Além
3 Zodíaco I
Estou de volta, curiosos! Onde paramos? Ah, sim, em uma parte muito trágica da história... Vamos retomar o rumo desta aventura..!
Estávamos lá, caídos no chão, sangrando, sujos e cansados, de primeira, inconscientes, mas logo acordamos e vimos a destruição de nós.
Andamos, ou numa melhor descrição, rastejamos até o labirinto, agora totalmente em chamas. Não era nem mesmo um labirinto mais, apenas um lugar completamente destruído, em ruínas. Chegamos ao centro, com um monte de rochas empilhadas e rachadas. Algo começou a se mexer, tiramos algumas pedras na esperança de ser Doför tentando se libertar, mas infelizmente, um feixe de luz foi o que vimos seguido de Prismo, se elevando das rochas, com sua armadura toda despedaçada e sua poderosa espada quebrada. Eu pude sentir que de alguma maneira ele sabia que eu e Nóbil guardávamos os selos conosco. Ele se enfureceu e com suas últimas energias tentou em vão nos atingir, eu me esquivei e Nóbil lançou uma flecha em um de seus olhos expostos dos ferimentos. Sem mais forças, ele caiu no chão, se apagando definitivamente. Já estávamos exaustos, não tínhamos mais disposição alguma para lutas.
Do fundo das pedras, finalmente encontramos o cadáver de nosso amigo Doför e seu disparador ao lado. Eu fui o primeiro a cair de joelhos e chorar profundamente.
–Quando eu vos chamei para esta aventura... – Eu comecei sussurrando – Eu realmente não esperava uma perda desses como resultado. Vocês devem ir, eu terminarei isto sozinho.
Bartholomero me levantou pelo meu manto e socou minha face. Eu caí no chão enfraquecido mais do que eu já estava.
–O quê...
–Você nos chama para ajudá-lo e agora despacha seus companheiros? Que tipo de mago é você? Agora se levante daí e vamos fazer o certo.
–E o que seria o certo? – Perguntou Nóbil
–Vamos atrás dos culpados, é claro – Respondeu Alfaghar – O Zodíaco. Doför merece isso.
–É suicídio. – Disse Nóbil – Badwif?
Eu me levantei e olhei nos rostos de todos, cada um que estava ali, e disse:
–Ele está certo. Vamos atrás dos bastardos!
Nóbil me olhou com um olhar indiferente. Mas ele concordou. Dinglondorf também assim como as Sementes.
–Está decidido – Eu declarei – Mas antes, vamos honrar nosso amigo.
–E como? – Perguntou Bartholomero
–Vamos devidamente enterrá-lo em sua cidade natal, Guilglör.
Todos acharam uma boa ideia, então partimos para Guilglör.
Em Guilglör, ao entrarmos na cidade, vários guardas nos cercaram, afinal, ajudamos Dinglondorf a escapar da última vez que visitamos a cidade. Porém, ao verem Nóbil conosco, abaixaram suas armas e ficaram de cabeças baixas. Bartholomero carregava o corpo de Doför nos braços, todos os cidadãos nos observavam. Chegamos ao cemitério local da cidade. Alfaghar, Nóbil e eu pegamos algumas pás e começamos a cavar. Tempo depois, enterramos o anão amigo. Em certo momento, eu olhei ao redor, pessoas nos observando, com olhares de incerteza. No cemitério, à distância, vi um homem, velho, apoiado numa pá, com uma boina com um tom de azulado morto, velha e gasta. Me pareceu familiar, mas não encarei muito.
Após cumprirmos nossa meta, saímos da cidade novamente.
–Agora – Disse Alfaghar – Pergunta mais importante, onde está o Zodíaco? Quero dizer, como o encontramos? Não sabemos quase nada sobre eles.
–Podemos contatar o Conselho. – Disse Nóbil
–Não vejo outra maneira. – Eu disse – Certo, guie-nos, Nóbil.
–Certamente. – Ele colocou a mão em uma pochete e retirou um relógio de bolso. O relógio se abriu e um vácuo azul escuro se abriu no vácuo. – Sigam-me.
Ele entrou na abertura e fomos atrás, um pouco hesitantes. Lá dentro, sentimos uma torcida no estômago. Logo, em questão de segundos, estávamos num salão.
O salão era todo branco, Nóbil estava logo na nossa frente, nos esperando. Ele começou a ir em direção á uma porta em linha reta, o seguimos. Ele abriu a porta e entramos em outra sala branca, esta com três balcões bem largos, um na frente do outro, e um maior que o outro. No primeiro dois homens sentados lado-a-lado, no segundo, atrás e mais alto, um homem e uma mulher. E no último, mais alto, um velho senhor, mais velho que eu aparentemente. Eles imediatamente notaram nossa presença, e não pareciam ter gostado dela.
–Badwif, Bartholomero, Alfaghar, anão e pequenas Sementes Escarlates, vos apresento os membros principais do Conselho! O senhor no alto é o fundador, que ainda mantém a ordem nas coisas, e são eles quem me permitiram auxiliá-los em sua jornada. – Disse Nóbil, se reverenciando para eles logo depois, e fizemos o mesmo.
Estávamos diante do Conselho. “Conselho”, um nome que eu não ouvia há tempos, e, se me lembro bem, só havia ouvido uma única vez. Os outros não pareciam ter ideia do que se tratava.
–O que faz aqui, Nóbil? – Perguntou o homem do segundo balcão, maior que o primeiro na sua frente e menor que o terceiro atrás.
Nóbil se virou e olhou para mim, eu entendi o olhar, me aproximei e fiquei ao lado dele. Retiramos lentamente os dois selos de nossas vestes, eu com o de Grëco, e Nóbil com o de Céutah. Os quatro do primeiro e segundo balcão arregalaram os olhos. O velho no último continuou paralisado, quase não sentíamos sua presença.
–Onde conseguiram isto? – Perguntou a mulher
–Entramos no Labirinto e um companheiro nosso se sacrificou para pegarmos estes. – Respondeu Nóbil
Os outros estavam suando, preocupados.
–E quanto á Prismo?
–Morto...
Um silêncio se fez na sala.
Estava numa atmosfera muito desconfortante no ar. Até que finalmente ouvimos um som, um tossido velho e gasto. O velho no último balcão e mais alto abriu a boca.
–E daí? O que querem, então?
–A localização do...
–Zodíaco. – Completou o velho – Vejo...
Ele abriu uma gaveta, aparentemente antiga se considerarmos o barulho de antiguidade que fizera ao se abrir. De dentro ele retirara um pergaminho, o qual jogou em direção à Nóbil. Nóbil o pegou, os veneramos de novo, Nóbil se virou e o seguimos, porém, antes nos chamaram,
–Este aí com vocês, é um Espelho? – Perguntou o velho.
–Sim, senhor. O último.
–Hmm...
Então partimos, por fim.
–Quem eram exatamente? – Perguntou Alfaghar
–O Conselho.
–É, disso já sabemos. – Falou Bartholomero
–Então por que perguntaram?
–Queremos nomes, Nóbil. – Eu disse
–Nomes? Com qual finalidade?
–Nem os conhecemos, Nóbil! Seu elfo tolo! O que eles queriam com Hagïr? Responda!!
–Não me chame de tolo, mago! – Ele se enfureceu – Que direito tem disso!
–Acalme-se. – Eu falei
–Bem... – Ele respirou fundo – Os dois no primeiro balcão são Dodwell e Barbar, Clérigo e Bárbaro, respectivamente. São os membros que mais representam o Conselho, os mais constantes em reuniões. Os dois do segundo balcão são Vognyel e Doka. Vognyel é um Elementar, e a Doka é uma Ladina. Eles só aparecem em reuniões particulares, sem público, e somente quando realmente precisam de suas presenças.
–E quanto ao velho no último balcão? – Perguntei
–Ele é Natagriël, não é conhecido por ninguém, nem ao menos sabem que ele é o fundador do Conselho. Ele é muito quieto, como vocês puderam perceber, e quase não se sabe nada a respeito de sua pessoa.
–Só por curiosidade, quantos anos, em média, ele tem?
–Em torno de uns mil e quinhentos anos.
Todos ficaram chocados, até mesmo eu.
–Mas enfim. De volta à nossa missão. – Nóbil desenrolou o pergaminho, contendo um mapa. O mapa mostrava uma montanha alta, onde o único meio de entrada era pelo arco de Ballgala, uma cidade ao norte. – Já temos nosso destino, vamos.
Estávamos de volta no lugar onde entramos para o salão e onde encontramos com o Conselho. Voltamos algumas milhas atrás para alugarmos uns cavalos. Hagïr cavalgou junto à Nóbil novamente, enquanto eu e os outros fomos individualmente.
Cavalgamos muito até alcançarmos Ballgala, que ficava extremamente ao norte, bem na extremidade da montanha, cercada por algumas menores.
Quando chegamos, mandamos os cavalos de volta, como de costume. Andamos até o centro da cidade, com uma população razoável, mas não muito grande. Entretanto, o centro estava bem lotado aquele dia. Crianças correndo e brincando enquanto os mais velhos faziam compras nos mercados locais.
–Temos de ir á um ferreiro. – Disse Nóbil – Ele vai melhorar nosso equipamento.
–Certo. – Concordamos
O seguimos para o Ferreiro mais próximo, que continha uma placa grande do lado de fora de sua loja, dizendo “MARONAS METALÚRGICA”, com um desenho de um martelo, para chamar a atenção.
Entramos e, ao abrirmos a porta um sino tocou. Esperamos alguns minutos até sermos atendidos por um garoto entre quinze e vinte anos. Cabelo castanho, com um pouco de músculo de trabalho.
–Olá, bem-vindos à Maronas Metalúrgica. – Disse ele, nos recebendo – O que desejam?
–Você é o Senhor Maronas? – Eu perguntei
–Não, não sou senhor. – Respondeu ele – Sou seu filho, Carlo.
–Oh, entendo.
–Então?
–Precisamos afiar nossas armas e revestir seus cabos. – Disse Nóbil
–Certamente – disse Carlo – coloquem seus equipamentos sobre o balcão.
Foi o que fizemos. Todas nossas armas, longa e curta distância estavam lá, exceto meu cajado, que eu mantive comigo.
–Deixe-me ver... – Falou ele, examinando tudo – Vamos separar tudo, certo? De quem é o martelo e o machado?
Então Dinglondorf levantou a mão.
–Certo... – Carlo anotou num pedaço de folha o nome do anão, colocando junto às suas coisas. – E esta clava?
–Minha! – Disse Bartholomero
–E o estilingue e a espada?
