Akai Ito
20 No avião...
Notas iniciais
Como vão? Bem... Novamente eu demorei mais do que o esperado. É que eu tenho passado muuuuuuito tempo no facebook pra falar com meus amigos aí no Brasil... *Saudades*
Também tenho passado muito tempo vendo animes, embora aproveite para escrever enquanto assisto...
Mas, bem, sem mais delongas, boa leitura!
__PDV NEAR__
Não sei o que deu em mim. Não quis dizer nada daquilo, eu nem sequer penso assim! Como disse o Mello naquele momento em frente ao meu quarto, deve ter sido uma crise de ciúmes. Só queria poder voltar no tempo para apagar o que eu disse. Preciso pedir desculpas, além de fazer de tudo para me redimir.
Olho pela janela do avião, do outro lado do corredor. A uma poltrona de mim, para o lado oposto da janela, está Kim. Leila se sentou entre nós, impedindo assim o meu diálogo com a Kim durante o voo.
Viro meus olhos para a ruivinha e abraço seus ombros. Não é exatamente confortável pensar que ainda temos 20 horas de voo pela frente, mas não há muito o que fazer. Os olhos azuis marinhos se voltam para mim, fazendo meu coração parar. Eu realmente amo os olhos de Leila.
- Por que brigou com a sua irmã? – Sussurra ao meu ouvido. É tão baixo que Kim e Mello não puderam ouvir.
- Porque eu sou um idiota. Eu não queria ter dito aquilo. – Leila apenas me encara enquanto explico minha razão inexistente.
- Então vá lá e peça desculpas. – Aconselha.
- Sim. Pode trocar de lugar comigo? – Levantamo-nos e eu me sento no lugar dela para que ela sente no meu. Desta forma fico ao lado de Kim, podendo então conversar com ela sem que meu corpo se deite sobre o da ruiva.
- Kim... – Chamo, cutucando seu ombro. Seus olhos se desviam do rosto de Mello.
- O quê? – Sua voz ainda demonstra uma certa amargura, mas não a culpo. É por minha causa.
- Bem, eu tinha feito um discurso, mas acho que não é bom o bastante para eu pedir o seu perdão. Para começar, eu não tenho o direito de questionar suas decisões amorosas, se você quiser ficar com o Mello, quem sou eu para tentar impedir? Se ele te faz feliz, se ele não te bate nem nada, eu não posso e nem vou fazer nada. Além do que, a minha reação foi incrivelmente infantil, eu te disse coisas que não queria dizer e que sequer penso. No fim das contas foi você quem me criou e realmente cuidou de mim como se eu fosse seu filho e eu te disse coisas horríveis que não são verdade. Não foi sua culpa você ter ido para o Japão e eu não te culpo por isso, Kat. Mesmo que ver aquilo tenha me irritado, eu não tenho o direito de falar assim com você e nem de te impedir de ficar com quem ama, então, por favor, me perdoe. E me diga o que devo fazer para me redimir.
- Near... – Seus braços me envolvem, trazendo aquela tão conhecida sensação de conforto e segurança. O cheiro de Kim ainda é parecido com o de minha mãe. Apoio cabeça em seu ombro e fecho os olhos, abraçando-a também. Faz tempo que não abraço Kim para que ela me console. Tanto tempo que tinha esquecido do quão boa é a sensação. – Está tudo bem. – Seus dedos afagam meu cabelo, trazendo a mais profunda calma para meu ser.
Por um instante, lembro-me da noite em que Mello se declarou para Kim. Penso naquela curta conversa que tivemos antes de eu adormecer em seu colo. Gostaria que tudo ainda fosse tão fácil. Gostaria de ainda poder simplesmente correr para os braços de Kat quando tivesse um problema, como fazia antes da morte de meus pais. Mas agora tudo está difícil e todos nós podermos morrer a qualquer momento. Talvez este seja o motivo de todo este estresse por causa de Mello e Kim. Digo, se ele morrer, Kim ficará tão arrasada que será praticamente impossível impedi-la de cometer suicídio ou algo assim.
- Desculpe. – Sussurro mais uma vez. – Nunca quis fazer nada daquilo. – Aos poucos, deixo que meus olhos se fechem, as horas de sono perdidas e o abraço de minha irmã vencendo minha força de vontade. Sinto meu corpo amolecer e se apoiar completamente sobre o dela, que não reclama. Pouco a pouco, como há tempos não faço, pego no sono deitado no colo de minha irmã.
__PDV KIM__
Near está deitado em meu colo, dormindo. Já faz uma hora que ele pediu desculpas e capotou em cima de mim. Quando chegarmos à casa de Akira será necessário que eu impeça meu irmão de ficar eternamente acordado, gastando todas as suas sinapses.
