam ser ouvidos do lado de fora, se aproximando. O anão guardou o machado e saltou pela janela. Eu imediatamente me levantei e corri atrás dele.
–Badwif! – Gritou Alfaghar
Eles viraram o copo de uma vez e vieram atrás de mim. Doför ficou observando ainda chocado.
Corríamos pelas ruas de Guilglör, até os guardas cercarem o anão de vez, de maneira que qualquer um de seus golpes mataria vários guardas, mas que o entregaria logo depois. Ele começou a olhar ao redor, tentando achar uma rota de fuga, mas realmente uma não havia. Até que ele me notou, eu comecei a falar sem voz e ele leu meus lábios. Eu dizia: “se me ajudar, posso lhe tirar daqui”. Pelo menos eu espero que ele tenha entendido tudo! Mas acho que sim, já que ele hesitou por um longo momento, e os guardas se aproximavam bem lentamente. Até que ele balançou a cabeça para mim, concordando. Esta foi minha deixa. Bati meu cajado no chão causando uma enorme cúpula de fumaça. Ele não enxergava nada, então peguei seu pulso e o arrastei comigo. Fui em direção ao bar, porém mais guardas se aproximavam tanto pela direita quanto esquerda. Fiquei cercado também, até que vi o guarda mais próximo e ingênuo ser morto por um arpão atravessando sua cabeça. Olhei ao redor, até que vi Doför com um disparador de arpões, ele se aproximou e fez um sinal para que a gente o seguisse. Assim fizemos, ele abriu uma passagem secreta para um alçapão, nos trancou por dentro, evitando a entrada dos guardas.
Dentro do alçapão, recuperamos o fôlego e nos acalmamos.
–Quem são vocês? – Perguntou o anão
–Eu sou um mago, Badwif. Prazer. Estes são meus companheiros, Bartholomero, Alfaghar, Kuth e Ruth. E é claro, nosso mais recente amigo, Doför.
–Isso quer dizer...? – Doför se interrompeu
–Sim, Doför, bem-vindo à sua mais nova aventura. – Eu disse, para a felicidade dele.
Ele sorriu para mim, o que me serviu como agradecimento.
–E o que vocês querem? – Perguntou o outro anão
–Você tem habilidades incríveis, Dinglongorf!
–Como sabe meu nome?
–Vi no cartaz de procurado!
–Pois é Dinglondorf.
–Como?
–Meu nome.
–Mudar apenas uma letra para um disfarce? Não muito esperto!
–Esperto suficiente par a um anão! – Intrometeu Doför
–Não me lembro de pedir seu conselho, mago! – Disse Dinglondorf rudemente
–Tudo bem, tudo bem. Então, estamos partindo em uma aventura, e seria interessante tê-lo ao nosso lado!
–E qual o objetivo?
–Venha conosco que você verá! Eu lhe garanto, que até mesmo para você, irá se admirar com a recompensa. E você não tem muito a perder, creio eu. Com estes guardas por toda parte, acho que lhe cairia bem uma fuga! O que me diz?
–Hum... – Ele pensou bastante – Tudo bem, então vamos.
–Finalmente vamos sair daqui! – Disse Bartholomero
–Vamos embora de Guilglör, aventureiros de plantão! – Eu disse
Doför nos guiou por uma mina subterrânea, até pararmos num chão falso do lado de fora da cidade, de lá, continuamos nossa jornada com dois novos acompanhantes anões.
Estávamos no meio da estrada agora, caminhamos por três meses sem nenhuma interferência. Aproveitávamos-nos dos suplementos e sempre os recarregávamos quando houvesse a oportunidade. Dinglondorf continuava rabugento e ignorante quanto ao grupo. Se isolava das canções e histórias noturnas e não se socializava com ninguém. Eu só o observava. Quando se tratava de caça, ele e Doför se tornavam uma bela dupla. Dinglondorf atraía as presas e Doför as eliminava.
O tempo passou e já éramos uma equipe! Pelo menos eu me sentia dessa maneira. Teve um momento da jornada em que paramos em uma certa vila, onde havia aluguéis de cavalos, com ou sem carroças. Optamos dois com carroça, visto que em nosso número não compensava cavalos avulso.
Cavalgávamos por um campo de grama alta, apenas seguindo uma fina e estreita estrada de terra, até que eu avistei um vulto no meio dos altos arbustos e dos milharais. Eu pedi para que os cavalos parassem, e assim eles fizeram. Desci da carroça e recuei alguns passos para trás, cerrei meus olhos procurando por algo nas folhagens. Até que outro vulto passou por cima de mim e eu caí de joelhos. Logo me levantei e me virei. Vi um homem encapuzado. Era outro mago. Com uma túnica parecida com ao vestido de roxo que enfrentara meses atrás, só que o deste era laranja! Tinha uma barba grisalha e nem tão grande. Os outros desceram da carroça e se juntaram á mim. Ele sacou um cajado e sua ponta se iluminou, formando uma esfera de eletricidade, que foi lançada em direção á nós. Todos nos esquivamos. Em retorno eu disparei uma bola de fogo, que queimou a ponta de suas vestes. Ele jogou o trapo fora. Alfaghar desembainhou sua espada e avançou com um corte vertical, do qual o mago de desviou. Bartholomero veio logo em seguida e o agarrou pelo braço direito, jogando em direção á Dinglondorf, que revelou seu machado e partiu o mago no meio, fazendo jorrar sangue por todas as plantas ao redor, agora avermelhadas. Sua parte superior se arrastava pelo campo, deixando uma trilha de sangue, ele fez um gesto com a mão, me chamando. Eu me aproximei, ele ergueu a mão esquerda, com um anel de ossos no dedo indicador, e disse ás seguinte palavras:
–Viva o Zodíaco!
“Viva o Zodíaco?”, pensei comigo mesmo. Afinal, o que aquilo queria dizer, certo?
Aquelas foram suas últimas palavras, e morreu.
–O que foi isso, Badwif? – Dinglondorf me perguntou
–Eu não sei, ainda,,! – Respondi
Ficamos com dúvida sobre aquelas palavras, mas pensamos nisso no caminho. Voltamos para a carroça e os cavalos começaram a cavalgar.
–Zodíaco... – Pensei alto
–Hum?
–Nada, só estava pensando... O que é “Zodíaco”?
–Poderia estar se referindo aos signos zodiacais! – Disse Doför
–Que seriam? – Perguntou Alfaghar
–Não os conheço muito bem...
–Nós conhecemos! – Disseram duas vozes juntas.
E do bolso de Bartholomero pularam Kuth e Ruth.
