Ai To Hokori

2 O orgulho de um youkai


Notas iniciais
Gente obrigada pelos reviews, fiquei muito contente em saber que vocês estão gostando! E Sudou, agradeço pela recomendação, fico imensamente feliz pelo comentário! Bom gente foi rapidinho né? Eu tentei escrever o mais rápido que pude, espero que gostem do capítulo e que não me batam depois. ><"

O dia amanhecera no vilarejo e Sesshoumaru até o presente momento não havia dormido um segundo se quer, apenas pensou sobre o relacionamento que tinha com a protegida e a cada segundo estava mais certo de que aquilo era uma loucura! Não podia se deixar levar por tolos sentimentos, tinha que findar aquela situação do contrário acabaria por seguir o mesmo caminho que seu pai e meio irmão. Estava determinado a tirar a garota da cabeça, mesmo que para isso tivesse que abandoná-la. Andou calmamente até as imediações da vila e observava os camponeses iniciando seu dia, alguns homens saiam para caçar e pescar, outros cuidavam das colheitas, enfim seguiam suas vidas humanas patéticas. Ficava imaginando como conseguiam ficar presos em um lugar sem classe ou qualquer tipo de conforto enquanto existia um mundo imenso esperando fora daquele pequeno espaço que ocupavam. Nunca fora sua idéia fixar residência no passado, todavia, já estava mais do que na hora de tomar seu rumo, iniciar seu reinado nas terras que seu pai lhe havia deixado de herança. Seguiria seu destino e reconstruiria o império que lhe fora deixado. Era isso, deixaria a humana e seguiria para as terras do Oeste onde faria com que o império se erguesse tão ou mais poderoso do que na época que seu pai, InuTaishou estava vivo.

“- Tenho que levar em conta minhas prioridades, chega de brincadeiras...” — Pensou fixando os orbes âmbares no casebre pertencente ao meio irmão, era ali que a pequena Rin estava no momento, provavelmente já devia estar acordando e não tardaria a encontrá-la, precisava partir. Diria a ela que preferia ir embora daquele local e insistiria para que a garota ali permanecesse, assim sendo se livraria das dúvidas e poderia finalmente se concentrar no que devia ser sua principal prioridade. Não entendia os motivos de tanta dificuldade em fazer algo tão trivial, não nascera grudado naquela pequena, não precisa dela, afinal, era humana. E humanos eram seres inferiores, estreitou os olhos continuando a caminhar, as pessoas que viviam na vila olhavam para o Lorde de forma desconfiada, aquilo tudo o irritava muito, afinal, quem aqueles humanos insignificantes pensavam que eram? Não deveriam erguer a cabeça na presença dele, deveriam temê-lo e respeitá-lo, pois poderia esmagar tudo aquilo num piscar de olhos.

- Senhor Sesshoumaru! Desculpe, eu não pretendia deixá-lo sozinho, por favor, perdoe este servo inútil! — O youkai sapo saia da cabana desesperado, jogando-se aos pés do Inu-youkai, mantinha a cara sob o chão empoeirado, esperando receber o devido castigo pelo atrevimento, porém o cão branco nada disse, apenas passou por cima do servo e continuou seus passos até a cabana onde encontraria Rin. Os orbes amarelados fixos em seu destino, cada passo parecia uma eternidade, imaginava qual seria a reação da garota quando desse a noticia fatídica, apesar da expressão de frieza podia sentir seu coração se apertando cada vez que chegava mais perto da choupana. Parou, encarando a jovem dona de seus pensamentos enquanto a mesma retirava o excesso de poeira das próprias roupas e as ajeitava, tentando parecer mais apresentável. A menina fazia uma pequena reverência, sorrindo para alguém que permanecia dentro da cabana, virou-se finalmente encarando o dono de seu coração e com um doce sorriso se aproximou do youkai.

- Gomen, Sesshoumaru-sama... Eu não pretendia me demorar, mas eu estava tão contente que quando percebi já era de manhã, acho que acabei pegando no sono durante minha conversa! — Uma pequena risadinha fugia dos lábios da dama, que permanecia prostrada na frente de seu mestre, a postura totalmente reta, era de fato uma jovem delicada e muito bela, certamente poderia ser considerada uma nobre diante de quem quer que fosse, claro, para ele não seria o bastante, pois ainda era humana e isso tornava as coisas difíceis.