Acaricio seus cachos brancos, surpreendendo-me com o quanto sentia falta deste tipo de situação.
- Que vergonha... Um garoto de dezessete anos que ainda gosta de dormir no colo. – Mello ri. Ignoro o comentário e permaneço acariciando os cabelos de meu irmão. – Eu disse que ia ficar tudo bem.
- Disse. – Sorrimos um para o outro. Estes sorrisos melosos que trocamos de vez em quando simplesmente derretem meu coração, fazendo-me esquecer de cada um dos segundos que passei tentando esquecer meus sentimentos por este louro. É como se eles não tivessem existido. Cada uma das promessas que fiz a mim mesma quando ele estava longe simplesmente evaporaram, revelando-se como sendo mentiras que contei a mim mesma. Mas eu sempre soube disso, não soube? Sempre soube que, se Mello voltasse para mim, eu voltaria para ele.
- Ele só estava sendo infantil. Exatamente como está sendo agora, dormindo no seu colo. – Um meio sorriso toma os lábios de Mello enquanto ele olha para meu irmão adormecido, que tem a cabeça apoiada em minhas coxas.
- É. Sinto falta dele assim. Quando olho para ele, ainda vejo Near de nove anos montando quebra cabeças e buscando proteção comigo. Às vezes, quando acordo, ainda espero ver a minha cama, na minha casa e o Near em cima de mim, me acordando.
- Não posso dizer o mesmo. – Leila discorda, estendendo a mão para acariciar o rosto claro do meu Ne-Ne adormecido. – O Near, quando eu o conheci, era um garoto muito triste por sua causa. Só o vi feliz três vezes; na sua visita e quando ele descobriu que você ia voltar. E, claro, quando você chegou. Agora, por mais que tenha sido infeliz por causa da sua depressão, Near está bem. Ele sorri, ele come... – Os vermelhos e longos cílios superiores se encontram com os inferiores quando seus olhos se fecham. – Entre outros.
- Você parece comigo na adolescência, Chibi-chan. – Comento. Ela me olha e sorri, os olhos azuis brilhando. Leila é a mais nova entre nós e nos admira mais do que tudo.
- Obrigada, Kim. Isso é uma honra. Mas... Por que?
- Porque eu ficava exatamente assim quando pensava no Mello. Meio boba, entende? – Os dedos do meu louro, que revelou-se como verdadeiramente meu, se entrelaçam em meu cabelo, puxando os fios suavemente como fazia às vezes durante as aulas. – Não me faça dormir agora, senão eu ficarei a noite toda acordada.
- Kawaaaaaii desu! – Ushio entra em um modo escandaloso ao ver meu irmão dormindo em meu colo. – Posso vesti-lo de ovelha enquanto ele dorme?
- Shio-chan, acho que você está abusando um pouco. Quer dizer... Parece algo digno de uma ficwriter fujoshi. – Ino a puxa de volta para o banco. – Quando vamos chegar? Sempre quis ir ao Japão!
- Hai, hai, hai, Ino-kun! – A garota roxa praticamente quica no banco do avião, fazendo-me tremer e me encolher contra o peito de Mello, pedindo que ela pare. – Ok, Ki-chan... Mas e você, está ansiosa para voltar?
- Sim, sim... Tenho lindas lembranças do Japão. – Não posso evitar um toque de sarcasmo. – Mas, sim. Quero rever Akki-san, Kyou, Tomoya... Talvez, quando isso acabar, possamos visitar Sayu.
- Hai! Sinto tanta falta de Sayu-chan... E até mesmo do Raito-kun. – Seus olhos, tão roxos quanto os meus, descem até o chão da aeronave.
- É uma pena que ele seja... Ele. Queria vê-lo amigavelmente uma última vez. De qualquer forma, é assustador o fato de ele me conhecer pelo nome verdadeiro.
- Shio-chan... – Ino pousa a mão em seu ombro. – Vai ficar tudo bem.
- Eu sei... Shikashi, isso não impede de ficar assustada.
Depois disso, a garota roxa pega um mangá em sua mochila. Vampire Knight, pelo que posso ver. Akira e eu vimos este anime juntos quando estive no Japão, para treinar minha fluência.
As horas se passam. Repentinamente, uma dor excruciante toma minha barriga, um pouco embaixo do umbigo, porém mais profundamente. O analgésico que tomei antes de entrar no avião perdeu o efeito, permitindo que meu útero quase exploda enquanto se contrai para expulsar o sangue que há dentro dele. É um pequeno problema que tenho desde minha primeira menstruação; a cólica.
- Outch. – Reclamo, agarrando o braço de Mello.
- O que foi, Snowdrop?
- L-lembra de ontem a noite? – Sinto-me ficar vermelha, lembrando do jeito que ele me tocou antes de eu pará-lo e impedi-lo de fazer algo mais comigo.
