Aintgarth
1 Prólogo
Uma batida na porta fez com que Olaf despertasse do seu sono profundo, mas ele esperava que conseguisse mais alguns minutos. De repente, o sol inundou seu quarto através da janela recém-aberta pelo seu irmão mais velho, Axel.
—Eu devia parar de te acordar e deixar você reprovar por falta.- Dizia Alex enquanto segurava a cortina.- Vou sair em 5 minutos, anda logo.- Apressou o jovem enquanto deixava o quarto.
Olaf sentou-se na cama, ainda atordoado, e abriu seus olhos que, de um castanho tão claro pareciam translúcidos com a luz que vinha de fora. -- Aah, que preguiça, não sei pra que que esse inútil me apressa tanto, já passei em tudo mesmo, perder uma aula ou outra não faria nenhum mal. – Resmungou baixo enquanto se espreguiçava, esperando não ser ouvido.
Ele levantou da cama e colocou uma camisa preta lisa, que ficava um pouco larga no corpo magro, uma calça jeans e um sapato, e foi pro banheiro, enquanto escutava seu irmão. – Anda logo moleque, vou te largar pra trás.
Escovou os dentes e dois minutos depois ele estava sentado no banco da BMW AZ4 do seu irmão, que arrancava de maneira apressada, fazendo os pneus cantarem.- Eu prezo pelo seu futuro, moleque, sei que tem capacidade e que vai se tornar um grande homem, mas precisa deixar essa preguiça de lado. – Continuava com o sermão enquanto o carro acelerava.
Os cavalos do carro deviam ter tomado esteróides, porque ele quase voava. Olaf admirava bastante seu irmão, a inteligência parecia ter sido a única herança que seus pais haviam deixado, mas fora mais que o suficiente para Axel, ele era CEO de uma grande empresa, extremamente esforçado, e um líder nato.
—Relaxa, eu ainda vou ser capaz de criar uma empresa que supere a sua, só espera. E aliás, não precisa acelerar desse tanto, a escola não vai sair do lugar. –Axel deu uma risada, enquanto os olhos de Olaf não saíam do painel, que já marcava 190km/h. A autopista era larga e o limite era alto, mas Olaf não curtia muito altas velocidades. – Pode ficar tranquilo, irmãozinho, sabe que quem tá dirigindo sou eu.
Axel mal fechou a boca e de repente uma luz tão forte tomou conta dos olhos de Olaf que ele ficou sem reação, de repente tudo escureceu, e gradualmente as coisas foram recuperando a cor.
Olaf não se tocou de onde estava, porque estava sentado numa cama, porque não estava com suas roupas e onde estavam seu irmão ou o carro dele. Se viu num quarto simples, com uma pequena mesa de madeira ao seu lado, uma cama singela e um colchão duro, diferente da confortável cama de casal que ele tinha em casa. O que era tudo aquilo?
Essa não foi a única diferença, ele estava com uma blusa e calça largas, que poderiam servir numa modelo ou num cachaceiro com barriga de chopp. Ele se levantou, e descalço, foi buscar por explicações. Abriu a porta viu algumas outras portas enfileiradas no corredor, estava ele num hotel? Não.. tudo era muito simples para um hotel dos quais ele estava acostumado, aparentemente estava numa pousada.
—Acordou a tempo do café da manhã, jovem.-Disse uma voz próxima. – Olaf olhou e viu um senhor que claramente já tinha passado do prazo de validade, o corpo estava emborcado, escorava-se em uma bengala, os braços tão finos que pareciam ser capazes de quebrar a qualquer instante, o rosto possuía tantas rugas que ninguém que ele conhecera em sua juventude era capaz de o reconhecer, até os fios de cabelo da cabeça pareciam ter sido substituídos por rugas. Ainda assim, aquele senhor mostrava um sorriso terno capaz de passar uma leve confiança a um jovem que alguns minutos atrás estava num carro esportivo, e no outro jazia sentado numa simples cama de pousada.
—Senhor? Café da manhã? Onde é aqui? O que está acontecendo?- Não tinha a menor ideia do que estava acontecendo e algo dentro de si o fazia pensar que estava longe da costa de Malibu.
—Ha-Ha-Ha! Quando você apareceu deitado nu na porta da minha pousada eu imaginava o que você tinha bebido pra ficar daquele jeito, mas pelo visto, não é algo que eu tenha provado nos meus 1798 anos de vida, vou refrescar sua memória. Estamos em Aintgarth!
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