–São minhas. – Falou Alfaghar
–O Arco-e-Flecha é?
–O arco é meu. – Falou Nóbil
–Bem, está tudo anotado. Voltem amanhã á tarde e estará tudo pronto.
–Obrigado. – Agradeci
Nos viramos e saímos da loja.
No quarteirão seguinte havia uma pensão, entramos e alugamos dois quartos. Bartholomero, Alfaghar, as Sementes e eu em um, enquanto Nóbil, Hagïr e Dinglondorf ficaram em outro.
Cansados e exaustos, não dormíamos desde a explosão no Labirinto. Tratamos de algumas feridas antes de acabarem nossas energias e dormimos profundamente.
Quando acordamos, era o fim da manhã. Nem ao menos tomamos o desjejum, apenas arrumamos nossas coisas e fomos almoçar.
Após comermos bastante, pois a fome estava quase nos matando, nos dirigimos à metalúrgica novamente. Entrando lá, Carlo nos viu e já sabia. Entrou na porta atrás de si e ouvimos barulhos de ferro se chocando e serras. Faíscas voavam pela abertura de vidro da porta. A porta se abriu e um homem com um avental preto todo sujo de graxa e óleo, pelos nos braços e cabelo castanho circulando sua cabeça com uma falta de cabelo no centro da cabeça. Um bigode grosso chegando até as bochechas e uma monocelha para caracterizar sua face. Ele se aproximou com um grande saco de pano e despejou nossas coisas no balcão.
–Imagino que você seja...
–Maronas. Isso, sim. Sou eu mesmo. Prazer! – Ele estendeu sua mão para nós, com um aperto de mão bem forte. – Trabalhei a manhã toda em seus brinquedinhos.
Ele entregou o machado de Dinglondorf com a lâmina brilhante, com uma aparência afiada e cortante, e assim como o martelo tinham os cabos trocados. O arco de Nóbil estava com uma linha super-resistente e praticamente invisível, de tão fina e flexível que era. O corpo do arco foi revestido também, e seu estojo foi desmontado e recosturado novamente permitindo mais flechas nele. A clava de Bartholomero teve seu cabo e a corrente trocados. Por fim ele entregou a espada de Alfaghar, totalmente polida e com o cabo trocado também. Maronas ainda fez um comentário sobre:
–Eu particularmente adorei a lâmina de prata da sua espada, jovem – disse para Alfaghar
–Ah, obrigado. – Reagiu Alfaghar
–...E achei que ela fica muito solitária e abandonada nessa sua bainha.
–O que quer dizer?
–Que ela está muito sozinha aí, não acha? Concorda comigo?
–Onde quer chegar, senhor?
Maronas tirou de debaixo do balcão um embrulho, claramente algo plano e curvo.
–Tome, de presente. Não precisa gastar nada nisso, por minha conta!
–E o que é isso? – Perguntou Alfaghar
–Descubra por si mesmo!
Alfaghar começou a desembrulhar o plástico, e foi se revelando o que havia dentro. Quando tirou tudo, acabara de receber um escudo! O escudo era azul ciano, de diamante. Suas bordas eram de ferro e a alça braçal era de madeira e a dianteira de couro. No centro havia um círculo preto e dentro um desenho de uma espada cruzando um escudo. Ele era ágil, além de relativo e razoavelmente leve, cobrindo seu antebraço todo, chegando até seu cotovelo. Ele agradeceu profundamente e guardou o escudo com uma corrente pendurada no ombro. Pagamos o que lhe devíamos pelo trabalho bem feito e nos armamos tudo de novo. Até que, antes de sairmos pela porta da loja, ele nos parou para perguntar alguma coisa.
–Posso saber aonde vão com tudo isso?
–Vamos atravessar o arco da cidade, temos como objetivo aquela grande montanha.
–Ah... Sei. De qualquer forma, boa sorte para vocês!
–Obrigado, até mais! – E partimos
Começamos a atravessar a cidade com pressa agora, nos aproximando de um arco vermelho e quadrado no outro lado de Ballgala.
–Certo, então... Como ativamos o arco? – Perguntou Bartholomero
–Simples, pegamos o pergaminho que Natagriël nos deu e o quebramos debaixo do arco. – Respondeu Nóbil
–Só isso?
–Sim, mas depois que entrarmos, não tem volta. – Após dizer isso, ele parou de andar no meio do caminho – Logo, vocês tem certeza?
Todos balançaram a cabeça com um sim, e foi aí que eu percebi que escolhi as pessoas certas para essa jornada.
Chegamos ao tal arco, olhamos com decisão um para o outro e depois para o pergaminho, que Nóbil acabara de colocar no chão na direção do arco, bem debaixo dele. Dinglondorf sacou seu martelo que ganhara de Nóbil em seu palácio e batera com toda sua força no pergaminho, que apenas amassou. Ele tentou mais vezes, porém nenhum dano extra foi causado. Bartholomero chegou e começou a apertá-lo com suas mãos nuas, o pergaminho entortou mais um pouco, mas não passou disso.
–Já sei! – Eu gritei – Cada tipo de tentativa causa um pequeno dano no pergaminho, vamos alternar! Bartholomero use sua clava agora!
–Se funcionar, comprovará sua teoria. – Disse Nóbil
Bartholomero o fez, sacou sua clava que também ganhara de Nóbil no palácio e bateu ele contra o pergaminho, que amassou mais um pouco. Alfaghar deu um passo á frente e bateu sua espada no pergaminho, fazendo um marca vertical nele. Depois usou se estilingue, que fez um buraco redondo no pergaminho. Dinglondorf agora resolveu usar seu bom e antigo machado, acertou o pergaminho e o mesmo se entortou, por fim, Nóbil disparou um de suas flechas bem no meio do objeto, abrindo um feixe de luz dele e o partindo em dois pedaços. As laterais do arco de abriram, formando dois vácuos, Dinglondorf pegou do chão um dos pedaços do pergaminho e Nóbil outro, e enfiaram nos vácuos do arco, que se fecharam. O mesmo começou a balançar, mesmo preso no chão. Um portal alaranjado se projetou dentro dele, e começou a encolher.
–Rápido, para dentro! – Gritou Nóbil, arremessando Dinglondorf primeiro.
Todos correram rapidamente para dentro do portal, que se fechou logo em seguida.
Caímos praticamente um em cima do outro, erguemos nossas cabeças e estava chovendo, mas a primeira coisa que vimos foi aquela enorme montanha, com escadas em caminhos desfigurados levando ao topo. Nos levantamos e Dinglondorf estava embaixo de todos, e Bartholomero sufocando todos nós.
–Ei, elfo – Disse Dinglondorf – Nunca, repito, nunca mais me pegue e me jogue, entendeu?
Nóbil o olhou com uma cara meio confusa.
–Claro, entendi.
–Agora chega de papo, o Zodíaco está aqui, com certeza! – Falou Alfaghar
–Você está certo – eu disse – vamos subir.
Pisamos no primeiro degrau da escada que levava totalmente à diagonal esquerda da montanha. Subimos até chegarmos ao que parecia uma esfera gigante de pedra, mas sem a “tampa”, como se fosse um sem-teto, entrando toda aquela chuva. Então entramos.
Lá dentro, não havia muita coisa, além de uma pessoa tomando a água da chuva com a boca aberta virada para o céu. E o pior de tudo, estava com uma túnica, encapuzada, com os mesmos detalhes dourados conhecidos e temidos pelo nosso grupo. O capuz dessa vez era rosa, assim como a túnica. O primeiro membro do Zodíaco estava diante de nós!
*Ping ping* Era isso a única coisa que escutávamos, as gotas da chuva caindo no chão.
–Ei, você aí! – Gritou Bartholomero espontaneamente – O que está fazendo?!
E o silêncio voltou. E continuou por um longo tempo.
–Ei! Me responda!
–Ficou no vácuo... – Murmurou Alfaghar
–Calem-se! – Berrou Nóbil – Façam silêncio.
–Mais silêncio do que já está?
Então lentamente eu reparei, enquanto os outros discutiam, o encapuzado abaixar a cabeça que antes se direcionava para o céu.
–Então...
Todos pararam. Ele dissera alguma coisa.
–Quem são vocês? Como encontraram esta montanha e o que fazem aqui? Respondam todas em ordem dentre cinco minutos ou matarei todos vocês.
Entramos em choque.
–Começando... Agora.
–Natagriël nos deu o mapa até aqui, passamos pelo... – Nóbil havia começado a explicar, quando foi interrompido.
–Arco. Pelo arco.
–É... Isso.
–Continue.
–Somos um grupo que precisa ajudar este espelho, seu nome é Hagïr.
–E?
–E vocês extinguiram a raça dele e levou um dos nossos à morte.
–Então... É vingança, é isso?
–Não exatamente, mas pode pensar dessa maneira se quiser.
–Entendo. Bem, agora vão morrer.
Nos espantamos ao ouvir aquilo, e em seguida, o homem jogou cristais de gelo em nossa direção. Todos nos esquivamos. Em seguida ele bateu ambos os punhos no chão, fazendo vigas virem em nossa direção. As vigas prenderam todos, exceto eu, Nóbil, e Kuth e Ruth que voaram para fora dos bolsos de Bartholomero.
Kuth e Ruth começaram a disparar seus projéteis de magma. Ao mesmo tempo eu disparei uma bola de fogo e Nóbil soltou os outros com suas flechas.
O homem então parou todas as esferas flamejantes, sem ao menos se mover. Logo, colocou suas mãos nelas, apertou todas e as uniu, depois puxou a esfera maior que acabara de fazer e a transformou em duas. Em seguida, as jogou em nossa direção.
O chão de pedra entrou em chamas por um minuto e logo se apagou. Felizmente, todos conseguiram escapar..
–O que foi isso? – Perguntou Dinglondorf – Como ele..?
–Ele é um elementar. – Respondeu Nóbil – É um tipo de pessoa que tem controle sobre os quatro elementos naturais e sub elementos, além das quatro forças essenciais da Terra.
–Ou seja...
–Ou seja, ele tem nas palmas de suas mãos o fogo, água, ar, terra, gelo, eletricidade, gravidade, entre outros.
–Você é esperto, elfo. Por isso, preciso matá-lo primeiro. – Disse o homem
–Corram! – Disse Nóbil, disparando cinco flechas em direção ao oponente, em meio tempo, começou a andar em círculos e distraí-lo.
Apenas com o dedo indicador, o homem encapuzado se aproveitava da gravidade e fazia as flechas caírem como penas, mas, ao se tocar, eu e os outros havíamos partido. Nóbil é quem me narrou sua batalha, então irei descrevê-la do modo como ele me disse.
