Akai Ito

21 Toda a verdade, por favor...


Notas iniciais
Hey, yo!
Para vocês que sentiram saudade da fic... Eu também senti!
Mas não demorei tanto desta vez, né? E este cap está até grandinho!
Boa leitura!

__PDV MELLO__

Kim segura minha mão quanto o avião aterrissa. A aeronave manobra pela pista do aeroporto por alguns instantes antes que pare e uma aeromoça anuncie que podemos desembarcar. Levanto de minha poltrona e pego minha mochila e a que reconheço como sendo de Kim.

- Obrigada. – Ela sorri, esfregando os olhos antes de pegar a mochila preta e velha que ela tem desde do Wammy’s House. Acaricio seu cabelo e faço questão de segurar sua mão enquanto andamos pelo aeroporto até as esteiras para recuperar as malar e, em seguida, para ir para a área de desembarque.

A albina pega seu celular e liga para Akira. Ushio e Ino estão ouvindo algo no celular dela e, ocasionalmente, pulam juntos cantando “Lolli lollipop, lolli lollipop!”, de forma que não se importam muito em procurar Akira. Na verdade, não tenho certeza de que eles sabem como Akira é.

- Akki-san! – Katherine repentinamente grita no telefone e, depois, me perco da conversa.

- Ei, Violeta, o que é que ela está dizendo? – A garota tira o fone de ouvido.

- Me chame de Ushio. – Suspira entediada. Ino pousa a mão em seu ombro.

- Ok. Ushio. O que ela está dizendo?

- Está perguntando como chegar até a casa deles. Agora estão se despedindo.

- Ah. Valeu. – Em resposta, ela assente e recoloca o fone antes de voltar a cantarolar em japonês.

Olho para Matt e Íris, que estão um de frente para o outro, conversando a respeito de algo que não parece ter muito a ver com o caso Kira ou com Akira, dado as expressões. Neste momento nenhum deles parece disposto a socializar, assim como aconteceu no avião.

- Akki-san disse que eles vêm nos encontrar aqui. – Suspira a albina ao vir para meu lado. Pouso a mão no topo de sua cabeça, como às vezes fazia quando ainda morávamos no Wammy’s, no tempo em que ainda não namorávamos. Seu rosto se vira para o meu e ela sorri nostalgicamente, abraçando-me. Estremeço. Simplesmente não consigo controlar tal reação quando ela me abraça.

O tempo passa rapidamente até o momento em que me vejo estendendo o braço para cima para chamar a atenção do antigo amigo de Kim, que está no meio da multidão. A albina escapa de meus braços e corre em direção ao garoto, jogando-se sobre ele e derrubando-o no chão gritando “AKKI-SAN!”.

- Ki-chan! – Ele a abraça de volta, puxando-a contra seu peito e fazendo algo simplesmente rosnar dentro de mim. – Senti saudades!

- Eu também, Akki-san. – Kim se aninha nele, mas logo se levanta.

- Olá, Akira. – Forço um sorriso, lembrando-me de meus tempos de ciúmes sempre que o via no quarto dela durante sua estadia no Japão.

- Oi, Mello. – Ele aperta minha mão. – Essa é a primeira vez que nos vemos ao vivo, certo?

- Aham.

- Ei, Kim, não vai me apresentar a todos?

- Claro! – Ela dá um largo sorriso, abraçando o braço do garoto. – Esse é o meu irmão, o Near.

- Oi, Near! Ouvi falar muito de você. – Akira aperta a mão do albino também, sendo respondido com um tímido “oi”. – Mas achei que era menor.

- Menor ainda?! – Surpreende-se o irmão de Katherine, que ri.

- Bem, esta é a Leila.

- Oi! – A ruiva abraça Akira. Ela pode ser exatamente o contrário de Near às vezes.

- Esta é a Íris. E este é o Matt. – A morena também abraça Akira e Matt dá um oi distraído, uma vez que ele subitamente se concentrou no PSP em suas mãos. Matt... Idiota.

- Estes são Ushio e Ino. – Violeta e o garoto estranho finalmente param de cantar em japonês para falar com Akira.