- Não importa... — Disse friamente enquanto parecia analisar cada detalhe do semblante da garota, observou aqueles olhos grandes e belos, o formato delicado do rosto, a pele alva, o nariz, os longos cabelos negros que lembravam o céu noturno em uma noite sem lua. Por fim, perdeu-se naqueles lábios, aqueles lábios avermelhados e carnudos nos quais já sonhou tantas vezes em tocar. Parecia decorar cada detalhe, porém apesar disso ainda mantinha a expressão de frieza costumeira, deixou escapar um leve suspiro que fazia questão de demonstrar como uma espécie de ‘tédio’. — Rin, eu acho que você deve ficar aqui... — Concluiu sem mais delongas.

- O-o quê? — Arregalou os olhos, encarando a face fria daquele homem, não imaginava que ele poderia tomar uma decisão daquelas de forma tão repentina, o que ela havia feito de errado? Por que ele queria abandoná-la? — S-sesshoumaru-sama, por quê? — Indagou confusa já sentindo os olhos arderem, ia chorar, não iria conseguir manter a calma. Sabia o quanto ele detestava aquele tipo de cena, Sesshoumaru sempre fora reservado, quase nunca falava e quando o fazia era apenas o necessário, apesar de sempre segui-lo para cima e para baixo, procurava controlar suas emoções afim de tornar a situação menos desagradável para ele. Desde pequena aprendera a não chorar facilmente, já havia passado por muitas tristezas na vida, mas poucas foram as vezes que se deixou dominar pelo desespero, mas não conseguia manter a calma. Como o faria? Aquele era o homem que amava, não se importava se ele não era humano, mas sabia que para ele nunca seria aceitável uma relação daquele tipo, por isso nunca revelara o que sentia por ele, sabia que ele a rejeitaria e provavelmente a mandaria embora.

- É isso que você ouviu, Rin, eu vou partir e quero que você fique aqui... — Voltou a repetir, um tanto impaciente, porém ainda sim mantinha os olhos fixos na garota. — Eu vou voltar para as terras que um dia foram de meu pai e não há lugar para humanos, lá. Você já é praticamente adulta, não precisa mais de minha proteção, mesmo porquê seu lugar é com os de sua espécie.

- M-mas, Sesshoumaru-sama, eu não quero! Eu não posso ficar aqui, eu... Sesshoumaru-sama, eu... — As lágrimas grossas rolavam pela face alva da mulher, não imaginou que o amado iria abandoná-la, o que tinha feito de errado? Amaldiçoava o momento em que implorara para que ele fosse até aquele bendito vilarejo. Talvez se tivessem continuado a viagem ele não a abandonaria. Seria esse o problema? Os pedidos inconvenientes que sempre fazia? Mordeu o lábio inferior, tentando conter as lágrimas, mas elas teimavam em cair. — Por favor, não me deixe! — Implorou novamente, fixando os orbes chocolates na expressão fria daquele que amava, porém ele mantinha a mesma face.

O youkai sabia que aquele momento seria um dos mais terríveis que presenciara, nunca em sua vida se sentia tão impotente, culpado, doía vê-la chorar daquele jeito, implorando para que ele a levasse, todavia, sabia que não podia ceder do contrário arriscaria sua condição de líder perante os outros youkais, além disso é claro acabaria cedendo em algum momento para aquele desejo insano de torná-la sua e isto nunca poderia acontecer. Não podia fraquejar, não podia se deixar levar por tolos sentimentos humanos... Não ele, não Sesshoumaru! Como queria abraçá-la, como queria apertá-la de modo possessivo e dizer que jamais a abandonaria, mas não o faria! Não o faria por orgulho, não podia deixar de lado aquela prepotência e superioridade que ele se obrigara a ter desde quando era um filhote. Ele era Sesshoumaru, um youkai completo! Filho de InuTaishou! Não fraquejaria como o pai e nem tampouco como o meio irmão inconveniente que tinha. Virou as costas, ainda mantendo uma face fria e então voltou a caminhar, deixando-a ali.