–Desgraçado. – Disse ele – Terei de matá-lo mais rapidamente agora que os outros escaparam. Então prepare...
Enquanto falava olhando para a direção que fomos, Nóbil surgiu atingindo seu rosto com o estojo de flechas. O homem caiu no chão e seu capuz também. Ele se levantou, revelando um homem branco, sem cabelo e com os olhos alternando entre várias cores, como vermelho, amarelo, azul, laranja, e outras.
–Você acaba de me atacar? – Perguntou ele, agora de pé – É isso o que você fez? Não há mais misericórdia para sua vida, elfo.
Nóbil sacou mais uma de suas flechas e a colocou no arco. E então perguntou:
–Quem é você?
–Quem sou eu? Você já sabe quem eu sou! Sou do Zodíaco!
–Seu nome, diga-me.
–Meu nome? Me chamo Baster. Agora, se terminamos de conversar, vamos lutar!
Nóbil então soltou a flecha, cuja foi pega pelas mãos de Baster, congelando-as. Baster jogou a flecha no chão, ela se quebrou.
Baster avançou contra Nóbil, formando um cristal pontiagudo em seu braço direito. Nóbil se esquivou, mas não saiu ileso, sofrera um corte no ombro esquerdo. Sacou então outra flecha e disparou nas costas de Baster, porém o mesmo fizera suas costas se revestirem de madeira, inutilizando a flecha. Nóbil ficou impressionado.
Baster se virou e, com uma luva de tronco, surrou o rosto de Nóbil, fazendo cair no chão, com o rosto sangrando. Baster se aproximava, Nóbil sorrateiramente retirava uma flecha do seu estojo. A ponto de acerta-lo com outro golpe, Nóbil rolou pelo chão e enfiou a flecha no tornozelo esquerdo de Baster. Ele gritou e sangue escorreu de sua perna. Nóbil se levantou e enfiou mais duas em seus ombros. Ele continuava gritando. Depois colocou mais duas em suas coxas, fazendo jorrar de sangue. Pensando que a luta havia acabado, Nóbil preparou para perfurar a cabeça de Baster com mais uma flecha, porém Baster transformou seu corpo todo em chamas, tornando as flechas em carvão. Se virou e pegou Nóbil pelo pescoço. Nóbil começou a gritar, sendo que seu pescoço ardia imensamente pelo fogo. Com imenso esforço, moveu seu arco para perto do corpo do inimigo e atingiu seu estômago com ele. As chamas se apagaram e Baster ficou de joelhos com as mãos na barriga. Nóbil aproveitou para respirar. Se recuperou primeiro que Baster e lhe deu um pontapé na face. Baster caiu no chão, mas se protegeu num círculo de estalagmites de gelo. Nóbil recuou e checou suas flechas, ainda eram suficientes. Baster bateu sua palma no chão, causando raízes de nascerem, delas foram soltos poros, que ao respirá-las, curavam Baster. Nóbil viu o que acontecia, se aproximou e chutou uma das estalagmites, fazendo ela cair e se despedaçar no chão. Chegou perto de Baster, o agarrou e o jogou para fora do círculo. Com as energias recuperadas, Baster se levantou e seus olhos estavam determinados, agora não mais alternando entre cores, mas totalmente rosado, emanando uma energia muito forte. Então começou a jogar bolas de fogo na direção de Nóbil. Ele se esquivava com dificuldades, Baster estava totalmente concentrado em atingir Nóbil, sem ao menos outros objetivos. Sem que percebesse, quatro flechas já haviam atravessado suas pernas, cinco o seu corpo e duas em seus braços, mas ele continuava de pé, jogando fogo, gelo e fortes ventanias contra Nóbil.
Finalmente Nóbil se viu perto suficiente de Baster, retirou uma flecha e, com um salto no ar, mirava na cabeça de Baster, porém o mesmo percebeu a situação em que estava e com um gemido, despertou uma onda furiosa de vendavais e furacões, que começou a fazer o local tremer. Nóbil então, sem enxergar nada a sua frente, começou cegamente a soltar flechas, sem saber aonde elas iriam.
Quando finalmente os fortes ventos pararam, Nóbil viu Baster no chão, escorrendo sangue por todo seu corpo. Nóbil se aproximou com uma flecha no arco, Baster ainda respirava. Seus punhos de repente ficaram de pedra, sua cabeça em chamas e seus pés de gelo. Com muita dificuldade para levantar, Baster começou a “esquiar” atrás de Nóbil, que disparava flechas inutilmente na cabeça de Baster, que desintegravam pelo calor antes mesmo de tocá-lo. Nóbil se viu em dificuldades, chegando a levar alguns socos de raspão. Quando viu uma brecha, Nóbil perfurou os joelhos de Baster, ele escorregou no próprio gelo, Nóbil se aproximou e furou seus olhos. Ele gritou tão alto que até eu e os outros que nos apressávamos para o topo da montanha pudemos ouvir. Nóbil se virou, pegou algumas flechas que ele errara do chão e as guardara no estojo. Saiu andando de lá, mas ouviu uma respiração forçada, se virou e Baster estava de pé, todo ensanguentado e com as flechas nos olhos.
–Já estou cansado de você. – Disse Nóbil, correndo em direção à Baster.
Saltou para trás de Baster e, durante o salto, agarrou seu pescoço com a linha do arco e o puxou para trás, começando a serrar seu pescoço, mas Baster morreu sufocado antes. Nóbil caiu no chão cansado e suando, mas logo se recompôs e foi andando para fora de lá, indo a nossa direção, no momento em que chegávamos a mais uma estrutura estranha e suspeita.
Enquanto ia a nossa direção, Nóbil foi interrompido, ou melhor, atingido. Virou-se e viu a coisa mais inesperada de todas, havia um cachorro com um estilingue na boca.
–Mas o quê...
Então o cachorro disparou uma pequena bola de fogo, do tamanho de uma pedrinha, não machucando gravemente Nóbil. Depois começou a disparar pequenas estalactites de gelo. Nóbil se aproximou, o pegou e se aproximou do corpo de Baster caído no chão. Nas costas de sua túnica havia o mesmo esquema, um círculo partido em cinco partes. No pedaço superior um cachorro, no inferior uma mulher, que deduzimos ser Bastet, na direita um estilingue, na esquerda um gato e no centro um aquário. Nóbil também entendeu que não podia ter misericórdia com aquele cachorro. Puxou uma flecha e perfurou o cachorro, que enquanto vivia estava todo agressivo e já tinha até mesmo feito vários cortes profundos e graves no braço de Nóbil. O estilingue caiu no chão e se quebrou. Nóbil colocou o corpo do cachorro ao lado de seu mestre e finalmente partiu.
–Mais um deles nos aguarda lá dentro, não é? – Perguntou Dinglondorf, mesmo já sabendo a resposta.
–Sim. Definitivamente há alguém do Zodíaco lá dentro. – Eu disse, então entramos.
Esse lugar, diferente do outro, era feito por várias colunas de pedra enfileiradas, e não era exatamente um lugar sob quatro paredes. Quando chegamos, outra pessoa encapuzada, dessa vez de verde, estava de saída.
–Ei! – Gritou Hagïr num tom de raiva – Você! Você estava lá! Você é um dos encapuzados que viu aquele de cinza exterminar minha raça!
Hagïr começou a correr em direção a ele furiosamente. Eu corri atrás dele e o segurei. Ele não parava de se balançar, então eu o desacordei com um golpe de meu cajado.
O encapuzado parou de andar e o ouvimos cheirar algo.
–Que... Cheiro de... – Então se virou em nossa direção – Isso no seu bolso são sementes! Posso sentir daqui! Eu as quero!
–O que? Ele tá falando do Kuth e do Ruth? – Disse Bartholomero
–É o que parece. – Respondi – Não poderá tê-los!
–Humm... Nesse caso, ninguém pode! – Então estalou os dedos e Kuth e Ruth saíram flutuando do bolso de Bartholomero
–Ei! Voltem!
Kuth e Ruth se puseram diante de nós e seus olhos estavam esverdeados. Então de repente começaram a disparar contra nós. Atrás deles o membro do Zodíaco saiu andando.
–Volte covarde! – Gritou Alfaghar.
–Corram atrás dele, eu cuido de Kuth e Ruth! – Eu mesmo disse, e eles foram.
Ruth então agarrou Kuth e o arremessou contra mim. Eu bati meu cajado no chão criando uma barreira fazendo Kuth cair no chão. Ruth veio logo depois e começou a bater em minha barreira. Kuth se levantou e começou a ajudar seu irmão.
–Não quero machucá-los! – Falei
Eles continuaram, e minha barreira começou a enfraquecer.
–... Mas acho que será necessário!
Comecei a girar meu cajado, isso afastou os dois. Em seguida disparei um feitiço de fluência no chão perto deles. O chão implodiu e os separou. Em seguida bati meu cajado no chão novamente, causando um tremor no local. Algumas colunas cairam, deixando cada um de um lado. Eu fui para a direita, onde Kuth estava, o peguei e coloquei dentro de uma bolha flutuante que acabara de invocar. Na esquerda, do outro lado, Ruth me viu chegando e, em vão, começou a disparar seu fogo contra mim. Porém, quando eu estava perto suficiente dele, Ruth voou até a bolha e a estourou. Kuth caiu no chão, ainda dormindo pelo efeito da bolha. Ruth começou a tapeá-lo, Kuth acordou e os dois começaram a voar. Eles começaram a brilhar e abriram a boca. Seus corpos se ascenderam num tom alaranjado. E eu já sabia o que vinha. Corri para fora daquelas colunas e vi aquele monstro que eles invocaram antes para nos ajudar na Lagoa de Madeira, agora contra mim.
–Kuth, Ruth, acordem, por favor! – Eu gritava desesperadamente
Nada acontecia. A criatura estava pronta, e me viu. Começou a andar em minha direção, até começar a disparar suas enormes esferas de magma. Eu pude me defender com minha barreira já enfraquecida. O chão de pedra envolta de mim começou a derreter e eu estava entorno dele na área da qual minha barreira estava ativa. Mais um disparo vinha. A esfera desta vez destruiu minha barreira. Eu já estava sem proteção. Caí de joelhos, sem coragem para feri-los.