–Oh, Sementes Escarlates! Digam-nos o que sabem! – Falei
–Certamente, mago Badwif! – Responderam, então Kuth começou a falar
–Existem vários tipos de signos zodiacais, cada um de uma visão diferente, feita por pessoas diferentes de cantos diferentes do mundo!
–Sem enrolar, explique. – Murmurou Dinglondorf
Eu olhei feio para ele, e ele retornou com o mesmo olhar! Ruth continuou...
–A história é bem antiga, e foi contada a mim e á Kuth pelos nossos bisavós, que foi contado pelos bisavós deles e assim por diante! Antes da existência de várias vidas no mundo, havia apenas algumas dúzias de habitantes nele. Cinco pessoas dessas dúzias começaram a estudar o significado de “reprodução”. O que levaria a colonização mundial de várias raças. Três eram do sexo masculino, e duas do feminino, cujo havia um homem chamado Grëco, alto e branco de olhos azuis, uma mulher chamada Céutah, um anão chamado Agabih, de barba e olhos castanhos, uma elfa chamada Ezipsia, com seus cabelos dourados e olhos verdes, e um mago chamado Xinhêis, negro e de olhos vermelhos. Cada um se sentiu diferente em questões da aparência, dos gostos, tamanhos, cheiros, tradições, costumes, culinária. Mas ao mesmo tempo se viram iguais quanto ao bom coração e humanismo. Assim todos os cinco concordaram em serem “humanos”, “pessoas”, “seres vivos”, porém de “raças” diferentes. Os cinco eram amigos, e a cada dia seus laços de fortaleciam cada vez mais. Com o passar dos anos, eles começaram a perceber que tinham de categorizar á todos. Cada um pensou de uma maneira. Grëco estudou os astros, e desenhou em cada um deles objetos, sensações e animais neles. Céutah pegou vários animais exóticos de seu conhecimento. Xinhêis pegou animais menos reconhecidos, mas por ser o mais sábio, viu o outro lado deles. Agabih era o mais violento dos cinco, mas não era um briguento e não entrava em problemas, mas com seu pensamento bruto, escolheu armas com que teve contato. E por Ezipsia, usou o nome modificado de personagens de livros e folclore, pelo que a lenda diz. Assim os cinco estudaram as ideias dos outros. Mas nenhum chegava a uma conclusão, eles apenas protegiam a ideia que eles mesmos fizeram. Todos então viram apenas uma coisa em comum, todos tinham feito exatamente doze “signos”, que foi como gostaram de chamar cada um dos itens de suas listas, exceto por Grëco e Céutah, que fizeram treze, porém descartando um. Brigas menores foram surgindo, até se tornarem discussões de longo prazo. Chegou a um ponto em que ninguém mais se entendia, e todos os cinco foram embora, para rumos diferentes. Porém cada um deles conseguiu o que queria, categorizar-nos. Todos desenharam o que ficou conhecido como horóscopos, encaixando seus tais signos neles. Grëco batizou o seu horóscopo de “Signos Zodiacais Gregos”, o que futuramente renomeou para apenas “Signos Zodiacais”, e o que se tornou o mais famoso dos cinco, sendo atualmente o usado em todo o ocidente como “Signos Ocidentais”. Xinhêis chamou o seu de “Signos do Zodíaco Chinês”, que ficou bastante conhecido também, principalmente em sua área. Ezipsia batizou o seu de “Signos Egípcios”. Agabih chamou o seu de “Signos Árabes”, e Céutah chamara o seu de “Signos Celtas”. Não sei se é verdade, mas dizem também que a palavra “Zodíaco” veio do grupo de reuniões que os cinco nomearam. Agora, não sei a qual destes o mago se referia. Na verdade, nem sei por que citara esta palavra.
–Ruth e Kuth, vocês sabem quais os itens de cada um? – Perguntou Alfaghar
–Certamente! – Respondeu Kuth
–Poderia nos dizer? – Perguntei
–Mas é claro! – Disseram
–Você se lembra né, Kuth? – Perguntou Ruth, sabendo a resposta.
–Mas é claro! – Disse Kuth, como esperado – Se me lembro bem...
–Não vá esquecer, hein!
–Não me interrompa, Ruth! Os Signos Gregos eram: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes, respectivamente. Já os Signos Chineses eram...
Eu o interrompi.
–Só uma dúvida, Kuth.
–Sim?
–“Eram” ou ainda são?
–Oh, me desculpe! Você tem toda razão, ainda são!
–Bem, continue!
–Sim, certo! Como eu dizia, os Signos Chineses são, lembrando que, estão na mesma ordem que os gregos, e os que vierem a seguir também, então: Rato, Boi, Tigre, Coelho, Dragão, Cobra, Pônei, Cabra, Macaco, Galo, Cachorro e Porco.
–Então Áries corresponde á Rato, por exemplo? – Perguntou Doför
–Exatamente, precisamente! – Disseram os dois juntos
–Entendi, continuem.
Kuth voltou a falar:
–Os Signos Egípcios são: Sekhmet, Ptah, Toth, Ísis, Rá, Neith. Maat, Osíris, Hathor, Anúbis, Bastet e Taueret. Enquanto os Signos Árabes são: Adaga, Clava, Maça de Ferro, Cutelo, Espada, Faca, Corrente, Punhal, Arco, Lança, Estilingue e Machado. E por fim, os Signos Celtas, que são: Raposa, Vaca, Cavalo Marinho, Pomba, Cavalo, Salmão, Cisne, Borboleta, Falcão, Cervo, Gato e Víbora.
–Entendo... – Comecei a coçar minha barba – Como sabemos que signo somos?
–Isto é fácil! Só é necessário decorar! – Disse Ruth – Veja bem, digam-me suas datas de nascimento!
–Para quê? – Julgou Dinglondorf
–Se não quiser saber, não diga! – Disse Bartholomero
–Lembrando, pessoal, que só há registros da descoberta dos signos gregos e chineses, os mais famosos como eu disse anteriormente! – Falou Ruth
–Exato! – Disse Kuth
–A minha data de nascimento é trinta de janeiro de 989! – Disse Doför
–Doför, você é de Aquário de acordo com o Horóscopo Grego, e Dragão de acordo com o Chinês. – Disse Kuth
–Vinte e um de abril de 993! – Falou Bartholomero
–Bartholomero, você é Touro e Galo, respectivamente.
–O meu é dezoito de setembro de 997. – Dissera Alfaghar
–Leão e Boi, Alfaghar.
–E o seu, Badwif? – Perguntou Ruth
–Vinte e três de maio. – Falei
–Mas e o ano?