- Espere! Por favor, Sesshoumaru-sama, ao menos me escute! — Alterou a voz de forma que nunca fazia, sabia que ele não iria tolerar aquele tipo de atitude atrevida, imaginou que ele iria ficar furioso, todavia, ele apenas cessou os passos ainda mantendo-se de costas para ela. Rin tomou coragem e por fim se aproximou, tocando o ombro do youkai e então colocando-se frente ao mesmo com os olhos marejados e uma expressão de determinação expressa no semblante.

- Diga. — Indagou simplesmente, ainda mantendo a mesma expressão de outrora, todavia, o coração do youkai batia levemente alterado, queria saber o que ela diria, embora em sua mente ainda estivesse focado em deixá-la mesmo após ouvi-la falar.

- Sei que para o senhor... Eu não passo de uma humana insignificante, um ser de baixa classe, suja, mas... — Pausou, sentindo as lágrimas novamente escorrendo, o coração da garota estava partido, dizer tudo aquilo fazia total sentido, entretanto, enquanto mantinha-se perto daquele youkai sentia-se de certa forma ‘amada’. Para ela, talvez fosse uma tolice imaginar que ele sentisse aquele tipo de coisa por ela, mas ainda sim sentia-se orgulhosa por ser a primeira pessoa a conseguir quebrar o gelo do coração de Sesshoumaru, pois mesmo sendo fraca, mesmo sendo humana, ele sempre viera protegê-la. Não uma, mas várias vezes e isso fazia acreditar que mesmo que fosse pena ele sentia por ela.

- Sesshoumaru-sama, eu imploro! Não me deixe! Eu entendo que um Lorde como você jamais se deixaria levar por um sentimento tão ‘humano’, mas eu te amo! Eu sempre amei, não te vejo como um pai ou como irmão, desde o momento que te vi pela primeira vez, naquela floresta, ferido, eu senti como se algo me ligasse ao senhor. Eu te amei, amo agora e sempre vou amar, por isso imploro, mesmo que eu seja somente um fardo, por favor, me leve com o senhor! Eu não posso viver desse jeito, eu preciso de você! — Não entendia como conseguia dizer aquelas palavras sem gaguejar ou de onde vinha aquela coragem, mas precisava dizer, sabia que se não o fizesse agora provavelmente nunca mais teria chance de faze-lo. E numa atitude ainda mais atrevida envolveu a cintura do youkai, abraçando-o de forma desesperada, como se isso pudesse impedi-lo de lhe dedicar uma negativa ou mesmo de partir.

- Rin... — Ele ficou de fato surpreso, no fundo o coração doeu com aquelas palavras, amava-a também, céus, como a amava, mas ainda sim não podia abandonar seu orgulho e nem podia corresponder as expectativas da mulher, sentiu um leve arrepio com o toque da garota, ela era tão linda, tão doce, abraçava-o e não sabia as conseqüências daquele ato. Teve que se segurar para manter o controle e a sanidade, pois por ele a tomaria para si ali mesmo. Sem nem mesmo se importar de estarem em frente a todos da vila. Hesitou por um momento, não queria se livrar daquele abraço, mas a consciência orgulhosa falou mais alto. Segurou os braços finos da garota, retirando-a de perto e empurrando-a sutilmente.

- Você tem razão... Você é apenas uma humana e como tal deveria aprender o seu lugar! — Disse altivamente, mas em tom controlado, sabia que precisaria ser duro do contrário ela não se afastaria e sabia que se não o fizesse acabaria cedendo aos sentimentos e isso geraria diversos problemas. — Este Sesshoumaru jamais se juntaria a uma companheira humana, você devia saber disso...