De repente, uma flecha veio à distância e atravessou a boca da criatura. O monstro começou a engasgar, e vi Nóbil se aproximando. Minha determinação voltara. Fiz um movimento circular com a ponta de meu cajado apontada para a lava, a mesma começou a se dispersar e eu pude sair de perto dela. O bicho de lava então estendeu o braço para me pegar, mas foi imobilizado por uma flecha de Nóbil, quase se aproximando do local. Logo o outro braço se aproximou, e eu não suportava de que meus dois amigos Kuth e Ruth estavam fazendo tudo aquilo. Ergui meu cajado e gritei, furiosamente:
–PAREM! AGORA! – Bati meu cajado, causando uma fluência se esgueirar pelo chão, entrar pelos pés daquela “coisa” e implodir, fazendo Kuth e Ruth se revelarem, inconscientes e feridos. Eu consegui pegar Ruth, Kuth estava quase caindo, mas chegando à pressa, Nóbil se jogou e conseguiu pegá-lo.
–Nóbil! – Eu disse surpreso, mas nem tanto – Você conseguiu!
–Sim. O maldito era forte. Ele era realmente um dos membros, representava Aquário, Gato, Estilingue, Bastet e Cachorro. Sendo que o Cachorro, no canto “superior” do seu símbolo nas costas, era na verdade um guardião real, que carregava o estilingue, cujo ficava no canto esquerdo. Deve avisar os outros. A propósito, onde estão?
–Foram na frente. – Respondi
–Entendo. Então, vamos.
–Sim. Qual era o nome do bastardo?
–Ele se chamava Baster.
–Hum... O que estava aqui fugiu, simplesmente se foi, deixando Kuth e Ruth desse jeito, usava um capuz verde. Hagïr se mostrou enfurecido diante dele.
–Imagino o porquê.
Enfim terminamos de conversar e continuamos o caminho.
Meus companheiros me narraram a parte a seguir, por isso lhes direi o que eles me disseram.
–Ali está, outra construção de pedra! – Gritou Alfaghar se aproximando com Dinglondorf e Bartholomero segurando Hagïr nos braços.
–Aquele maldito de verde sumiu de vez! – Disse Bartholomero
–De fato. – Falou Alfaghar
O lugar dessa vez era uma caixa de pedra com espaço para todos. Então eles entraram.
Lá dentro, uma área vasta com o piso de pedra. Havia apenas uma cadeira de pedra no meio de tudo, onde estava sentada outra pessoa com uma túnica e capuz amarelo. Estava com as pernas cruzadas com a mão no queixo. Levantou-se e de cara retirou o capuz. Seu cabelo tinha o formato da metade de uma esfera, castanho, assim como seus olhos.
–Meu nome é Arties. – Ele se apresentou aparentemente calmo – Represento Áries, Rato, Sekhmet, Adaga e Raposa. Sinto vos informar que não tenho o direito de lhes deixar passar, e, além disso, devo retirar a vida de todos vós. Então, irão apenas aceitar ou lutarão pela sobrevivência? Eu recomendo a primeira opção, sendo que não têm muitas chances contra minha pessoa.
–Cale-se! – Disse Bartholomero – Você é um deles! É mau, não importa como age!
–Percebo que será pelo jeito difícil, então. Estou pronto. Venham!
–O jeito certinho dele me irrita, e muito! – Falou Dinglondorf – Adoraria ver meu machado cerrando essa cabecinha redonda!
–Onde quer chegar? – Perguntou Alfaghar – Dinglondorf, você pretende...
–Vão! Deixe-me cuidar dele! – Disse Dinglondorf – Nunca os agradeci propriamente pela ajuda em Guilglör. Então presumo que essa é minha chance! Acho até mesmo que posso vencer.
–Você acha?!
–Calado, agora vão! Badwif e Nóbil já ficaram para trás, e eu quero provar meu valor!
–Mas...
–Alfaghar, deixe-o, além do mais, estamos com pressa. Agora vamos! – Falou Bartholomero
–Certo,,, Então vamos!
Os dois passaram por Arties e seguiram em frente.
–Certo anão. Você será meu oponente então! – Disse Arties
–Eu prefiro o termo “adversário”, acho mais agressivo. Ou se preferir, pode usar “vencedor, vitorioso”. Afinal, será meu futuro título em questão de instantes! – Dinglondorf se mostrava confiante, com um sorriso que somente um anão poderia expressar.
–Seu orgulho pode lhe matar, anão.
–HAHAHA!!! Já ouvi isso bilhões de vezes! É uma das coisas mais comuns que anões devem suportar!
–É, imagino que sim.
–Mas eu lhe devo um mínimo de respeito, amarelinho. Consegue ser civilizado suficiente para não julgar um anão pelo seu tamanho!
–Mas é claro que não, isso seria infantil de minha parte. Mas, com toda educação, sabes que anões não são lá muito civilizados, não é?
–É, é... Sei bem disso. Então, vamos lutar?
–Achei que jamais pediria.
Arties se sentou na cadeira novamente e da manga de sua túnica saltou um rato enorme, bem sustentado e com olhos avermelhados.
–Mas primeiro... Desejo que prove seu valor. Ele é meu guardião, então, terá de passar por ele.
–O que é isso? Um rato, sério? Hohoho!
–Não o subestime, logo, verá seu outro amigo anão.
–O QUÊ?! Como sabe sobre Doför? Não ouse falar dele novamente, seu miserável!
–Nesse caso, prove-se digno.
–Vou lhe mostrar. Mostrar que você é pior que este rato seu! Venha, enfrente-me agora!
–Não agora.
–Certo, se é assim que deseja, o rato primeiro! – Dinglondorf puxou o martelo das vestes e se preparou para batalha!
O rato deu um salto do chão e avançou contra Dinglondorf.
–HAHA! Acho que não! – Girou seu martelo e rebateu o rato para a parede esquerda do lugar. – Pronto. Sua vez.
–Oh? Do que está falando? A luta ainda não está acabada. Olhe. – Arties apontou para onde seu rato foi arremessado. O mesmo se levantava.
–O quê? Como?! Não pode ser! – Dinglondorf ficou boquiaberto – Acho que realmente subestimei esse inseto!
–Ratos não são insetos.
Assim como qualquer anão, Dinglondorf ficou irritado de ser corrigido. Assim foi atrás do rato.
–Venha aqui, sua coisinha!
Dinglondorf jogou o martelo na direção do rato que se recompunha do golpe anterior. Esquivou-se do martelo de Dinglondorf pulando em seu cabo e andando por ele. Dinglondorf puxou o machado para fora enquanto o rato se aproximava.
O rato se jogou no chão e entrou nas vestes de Dinglondorf. Começou a se esgueirar e com seus dentes pontudos começou a morder e rasgar a pele de todo o corpo de Dinglondorf, que começou a gritar. Subiu até seu braço e mordeu a mão que segurava o machado. Dinglondorf o soltou e o deixou cair no chão. Dinglondorf tirou o pano sobre sua roupa e começou a procurar o rato, que continuava mordendo seu corpo. Por fim o encontrou, o nocauteou e o puxou para fora. O rato se agarrou na barba do anão e se negava a soltar. Dinglondorf se balançava loucamente, até o rato perder as forças e cair no chão. Imediatamente tentou fugir, mas Dinglondorf pisou na sua cauda, o prendendo. Pegou o machado do chão, enquanto gargalhava roucamente, bateu o machado no chão e cortou o pequeno corpo do rato no meio, escorrendo sangue pela sua bota. Pegou seu martelo e seu dirigiu para Arties.
Arties assistia tudo, até inesperadamente Dinglondorf se aproximar e chutar sua cadeira, fazendo-o cair e bater sua nuca no chão de pedra. Tossiu sangue e olhou para Dinglondorf parado, em pé e o encarando determinadamente.
Arties começou a bater palmas.
–Certo. Você conseguiu. Minha vez então, eu presumo? – Disse ele
–Isso mesmo. Agora levanta logo daí. – Respondeu Dinglondorf rudemente.
Arties fez isso, ficou de pé, limpou seu sangue da boca e sacou sorrateiramente uma adaga de sua túnica e a pressionou contra o ombro de Dinglondorf, fazendo-o gemer.
–Ah! Desgraçado! – Berrou Dinglondorf, retirando a adaga – Golpe sujo!
–Ouvi dizer que isso é bem típico de anões.
–Como é que é? Eu retiro completamente tudo o que disse a você, não merece respeito. Enfrente-me agora!!
Arties colocou sua mão na sua cabeça e uma energia começou a circulá-lo. Adagas se revelaram de sua roupa. Mas... Elas flutuavam! As adagas estavam flutuando entorno de Arties! Isso mesmo!! Dinglondorf observava tudo.
–O que é você?! – Perguntou Dinglondorf, impressionado.
–Sou um Psionico. Diferente de psíquicos e psicóticos, posso tanto ler mentes, como controlá-las, e até mesmo mover objetos. Resumindo, eu tenho um poder mental completo!
–Ou seja... Eu ainda vou chutar sua bunda! – Disse Dinglondorf, se gabando.
Arties, usando seus poderes, fez as adagas avançarem diante de seu inimigo, no caso, Dinglondorf. O anão girou o martelo parando algumas adagas, mas fora atingido por outras. Com a outra mão segurando seu martelo avançou e tentou acertar Arties, que se abaixou fazendo com que outra adaga retornasse, perfurou a perna de Dinglondorf, ele caiu no chão, gritando de dor. Dinglondorf gira o martelo e corta o braço esquerdo de Arties. Sangue começa a ser espalhado por todos os lados, espirrando no rosto de Dinglondorf.
Dinglondorf se levanta mancando e ainda mantendo o humor, continua rindo e tossindo sangue ao mesmo tempo. Arties recuou e usando a mente fez seu braço levitar para perto de seu corpo e começou um processo de restauração.
–Não vou deixar! – Gritou Dinglondorf, se arrastando em direção a seu adversário.
Elevou o martelo ao alto e esmagou o braço que Arties tentava restaurar, virando apenas carne amassada no chão.
–Maldito anão! – Berrou Arties
–Ouviu esse grito? – Perguntou-me Nóbil, nos aproximando do local.
–Sim, ouvi. – Respondi preocupado
Agora de volta à batalha. Arties se enfureceu e as adagas começaram a voltar, tentando a mesma técnica de atingir Dinglondorf por trás, mas não desta vez! Dinglondorf aponta seu martelo e seu machado cruzado em suas costas, fazendo as adagas se retardarem contra eles.
–Hoje não! – Disse Dinglondorf, gargalhando.