- Kon’nichiwa, Ichinose-san. – Ushio faz uma pequena reverência ao falar.

- Você não tem sotaque algum. – Akira pisca surpreso.

- Eu não deveria mesmo... Watashi wa nihonjidesu. – Sorri.

- Hm. E como foi parar no Wammy’s, então? – Ninguém nunca, jamais falou a respeito disso com Ushio. Ino falou em particular com cada um de nós e explicou que tal tema a machuca muito e pediu para não tocarmos no assunto.

- Oh... Eu... Não esperava esta pergunta, Ichinose-san. – Um sorriso forçado se abre em seus lábios. – Bem... Eu saí do Japão e fui morar no Brasil, aonde conheci Ino-kun e... Também aonde meus pais foram mortos. Fomos transferidos para o Wammy’s dois anos depois disso. O Wammy’s não tem uma sede no Brasil e a de Winchester era a única que poderia nos abrigar, pois é também aonde se concentram os melhores... Atualmente, de acordo com Roger, são sessenta crianças.

- Deixe-me ver se eu entendi... Então ser burro na sede de Winchester já é ser uma das sessenta crianças mais inteligentes do mundo?

- Hai.

- Oh. E vocês são as oito pessoas mais inteligentes do mundo?

- Sim... Vivas, sim. – Os olhos negros de Ino encaram o chão depois de dar a resposta no lugar da amiga.

- Oh. Gomen-ne.

- Daijobu, Ichinose-san. – O sorriso volta ao rosto da “Violeta”.

- Onegai, chame-me de Akira.

- Yoshi! – Responde, quase pulando. Posso notar que Ushio está deliciada por falar em seu idioma natal na velocidade que ela falaria normalmente, sem ter que fazer pausas.

- Bem... Vamos indo ou tão cedo não chegaremos em casa. Aliás, alguns de vocês terão que dormir na sala... – Começa a explicar enquanto andamos e entramos na... Van de Akira. — Não se preocupem, é um sofá cama. Temos um quarto de hóspedes que é suficientemente grande para dois dormirem na cama... Ou três, se uma destas pessoas for a Kim e a outra for a Ushio. E mais umas duas no chão. Até aí já foram cinco. – Kath e eu vamos no banco da frente com Akira, ela se sentando entre nós. É um daqueles bancos onde cabem três pessoas. Atrás de nós estão Matt, Íris e Ino e no último banco estão Ushio, Leila e Near. Halle e Rester alugarão carros para si e ficarão em hotéis, uma vez que não manterão muito contato conosco para não despertar suspeitas e para espionar.

- Bem... Eu posso dormir no sofá. – Oferece-se Ino

- Hai... Eu posso ficar com ele. – Ushio concorda. Olhares se viram para ela, julgando-a. – O quê? É mais provável que role suruba no quarto de vocês do que nós fazermos alguma coisa na sala. Quer dizer... São três garotos contra um.

- Sim, Ushio, porque eu estava mesmo planejando te estuprar. – Preencho minha voz com sarcasmo.

- Hmpf. – Ela suspira, irritada. Pelo retrovisor posso ver Ino por a mão em seu ombro.

- Bem, se eles querem ficar juntos, quem somos nós para impedir? Bem, temos o quarto da Yue também, que pode ficar para a Leila, porque só tem uma cama de solteiro. Bem... Temos agora a Kim, o Mello, o Near, o Matt e a Íris em um quarto, a Leila em outro, Ushio e Ino na sala. É isso?

- Aham. – O carro inteiro diz em uníssono.

- Sintam-se a vontade para trocar.

- Bem... Eu já estou até vendo como isso vai acabar. Eu e Matt dormindo em uma cama, Kim e Mello agarrados no chão, Ino e Ushio fazendo sabe deus o que na sala e o Near fugindo para o quarto da Leila. Ao menos ele é tão infantil que é confiável... Apesar de toda a pedofilia envolvida.

- Eu não sou pedófilo! – O albino finge estrangular Íris por trás. Ela pede socorro e logo é ajudada por Matt enquanto Ushio e Ino apenas incitam a “briga”.