–Prefiro me manter em silêncio quanto á isso.
–Vamos, diga-me aqui!
Eu me aproximei e sussurrei para ele.
–Certo! Neste caso você é de Gêmeos e Tigre, Badwif!
–Gêmeos, é..?! Interessante... – Pensei alto
–Ei, e você, não quer saber o seu? – Perguntaram para Dinglondorf
–Ah, não. Tanto faz..! – Ele respondeu
–Ah, não seja tão ignorante! Diga logo de uma vez!
–Certo! Não faz diferença! É nove de maio de 985! – Disse ele por fim.
–Então você é Touro e... Boi...
–Nossa, que interessante...
–Muito! – Comentei – Eu achei!
–Mas o signo não é seu, é? – Disse ele rudemente
–Não, mas é claro que não...
Fez então um silêncio, com apenas os cascos dos cavalos e seus flop flop no caminho. Até que retomamos o assunto principal.
–Mas o que aquele mago quis dizer com o Zodíaco, então? E ainda, o número que todos os horóscopos têm é doze. Seria essa a quantidade de inimigos a enfrentarmos?
–Doze? Isto é muito, dependendo de suas forças! – Disse Alfaghar
–Concordo! – Completou Bartholomero
–É só uma especulação, e esperamos não ser verdade!
–Pois é! – Comentaram Kuth e Ruth, voltando ao bolso de Bartholomero
–Obrigado pela explicação, pequenos! – Eu agradeci
–Olhem! – Disse Doför, apontando para fora da janela, onde víamos um grande anel de nuvens cinzentas e várias trovoadas circulando a cidade próxima, Belgavhör.
Não mandamos os cavalos parar, íamos checar a cidade.
–Preparem-se amigos, parece que nossa viagem vai ter uma longa parada. – Eu disse, pegando meu cajado, e os outros pegando suas respectivas armas.
–Não me chame de amigo... – Ouvi Dinglondorf dizer
–O chamo do que eu bem quiser! E optei por “amigo”, então acostume-se com isso!
–Pois bem, chame do que quiser! – Disse ele
A carroça se aproximava
–A conversa acabou! – Falei, chegando cada vez mais próximo de Belgavhör.
“BEM-VINDOS Á BELGAVHÖR”
Dizia a placa quase toda despedaçada e destruída. Cidadãos corriam na direção oposta a qual avançávamos, e no centro da cidade, estava tudo em ruínas. Ruas e calçadas em partes, rachadas. No meio dela, uma homem encapuzado de roxo, porém este com detalhes dourado na túnica e um círculo nas costas da mesmas, dividido em cinco partes, a superior com um coelho, a de baixo com uma mulher, a da direita com um cutelo, a da esquerda com uma pomba, e no meio com um caranguejo.
–Outro de roxo? – Perguntou Bartholomero, retoricamente.
–Mas olhe este! – Eu disse – Os desenhos em suas costas, dentro do círculo, separado em cinco! Cinco! O caranguejo é Câncer, do Horóscopo Grego, Coelho do Chinês, a mulher deve ser Ísis, vinda do Horóscopo Egípcio, o Cutelo é do Árabe e a Pomba do Celta! Diga-me, quem é você?! E eu sei que tem relação com o Zodíaco!
–Hahaha... Você é esperto. Sim! Eu SOU o Zodíaco. Ou melhor, o número 4 deles!
–Número 4? – Pensei – Há doze, não há?
–De fato, há doze. Mas vocês não sobreviverão para ver todos! Nem ao menos verão meu rosto!
Após terminar de falar, o misterioso encapuzado ergue seu braço esquerdo, abre a palma da mão e uma esfera roxa é criada. A mesma deixa uma atmosfera sombria no ar. Gritos de desespero e pedidos de ajuda, gritos de socorro e mais e mais vozes chorando e lamentando. Isso causou um calafrio e uma ânsia em todos nós. Começamos a nos sentir mal, e a sensação de que iríamos morrer dançava em nossas cabeças.
–Hahahahahaha! – Ele começou a gargalhar maleficamente – Isto é só uma demonstração do meu poder, e menos de um terço do poder total do Zodíaco. Então não mexa com ele! Ou melhor, conosco! Saia do nosso caminho, mago!
Ele então apenas estalou os dedos e desapareceu. As nuvens de foram. A cidade ficou mais calma agora, mas ninguém se esqueceu do horror que viram.
–Mas o que foi isso? – Perguntou Alfaghar
–Eu não sei... – Eu disse, me sentindo fraco – Eu não sei... Mas eu estava com medo, me senti tropeçando para o submundo.
–Me senti igual. – Disse Bartholomero
–Eu também senti isso. – Repetiram os outros
Olhamos para o local de onde ele pisou pela última vez, e vimos uma fumaça quase sumindo, que dizia:
“Nekro é o nome”
–O que ele quis dizer? – Perguntou Doför
–Que este é o nome dele... – Respondeu Dinglondorf
–Exatamente. – Completei – E há mais onze deles... Isto será um problema. Mas eu espero que vocês estejam buscando um pouco de ação e desafios. Afinal, isto é o que define uma aventura, certo?!
Todos concordaram, então fomos ajudar a cidade com seus destroços em suas ruas e bairros.
Eu estava acompanhando algumas crianças aterrorizadas para os seus pais, enquanto Alfaghar, Bartholomero e Dinglondorf carregavam caixas de alimentos para seus donos. Doför, Kuth e Ruth limpavam a poeira e a sujeira dos locais mais danificados.
Passamos uma longa tarde contribuindo para Belgavhör, que nos recebeu de uma maneira preocupantes, mas já estava tudo bem novamente. O capitão da guarda da cidade nos concebeu uma noite de descanso, comida, água e suplementos para o dia seguinte. Aceitamos com prazer.
Cansados e feridos, largamos nossas coisas no chão e logo nos vimos deitados nos colchões quentinhos do quarto do hotel. Dormimos, é claro, eu, pelo menos, pouco. Acordei no meio (ou no início, talvez) da madrugada. Fiquei em silêncio e comecei a pensar sobre o calafrio que sentimos quando o misterioso Nekro nos apresentou parte de seu poder. Aquilo me lembrou, claramente, o elixir maligno que estava no forte de divisão de distritos aquela vez. Era o mesmo medo, a mesma sensação.
Ouvi um ruído, me virei para olhar e vi que eu não estava sozinho. Pelo menos não naquela noite. Dinglondorf estava acordado também.
–Está pensando naquilo também? – Perguntou ele baixinho para mim
–Depende. Defina “naquilo”. – Respondi
–Você sabe sobre o que falo. – Resmungou ele
–Sim, eu sei. Já senti aquilo antes, mas é uma nova sensação para eles... E para você? Presumo..?
