Um lugar vazio, fazia parecer que não estava em alto mar a pouco tempo. Um lugar que parecia não existir, ali ele se sentiu em paz, como se seus pecados fossem apagados. Mas ele não estava só, existia algo, uma chama negra, que estranhamente lhe acalmava. Decidiu chegar mais perto, quando se aproximou, a estranha chama ficou maior e começou a corroê-lo.

Em um piscar de olhos Kashino retornou a realidade mas acabou por desmaiar, por sorte, conseguiu chegar a uma ilha que ficava em frente a Hametsh. Ele ficara um bom tempo desmaiado, mas ao despertar se deparou com um teto, ele estranhou, já que se lembrava de estar navegando. Sua cabeça latejava, era como se fosse explodir. Do nada começa a ouvir algo caminhando, sons de passos que sobe uma escada, foram se aproximando, ele fingiu estar dormindo, apenas com um pouco do olho aberto, vê uma mulher com um rosto gentil, cabelos castanhos, olhos verde-escuros, sem querer, ele acaba abrindo o olho, e a mulher dá um sorriso gentil para ele, e então as lágrimas voltam a escorrer em seu rosto. Vendo o jovem chorar, a moça disse algo que Kashino não conseguiu entender o idioma que ela falava, enquanto tentava reconhecer o idioma ele assiste ela descendo as escadas.

Ele se senta na cama, dá uma olhada ao redor e percebe várias camas no quarto, com dúvidas, tenta ficar em pé e acaba percebendo estranhas bandagens em seu pescoço e nos braços, espantado, se levanta e vai em direção a um espelho que tinha logo a frente, começa e tirar a bandagem do pescoço e vê uma estranha cicatriz cruzando seu pescoço e peito, as feridas latejavam mas não doíam, nos braços não tinha uma grande ferida como aquela, era assustador não se lembrar de como se feriu.

Enquanto terminava de tirar os curativos, começou a ouvir muitos passos subindo a escada, quando olhou em direção a escada viu um monte de crianças, variados tipos de cabelos, louros, ruivos e castanhos, estavam correndo em sua direção. Kashino se assustou com tantas crianças que haviam ali, elas estavam dizendo algo mas ele não entendia o que falavam, perto das escadas estavam duas crianças, uma com um sorriso gentil e outra com um olhar sério. Eles se aproximam e começam a falar, Kashino conseguia entender o que eles falavam, era um alívio.

Eles se apresentaram, um deles se chamava Ethan, um jovem de cabelos alaranjados e olhos verdes, sua altura se comparava a de Kashino. O nome do outro garoto era Yuki, ele é semelhante à Ethan, só mudando o fato de seus olhos terem uma cor mais escura. Eles pedem para as crianças pararem com o tumulto que estavam fazendo, logo em seguida elas obedecem. Kashino conhece todas as crianças, uma voz feminina diz algo e todas descem, mas somente Ethan permaneceu ali.

—Kashino... né?

—...É, Ethan ?

—Exatamente.

—Onde eu estou?

—Em Driens, uma ilha remota.

—Isso é longe de Hametsh?

—Hametsh? Como um Ignis venho parar aqui?

—É uma longa e triste história. Como sabe que sou um Ignis?

—Ignis são provenientes de Hametsh. Não me importo de ouvir sua história

Kashino olha para seu machucado e lembra do ocorrido, troca olhares com Ethan e então desvia seu olhar para a janela com os olhos cheios de lágrimas. E então sente alguém o abraçando e a pessoa fala:

—Tá tudo bem, não sei qual o seu passado e você não sabe o meu, é só recomeçar, não é?

—Não posso simplesmente esquecer do que aconteceu e viver tranquilamente.

—Não precisa esquecer, é exatamente isso que ira te dar forças para seguir em frente.

—Por quê? Por que tá fazendo isso Ethan?

—Porque seu olhar é o mesmo do meu irmão mais velho. E eu não quero ver pessoas com esse olhar novamente.