Arties começou a levitar as armas de Dinglondorf e jogou cada uma para um canto do lugar. Dinglondorf perdeu o sorriso do rosto. Arties pegou uma adaga e prendeu na bota de Dinglondorf, atravessando seu pé. E depois fez o mesmo com o outro. Dinglondorf se viu preso no chão. Mas sem desistir, pegou Arties pelo pescoço e começou a sufocá-lo, porém Arties moveu seu dedo, causando o martelo e o machado se aproximarem, prontos para esmagar a cabeça de Dinglondorf. Arties começou a rir baixo, sendo que seu pescoço ainda estava sendo estrangulado. Na expectativa que Dinglondorf o soltasse para se esquivar, mas não foi assim. Dinglondorf continuava lá, massacrando o pescoço de seu inimigo.
–Solte-me... Ou... Ou vai... Morrer... – Disse Arties, mais preocupado que seu oponente.
–Então você vem comigo. – Disse Dinglondorf, já suando.
Eu e Nóbil finalmente chegamos ao local.
–Vamos ajudá-lo! – Eu disse para Nóbil
–NÃO! Vocês dois, fiquem aí, essa luta é minha, e SÓ minha! – Berrou Dinglondorf, não permitindo que déssemos um passo.
Dinglondorf já fechou os olhos, suas armas estavam prestes a tirar sua vida, mas não ia desistir de tirar a de seu adversário, pois isso é o que os anões têm de melhor, senso de batalha!
Mas já era tarde... Tarde demais para o membro do Zodíaco. Que parou de respirar e caiu morto no chão no momento que Dinglondorf soltou seu corpo. Com o machado e o martelo bem próximos, que pararam de se mover assim que o responsável faleceu. As armas caíram no chão, bem próximas às botas de Dinglondorf, que respirava rápido e com o coração acelerado. Retirou as adagas dos pés e caiu sentado no chão.
–Hehehe! Consegui! – Ele comemorou
Eu e Nóbil nos aproximamos.
–Seu anão egoísta! – Gritou Nóbil – Imagina o que aconteceria se morresse!
–Calado, loura. – Disse ele – Estou tendo meu momento.
–Então o aproveite, pois estamos com pressa e de partida! – Eu disse, sorrindo e piscando para ele.
Nóbil foi na frente enquanto eu esperava Dinglondorf pronto para partir.
–Não se atrasem!- Falou Nóbil
–Certamente! – Falei
–Não te garanto nada! – Resmungou Dinglondorf
Alfaghar, Bartholomero e Hagïr finalmente chegam à próxima estrutura, quase no topo da montanha. Este lugar parecia um coliseu, ou talvez até fosse pela sua grande similaridade. Eles entraram e lá dentro havia outro membro do Zodíaco, este dessa vez com uma túnica e capuz marrom, comendo uma coxa de frango. Ele soltou um arroto e olhou para os recém-chegados.
–Hmm? O que querem aqui? – Perguntou ele, não parecendo se importar.
–Queremos chegar ao topo, ou até o final. Então, vai nos deixar passar ou teremos de ir a força? – Perguntou Bartholomero
–O quê? Força? Bwuahahaha! Poupe-me, vocês não têm “força” contra mim. Agora saiam da minha frente.
–Desgraçado, pare de comer a olhe para gente!
O homem se levantou zangado de uma tábua de pedra onde estava, a derrubando logo depois.
Ele se mostrou enorme e muito musculoso, retirou o capuz e revelou seu rosto. Tinha um cabelo preto caído para frente até sua testa, e um rabo de cavalo amarrado atrás, além de uma monocelha grossa. Olhava para todos, mas principalmente Bartholomero com uma cara espantosa.
–Certo. Querem falar sobre força? Ótimo! Pois eu não. Quero testá-la. Façam uma fila e se aproximem, se algum de vocês me vencerem numa queda de braço, o vencedor lutará comigo e permito os outros de passarem adiante. O que me dizem? – Propôs ele
–Não estamos com muita vontade de negociar com você! – Respondeu Alfaghar
–É isso, ou ficam aqui e não passam.
–Ou podemos simplesmente lhe forçar a passagem!
–Não, veja bem, Alfaghar, se dois de nós for, estaremos adiantados no caminho. – Esclareceu Bartholomero — Certo, então, aceitamos!
–Ótimo, aproximem-se então! – Disse ele, estendendo o braço.
Primeiro foi Alfaghar, com Bartholomero e Hagïr atrás.
–Você primeiro então, é?
–Isso mesmo! Vamos logo com isso! – Disse Alfaghar – Um de nós ficará aqui mesmo.
–Certo então! Prepare-se! – Falou o homem
Alfaghar estendeu o braço e encaixou sua mão na dele, os dois começaram a empurrar para os lados opostos, mas não demorou muito até que Alfaghar cedesse e perdesse a disputa.
–Próximo! – Gritou o homem
Bartholomero se aproximou. Os dois começaram a fazer força. Aos olhos de Alfaghar e Hagïr, eles estavam há horas sem mexer um dedo, na mesma posição que começaram.
–O que eles estão fazendo? – Sussurrou Hagïr para Alfaghar – Nem parece que começaram.
–É que suas forças estão empatadas, repare bem neles, estão ambos suando, um não consegue empurrar o outro. – Explicou Alfaghar.
Finalmente, depois de muito tempo, Bartholomero começou a enfraquecer, e seu braço foi empurrado um pouco, mas não parecia que havia mudado nada. Bartholomero começou a contrair seu braço e suar bastante, finalmente começou a empurrar o braço do adversário.
–HoHo! – Gargalhou ele – Você até que é forte! Não vai ganhar mas quero lutar com você!
–O quê?! – O braço de Bartholomero então foi arrastado até o fim, e perdeu.
–Vocês dois, podem passar. Quero brigar com ele! – Disse o homem
Alfaghar e Hagïr não entenderam direito, mas assim fizeram, foram na frente.
–Bem... Então. Como eu havia dito, vamos! Quero um duelo contigo! – Disse o homem
Bartholomero aceitou.
–Mas antes... Preciso saber seu nome! – Falou Bartholomero
–Oh, sim, é claro, eu já ia me esquecendo! Meu nome é Bhartïr. Agora chega de papo, venha!!
Bartholomero avançou, serrou o punho e se jogou contra o oponente. Bhartïr facilmente segurou seu punho, o girou e o chutou para longe. Bartholomero rolou pelo chão.
Logo se levantou e pegou sua clava.
–Oh, você também tem uma clava! Que coincidência, não? Somos dois, então! – Ele também pegara uma clava.
Os dois correram na direção um do outro e se atingiram com suas clavas. Começaram a sangrar. Ergueram as clavas de novo e se acertaram outra vez. Porém na terceira vez, Bhartïr foi mais rápido e pegou Bartholomero pelo pescoço, começou a chacoalhá-lo e em seguida cravou sua clava na barriga dele. Bartholomero cuspiu sangue e depois foi jogado longe.
–Você não pode ser tão fraco! Mais! Mostre-me mais! Venha!! – Bhartïr continuava atiçando Bartholomero
Bartholomero ficou zangado e, com dificuldades, se levantou novamente. Correu até Bhartïr e arremessou sua clava. A clava bateu no ombro de Bhartïr e o deixou roxo.
–Ui!!! Essa me doeu! – Resmungou ele
Bhartolomero pulou nele e o agarrou pelo pescoço, começou-lhe a dar joelhadas na cabeça, depois o agarrou pelo queixo e o jogou longe. Bhartïr bateu de cabeça no chão e perdeu um dente.
–O que me diz dessa agora? – Disse Bartholomero.
Enquanto Bhartïr estava no chão, Bhartolomero viu seus símbolos nas costas da túnica. Os quais representavam Touro, Boi, Ptah, Clava e Vaca.
–BOI?!! – Pensou Bartholomero – Mas isso quer dizer que...
–Isso mesmo, gênio! – Disse Bhartïr, se reerguendo com um assobio.
Um portão de madeira no canto daquela enorme estrutura de pedra similar á um coliseu, abriu-se e um boi saiu dela, correndo furiosamente até Bartholomero.
O boi chegou perto o suficiente de Bartholomero para lhe dar uma chifrada. Bartholomero foi arremessado, fazendo voar sangue pelos ares. O boi brecou e ficou ao lado de seu mestre Bhartïr.
Bartholomero se levantou e correu atrás do boi. Pegou seus dois chifres e pulou por cima deles, parando nas costas do boi. Começou a domá-lo. O boi ficou furioso e não parava de se balançar. Mas Bartholomero se mantinha firme ali.
–A capa vermelha do Alfaghar cairia muito bem agora..! – Pensou Bartholomero
Colocou as mãos nos chifres do boi e começou a quebrá-los com suas próprias mãos.
–Fique quieto, boi estúpido!
Bartholomero então teve uma ideia. Usou sua “perna” de chumbo e furou um dos olhos do boi. O mesmo começou a girar em círculos enquanto seu rosto sangrava. Bartholomero então conseguiu arrancar seus chifres e o boi caiu se contorcendo. Bartholomero pegou um dos chifres e furou seu outro olho, e usou o outro chifre para enfiar na boca do boi e atravessá-la. O boi estava morto.
–Bravo! Bravo! – Disse Bhartïr, se voltando a Bartholomero com um soco.
Bartholomero cambaleou, mas logo se recompôs. Chutou o estômago de Bhartïr com sua perna de chumbo e depois começou uma série de socos no rosto adversário. Bhartïr já estava de olho roxo. Bartholomero o pegou pelo seu rabo de cavalo e o enterrou no chão. Bhartïr estava tão surrado que não conseguia mexer nem uma sequer parte de seu corpo. Bartholomero pegou sua clava que estava jogada em algum lugar ali e a cravou no estômago do inimigo. Bhartïr já estava morrendo por grande falta de sangue.
–Bartholomero. Venha aqui... – Disse ele, se engasgando com o próprio sangue.
–O que foi?
–Estas pessoas... Eu... – Ele mal coseguia falar – O Zodíaco... Eles não são boas pessoas.
–É disso eu já sei. Muito obrigado pelo óbvio. Mas por que diz isso agora?
–Foi bom te testar, Bartholomero. Agora eu sei.
–Me testar, do que está falando?
–Eu preciso que você faça uma coisa, mas se não puder, ou não quiser, não faça.
–E o que seria isso?
–Reerga o Zodíaco. Torne-o um grupo que ajude as pessoas, mude seu legado, seus meios, seus objetivos. Dê um fim a esse terror, faça uso dele como algo bom.
–Quer que eu... Entre para o Zodíaco? Está louco?!