–Sim.
–Você sabe do que se trata?
–Não tenho ideia.
Ouvimos outro ruído. Desta vez eram Bartholomero e Alfaghar. Pelo jeito ninguém dormiu tão bem assim aquela noite.
–O que os dois fazem acordados? – Perguntei
–Bem... – Começou Bartholomero
–Aquela sensação... Aquele sentimento... – continuou Alfaghar – Ah...
–...Foram aterrorizantes. – Completou Bartholomero.
–Vejo. – Eu disse – Não conseguem mais dormir, também..! Parece que estamos na mesma situação por aqui!
–O que acha dos outros onze, Badwif? – Perguntara Dinglondorf
–O que quer que eu lhe responda? – Comecei – Não sei nada sobre eles. Só temos informações sobre os signos! Este Nekro foi só o começo de algo muito maior.
–E estamos, por acaso, envolvidos nesse “algo muito maior”?
–Talvez. – Respondi – Se quiserem quitar, façam isso logo, pois daqui para frente será perigoso, e tenho de dizer que não garantirei suas vidas.
Eles ficaram pálidos, mesmo que um pouco.
–Não vou voltar agora. – Disse Alfaghar
–Digo o mesmo. – Falou Bartholomero
–Concordo com eles. – Finalizou Dinglondorf
–Entendo... – Eu falei – Muito bem, vamos tentar voltar á dormir! Boa noite á todos!
Me virei e tropecei num sono profundo... Ou quase, já que os roncos de Doför ás vezes era o real motivo de não dormirmos.
Acho que todos dormiram pelo resto da noite. A luz iluminou o quarto e nos levantamos, restaurados. Descemos as escadas do hotel e nos servimos. O desjejum estava ótimo, isso eu confirmo. O capitão do dia anterior nos deu os suplementos prometidos e partimos mais uma vez.
Até algum dia, Belgavhör!!
Estávamos de volta na estrada. Novamente caminhando, com nossas mochilas cheias de suplementos necessários para a viagem.
O sol estava bem forte aqueles dias, esvaziamos várias garrafas de água. Mas tudo ocorreu bem e dormimos várias noites tranquilamente. Quando nos aproximávamos do destino, resolveram me questionar:
–Para onde estamos indo, Badwif? – Perguntou Bartholomero, pondo a mão em meu ombro.
–Isso mesmo. Qual nosso próximo destino? – Pergunta Dinglondorf em seguida
Todos me olharam com a mesma dúvida, então tive de responder, é claro:
–Estamos indo para o Corredor de Reflexos. – Eu disse
–O quê? – Dinglondorf surtou – Sabe que isso é uma atração de um parque temático, não é?
–Sim, eu sei.
–E o que pretendo nos levando lá?
–Tem algo no fim do corredor.
–Como você sabe?
–Eu só sei. E é lá que vamos. Confie em mim, anão.
Percebi que todos me olharam com incerteza, mas ao mesmo tempo era uma olhar de confiança. Estavam dispostos a me seguir, e eu já havia percebido isso.
–Então... – Falou Alfaghar – O que há no final do corredor?
–Há mais de dez anos atrás, quando um ogro invadiu o parque, e imagino que todos vocês tenham recebidos notícias do incidente, foi aumentado a segurança do parque. O Corredor de Reflexos foi o mais danificado da invasão, e foi todo revestido. Meu... Quero dizer, uma pessoa conhecida minha estava presente no dia, e jurou ter avistado uma passagem ser coberta por vidro no fim do corredor.
–E essa pessoa... Este seu... Informante, talvez? Ele é confiável?
–Plenamente. Tem algo lá, eu sei disso.
–Se você diz, lhe seguiremos, Badwif. – Falaram
Naquele momento eu realmente me senti parte de um grupo de pessoas das quais eu podia contar.
No final de uma tarde de caminhada, avistamos o parque à distância. Durante a noite chegamos lá, mas esperamos o amanhecer.
Quando a manhã chegou, esperamos para que o parque abrisse. O mesmo ficava no meio de um caminho de terra que levava á uma cidade. Ficava entre Belgavhör e Tocladhör.
O parque então se abriu e nós entramos apenas como pessoas normais fariam. Após pegarmos o ingresso para um dia no parque, nos dirigimos imediatamente para o Corredor de Reflexos, cujo havia uma placa nos dando boas-vindas e nos pedindo para entrar: “Corredor de Reflexos! Entre e se divirta!”
Lá dentro havia uma pequena quantidade de pessoas, apenas se vendo nos reflexos de vidro. Esperamos todas sair e, discreto e silenciosamente, começamos a remover os vidros. Bem no final, no centro, retiramos o último pedaço de vidro, e, como eu previa, havia uma escada suja e empoeirada, com teias de aranha e as aranhas em si. Um vapor quente subiu sobre nossos rostos, o lugar cheirava mal e estava todo acabado. Descemos as escadas.
Lá embaixo, encontramos dois ogros dormindo. Fedendo e babando. Bartholomero fez um apoio para mim. Eu subi em cima dele, Alfaghar em cima de mim, Doför em cima de Alfaghar e DInglondorf em cima de Doför. Dinglondorf subiu em um dos ogros e andou sorrateiramente sobre sua barriga, o que eu esperava que um anão não fizesse. Ele puxou o machado para fora e rasgou silenciosamente da banha até a garganta do ogro. Sangue jorrou, mas não fez muito barulho. Lá embaixo, Bartholomero começou a ficar com os braços bambos e, quando Dinglondorf voltou para descer, todos nós caímos, um em cima do outro. Isso causou um barulho bem alto, ou pelo menos alto suficiente para acordar o outro. Sentimos imediatamente seu bafo horrendo. O mesmo pegou dois pedaços de pau e fez uma tocha, iluminou o local incendiando morcegos que amarrara anteriormente nos picos mais altos do local. O lugar se revelou como uma caverna, o ogro nos viu e o que antes só se ouvia gotas de água, agora virara um caos. Ele começou a correr atrás de nós, desesperado.
–Separem-se, tolos! – Eu berrei
Assim fizeram. Todos se dividiram e o ogro não sabia quem perseguir. Teve de se decidir, e escolheu Bartholomero, o mais exausto de nós. Com os braços amolecidos, Bartholomero já estava bufando, e foi exatamente pela sua exaustão que o ogro o escolheu.
