Aintgarth

2 O Reino de Aintgarth


Notas iniciais
Relevem a qualidade do mapa, não sou bom em desenhos e fiz no paint mesmo, é só pra vocês terem uma noção de como o mundo se parece, para florescer mais a imaginação de vocês e entenderem mais o que se passa na história, boa leitura.

—Certo, nunca ouvi falar desse lugar, fica em qual estado? – Olaf estava cada vez mais confuso com a situação, foi uma piscada só e ele reaparece em outra cidade? Como ele havia aparecido nu na porta de uma pousada? Nada disso fazia sentido

— Estado? Estamos no REINO de Aintgarth, jovem. – O velho mantinha seu semblante terno como se explicasse a coisa mais óbvia do mundo. – Seria você um alvo da magia de alguém do... exército negro? – Sua face tornou-se um pouco rude enquanto pronunciava as duas últimas palavras.

— Senhor! Eu sou de Los Angeles, moro em Malibu. – Ele passava a mão no rosto e esticava os braços como se isso tornasse suas palavras mais claras. – Aliás, o senhor disse que tem 1798 anos!? – Ele falou de uma forma tão assustada que o velho encrostou a face, como se em alerta. O cérebro de Olaf ainda tentava assimilar todas as informações.

— Nunca ouvi falar desse lugar. – Disse o velho engrossando a voz. – Fica nos Estados Unidos, senhor, América, noroeste no mapa mundi, você sabe. – Tentava explicar da forma mais óbvia possível, ele parecia entender a verdade, mas não queria acreditar.

— Noroeste? Você quer dizer que veio do norte, jovem, e qual o problema com a minha idade!? – O velho disse as palavras lentamente, Olaf teve uma sensação de perigo nunca sentida antes.

O velho desapareceu das vistas de Olaf, que sentiu uma adaga contra seu pescoço, e um filete de sangue escorreu por toda a lâmina até a base da adaga. – Nortenho, preocupado com a minha idade, você é do exército negro, jovem?

— N-n-não, eu nem sei o que é esse exército negro, eu só t-tava com meu irmão e apareci aqui do nada, eu não sei nada sobre esse exército negro ou algo do tipo, eu só quero voltar pra casa. – Gaguejava Olaf enquanto tentava se afastar da adaga, porém o corpo do velho o prensava contra a mesma.

— Ele fala a verdade, Braxen. – Um ser saiu de dentro da sala rumo ao corredor, era pequeno, do tamanho de uma bola de boliche, possuía um bico de águia, e um corpo quadrúpede dotado de garras nas terminações.

— Aquela galinha-cavalo-leão falou? – O dia não parava de ser assustador pra Olaf, que finalmente sentiu a pressão da adaga diminuir contra o seu pescoço.

— É um hipogrifo. – Corrigiu o velho. – Eles conseguem sentir a verdade nas pessoas.

— Sou Vadalis. Não sei do que se trata esse termo que você usou. – Continuou a ave, sua postura era digna do mais belo mangalarga, seu bico parecia forte o suficiente para abrir um crânio a qualquer momento, mesmo não ultrapassando 50 centímetros, e cada palavra era proferida com a firmeza de um orador experiente.

— Vamos tomar o nosso café da manhã então? Vou responder todas as perguntas. – O velho apareceu de pé ao lado de uma cadeira recém-puxada com o mesmo sorriso leve de antes. A única evidência de que ele estava a alguns segundos atrás de Olaf era o filete de sangue que começara a coagular no pescoço do jovem.

Ele se moveu até o local indicado ainda receoso, ao adentrar a sala do café pode ver que se tratava de um espaço amplo que além da mesa, ostentava uma bela lareira que possuía uma cesta com um conjunto de ovos que pareciam ser feitos das mais belas pedras preciosas, alguns vermelhos como rubi, outros verdes como esmeralda, e no meio, um que parecia ter sido polido pelo melhor ferreiro da terra- ou seja lá qual planeta estivesse- era extremamente brilhante, como um diamante. Ao lado tinha um globo terrestre como aqueles que Olaf já sabia de cor das aulas de Geografia.

Olaf sentou-se na cadeira indicada e Braxen foi apoiando-se em sua bengala até a cabeceira, a “galinha-cavalo-leão” chamada Vadalis subiu ao seu colo, e em seguida na mesa, começando a bicar um pedaço de pão, Braxen a acariciou e começou a quebrar o gelo. – Me desculpe jovem, por um momento eu pensei que você fosse um soldado do exército negro. – O velho mantinha a feição tão calma que era impossível acreditar naquele instinto assassino visto a poucos momentos, mas Olaf estava percebendo que seus conceitos de “impossível” estavam precisamente incoerentes com o lugar em que se encontrava.

— Sem problemas, já estou acostumado com adagas prensadas contra meu pescoço. – O sarcasmo sempre foi seu método para tentar disfarçar a insegurança, e continuou. – Bem, vamos começar do começo, esse tal, reino de Atgati fica em qual parte da Terra?