–Não para este Zodíaco. Um Zodíaco novo, com outros fins e jeitos de fazer as coisas, há muito tempo atrás o Zodíaco não era assim. Quando eu entrei, pensei que fosse como antigamente. Você é exatamente quem eu procurava, Bartholomero, fique com a minha túnica, torne-se o novo representante dos meus signos, e restaure a ordem do Zodíaco. Obri—
–Bhartïr? Do que está falando? O que quis dizer com tudo isso? BHARTÏR! – Bartholomero começou a chamá-lo, mas não adiantava, pois cadáveres não falam.
Bartholomero, com hesitação e muita dúvida, pegou a túnica de Bhartïr, a enrolou e a guardou. Logo em seguida, Nóbil havia chegado, e viu Bartholomero com as pernas bambas, num estado próximo ao de Bhartïr, sangrando muito.
–Bartholomero! Pare de andar, não vai aguentar mais nem dez passos!
Nóbil se aproximou e deitou Bartholomero no chão. Viu ao redor a destruição de sua batalha. Minutos depois eu e Dinglondorf chegamos.
–O que houve aqui? – Eu perguntei
–Eu não sei. – Respondeu Nóbil – Não parem aqui, vão na frente, tenho de tratar dele.
–É verdade. Então vamos, Dinglondorf! – Eu falei, e seguimos em frente.
No caminho, eu juntamente com Dinglondorf, víamos a distância Alfghar e Hagïr correndo.
–Temos de alcançá-los! – Eu falei
–É. Vamos apressar o passo! – Disse Dinglondorf
Enquanto eu e Dinglondorf corríamos, as nuvens começaram a se juntar na direção do local seguinte, onde o próximo inimigo nos esperava. Então uma ventania forte se formou, e de dentro o lugar, vimos um raio sair e tocar o céu. As nuvens ficaram escuras e de repente o raio caiu ao nosso lado. Eu estava mais perto e fui jogado longe. Caí num grande penhasco ao lado das escadas que subíamos, e a última coisa que me lembro foi de bater a cabeça em uma pedra, e me lembro também de que era um penhasco muito alto, com grandes rochedos e um fundo escuro. Minha última visão foi Dinglondorf gritando meu nome e se distanciando ao longo da minha queda. Tudo ficou escuro para mim, eu achava que tinha morrido, e assim pensaram os outros.
–NÃO!!! Badwif!!! – Dinglondorf gritava meu nome, e mais a frente, Alfaghar e Hagïr se viraram e viu Dinglondorf olhando para o penhasco, e gritando meu nome.
–Badwif? O que será que aconteceu? – Perguntou Hagïr, quase em lágrimas.
–Será que ele... Morreu? – Pensou Alfaghar – Não pode ser...
Eles voltaram o caminho e se encontraram com Dinglondorf.
–O que houve?! DIGA-ME!
–Ele... O Badwif... Caiu...
–O QUÊ? Como?
–Um raio... Veio de lá! Alguém do Zodíaco o derrubou!
–Desgraçado! Vamos atrás dele!
Alfaghar, Dinglondorf e Hagïr seguiram para lá, todos querendo me vingar.
Chegando lá, havia um homem, desta vez um velho, estava virado de costas e fumando um cachimbo. Sua túnica era preta, mas não usava um capuz, invés disso, usava um chapéu negro e pontudo. Virou-se e encarou os três. Porém, era eu!
–Mas... O quê? Badwif? É você? – Perguntou Alfaghar, se aproximando.
O velho disparou, sem pensar duas vezes, um jato de chamas contra eles.
–Ei, o que está fazendo?! Somos nós! Acabamos de vê-lo cair no penhasco!
–Cale-se! – Disse ele, com uma voz grossa e tenebrosa – Eu derrubei Badwif no penhasco. Eu não sou ele, não me compare com aquele mago fraco e estúpido. Vocês, seguidores idiotas dele, vou deixá-los viver mais um pouco, nos encontraremos no fim disso tudo. Espero que estejam mais fortes. Adeus.
O velho mago que se parecia exatamente comigo desapareceu.
–Quem era este? – Perguntou-se Hagïr
–Não viu nas costas da túnica dele? Tigre, Toth, Maça de Ferro, Cavalo Marinho, e Gêmeos! Gêmeos! Kuth e Ruth haviam dito que Badwif era de gêmeos, isso só pode significar uma coisa...
–Esse é o gêmeo mau do Badwif... – Concluiu Dinglondorf
–Isso mesmo. É exatamente como ele, mas seu cabelo tinha algumas pontas mais escuras, suas sobrancelhas eram grossas e pretas. E aquele rosto... Ele parecia à personificação da morte! Ele se parece com o Badwif, mas não é nada como ele!
–Oh! Que ótimo, o Badwif morre e agora encontramos o seu lado maligno. Não parecemos estarmos em vantagem aqui! – Dinglondorf reclamava
–Bom, já que aqui está vazio, vamos para o próximo.
Acho que vocês já sabem curiosos, que eu não estou morto, caso estivesse, não estariam lendo nada disso, não é mesmo? Mas vamos esperar a história se desenrolar.
Enquanto Alfaghar, Hagïr e Dinglondorf se aproximavam ao topo da montanha, eu estava no fundo do penhasco, deitado com a morte. Lembro-me de abrir meus olhos, ver a chuva cair no meu rosto. Minhas vestes estavam todas encharcadas de sangue. Levantei-me e caí logo em seguida. Não tinha forças para me manter em pé. Me apoiei no meu cajado e tentei de novo. Coloquei minha mão em algumas pedras do grande paredão que formava o penhasco. Comecei a andar sem nenhum senso de direção. Acima de mim só havia neblina e gotas de água surgindo do alto.
Continuei andando por um bom tempo, até chegar ao final do penhasco, com um grande rochedo em meu caminho. Eu estava sem saída. Ou quase. Com muita dificuldade, usei uma magia de fluência, o rochedo se implodiu e eu pude passar. Felizmente não fui atingido por nenhuma rocha quando tudo de despedaçou.
Após andar mais um pouco, encontrei uma rampa de pedra, comecei a subir, mas não tinha mais fatiga para isso, e desmaiei novamente.
Enfim Alfaghar e os outros chegaram ao topo da montanha, onde residia um círculo de pedra e estalagmites, com uma abertura, onde provavelmente seriam as “boas-vindas” deles.
Eles entraram, e logo começaram a ouvir uma risada. Um vácuo escuro se abriu e dele saiu um homem, mas dessa vez, um já conhecido. Com a túnica roxa e retirando o capuz, era Nekro!
–Então vocês realmente conseguiram! Chegaram até aqui! Que legal! Estava esperando por isso. Mas... Eu queria desafiar o mago, onde está ele? Não tenho muito interesse em vocês... Que pena, não?!
–Você! Desgraçado! – Gritou Hagïr, querendo avançar contra ele.
–Acalme-se, Hagïr! – Alfaghar e Dinglondorf o jogaram para trás.
–Mas talvez... Eu possa chamá-lo! – Nekro pensou alto – Posso atrair sua atenção até aqui.
*SLAP*, estalou os dedos.
–Já sei! – Disse, e depois assobiou – Ei, venham aqui! Rápido, pra cá!
–Com quem ele está falando? – Perguntou Dinglondorf á Alfaghar
–Não tenho ideia...
Um buraco profundo e escuro se abriu no chão, e dele saíram dois anões, sendo um deles Doför!
–Doför?! – Todos ficaram boquiabertos – O que está acontecendo aqui?!
–Não entenderam ainda? – Disse Nekro – Eu sou um necromante! Esses dois são meus fantoches mortos.
–Seu maldito! Pare de usar nosso amigo como boneco!
–A alma dele nem está mais presente, é só um corpo molenga e burro. Não se preocupe, logo vai se encontrar com seu amigo também! Hahahaha!!! – Começou a soltar uma risada fina e irritante
–Quem é o outro, afinal? – Perguntou Alfaghar, ainda irritado.
–Por que não pergunta pro seu amigo anão aí do seu lado.
Alfaghar olhou para Dinglondorf e ele estava pálido.
–Dinglondorf, você por acaso... O conhece? – Perguntou Alfaghar
–S-Sim... Ele é... Ele é... É meu irmão, Dinglongorf!
–O quê? Seu irmão? Por isso estava o nome dele no seu anúncio de procurado.
–Eu tentei não esquecê-lo, e criei um pseudônimo com o nome dele... Nada genial, eu sei, mas para um anão... – Dinglondorf pela primeira vez se mostrava em lágrimas.
–Você é um monstro! – Disse Hagïr
–Hagïr, saia daqui. – Falou Alfaghar
–O quê?
–Agora! É muito perigoso!
Alfaghar pegou sua bainha e rebateu Hagïr até o outro lado de lá. Hagïr hesitou, mas por fim se viu do outro lado da montanha, agora com escadas indicando para descer. O topo não era o final pelo jeito.
Nekro soltou de sua túnica um coelho, com os olhos vermelhos. O coelho começou a saltar e saiu dali.
–Do que se tratou isso? – Perguntou Alfaghar
–Nada que te interesse. Agora, estou esperando, divirtam-me!
Os dois ficaram nervosos, e, tendo em mente que era só os corpos de seus amigos, prepararam-se para lutar. Alfaghar desembainhou a espada, mas ainda manteve o escudo.
Era ainda mais difícil para Dinglondorf, que não via seu irmão há anos, mas mesmo assim, sacou ambos os martelo e machado.
Alfaghar avançou contra Doför, que carregava seu disparador de arpões. Um arpão foi lançado, Alfaghar o retardou com sua espada e quando chegou perto de Doför, chutou sua cabeça e o jogou longe. Doför levantou e começou a lançar mais arpões. No meio tempo, Dinglongorf também havia um machado, o sacou e atacou Dinglondorf, que se defendeu com seu machado e atingiu seu irmão com o martelo. Dinglongorf foi arremessado, mas logo se levantou e jogou seu machado. Dinglondorf esquivou e acertou a barriga de Dinglongorf com o martelo. Ele não estava mais aguentando bater em seu irmão, mesmo sabendo que era apenas um corpo controlado.
–Haha! Continuem! – Dizia Nekro, só observando as lutas.
Alfaghar pegou um dos arpões de Doför com sua mão e a jogou contra quem a disparou. O arpão perfurou o braço de Doför. Alfaghar usou a brecha e se aproximou, deu um pontapé em Doför e em seguida perfurou seu corpo.
–Está acabado... – Disse ele, lagrimejando – Sinto muito, Doför...