–Alfaghar, vá ajudá-lo! – Eu falei
Alfaghar obedeceu e desembainhou a espada, correu na direção do ogro e por trás, perfurou seu tornozelo. O ogro parou de perseguir Bartholomero e dirigiu sua atenção para quem o atacara. Pegou Alfaghar do chão com dois dedos e o jogou tão forte que o mesmo foi arremessado para o outro canto da caverna. Eu corri em sua direção e o salvei fazendo um cipó grosso e revestido brotar do chão, onde Alfaghar caiu.
O ogro removeu a espada do tornozelo e a jogou em qualquer lugar, já que ele não se importava. Quando se virou novamente, se deu de encontro com o punho cerrado de Bartholomero, que fora arremessado por Dinglondorf e Doför. O ogro cambaleou e urrou de raiva e dor. Bartholomero caiu nos braços de Doför.
–Situação estranha essa, não? – Perguntou Doför ironicamente
Bartholomero olhou-o com uma sobrancelha em pé.
Dinglondorf veio logo atrás e cortou as joelheiras de madeira que o ogro continha, em seguida girou seu machado e removeu uma de suas pernas. Sangue voou em seus rostos e o ogro já estava chorando de dor e pedindo por misericórdia no chão. Alfaghar chegou junto comigo e perfurou suas costas. Eu o ceguei.
–Por que isto? – Questinou Dinglondorf – Mate-o!
–Ele já morreu, deixe-o. – Eu disse
Dinglondorf resmungou e guardou o machado, Alfaghar pegou sua espada e partimos.
Fizemos uma tocha nós mesmos, do qual Bartholomero carregava. Mais gotas de água faziam a trilha sonora do lugar. A caverna era enorme até mesmo para três ogros em pé um em cima do outro. Era impossível vermos o alto da caverna. O chão era meio úmido, e havia esqueletos e crânios para todo lado.
–Estranho... – Comentei
–O quê? – Perguntaram
–Esses esqueletos... São maiores que de anões, porém menores que de homens.
–Não seria de..?
–Adolescentes? Jovens? Creio que não. Os ossos já estão todos desenvolvidos e esticados, alguns certamente já estão até meio velhos. Hum... Não importa agora, mas mesmo assim fico imaginando o que são.
–“São”? Diz não serem homens? Talvez um anão mais desenvolvido, não precisa ficar pensando nisso agora, não é? – Ironizou Dinglondorf
–É, pode ser que sim, talvez... – E me calei
Andamos um pouco, até começarmos a ouvir um choro, bem a distância.
–Provavelmente uma armadilha. – Disse Alfaghar
–Sim, bem provável, mas talvez não! Vamos lá ver se descobrimos o que é, na verdade! – Falei
Todos concordaram e começamos a correr. Chegando lá, pegadas de sangue começaram a surgir, a quantidade de esqueletos só crescia até ter a presença de cadáveres. Então se iluminou um paredão, e, nele, um jovem adulto chorando atrás de espinhos feitos a mão. Tinha sangue no rosto e nas mãos.
–Ei, o que houve? – Eu perguntei
–Estas pessoas... Era meu povo... M-Minha fa-família... – Ele se engasgava no choro
–Não se preocupe. O que aconteceu? Vamos, me diga. – Eu o chacoalhava para se concentrar
–A faca... E-E-E a cobra... Foram ele... Foram ele quem fizeram isso...
–“Foram ele”? O que quis dizer?
–A faca e a cobra... E havia mais três... Tudo um homem só!
–Mais três? Do que se refere?
–Símbolos! Eram cinco símbolos no total!
–Ouviram isso? – Me dirigi aos outros – Ele está falando de um dos Zodíaco. Me corrija se estiver errado, mas você não é homem nem anão, certo? O que é você?
–Eu sou o último da minha raça...
–Qual raça?
–Eu sou... Um... U-U-Um... E-Eu s-s-sou um E... cof cof...
–Respire! Vamos, diga-me..! – Eu tentava não pressioná-lo muito
–Eu sou o último de minha raça... Eu sou um Espelho!
–Espelho? Nunca foi dita essa palavra antes, nunca passou pelos meus ouvidos. Vocês já ouviram essa palavra?
Ninguém reagiu positivamente.
–O que sua raça representa? O que ela significa?!
Ele estendeu a palma de sua mão esquerda, onde continha um círculo, do qual havia eu, imitando todos meus movimentos e, de acordo com ele, “isso é um espelho” ele dissera á mim. Ele não se aguentou mais, não conseguia mais falar, não podia nem se mexer, e apagou. O peguei no colo e demos uma última olhada no local, mas nada havia. Então voltamos para a entrada da caverna, agora a nossa saída e a dele.
Ninguém tinha voltado á atração ainda, então recolocamos os pedaços de vidro que refletia-nos.
–Isto é um espelho? – Perguntei-me
Fiquei curioso e peguei a mão dele, que estava desacordado. Me olhei para aquele “espelho”, e podia me ver.
“O que é um espelho?”, foi minha pergunta. “Eu sou.”, foi o que veio de uma voz na minha mente. Inicialmente fiquei bem assustado.
Já era quase noite, o sol estava indo embora, e saímos do parque. Fizemos uma fogueira mais adiante de lá, e Alfaghar me perguntou:
–Então, o que esperava ver lá, Badwif? Era isso mesmo?
–Não – Eu disse – só sabia que havia algo lá, como vos disse antes.
–Bem, mas encontrou o que queria? – Perguntou Dinglondorf
–Não tenho certeza.
–E o que fazemos com ele? – Questionou Bartholomero, de braços cruzados.
–Veremos...
O mesmo acordou, tossindo.
–Calma rapaz. Está bem?
–Sim... Como você se chama mesmo? – Ele disse, em condições bem melhores do que quando o encontramos.
–Badwif. Sou um mago. E você, qual o seu nome?
–Hagïr.
–Prazer, sou Bartholomero, o bárbaro!
–Alfaghar, paladino.
–Eu sou Doför e aquele Dinglondorf, somos anões!
Kuth e Ruth apareceram e se apresentaram também.
–Olá a todos. Sou o último Espelho restante.
–Não querendo pressioná-lo nem nada, mas acho que nos deve informações, Hagïr, sobre o Zodíaco, por exemplo.
–Certamente, tenho coisas á lhe contar, mas, posso me servir primeiro? Estou com muita fome!
–Claro, coma á vontade!
Ele iria nos explicar tudo em breve, afinal, estava abandonado, ensanguentado e no meio do nada. E acima de tudo, com relação ao Zodíaco, e na manhã seguinte, durante a caminhada, seria o momento de explicar-nos o que sabia!
Logo após apagarmos a fogueira, nos deitamos para dormir.
No dia seguinte, nos levantamos, ajustamos nossas coisas e partimos novamente.
