Durante muito tempo o Reino de ‘’Hametsh’’ foi idolatrado pelos outros, mas após a queda de seu último rei, o império veio a ser odiado. Hametsh era composta somente por ‘’Ignis’’, um clã que muito tempo atrás enquanto procuravam refugio, encontraram uma ilha deserta, um arquipélago. Com o passar do tempo foram evoluindo sua sociedade até que adotaram a monarquia como governo. Após a queda do reino, durante algum tempo ficaram sem rei e então, o Senado escolheu o irmão caçula do rei anterior, tornando-o soberano temporário do reino enquanto o príncipe era pequeno.

Kashino Ignis é o príncipe de Hametsh, atualmente ele tem 5 anos de idade, 1,22 metros, como todo Ignis, seu cabelo é preto e seus olhos, mesmo aparentando ser, são um tom muito escuro de castanho. Mesmo sendo de tal importância para o reino, ele não se veste como tal, costuma usar camisa e calça pretas, uma sandália de couro preto e um colar com uma joia azul com vermelho carmesim. Diferente de todos ali, Kashino é o único que pertencia a dois reinos, Hametsh e Fulgur. Por esse motivo, em muitos olhos era visto como intruso ou até mesmo, demônio. Ele não se lembrava claramente de seu passado, a única imagem que tinha em sua mente era a de um garoto de mais ou menos 3 anos de idade, chamando seu nome.Com tanta solidão naquele castelo, ele começou a frequentar a biblioteca do palácio e aprendeu várias coisas, histórias, cálculos e até mesmo técnicas de batalha. Em meio a tanto ódio, os únicos que o consideravam igual eram os camponeses, sempre que podia fugia do castelo só para ir ao vilarejo brincar com as outras crianças. Kashino sempre tentava ensinar oque aprendeu para as crianças, nesses momentos ele sentia como se realmente valesse a pena continuar vivo.

O príncipe não tinha intimidade com o atual rei, sempre cobrando o jovem, talvez tentasse fazer um papel de pai mas nunca funcionara. O rei sempre se dirigia à Kashino com palavras rudes e ofensivas, fazendo o garoto se sentir inútil. Agora com 7 anos, o príncipe é finalmente reconhecido pelo Senado como o futuro rei, mostrando conhecimento em várias áreas, um pensamento ágil em combates e uma boa moral. Enquanto andava pelas ruas de chão do vilarejo, percebeu um grande tumulto logo a frente, curioso, ‘’apertou’’ o passo. Quando chega no local vê várias pessoas acorrentadas, durante esse momento Hametsh entrara em disputa com um povo invasor e após sua vitória, os tornou em escravos. Kashino sabia de tal ato, mas mesmo assim ficara chocado, entre os escravos adultos tinham crianças, aquela cena fez a mente dele ficar muito incomodada. Solitário na torre, memórias começam a passar pela sua cabeça, palavras do rei e de seus subordinados, quando menos se espera, ele desmaia.

Depois de algumas horas desacordado Kashino se pergunta o porque de ter desmaiado do nada, com muitas dúvidas olha para fora da janela da alta torre e vê que já está de noite, a grande lua cobria os céus, uma imagem única. O príncipe percebe que o vilarejo estava muito quieto, sem mesmo um única luz acesa, como uma cidade fantasma, devia ser coisa de sua cabeça. Com passos preguiçosos vai descendo a escadaria em espiral, logo após sua descida, enquanto abre a porta percebe um estranho silêncio na maioria do castelo, exceto em um lugar, o salão principal. Curioso foi ver oque estava ocorrendo, ao chegar perto começa a ouvir vozes e barulhos estranhos, quando o jovem toca na porta, começa a suar frio, talvez seu corpo quisera avisar um perigo à frente? Mesmo com tal pensamento, sua curiosidade falava mais alto, enquanto empurrava a enorme porta de madeira, a tensão foi aumentando e ao abrir a porta, se espanta com tal cena, todos estavam ali, até mesmo aqueles escravos, todos perante a um homem, até mesmo o rei. A presença ‘’dele’’ ecoava por todo o local, Kashino ficou rodando seu olhar avaliando a situação do local e quando encara o olhar do homem adiante, uma sensação nunca sentida pelo jovem começa a tomar seu corpo, não conseguia nem mesmo pensar me nada a não ser, medo.