- Sim, você é! – Diz Íris ao se livrar dos braços do carneiro.

- Mas é kawaii. – Ushio o abraça com força.

- Largue o meu irmão! E ele não é pedófilo! – Kim se vira para defender o pequeno albino.

- Ki-chan! Não grite no meu ouvido!

- Gomenasai... É um caso de honra de família.

- Ok... De qualquer forma, nós já chegamos. – Anuncia, puxando o freio de mão.

O veículo para e eu desço antes de ajudar Kim a vir para o chão também ao pegá-la no colo e abraçá-la em seguida.

- Achei que tivessem terminado. – Akira pisca longamente ao passar por nós e abrir a porta, pedindo que entremos com as malas. Reviro os olhos longamente, sacando uma barra de chocolate do bolso antes de mordê-la. – Bem, temos três banheiros, o que é o suficiente para todos nós... Dez. Eu não vou cozinhar para todos vocês, mesmo porque tenho que trabalhar, então se virem. E Ken não está aqui, porque está trabalhando agora.

Por fim o rapaz nos mostra a casa e onde estão todos os quartos. Logo todos se dispersam pela casa, de forma que tudo o que me resta para fazer é assistir uma acirrada disputa de... Xadrez. Ao menos tenho meu chocolate para me salvar, por enquanto. Espero que os chocolates japoneses sejam bons, ou passarei um mau bocado neste país.

***

Não fizemos muita coisa hoje, já que ficamos descansando da viagem. Acabamos de jantar, refeição durante a qual conhecemos o marido do amigo de minha ex-namorada/quase-namorada.

Logo vamos para a cama, exaustos pelo tempo sem dormir. Eu, Kim, Matt, Íris e Near estamos agora sentados na cama, decidindo como passaremos a noite. Há dois colchões infláveis no chão; um de solteiro e um de casal.

É decidido que esta noite Íris e Matt ficarão na cama, eu e Kim no colchão grande e Near no pequeno. Íris vai tomar banho e, em seguida, Kim. Matt convenceu a namorada a deixá-lo fumar um cigarro para tentar dormir melhor e ela foi com ele para vigiá-lo, de forma que apenas eu e Near estamos no quarto. Deito-me sob o cobertor e abro espaço para que a albina se encaixe em mim quando ela voltar para o quarto.

- Mello? – O albino fala devagar, como se não quisesse realmente se comunicar comigo.

- Hm?

- Você e a Kim... O que está acontecendo, afinal de contas? Estão realmente juntos? Ou é algo estritamente sexual?

- Eu nunca toquei na sua irmã, Near. Entretanto, não estamos realmente juntos... Ao menos não exatamente. É algo muito complicado.

- Explique.

- Ela tem medo de se machucar de novo, já que um de nós pode morrer durante o caso, mas diz que me ama. E eu a amo, e digo a ela que, se um de nós morrer, ao menos não teremos nenhum arrependimento. Sem contar que irei protegê-la, não importa o que aconteça. Mas isso eu faria tanto na posição de namorado quanto de amigo, inimigo ou simplesmente um conhecido.

- É disso que ela mais tem medo, sabia? Que você morra tentando protegê-la. Ao menos, quando você estava longe, ela sabia que você estava bem e achava que você estava feliz... Se você morrer ela se sentirá culpada para sempre.

- Eu sei... Mas vou protegê-la até o fim, Near. Ainda que tenha que dar minha vida para isso. E não vou mais me afastar dela.

- Imaginei que não fosse. E, depois do que vi acontecer com a minha irmã, é melhor mesmo que não a deixe. – Há uma mistura de tristeza e ameaça em sua voz.

- O que aconteceu, Near? – Encaro os olhos verde-escuros do albino.

- Ela ficou muito deprimida. Tentava fingir que estava tudo bem, mas sempre que eu ia até o quarto dela seus olhos estavam vermelhos e inchados. Íris diz que ela também chorava à noite, pensando que ninguém escutava. Ela também não comia. Não por teimosia, mas porque ela vomitava sempre que tentava comer. – O garoto para de falar, mas sei que há mais a dizer.

- O que aconteceu, Near? Conte-me tudo.