–Quê? ACABADO? Ele tá MORTO! Quer matar um morto? Se não entendeu ainda, NÃO vai acabar! Hiahaha! – Nekro entrava em vários ataques de risos
Doför retirou lentamente a espada de Alfaghar de seu peito e a jogou longe. Em seguida atingiu o rosto de Alfaghar com seu disparador. Alfaghar caiu no chão com o rosto sangrando. Sacou seu estilingue e começou a disparar em Doför, que cambaleava a cada bola de chumbo.
Alfaghar aproveitou e rolou pelo chão, pegou sua espada e cortou as pernas de Doför. O morto Doför ficou se arrastando no chão.
Alfaghar enfincou sua espada na cabeça de Doför, atravessando-a e deixando o morto-vivo preso no chão.
Dinglongorf recuperou seu machado e começou uma rajada de golpes contra Dinglondorf que se defendia com seu machado e atacava com seu martelo.
–Dinglongorf, chega! – Dinglondorf, com uma tristeza desencadeada, cortou seu irmão no meio com seu machado depois esmagou sua cabeça com seu martelo. – P-P-Perdoe-me...
–Uh..! Eu nunca vi o anão assim! Que choradeira, vocês dois! – Disse Nekro, zombando deles.
–Você! Eu vou te matar depois arrancar sua cabeça e dar ela pro seu coelho!
–Ui! Que medo! Estou esperando, baixinho!
–Calma, calma, calma! – Alfaghar começou a segurá-lo.
–Me solte! Agora!
–Não posso!
Quanto a mim, eu estava lá, na rampa, sem energias para fazer o que quer que fosse. Senti algo pinicar meu nariz. Abri meus olhos e lá estava, um coelho. Aquele coelho. Ele começou a cavar e um buraco negro se abriu. Eu fui sugado e surgi no mesmo lugar que Alfaghar, Dinglondorf e Nekro.
–Oh, meu coleho conseguiu trazê-lo! Mas... Ah! Você está um desastre! Não vai ter graça lutar com você assim! Vamos dar um jeito nisso!
–Você! – Eu disse, mal conseguindo falar.
–Sim, sim. EU! – Nekro se sentou no chão ao meu lado e fez uma cúpula violeta. Comecei a me sentir cada vez melhor. Ele estava me curando! – Quando eu acabar aqui, estaremos no mesmo patamar, ou patamares próximos! Quanto a vocês dois aí, caiam fora, vão em frente, vocês não têm o que fazer aqui.
–De jeito nenhum! – Gritou Dinglondorf – Eu é que vou acabar com você!
–Acho que não! Até mais!
Alfaghar saiu correndo de lá levando Dinglondorf contra sua vontade.
–Vou gravar a localização dessa montanha até eu vê-lo morto! – Disse Dinglondorf
–Então relaxe. Não tem o que temer, Badwif fará isso pra você, certamente ele irá! E não há notícia melhor que essa! Ele está vivo, Dinglondorf!
–É eu notei! Pelo menos uma notícia boa apareceu desde que chegamos nessa maldita montanha! – Falou Dinglondorf – Mas como ele sobreviveu à queda?
–Disso eu não sei, mas que bom que ele sobreviveu, não?
–Conseguimos. Estamos no topo da montanha! – Disse Alfaghar
–Mas não há nada aqui! – Disse Dinglondorf
–É... É verdade. Porém, olhe! Há mais escadas, indicando que devemos descer até o outro lado!
–Você acha?!
–Sim!
–Minha pergunta foi retórica. É claro que é para descermos, seu imbecil!
–Ainda está irritado? Badwif vai cuidar de Nekro, temos que continuar, além do mais, Hagïr já deve ter descido, deve estar logo à frente. Vamos!
Como previsto, Hagïr havia chegado à outra estrutura, dessa vez se parecia bem com uma casa, com colunas na entrada, um telhado triangular duas estátuas de leões em cada lado. Hagïr entrou.
Lá dentro, havia outro membro, como previsto. Este com a túnica e encapuzado de vermelho. Hagïr notou uma bainha em sua cintura, claramente com uma espada dentro, sem dúvidas.
–Ei! – Disse Hagïr, chamando sua atenção.
O homem se virou, encarou Hagïr por um momento e retirou o capuz. Havia o cabelo bege, olhos verdes e uma bandana vermelha entornam a cabeça.
–Olá. Por acaso, você é um espelho? – Foi sua primeira pergunta
–Sim. Mas o que você tem haver com isso?!
–Haha. Nada. Desculpe por ser rude. Imagino que esteja com pressa, é melhor você passar logo.
–O quê? Não vai me impedir? – Hagïr ficou confuso – Já sei! É uma armadilha!
–Não, não é. Não quero lutar com você. Acredite em mim.
–Não posso! E por que deveria?
–Bem... Não deveria. É que não sou como os outros membros do Zodíaco. O Zodíaco está corrompido, eu e Bhartïr fomos os únicos justos que sobraram.
–Justos? Ha! Essa é boa! – Zombou Hagïr – Vocês matam pessoas e causam o caos! O que há de bom nisso?
–Imagino que seja engraçado para você e os seus outros companheiros. Mas é verdade, estou infiltrado aqui me passando por um membro maligno como eles. Bhartïr também estava.
–Estava? Quem ele era, afinal?
–O de túnica marrom. Mas creio que ele tenha se disfarçado com uma personalidade maldosa para testar um de vocês, e acabou morrendo para deixar seu legado.
–Ei! Eu sei quem é esse! É o musculoso que nos desafiou numa queda de braço. Ninguém o venceu, mas ele escolheu para lutar com Bartholomero.
–Então imagino que este Bartholomero tenha ganhado. Acredite, Bhartïr era o mais forte em questão de força física. Eu cresci e treinei com ele desde meus treze anos. Quando ele completou vinte e cinco, seu soco derrubava uma montanha três vezes maior que esta. Ele nunca usaria sua força total para testar bravos guerreiros como vocês que chegaram até aqui. Agora, perdemos tempo demais conversando aqui, vá!
–Hã... Certo..! Obrigado, então! – Hagïr agradeceu ainda um pouco incerto e seguiu em frente. – E a propósito, qual seu nome?
–Hum? Oh, me chamo Lígnias.
–Entendi. Até, Lígnias!
–E Hagïr, espere um pouco!
–O que foi?
–Eu soube do ataque contra sua raça, quero lhe avisar que o próximo membro que te espera é o de cinza.
Hagïr ficou pálido.
–Re... Repita isso.
–Eu não irei repetir Hagïr. Você ouviu. Apenas não ataque por impulso quando enfrentá-lo.
Hagïr não falou mais nada, ficou quieto e partiu.
Pouco depois de Hagïr sair da “casa” de Lígnias, Alfaghar e Dinglondorf chegaram.
–Quem é você?! – Perguntou Alfaghar, colocando a mão em sua espada.
–Eu não faria isso... – Disse Lígnias, colocando a mão em sua bainha -... Ainda.
–Como assim? Cadê Hagïr? O que fez com ele?
–O espelho? Então este é o nome do rapaz... Eu o deixei passar.
–Mentiroso! – Acusou Dinglondorf – Ele deve estar morto!
–Não está! Assim como Bhartïr, o homem de marrom, não sou como os outros. Bhartïr se passou de maligno para testar um de vocês, e Hagïr me contou que foi alguém chamado de Bartholomero, se não me engano.
–Sim, eu lembro, é aquele da queda de braço! Mas então...
–Eu vou testar um de vocês dois. De preferência... – Lígnias desembainhou a espada e a encaixou no chão, se apoiando nela com ambas as mãos. – Queria você, que assim como eu, é um Paladino.
Obviamente ele apontava para Alfaghar.
–Bartholomero era um bárbaro, por isso...
–Sim, exatamente, Bhartïr também era um bárbaro. Eram bem compatíveis. O anão... É, desculpe, eu não sei seus nomes.
–Dinglondorf. E o paladino é Alfaghar.
–Oh, eu vejo. Então, Dinglondorf, certo? Pode passar. Mas, Alfaghar, prove-se digno de seguir em frente.
–Eu realmente não entendo, estamos com pressa, qual a finalidade desse teste?
–O bárbaro, Bartholomero, já sabe, pois venceu Bhartïr. Faça o mesmo, e saberá.
Dinglondorf e Alfaghar se olharam. Alfaghar balançou a cabeça como um sinal. Dinglondorf então partiu atrás de Hagïr.
–Certo, então. Eu aceito seu desafio! – Alfaghar desembainhou a espada.
–Ótimo. E por sinal, posso ver que há um escudo por trás dessa sua capa rasgada. Vamos fazer um duelo mais... Medieval. O que me diz? – Lígnias então caminhou até um canto do local e da parede pegou um escudo. Era um escudo prata com uma cruz no centro.
–Qual seu nome, mesmo? – Perguntou Alfaghar, pegando seu escudo e se preparando.
–É Lígnias. Está pronto?
–Sim.
A espada de Lígnias tinha um cabo dourado e em sua lâmina escrituras das quais diziam: “Empunhe-me”, e do outro lado: “Deixe-me”.
–O que quer dizer estas escrituras? – Perguntou Alfaghar, curioso.
–Não acho que precise saber disso. Vamos!
Lígnias avançou e deu um corte diagonal na direção de Alfaghar, que se defendeu com seu escudo.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!–Você é rápido. – Disse Alfaghar, defendendo ataques seguintes.
–E você é ágil! – Disse Lígnias, mudando a direção da lâmina para as pernas de Alfaghar.
Alfaghar deu um salto e apontou sua espada para baixo. Lígnias deu uma cambalhota para a direção oposta de Alfaghar. Alfaghar pousou e sentiu a lâmina adversária lhe fazer um corte profundo. Sangue espirrou na túnica de Lígnias, que se camuflou no tom vermelho. Em seguida, enquanto Alfaghar ainda sofria, Lígnias chutou suas costas, o deixando no chão.
–Não posso deixá-lo passar assim. – Disse ele – Levante-se!
–Uh! Você é muito forte...
–E você também! Então mostre pra mim!
Alfaghar levantou com um espiral. Fez um giro completo e arranhou a perna de Lígnias.
–Isso! Vamos, continue! – Lígnias o impulsionava
Alfaghar respirou, inspirou e avançou na direção de Lígnias. Tentou um corte vertical, do qual seu oponente retardou com a espada e o surrou com o escudo.
–Sua espada não é sua única arma! Lembre-se sempre disso! – Dizia Lígnias
–Não usei muitos escudos em meus treinamentos!
–Isso não é problema meu, não é mesmo? Aprenda a usar agora! Estamos lutando, lembra? Vamos!