Enquanto estava ali parado, o homem reconhece o jovem e lhe entrega um sorriso sádico. Começa a chegar mais perto, somente os passos ‘’dele’’ eram escutados no salão. Kashino se sentiu como se a morte tivesse vindo pegar sua alma ela mesma, mas ao chegar perto do príncipe, ele começa a falar:

—Já faz muito tempo, jovem rei.

—Por que olhas para mim com tal olhar? Não se lembra de mim? Pelo jeito ‘’ele’’ ainda não despertou.

Enquanto o homem fazia essas perguntas, sua mente foi ficando cada vez mais confusa, quem seria ele? ‘’Jovem Rei’’? Inúmeras perguntas pairavam em sua mente. Mesmo estando tremendo de medo, consegue juntar sua forças e perguntar:

—Q-Quem é você?

—Um simples ceifador.

—Falando nisso, você conhece oque é sentir ódio?

—...

—Não? Então faremos o seguinte.

O ‘’ceifador’’ escolhe duas crianças, uma do vilarejo e uma escrava. E então o diálogo segue:

—Vamos brincar um pouco, entre essas duas, qual eu não devo matar? Te dou 15 segundo.

Somente a palavra ‘’escolher’’ foi o suficiente para quebrar o Kashino inteiro, poderia ser uma escolha fácil, já que ele sempre esteve com aquelas crianças mas para o nosso protagonista não. Ele sempre soube o valor de uma vida, independente de sua origem. O ceifador continuara sua contagem...10...Era uma escolha simples, uma vida que você conheceu, por uma que nunca viu na vida, pelo menos, era essa a sensação que os olhares do local passavam para ele. Chegou a pensar em dar sua vida em troca mas sabia que ele não iria aceitar e acabaria matando as duas, a contagem estava acabando e não chegara a nenhuma conclusão ainda.

— Zero. Então você é igual a ‘’ele’’... Mas sabe, já perdi tempo demais aqui e como pecado por você não ter escolhido nenhum, matarei todos, exceto você.

E então, o ceifador começa a fazer o que seu nome diz, matava do jeito mais brutal possível, cabeças voando, gritos ecoando e uma mente sendo destruída. Kashino não conseguia pensar em nada, sua mente estava se destruindo e se perguntava – Essas pessoas realmente merecem isso?- a única coisa que fazia era, chorar. Ele não se aguentava mais em pé, caiu de joelhos naquele lago vermelho, ele ouvia o desespero, as risadas sádicas do ceifador ecoando no salão. Pessoas corriam para todos os lados, todas as saídas fechadas, nem mesmo mulheres e crianças eram poupadas. Por que ele fazia isso? Por ódio? Ou era somente por diversão?

Depois de tal massacre, o ceifador olhou para Kashino, estava deitado no chão, chorando sem parar mesmo estando desmaido, e então o home diz:

— É tudo sua culpa.

E então o ceifeiro começa a pôr fogo no local, com o calor e o cheiro atordoante da fumaça acorda o garoto. Desesperado, se senta rapidamente e ao ver aquele jardim de corpos, se lembra do que ocorrera, o ceifador já não estava mais ali, tudo estava pegando fogo, como ele tinha prometido, Kashino era o único sobrevivente, em ato de medo, correu para fora da cidade. Pensamentos de culpa, medo e ódio ocupavam sua mente enquanto corria para a floresta. Depois de correr por alguns quilômetros, chega ao litoral, ele tirou a sorte grande, ainda tinha alguns botes ali. Enquanto empurrava o bote para o mar, olhou para trás e se lembrou e todos, um lágrima caiu mas para que ele pudesse se vingar, teria que se manter vivo. Enquanto navegava, os pensamentos voltaram e as suas lágrimas voltaram a cair.

''Vocês que partiram...Estarão sempre na minha alma''.

Kashino Ignis, 7 anos.