- Não posso. Isso é ela quem decide se vai dizer ou não.

- O que ela fez, Near? – Sento-me no colchão, encarando-o.

- Não posso. Não sem a permissão da Kim.

- Eu... Preciso saber o que fiz com esta garota, Near. Preciso saber pelo que implorar perdão.

- Não é algo pelo que se desculpar. Não se culpe pelo que eu fiz. – A suave voz de Kim preenche o quarto.

- O que você fez, Katherine? – Pergunto em um tom quase ríspido enquanto ela se senta a meu lado na cama e me abraça.

- Mihael... – Sussurra, quase que se desculpando, e começa a se afastar. Entretanto seguro seu pulso. Pela visão periférica, posso ver o rosto de Near tomar uma expressão nervosa. Kath puxa o braço, mas impeço-a de se mover. – Isso dói... Solta!

- Solta, Mello. – Ordena Near, tocando meu ombro. Largo o braço de Kim e me jogo para trás como se tivesse levado um choque. O albino abraça a irmã e segura seu pulso carinhosamente enquanto uma onda de realidade se joga contra mim repetidas vezes.

- Desculpe, não achei que fosse te machucar. – Digo olhando para baixo antes de prosseguir. – Me deixe ver seu pulso, por favor.

- Mihael... – Sussurra nervosamente. Estendo minha mão para ela.

- Por favor.

- Ok. – Kim suspira tristemente antes de colocar o pulso na palma de minha mão. Aproximo meu rosto da pele pálida. Demora um pouco para que pequenas linhas brancas que refletem a luz como se fossem mármore passarem a se destacar no braço de Kim. Cicatrizes. Fecho os olhos e os abro de novo. Continuam aqui. Faço isso repetidas vezes, na esperança de constatar que foi apenas uma alucinação.

- Kath... – Começo, arrasado.

- Mello... Eu não sei o que dizer.

- Me desculpe. Me perdoe, pequena... Eu nunca achei que você faria isso... Nunca quis te machucar... Por favor, me perdoe. – Deixo minha testa cair em direção ao pulso de Kim, de forma a me curvar diante dela. Imediatamente depois sinto-a me abraçar, pousando meu rosto em seu ombro. Só o que consigo fazer é abraçá-la e ficar balbuciando palavras desconexas, apenas implorando seu perdão.

- Shh... Não é sua culpa.

- É sim... E nós dois sabemos disso.

- Ainda assim, eu não te culpo por isso. Além do que, está tudo bem agora.

- Snowdrop... Ainda assim... Eu poderia ter te matado!

- D... Desculpem por ter começado este assunto. – Near, de quem eu havia esquecido, volta a se pronunciar.

- Tudo bem, Ne-Ne... Isso ia acontecer mesmo. – A albina responde enquanto afaga minhas costas em uma tentativa de me consolar.

- Near... você também... Me desculpe pelo que fiz com a sua irmã...

- Eu também estou envolvido nisso. Eu também a machuquei. – Não olho para ele, mas posso quase ver seu rosto encarar o chão.

- Algum dia vocês dois vão me explicar exatamente o motivo da nossa separação, ok? – Sussurra ela.

- Ok... Enfim... Por favor, me perdoe.

- Eu já disse que não te culpo. – Começo a replicar, mas sou calado por um longo, intenso e profundo beijo da parte dela. Imediatamente eu a retribuo, fora de controle.

- Eu te amo. – Digo.

- Eu te amo. – Beijo-a de novo, desta vez apenas um selinho, como que para “selar” este momento.

- E eu sou testemunha! – Um largo e raro sorriso surge no rosto do albino.

Não demora para que Íris e Matt voltem para o quarto.

Deito-me na “cama” e abraço Kim, que tem uma mão entrelaçada a minha e a outra segurando os dedos de Near, no colchão ao lado. Pela primeira vez em anos, sinto que tenho uma família.

Notas finais
Curtiram? Comentaram? Compartilharam? Hahaha!
Bem, espero que tenham gostado! Kisu na bochecha de todos e todas, meus amores! Aishiteiru, minna-san!
- Ushio