Aidan e o mundo indie
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Enfim, espero que gostem! :)
Os garotos não são indiferentes ao amor. Eu não sabia disso no ano passado, quando minhas únicas preocupações eram zerar jogos e tirar notas razoáveis na escola, mas hoje eu sei mais do que um garoto de 15 anos provavelmente deveria saber.
Quando eu tinha 14 eu não imaginava conhecer a garota dos meus sonhos. Isso parece um clichê, eu sei, mas ela chegou na minha vida destruindo todas as minhas barreiras. A Laura não era igual a ninguém que eu já conheci em toda minha (relativamente curta) vida. A aparência dela era única, com o cabelo afro e a pele de café, e o jeito como ela falava me deixava em transe; não havia ninguém no mundo, só ela e eu.
Minha mãe disse que não era saudável. Minha mãe provavelmente estava certa.
Agora eu conheço o amor no seu começo, meio e fim.
Bem, no momento eu estou aproximadamente um oceano longe da Laura, porque talvez, só talvez, eu goste de fugir dos meus problemas. Eu vou explicar melhor contando outra história de amor fracassada:
Minha mãe e meu pai se conheceram no carnaval do Recife, foi amor à primeira vista, ela me disse, ele puxou ela para dançar e eles curtiram a noite inteira. Meu pai é um “gringo”, nascido em Boston mas mora em Louisiana, e minha mãe é brasileira. Eles não sabiam se comunicar muito bem; Marcela, minha mãe, tinha seu inglês resumido em “hello” e “ the book is on the table”. Mas eles se resolveram; meu pai se mudou e os dois se casaram na praia.
Quando eu nasci meu pai escolheu um nome “gringo” para mim, Aidan, mas meu irmão mais novo de 12 anos ficou com um tradicional brasileiro, Lucas. Meus pais não duraram muito, quando o Lucas fez um ano eles terminaram e meu pai voltou a Luisiana.
O fim dos meus pais também não foi muito legal. Mas hoje em dia, por o bem de dois filhos juntos, eles são amigos no facebook. Ok, eles se falam por telefone também.
Eu falei tudo isso para explicar como estou quase um oceano longe da Laura: eu estou em avião para Luisiana. Terminar o ensino médio nos EUA não me pareceu uma má ideia, afinal minha vida já estava uma merda no Brasil.
Eu juro a você que não era tão dramático assim antes.
Sério.
Enfim, meu irmão veio comigo e no momento está quase pulando na cadeira de felicidade porque o avião finalmente terminou a aterrisagem e o comandante deu a autorização para saída.
— Vai logo Aidan, tira a mala daí, eu não consigo alcançar!
—Calma, eu estou tirando!
Eu amo meu irmão, mas ele é incrivelmente irritante as vezes. Principalmente porque mesmo tendo 12 anos parece que a “fase dos quatro” ainda não passou.
— Ok, o pai tá esperando a gente naquela área que pega o resto da bagagem e ele veio com a nova\velha família dele, então seja legal- eu falo enquanto andamos até a área interna do aeroporto.
—Me lembra de novo porque o papai voltou com ex mulher?
Eu não respondo, porque realmente não faço ideia. A Natalie nunca foi ruim com a gente, na verdade ela parece a “mulher perfeita” o que é um pouco irritante, mas eu sei que o que irrita mesmo o Lucas é o fato do nosso pai ter voltado para a primeira ex mulher dele e não para a nossa mãe. Parece coisa de filme, mas do nada, há dois anos atrás, nosso pai anunciou que voltou com a mãe do primeiro filho dele, nosso meio irmão, o Daniel, e está morando com ela agora.
—Pelo menos eu só vim visitar, você vai ter que ser legal com eles por três anos inteirinhos.
—Se eu quiser voltar nesse tempo eu volto, Lucas. Se eles não forem legais comigo a mãe disse para voltar na hora.
—Eu sei...
Nós finalmente chegamos na “área da bagagem” (sério, qual é o nome daquela coisa?) e encontramos nosso pai rápido até de mais: ele segurava um cartaz violeta gigante escrito “LUKE, I’M YOUR FATHER” encima da cabeça.
—Pai, meu nome é Lucas, para de me chamar de Luke!
O Lucas já tá com cara de emburrado, mas sei que é fachada porque ele ama passar o tempo com nosso pai.
— Oi para você também, filhão- ele diz dando um abraço de urso na gente- E você Aidan, tá crescendo finalmente, uh?!
Mesmo ele fazendo piadinha com a minha altura eu dou risada. Não é que eu seja baixinho mas é que meu pai tem a estatura do Cristo Redentor.
O Daniel, no entanto, é gigante. Aqui ele pode passar despercebido mas no Brasil o cabelo ruivo dele, igual o da mãe dele, mais a estatura, chamariam uma atenção absurda. Ele e a Natalie esperam nosso pai terminar de nos abraçar para falar conosco. Eu Já conhecia a Natalie de visitas que já fizemos para cá e ela já foi para o Brasil com o nosso pai ano passado, então nos abraçamos naturalmente, mas com o Daniel o abraço foi meio estranho, ângulo errado ou sei lá.
Ele não é muito próximo de mim e do Lucas; nos falamos em “datas da família” ou em caso de visitas anuais, mas só. Apesar que até nos esforçamos porque nosso pai fica feliz de nos ver juntos. Ele é um cara fechado, fã de indie rock e camisas xadrez desbotadas, essas são as coisas mais particulares que sei dele.
—Vamos crianças. Daniel, ajuda o Luke com a mala dele- o Lucas faz um grunhido estranho de reprovação – Relaxa criança. Ah vocês vão amar a casa, a reforma ficou incrível! Você vai ver Aidan, seu novo quarto tá o sonho de qualquer garoto de 15 anos.
A Natalie pisca o olho para mim em um gesto de cumplicidade que realmente não existe. Ok, talvez eu seja um pouco fechado também.
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