- Sim, mas não vejo o que isso tem a ver com...
- Calma aí... Vocês transaram?! – Ushio novamente surge na conversa em um momento, digamos, inapropriado.
- Não! – Exclamamos juntos.
- Bem, lembra do que eu te disse?
- Ah! Entendi. Está doendo? – O louro parece ter um insight e pousa a mão sobre a área dolorida. Faço que sim com a cabeça. – Há algo que possa ajudar?
- Não sei... Talvez um saco de água quente.
- Ok. – Ele beija meu cabelo.
Uma aeromoça passa por nós e Mello a cutuca por trás, chamando-a.
- Posso ajudar? – Pergunta em inglês. Isso é bom, porque assim não terei de traduzir.
- Sim... Ela está com cólica e precisa de um saco de água quente... Tem algum no avião?
- Sim, senhor. Eu vou buscar para você. – Diz sem tirar os olhos de Mello. Um arrepio irritado percorre meu corpo. Odeio ter ciúmes.
- Na verdade é para ela. – O louro corrige. A moça ajeita os cabelos castanhos e sai rebolando. – Qual é o problema das pessoas? – Sussurra, acariciando meu rosto.
- É falta de noção do perigo. – Resmungo. Sim, pela segunda vez na vida estou admitindo os ciúmes. Os braços ao meu redor me apertam com mais força e ele leva os lábios ao meu ouvido.
- Não se preocupe. Não tenho interesse em outras garotas. – Depois, recebo um beijo no rosto e meu útero novamente se contrai com força, fazendo-me contorcer o rosto em uma expressão de dor.
- Kim... – Meu irmão esfrega os olhos, acordando e substituindo sua expressão angelical por uma... Falta de expressão. – Oi. Quanto tempo eu dormi?
- Umas duas horas. – Tento esconder a dor em minha expressão, mas minha voz sai trêmula.
- O que aconteceu?
- Er... Bem... Escolheu a data errada do mês para viajar, só isso.
- Cólica? – Um meio sorriso surge em seu rosto.
- Como você adivinhou só com esta pista? – Mello parece chocado.
- Aos onze anos, Kim passava três dias por mês em casa, sem poder ir à escola por causa da dor. Só então a mamãe levou ela a um médico que deixou ela tomar remédio. – Explica meu irmão.
- A pior parte era o fato de você não me deixar em paz quando eu estava quieta no meu quarto sofrendo... – Digo com a voz ainda trêmula.
- Desculpe... – Ele baixa os olhos e eu não me contenho ao apertar suas bochechas. – Não é possível que eu seja assim tão fofo, Kim. – Near tenta fugir, mas não consegue.
- Você não se olhou no espelho recentemente, olhou? – Ushio ainda não voltou para seu mangá. – Você é uma nuvem inexpressiva, Near... Isso passa dos limites de “kawaiilidade”.
- Obrigado... – Ele passa a cachear uma mecha do cabelo branco e desta vez quem aperta a carne macia de seu rosto é a garota roxa. Observo a cena, tentando ignorar a dor, focando-me na brincadeira e nos braços de Mello ao meu redor.
- Aqui está o saco de água quente. – A aeromoça volta para me salvar, entregando-me a bolsa de gel aquecida, que queima minha mão.
- Arigatou gozaimasu... – Digo inconscientemente, esquecendo-me de que ela está falando em inglês. Coloco a bolsa por cima da blusa e Mello tira a mão de minha barriga. O calor da bolsa relaxa meu útero, que para de ter contrações tão fortes.
Mais tempo se passa e a noite chega. Aos poucos, sinto minhas pálpebras pesarem. Gostaria de ter privacidade para eu e Mello podermos ter o nosso “ritual” de antes de dormir. Quer dizer... Adoro beijar o meu louro antes de pegar no sono. E dormir em seus braços. Esta noite, tudo o que recebo é um beijo na testa. Ao menos dormimos com os dedos entrelaçados e minha cabeça deitada no ombro dele. Near novamente se deita em meu colo para dormir e Leila fica vendo um filme, dizendo estar sem sono.
***
Falta duas horas para chegarmos a Londres. É um alívio saber que dormi cinco horas esta noite. Uma aeromoça passa com o café da manhã e nos entrega uma bandeja com comida. Desta vez, ela fala japonês e eu, Ino e Ushio temos de traduzir para todos. A comida parece um pouco com plástico, mas não há muito o que fazer.
Logo aterrissamos e eu vou comprar meus comprimidos, que milagrosamente recebem “permissão” para viajar comigo.
A segunda metade da viajem, indo de Londres até Tóquio, é mais tranquila e silenciosa, uma vez que todos nós acabamos dormindo quase o tempo todo.
Notas finais
Jya ne!
- Ushio
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