— Aintgarth. – Corrigiu – Ficamos no sul do continente, e no momento, somos o último reino livre do planeta, o resto está sobre o controle do exército negro, ou quase isso. – O velho esticou o braço em direção ao globo sobre a lareira e o mesmo veio em sua direção flutuando. – Veja aqui. – Olaf decidiu tratar aquilo como normal e olhou mais próximo para o globo. – Estamos exatamente aqui, e quase todos os outros territórios estão sobre controle do rei negro. – Disse desenhando um círculo com o dedo sobre uma área na parte sul do mapa.

Após prestar atenção no mapa, ele teve ainda mais certeza de que não estava na Terra, pelo menos não como a conhecia. Os contornos nem ao menos lembravam os continentes do planeta natal. A parte onde Braxen mostrou que ficava Aintgarth ficaria em algum lugar entre o Brasil e a África do Sul, no meio do oceano Atlântico. Braxen continuou. – O rei negro surgiu nas terras negras de Divkaeris, o lar dos seres submundanos, após conquistar o território de Aerumiun, onde as diversas criaturas voadoras viviam em paz, ele dividiu uma parte do território e a fez ascender ainda mais, construindo nele uma enorme fortaleza flutuante, a qual nomeou Grimland. Aqui – Disse apontando uma parte branca no mapa. – É Grievlight, a terra dos sábios, eles sempre foram os guardiões da paz em todo o mundo, mas antes que o rei negro invadisse seus territórios, dizem que eles desapareceram sem deixar vestígios, alguns dizem que eles se esconderam pois a ameaça iminente era forte demais, mesmo pra eles, outros, dizem que eles entraram numa espécie de plano etéreo, esperando uma oportunidade para auxiliar o resto do mundo numa investida final. A única coisa que sabemos, é que antes de desaparecer, eles deixaram um código que ninguém até hoje foi capaz de decifrar. Ele dizia

“Quando a segunda lua cair,

O céu estará puro,

O crepúsculo cessará

Abrindo um lugar seguro

A lua deve provar

Sua honra e sua força

Unir em sabedoria

Antes que algo se distorça

Em um sol deve avançar

Por terras desconhecidas

E assim alcançar

Ajuda em terra prometida

À força do segundo luar

O caminho se tornará claro

E a queda indiferente

Daquele não derrotado”.

Olaf prestava atenção em todos os detalhes, ele era ainda mais inteligente que Axel, porém não tinha o mesmo esforço, mas sabendo que estava num universo diferente do seu, ele assimilou que talvez derrotando o rei negro e pedindo ajuda aos sábios de Grievlight, ele conseguiria voltar pra casa, se eles conseguiam supostamente mudar para um plano etéreo, talvez essa fosse a chave para voltar pra casa.

— Black Coast é a terra das bruxas, a maioria delas se aliou ao exército negro, uma minoria recuou para a lendária ponte branca e foram suprimidas, o resto delas viajou através do mar negro para tentar chegar ao continente, muito poucas conseguiram sobreviver. – O velho explicava com a didática perfeita, como um líder explica as regras de negócio para seus funcionários. Ele prosseguiu. – Glacinaeon, é onde viviam os dragões de gelo, os sábios da neve, yetis, aranhas criogênicas e muitas outras criaturas, e foi o próximo passo do rei negro.

— Espera, aranhas? Criogênicas? – O maior medo de Olaf era aranhas, elas eram pequenas e letais, e tinham o poder de pegar de surpresa.

— Sim, aracnídeos de pouco mais de dois metros, são vegetarianas e extremamente dóceis. – A ave havia parado de bicar o pão e após dizer, inclinou-se sobre um copo para tomar algo.

— Pois bem, após isso eles avançaram contra Sandirae, mesmo sendo extremamente fortes, e todos extremamente dotados do elemento fogo, muitos morreram. Alguns dragões, escorpiões, e mantícoras, conseguiram escapar pra cá, ou Minafur, que são os dois únicos territórios no continente que ainda resistem.

— E esse aqui? – Disse Olaf apontando para o extremo noroeste do mapa, o Arquipélago de Merlin. – O arquipélago é completamente impossível de se chegar, nem mesmo eu, que estou vivo por quase 1800 anos, sei os segredos que lá escondem.

Olaf fechou seus olhos, o ajudava a concentrar e assimilar tudo que ele tinha acabado de ouvir, depois de alguns segundos ele os abriu e proferiu.

— Só preciso matar o rei negro então e resolver essa merda toda então, né?

— Sim garoto “só” – Disse o velho caçoando.

— Me treine! Já vi como o senhor é rápido, consegue até fazer o globo levitar.

— Sim, e nem eu consegui encostar um dedo no rei negro.

— Só me treine, o resto eu resolvo! – Disse com uma confiança que nem ele mesmo sabia que tinha.

O exército de Aingarth lutava para não ser massacrado, e um reles moleque franzino jura derrotar o rei negro. Seria mesmo possível?

Braxen começou a rir, Vadalis soltou uma risada de escárnio, a confiança de Olaf pareceu cair junto com a risada dos dois.

Até que...

Notas finais
Se não conseguirem visualizar o mapa do mundo, o link é http://s1355.photobucket.com/user/demon242/media/Mapa_zpsjlk6pbqn.png.html Deixem seus comentários sobre o que acharam, é bem importante. Abraços
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.