–Então, Badwif – Começou Dinglondorf – Você estava certo, havia mesmo algo lá, no fim do corredor... Ele.
–Certo. – Eu falei – E daí?
–Agora que confirmou isso, pode me dizer aonde estamos indo desta vez?
–Logo vou descobrir isto. – Respondi, me virando para conversar com o rapaz. – Hagïr, não é mesmo?
–Sim, isso mesmo... – Disse ele
–Acho que você poderia nos explicar tudo, agora. – Falei
–Sim, acho que sim...
–Bem, pode começar.
–Por onde começo? O que devo dizer?
–Bom, eu não sei! Isto é com você, o que tem pra dizer?
–Eu... Eu sei lá...
–Hum... Nesse caso, por que não começa falando o que houve lá?
–Certo, tudo bem... Anos atrás, havia vários da minha raça, Espelhos. Antes mesmo de eu nascer, os três primeiros da minha raça, Yélou, Blégou e Prismo, foram encarregados de cuidar dos dois signos abandonados por Grëco e Céutah. Yélou selou o de Grëco, e Blégou o de Céutah. Prismo se ofereceu para ser o guardião dos dois selos, então os levou para o Labirinto Nebuloso, um lugar inacessível para quem não é um Espelho, e lá, enfincou sua espada reluzente no chão e permaneceu parado ali, até os dias de hoje, eu presumo.
–E estes dois signos... O que há com eles? – Perguntei
–Bem, eu ouvi dizer dos meus amigos, agora mortos, que os dois signos são ainda piores e perversos que os padrões, e ninguém jamais ousou tentar usar seu poder. Os que arriscaram, morreram.
–Não entendi. Se o lugar só é acessível a Espelhos, como pessoas quiseram apoderar-se dos selos?
–Nunca disse que eram homens ou qualquer outra raça, outros Espelhos, quando vivos, foram os que tentaram.
–E o que é aquilo na sua mão?
–Aquilo? Ou melhor, isso? – Ele estendera para mim – Isto é o que define nossa raça. Por exemplo, magos ficam barbudos, elfos têm orelhas pontudas, anões são pequenos-
–Ei, ouvimos isso! – Disseram Dinglondorf e Doför
–Perdão. Como eu dizia, isto é nossa “marca”. Porém cada um há isto em um lugar do corpo. O meu é na palma da mão esquerda, mas os três primeiros havia armas contendo isso. Yélou havia uma lira encantada, que “espelhava” as coisas, assim como a minha. Blégou havia apenas uma asa, da qual fazia a mesma coisa. E Prismo tinha sua espada.
–Preciso lhe perguntar. Quando você estava desacordado, eu me vi nisto, e perguntei á “ele” o que era um Espelho, e então...
–Você ouviu a resposta na sua cabeça, sim...
–De fato, foi o que ocorreu. – Admiti
–Ele apenas reage a desejos muito fortes. Você queria saber mais sobre minha raça, e foi lhe dada a resposta. – Explicou Hagïr
–Só mais uma coisa – Eu disse -, você falava sobre alguns símbolos ontem. Presumi que fosse um dos membros do Zodíaco quem fizera aquilo.
–Na verdade, foi um homem de capuz cinza. Uns três anos atrás, ele veio até nosso refúgio.
–Aquela caverna?
–Sim, mas não era assim antes. Não era dominada por aqueles dois ogros. Havia flores, água escorrendo por pequenas cascatas, menores correndo e brincando. Nós havíamos nos estabelecido ali. Foi quando quatro homens encapuzados chegaram. O de cinza estava entre eles. Havia também um de azul, preto e verde. Estes últimos três apenas encostaram-se ao paredão perto da entrada enquanto assistiam-nos sendo assassinados brutalmente pelo encapuzado de cinza. Sangue voou pelas flores, pelas rochas e em meu rosto. Eu corri até o final da caverna e me isolei ali. De alguma maneira esqueceram-se ou não se importaram com a minha presença.
Lágrimas começaram a escorrer de seus olhos.
–Tudo bem, foi suficiente. Obrigado por nos contar tudo. – Eu lhe dei um sorriso confiante – Agora já temos nosso destino, Labirinto Nebuloso.
–O quê? Pretendem ir pra lá? – Ele se espantou – É muito perigoso, Prismo guarda o lugar e além do mais, só Espelhos podem entrar lá!
–Que bom que temos um aqui conosco, não é? – Lhe lancei uma piscadinha. – E quanto a Prismo, esperamos que ele esteja num sono profundo! Haha!
–B-B-Bom... Pelo menos, deixe-me vos levar a um elfo que pode nos ajudar.
–E ele é de confiança?
–E-Eu confio nele..!
–Isso basta. Vamos até ele, sabe onde está?
–Creio que sim. Mas ele já deve estar velho...
–Mas ele é um elfo! É claro que ainda fica de pé saudavelmente! Vamos até ele! Onde ele pode estar?
–Provavelmente em Galard. Fica no mesmo caminho para o Labirinto, se contarmos aqui como ponto de partida!
–Certo, então guie-nos, Hagïr!
Mudamos nosso rumo, em direção à Galard.
Foi uma caminhada longa, mas felizmente conseguimos alguma montaria. Eram poucos cavalos, inclusive, mas os dividimos devidamente.
Quando finalmente chegamos á Galard, estávamos todos cansados. Enviamos os cavalos de volta fomos à procura do elfo.
Entramos num palácio dourado, enorme e assimétrico. Lá dentro, Hagïr insistiu em ver o tal elfo, sendo que era um conhecido. A guarda não permitia, até que um elfo com cabelos dourados chegando até seu busto, com olhos verdes brilhantes, dois brincos em ambas orelhas, com uma única ruga em desenvolvimento no rosto nos chamou, e permitiu nossa passagem. O seguimos pelas escadas do palácio, com degraus e corrimões dourados. Ele nos guiou até um salão com uma vasta mesa dourada e retangular, onde nos sentamos. Até então sem nenhuma palavra, o elfo falou.
–Olá, viajantes. Bem-vindos. Eu sou Nóbil, Nóbil és meu nome. Prazer em conhecê-los.
Bartholomero fez uma reverência, assim como Doför e Alfaghar. Dinglondorf apenas lhe acenou com a mão.
–O prazer é todo meu. – Eu disse – Me chamo Badwif.
–Percebo. Você é um mago. O grandão um bárbaro, o espadachim um paladino, os outros dois são anões e aquela espécie pequena logo ali é bem antiga, dois Sementes Escarlates! Que grupo mais incomum.