Alfaghar arremessou seu escudo, fazendo Lígnias perder a visão da batalha por alguns instantes. Quando olhou para frente novamente, viu Alfaghar no ar, e em seguida seu joelho nocauteando. Lígnias caiu chão. Alfaghar aterrissou e chutou a espada de Lígnias para longe de seu paladino.
–Bom... Bom! Está ficando interessante! – Falou Lígnias
Ele se levantou num salto do qual atingiu Alfaghar na barriga. Alfaghar cambaleou alguns passos para trás. Alfaghar se recompôs, pegou seu escudo do chão numa cambalhota, ficou de pé logo em seguida e usando a ponta da lâmina, perfurou o ombro esquerdo de Lígnias. Retirou a espada e atingiu seu rosto com o escudo.
Lígnias cuspiu sangue.
–Isso. Está ficando bom. – Enquanto falava, aproveitou a desatenção de Alfaghar e lhe deu uma cabeçada. Correu e pegou sua espada de volta. – Mas nem tanto!
–Você usou a cabeça! – Reclamou Alfaghar
–Sim. Nos dois sentidos, certo? E você também deveria usá-la no mínimo em um sentido, sabe? Vamos!
Alfaghar atacou novamente, Lígnias defendeu com seu escudo e deu uma rasteira em Alfaghar. Alfaghar caiu no chão e se viu com a lâmina de Lígnias em sua garganta.
–Vamos lá! Você não está nem tentando!
Alfaghar ficou nervoso. Prendeu a espada de Lígnias na alça de seu escudo e atravessou sua coxa com a espada. Sangue jorrou. Alfaghar se levantou e deu um pontapé em Lígnias. Ele cambaleou e Alfaghar o seguiu, pois seu escudo se prendia á espada do oponente. Alfaghar surrou seu rosto. Lígnias começou a sangrar pelo nariz e pelos ouvidos.
–Já fomos longe demais, não acha? – Disse Alfaghar, vendo ao nível que chegou.
Lígnias não respondeu, apenas perfurou a barriga de Alfaghar, mas ao mesmo tempo mirando longe do coração.
Alfaghar lhe olhou no rosto enquanto caía.
–Não, não estamos terminados. Bhartïr não morreu à toa. E um de nós não vai ver o amanhã. E é melhor para você que esse alguém seja eu!
Alfaghar ficou pasmo. Sua visão começou a ficar embaçada.
–Vamos, Alfaghar! Você supera isso! De pé!
Alfaghar começou a respirar muito rápido. Seu rosto de agonia se tornou um rosto mais determinado. Levantou-se com dificuldades, cambaleando. Deu um grito de guerra, ergueu a espada ao alto e nocauteou Lígnias com seu escudo três vezes em um combo e em seguida atravessou seu coração usando sua espada de lâmina prateada.
–Parabéns, Alfaghar, você é digno para mim. – Lígnias se deitava no chão de pedra lenamente. Alfaghar o segurou nos braços.
–Isso não era necessário!
–Claro que era. Você verá seu amigo Bartholomero com o manto marrom de Bhartïr. E você ficará com o meu vermelho. Vocês dois precisam reerguer o Zodíaco. Faça este favor para mim, é só o que lhe peço.
–Mas...
–Eu imploro...
–Lígnias? Lígnias?!! Não faça isso!
Era tarde, Lígnias falecera diante de Alfaghar.
–Droga!!! Por que tanto sangue? – Alfaghar também não conseguia ficar de pé graças ao golpe certeiro que recebera de Lígnias. Ele desmaiou, com a mão no ponto onde mais perdia sangue. E não se preocupem, ele está vivo! Não desejo assustá-los!
Hagïr se apressava até o homem que o deixou sozinho no mundo. O encapuzado de cinza! Dinglondorf estava alguns passos atrás, na mesma direção. Enquanto eu era curado por Nekro, que esperava me enfrentar.
Hagïr chegou ao local. A chuva estava mais forte. Ele parou na frente da entrada do lugar, que mais se parecia um templo de adoração ou algo do tipo. Hagïr caiu de joelhos, chorando, com dúvidas, medos, aflições, tremores.
Dinglondorf finalmente pôde alcançá-lo.
–Hagïr? O que faz aqui?
–Aí dentro está a pessoa culpada por todos os outros espelhos...
–Você quer matá-lo, não quer?
–Eu não sei, tá?!!
–O que houve?
–Eu não sei se consigo. Estou assustado.
Na mente de Hagïr um monstro apavorante, um demônio sem coração o aguardava ali dentro. Mas talvez não fosse exatamente assim.
–Bem, sabe... Você não precisa fazer isso se não quiser—
–NÃO! Eu tenho que fazer isso, entende? Eu preciso... Fazer. Vou manter a dignidade do meu povo, só eu posso ninguém mais.
–Se você diz... Então? Entremos?
–Dinglondorf.
–Sim?
–Prometa-me que quando entrarmos, você vai passar direto.
–O quê? Está louco? Jamais!
–Por favor! – Ele olhava com um olhar nunca visto para Dinglondorf, um olhar sem definição certa. – Eu lhe imploro!
–Hã... Badwif vai me matar depois dessa... Mas, sim. Pode deixar.
–Obrigado! Vamos entrar?
–Vamos!
Os dois entraram juntos. O lugar era bastante iluminado, com uma flor grande o suficiente para caber uma pessoa no centro. Dinglondorf saiu correndo, como combinado.
Porém, antes de alcançar a saída, uma parede transparente de luz se formou. Depois mais cinco surgiram, se fechando e formando um cubo, com Dinglondorf preso dentro.
–Ei! O que é isso? – Disse ele, preso lá dentro
–Não posso permitir que passe... – Disse uma voz serena e diferente do que os dois esperavam.
A flor no centro se abriu, dela saiu a visão mais aterrorizante que Hagïr já viu, a túnica acinzentada.
–VOCÊ! Maldito! Você! Você! Você! – Hagïr ficou furioso, Dinglondorf, eu e qualquer um de nós nunca o vira assim.
O capuz foi retirado e, diferente da imagem aterrorizante que Hagïr tinha em mente, ele viu uma mulher. De cabelos pratas e olhos vermelhos, com lábios prateados combinando com o cabelo.
Mesmo sendo totalmente diferente do que Hagïr esperava, ainda era a mesma pessoa. Era a culpada por sua raça não estar junto dele mais.
–B-Bem... Eu quero lutar com você!
–Hum? Está bem. – Ela disse
–Hã?
–Vejo que você é... Oh, o espelho sobrevivente veio para se vingar! Esplêndido! Aceito seu desafio!
Sua personalidade também era completamente inesperada.
–Ótimo, agora liberte meu amigo!
–Não posso permiti-lo que chegue ao fim da montanha. Ao que parece os outros membros são muito estúpidos ou apenas não se importam com a segurança do que há no final. De qualquer maneira, temos uma batalha marcada para agora, certo?
–Isso mesmo! Enfrente-me!
–Você é corajoso! Gostei de você. Os outros eram tão covardes e indefesos, por isso foram alvos fáceis.
–Cale-se! Agora mesmo! Não mais uma palavra sobre eles, concentre-se no agora!
–Tudo bem, lutemos então.
–Cuidado, Hagïr, ela me parece perigosa! – Gritou Dinglondorf, preocupado. Afinal, ele se sentiria culpado se a raça de Espelhos fosse extinta.
Hagïr mexeu a cabeça, concordando com Dinglondorf e tentando tranquilizá-lo um pouco. A mulher estalou os dedos e o cubo que prendia Dinglondorf o deixou mudo para todos os outros do lado de fora.
–O que fez?! – Perguntou Hagïr
–Nada demais, ora. Só não quero que ele nos atrapalhe. – Respondeu ela.
Discretamente de sua túnica, Dinglondorf viu uma cobra albina descendo e se rastejando em sua direção. A cobra atravessou facilmente o bloco de luz e mostrou suas presas para Dinglondorf!
–Ei, o que é aquilo! Pare! Isso é entre nós!
–Mas eu estou bem aqui diante de você! Aquilo é só para ele não ficar entediado, assim nós todos podemos ter um pouco de entretenimento, não concorda?
–Não. Nem um pouco, na verdade!
–Que pena então.
–Cale-se! Chega de papo, lutemos agora mesmo!
–Como desejar. – Dizia ela com um sorriso assustador – Hagïr, não é? Me chamo Nagia.
–Eu não me importo!
–Ui! Que rude!
–Fique quieta, vamos lutar! Agora! Agora!!
Hagïr estava bem nervoso, mas claramente Nagia apenas estava enrolando o pobre Espelho.
Enquanto isso, Dinglondorf sacou suas armas e começou a tentar atingir a cobra. Porém ela era muito rápida, e se esquivava facilmente de seus ataques.
–Ah! Essa coisa está apenas brincando comigo!
A maior parte de seus golpes era totalmente em vão. A cobra então pulou em Dinglondorf e começou a sufocá-lo. O anão largou suas armas no chão, estando sem forças. Começou a ficar vermelho e a sentir a falta de ar.
–Olhe o que está fazendo com ele! Faça parar! – Gritou Hagïr
–Me derrote, aí poderei pensar no assunto. – Falou Nagia, atentando Hagïr
–Feito!
A luta dos dois estava prestes a começar, enquanto eu comecei a recuperar o sentidos.
–Oi, oi, oi. Maguinho Badwif! – Nekro estava me esperando, enquanto ainda terminava alguns machucados mais profundos e graves. – Logo, logo vamos trocar golpes e feitiços uns com os outros! Não é? Estou tão ansioso! Ah, mas não fale nada, você ainda não está nesse ponto.
–Como... – A cada frase eu engasgava em um pouco de meu próprio sangue – Consegue me curar?
–Eu sou um necromante, lembra?! Ao mesmo tempo em que tenho poderes do submundo, que trazem a morte á tona, também tenho o oposto. O oposto da morte!
–O oposto da morte?
–Isso mesmo! Por isso estou te curando! Agora fique quieto, senão isso levará mais tempo.
Eu não me sentia confortado caído ali feito um velho inútil e sem importância. Queria me levantar e lutar, assim como todos os outros fizeram.
–E acredite, coroa, eu adoraria tê-lo como meu fantoche. Seu corpo seria ótimo pra minha coleção de cadáveres, assim eu poderia considerá-lo meu brinquedinho favorito e mais poderoso de todos! Mas quero alcançar isso lutando! O que acha? Vamos, me dê sua opinião!
Eu fiquei quieto, me recusando a respondê-lo.
A batalha contra o Zodíaco ainda não acabou, terei de lhes contar mais depois.
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