Ao ouvir tais palavras, ele sentiu que deveria falar tudo e faz exatamente isso. Ethan o solta e dá um passo para trás com uma cara de espanto. A única coisa que ele sentia naquele momento era pena do jovem em sua frente, cujo qual, fazia uma expressão vazia enquanto terminara sua história. Enquanto a Kashino contava seu passado, não era somente Ethan que a ouvia mas também, Yuki que se sentia semelhante à Kashino sobre seu passado.

Agora com 8 anos de idade, Kashino conseguiu superar um pouco de seu trauma de infância e com a ajuda de Ethan aprendeu o idioma local, mesmo Yuki sendo um pouco calado ele e Kashino se tornaram amigos bem próximos, Yuki contou que venho de um reino muito longe que acredita na existência de um único Deus e que seus pais por o acharem diferente de seus irmãos, o descartaram julgando-o impuro e foi acolhido por Maya, que criou este orfanato. Na mesma noite, enquanto dormia, Kashino começa a sonhar que estava em um lugar totalmente branco, sem nada, nem mesmo sua voz podia ser escutada mas estranhamente, ele podia pensar, não era como se ele estivesse em um sonho. E então, uma chama negra começa a se formar em sua frente, com o susto que levou, ele dá um passo para trás, a chama começa a ficar maior e parece tomar forma de um humano. A misteriosa chama negra começa a falar com Kashino:

—Não esperava que conhecesse esse lugar tão rápido, jovem rei.

—...(mesmo que querendo falar, minha voz não sai!)

—Esqueci que não pode falar aqui, pode pensar, eu escuto seus pensamentos.

—( Mas que diabos?! Quem é você?)

—Pode me chamar de Kagutsuchi, sou seu mero servo que um dia já foi um rei, assim como você.

— ( Eu não sou um rei. E nem sou digno de ser...)

— Entendo, mas mesmo assim, fui destinado a te ensinar tudo sobre a nossa linhagem.

— Eu não quero nada disso! Quero apenas uma vida normal! Logo agora, que finalmente concertei minha vida...

— Pare de querer fugir, jovem, eu não sei como é a dor que você passou mas aqui, é onde todos seus sofrimentos vão embora, um mundo sem nada, nem peso, um mundo criado exatamente para você.

De repente, Kashino dá um pulo na cama, com frio e mesmo assim todo suado. Ele acordara no meio da madrugada, pensando sobre o que acabou de sonhar, olha para os lados, só uma criança não estava na cama. Kashino se senta e começa a se sentir aflito, como se algo ruim fosse acontecer e então, ouve gemidos no andar de baixo, curioso e preocupado com a criança que não estava ali, decidiu checar o que seria. Ao descer a escadaria, ve a criança agunizando no chão e se contorcendo, uma cena terrível de se presenciar, sem pensar muito, foi logo ao socorro dela. Ao tocá-lo , percebe que o corpo da criança está muito quente e então, ela agarra sua mão e o olha com seus olhos tomando uma cor avermelhada e pede por ajuda. Kashino começa gritar por ajuda, mas ninguém o ouvira e quando ele percebe, já é tarde demais a criança já tinha parado de respirar. Kashino fecha seus olhos e começa a lamentar a perda de uma inocente alma e ao mesmo tempo se perguntara por quê tinha ocorrido aquilo. Muitos passos ecoam atrás dele, era o pessoal que estava no andar superior dormindo, a expressão em seus rostos era de medo, mas um medo direcionado ao Kashino. Ele logo entende o que ele estavam pensando o que tinha ocorrido, então, tenta se justificar mas mesmo assim, todos se afastam dele, ele então procura o Ethan, que estava ainda descendo as escadas com o Yuki, quando ia chama-lo, ouve uma risada, um tanto famíliar vindo do corpo da criança no chão, Kashino olha rapidamente para trás e ve uma máscara muito familiar no rosto dela, a máscara do ceifador.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.