–Admiro sua sabedoria. – Eu dizia
–E eu admiro vosso esforço até aqui. – Replicou ele – Então, Hagïr, como vai?
–Estou bem, Nóbil.
–Onde estão os outros? Seus amigos?
Hagïr abaixou a cabeça.
–Ah... Desculpe-me. – Nóbil já entendera tudo – Quantos de você ainda restam?
–Apenas eu...
–Entendo... Então, o que os traz aqui?
–Nóbil, Badwif e seus companheiros desejam ir ao Labirinto Nebuloso. Disse a eles que você seria de grande ajuda.
–O Labirinto, sim? O que lhes motivam á ir para lá?
–Já ouviu falar... Do Zodíaco? – Eu perguntei, e ele ficara quieto e com os seus olhos arregalados por um instante.
–Sim, de fato eu sei sobre o Zodíaco. E já entendi sua conexão com o Labirinto. Hagïr deve ter lhes contado a história. Então presumo que saibam sobre Prismo?
–Sim, sabemos.
–Sabem também que há uma numerosa chance de ele estar lá ainda? Observando nossa chegada?
–Sim, eu não descartei essa possibilidade. Então, como pode fazer para nos ajudar?
–Eu gostaria muito, adoraria, mas não sei se posso sair do palácio. A menos...
–A menos?
–Já volto. Deem-me um instante.
Alguns minutos se passaram até se tornarem horas. Finalmente, ele voltara. E voltara com um baú dourado, que colocara encima da grande mesa retangular e dourada, assim como o baú.
–Meus superiores me permitiram ajudá-los. E tomei a liberdade de trazer algumas coisas para vocês. – Dissera ele ao retornar
–Uma dúvida. Quem são seus superiores? – Perguntei
–O Conselho, mas não posso falar muito disso agora, pois, no momento, imagino que tenham outra coisa com que se preocupar.
Ele destrancou o baú, e dele, um fundo escuro e largo. Um baú mágico. Ele colocara o braço lá dentro, e primeiramente, retirou um saco, que podia-se perceber ser pesado, e o dirigiu à Alfaghar.
–O que é isto? – Ele perguntou
–Um saco de bolas de chumbo revestidas com um tipo de diamante muito resistente. É um presente. – Respondeu Nóbil
–Oh, muito obrigado. – Falou Alfaghar, guardando o presente recém-recebido.
Depois tirou um embrulho de pano, e deu para Bartholomero. Ele o desembrulhou e era uma arma.
–Uma clava? – Perguntou-se Bartholomero – Agradecido.
Prendera a clava de cabo preto no cinto. Agora Nóbil tirara outro embrulho, mas este destinado á Dinglondorf. Dinglondorf desembrulhou e havia recebido um martelo.
–Este é um martelo feito de meteoro escuro, é super-resistente. – Explicou Nóbil
–Hum... É, valeu. – Dinglondorf guardara o martelo junto do machado, agora formando uma cruz debaixo de suas vestes. Para Doför ele entregara apenas um cilindro dourado, nada mais. Doför ficou em silêncio. Já para mim, ele retirara um orbe azul e redondo, com uma moldura dourada entorno.
–Coloque-a no seu cajado, Badwif. – Disse ele, e assim eu fiz.
Apenas um pequeno contato físico entre os dois objetos, e o orbe adentrou meu cajado, tornando-o metade de madeira e metade revestido de ouro, e o orbe subira até seu topo, deixando a ponta toda dourada. Eu senti um aumento do meu limite mágico dentro de mim, e tenho que admitir, foi uma sensação boa até, hoho!
–Por fim, mas definitivamente não menos importante, Hagïr, venha cá.
Hagïr se aproximou, e foi presenteado com uma espada média élfica, de cabo marrom e a lâmina com um leve tom de azul ciano e alguns detalhes élficos da ponta ao cabo. E então havia algo mais no baú, ele retirara um arco dourado com os mesmo detalhes élficos da espada média de Hagïr, e com uma linha extremamente fina.
–Alfaghar, por favor, empreste-me sua espada. – Disse ele
Alfaghar desembainhou sua espada de prata e a entregou á Nóbil, que tentou cortar a corda de seu arco com ela, mas sem sucesso, apenas um vibração sonora foi ouvida. E antes de fechar o baú, retirou um estojo de flechas de veludo marrom, com pinturas douradas em algumas partes e pontas. E dentro do estojo, obviamente, flechas com pontas prateadas. Ele se equipou com seu arco-e-flecha e fechou o baú.
Por último, antes de partirmos, eles nos ofereceu um chá em uma caneca dourada, nós aceitamos com gratidão. Nos deliciamos com o chá e agradecemos Nóbil.
–Pronto, agora sigam-me.
Todos nós fomos atrás dele, que nos levou para fora do palácio, do outro lado da cidade. Ele soltou alguns cavalos. Todos pardos, exceto o dele, que era branco com cabelos dourados. Hagïr foi chamado para ir atrás de Nóbil, e com ele foi. Todos os outros, incluindo eu, subimos nos outros cavalos restantes e partimos em direção ao Labirinto.
Cavalgávamos bem apressadamente, queríamos logo chegar lá e descobrir o que nos aguardava. Hagïr se segurava firmemente em Nóbil, que permanecia logo atrás da gente, numa velocidade um pouco menor.
Começamos a perceber um céu nebuloso em certos pontos, até que começou a causar neblina, e a névoa fora aumentando. Enfim, estávamos frente a frente com a entrada do Labirinto Nebuloso. Descemos dos cavalos, Nóbil colocou suas duas mãos na cabeça de seu cavalo, e parecia lhe transmitir uma mensagem. Impressionantemente o cavalo entendeu e os outros começaram a segui-lo.
–O que disse a ele? – Perguntei
–Para que ele e os outros achassem outro caminho em volta, para nos encontrarmos, caso consigamos sair vivos.
Ao nos aproximarmos da entrada, morcegos apareceram e voaram em nossa direção. Começaram a nos atacar com rasantes, causando-nos vários cortes, mesmo que rasos, porém em grande quantidade. Nóbil estendeu seu arco e disparou três flechas, das quais a primeira acertou dois morcegos, a segunda acertou três e a última matou o morcego restante. Os morcegos caíram no chão e Nóbil removeu suas flechas deles, colocando-as de volta no estojo. Os outros olharam impressionados, já eu vera arqueiros melhores, não que ele não fosse ótimo com o arco, mas pessoalmente, ele me parecia bem enferrujado.
Passamos por cima dos cadáveres dos morcegos mortos e antes que pudéssemos entrar no labirito, havia uma bandeja flutuando em frente a sua entrada. A bandeja podia refletir tudo, então Hagïr deu um passo a frente e encostou sua parte “espelhada” na bandeja, a bandeja se iluminou e abriu o nosso caminho, permitindo-nos passar., e assim entramos no Labirinto. Era uma névoa densa, e mal podia-se enxergar algo. Eu ergui meu cajado e o estreei em sua nova forma. Um clarão forte se ascendeu e iluminou todos nós e um pouco mais adiante. Me colocaram no meio de todos, e formaram um círculo entorno de mim.
Começamos a andar reto, depois contornamos a direita após alguns passos, e em menos de meia hora, já estávamos perdidos. Kuth e Ruth saltaram do bolso e liberaram suas asas, flutuaram para o alto e cuspiram uma bola de lava em direções opostas, vendo nossa localização, e, de acordo com eles:
–Não enxergamos nem a entrada e nem outra suposta saída, estamos no meio do nada!
Isso desesperou a todos. Ficamos preocupados, afinal, ficaríamos perdidos ali dentro para sempre? Mas é claro que não, senão eu não estaria vos contando isto aqui agora, óbvio.
Admito que ficamos horas e horas, senão praticamente um ou dois dias andando, até que ouvimos um assobio constante, até se formar uma melodia num ritmo desacelerado e um pouco calmo. Olhamos para o alto, encima de um dos muros do labirinto, e lá estava, um homem encapuzado de laranja.
–Ora, ora, o que achamos aqui. Ratos num labirinto. Eu posso lhes mostrar o caminho... Para o inferno! – Berrava ele
Ele ergueu seu dedo indicador direito, e desenhou um círculo no ar. Do círculo um cisne fora invocado. O cisne tinha o mesmo símbolo que o homem de capuz tinha nas costas, cujo era um círculo dividido em 5 pedaços. No superior havia o desenho de um pônei, no inferior um homem, no caso, Maat, na direita uma corrente, na esquerda um cisne e no meio uma balança, que representava Libra. O cisne então começou a cuspir picos de gelo em nós. Eu bati meu cajado no chão, formando uma auréola de defesa. Alfaghar deu a volta e avançou com a espada, o cisne desapareceu e o homem pulou na frente de Alfaghar e se defendeu com um escudo laranja, que havia nos dois braços. Alfaghar recuou. O homem começou a rir e foi andando pela neblina. Corremos em sua direção e de repente trombamos com uma estátua, ou pelo menos, o que se parecia com uma. Era alta, havia pelo menos uns dois metros e meio. Hagïr começou a delirar.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!–É-É ele! Tenho certeza de que é ele!
–Quem? De quem está falando? – Perguntou Doför
–Olhem a espada infincada no chão! É um dos três primeiro Espelhos, Prismo! – Eu anunciei
Os olhos da “estátua” deram um rápido brilho, e logo se ascenderam. O corpo todo acinzentado de Prismo se coloriu. Rancou sua espada ‘espelho’ do chão e a ergueu para o alto.
–Retirem-se! AGORA! – Rugiu ele, furiosamente nervoso e irritado.
Nós começamos a recuar com poucos passos. Ele então começou a balançar sua espada, e qualquer contato com ela já nos faria em pedaços. Atrás dele vimos o homem de antes andar sorrateiramente, enquanto tirava sarro de nós, sem que Prismo percebesse a sua presença. Ele estava prestes a romper um dos selos dos signos abandonados, quando sua mão foi atingida brutalmente, ficando roxa. Era Alfaghar, utilizando seu estilingue. Em seguida Nóbil soltou uma flecha, mas em meio ao desespero, apenas arranhou o ombro direito do encapuzado, prendendo sua túnica contra a parede. Enquanto ele tentava se soltar, Prismo tentou nos atingir com um golpe vertical, do qual nos esquivamos, espalhando-nos um para cada lado. Demos a volta em Prismo e corremos em direção aos dois selos, Nóbil pegou o de Céutah e eu o de Grëco.
–Vocês vão pagar pelo que fizeram! Isto não vai ficar assim! – Disse o homem de capuz, que desapareceu do local. Prismo não chegou a vê-lo, então sua ira estava concentrada toda em nós. Ficamos encurralados contra o muro, Prismo se aproximava, parecia o fim, mas Hagïr correu e com sua espada média perfurou as botas de Prismo. Prismo deu um baixo grito de dor e aproveitamos a brecha para correr. Sem que víssemos, Prismo arremessou sua espada. A mesma caiu no chão e pela sua largura, bloqueou nosso caminho. Agora ele vinha correndo, seus passos faziam a terra tremer. A única saída agora era pelo caminho que viemos que estava do outro lado de Prismo, que havia nos encurralado. Percebemos Doför, que carregava seu disparador de arpões com o cilindro que Nóbil havia dado a ele.
–Não... Nem pense isso, não faça isso! NÃO! – Gritava Nóbil desesperado.
–Achei que eu devia usar isso numa hora importante, acho que agora é a hora!
–Sim, eu entendo, mas aqui é um lugar estreito, vai lhe matar e matar todos nós.
–Hum... Acho que não! – Disse ele, com um sorriso e lágrimas no rosto.
–O que quer dizer? – Eu perguntei, começando a ficar preocupado.
Doför então dispara arpões comuns nos olhos de Prismo. Sangue jorrou dele, conseguimos usar essa brecha para correr na direção oposta dele, mas quanto Doför vinha vindo, Prismo ainda tinha um olho funcionando, e usou-o para enxergar Doför, começou a apertá-lo pelo pescoço.
–Devolvam-me os selos, e eu vos devolvo seu amigo. – Propôs Prismo
Fiquei muito hesitante, mas nossa amizade pulsava mais forte. Fui me aproximando bem lentamente e com hesitação quanto a isso. Não queria nem entregar os selos muito menos perder um companheiro. Mas eu não podia levar os dois. Não podia mesmo.
–Badwif, meu amigo. Fique bem aí onde está! – Disse Doför, chegando a vez do cilindro ser disparado – Nem mais um passo.
–N-N... NÃO!!! – Eu gritei
Ele apontou seu disparador para o chão, entre ele mesmo e Prismo. Bartholomero e Alfaghar me puxaram, já que eu me recusava a ir, e fui arrastado á força. Quando o cilindro tocou o solo do lugar, uma explosão enorme foi gerada, e estávamos perto dali, a explosão nos empurrou para fora do labirinto. Caímos do lado de fora desacordados, feridos e com os corpos todos queimados. Lembro-me que a última coisa que vi foi uma grande explosão à distância. Estendi minha mão no ar, mas não tive mais forças, e desmaiei.
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