- Tentou deixar transparecer asco nas palavras ‘companheira’ e ‘humana’, embora não sentisse asco dela, jamais seria capaz de sentir nojo daquela pequena, pois em todo o mundo, humano ou youkai não havia um só ser que ele amasse mais do que ela. Ela não era suja, não era insignificante, doeu profundamente saber que ela imaginava que ele teria aquele tipo de pensamento sobre ela, mas a verdade é que ele por acaso já tentou demonstrar outro tipo de coisa? Não, nunca demonstrava o que sentia, sempre se mantinha ‘distante’, era óbvio que para ela parecesse que era um fardo ou insignificante, mas não era verdade. Sentiu algo que nunca imaginou que sentiria na vida, uma dor tão profunda que seria capaz de chorar, mas ele não cederia, não ele. Engoliu aquele sentimento terrível e manteve a mesma expressão de frieza e por fim desviou-se da garota e se colocou a caminhar, não antes é claro de parar novamente e olhar para o servo com uma expressão impassível.

- Jaken, vamos! — E voltou a caminhar, não se atrevia a olhar para trás, podia sentir o cheiro das lágrimas da garota, não podia se dar ao luxo de olhar novamente e ficar arrependido da atitude que tivera.

- Sesshoumaru-sama! — Gritou, uma Rin estupefata pela atitude do mestre, sabia que ele não corresponderia, mas no fundo imaginou que ao menos ele teria pena de deixá-la. Não se importava de viver caminhando sem rumo ou de não ter luxo ou uma casa para viver, embora é claro, em determinados momentos aquilo realmente lhe fizesse falta, mas tendo ele, Sesshoumaru, seu Sesshoumaru consigo sentia que poderia suportar qualquer coisa, mas não agora, pois ele nem ao menos se dignou a olhar para trás quando ela gritou, apenas caminhou, junto com um Jaken hesitante e confuso, sumindo de suas vistas, deixou o peso do corpo cair sob os joelhos e estava agora, no chão, chorando de uma forma que doeria em qualquer um que a visse. E aquele momento era algo que preferia manter apenas em seu intimo, sua fraqueza, seu sofrimento, todavia, com a confusão dos gritos e do choro histérico acabou por chamar atenção de diversas pessoas do vilarejo e entre eles InuYasha e seus companheiros.

- Inu... — Kagome segurou o braço do marido e depois focou um olhar doloroso sob a menina, que ainda permanecia chorando desesperada sob o chão empoeirado.

- Ei, eu não posso fazer nada! Eu até pensei em ajudar, mas ele é teimoso, você sabe! Droga! Aquele maldito Sesshoumaru, se era pra abandonar ela desse jeito por que diabos demonstrava se importar tanto? — Resmungou, num tom de voz alterado, chamando a atenção de Rin que chorava ainda mais pelo comentário.

- Senta! — Kagome exclamou dividida entre raiva e lágrimas. — Você não tem sentimentos? Por que esse tipo de comentário? InuYasha idiota! — Saiu correndo, chorando, deixando-o ali sem entender absolutamente nada.

- M-mas... O que eu fiz agora? — Levantou-se num pulo, limpando a poeira das roupas, confuso com a atitude da esposa.

Kohaku por sua vez, aproximou-se de Rin, erguendo-a com certa dificuldade, pois ela parecia não querer colaborar, mas ainda sim conseguiu fazê-la levantar-se e então, abraço-a, possessiva e carinhosamente. Enquanto os braços faziam uma espécie de ‘X’ nas costas da mesma, apertando-a de forma delicada. — Rin, não chore! Eu vou te proteger, prometo que nunca mais vai precisar chorar assim. — Sussurrou, apoiando o queixo na cabeça da garota, visando que tinham certa diferença em altura e por isso tornava a situação possível.

A garota por sua vez se manteve quieta, ainda sentindo as lágrimas escorrerem sem ter forças ou vontade de contê-las, o coração havia sido esmagado, destruído, mas ainda sim não conseguia sentir raiva ou tristeza relacionadas à Sesshoumaru, sentia pesar, dor, queria estar junto dele, odiava a si própria e ao destino por tê-la feito nascer humana e tornado assim impossível que a jornada de ambos continuasse. Permanecia ali, num choro mudo lotado de dor e agonia, sendo abraçada por Kohaku e desejando que o vento pudesse varrer aquela dor, que pudesse carregar consigo seu amor e seu pesar e levá-lo até o dono de seu coração e pensamentos; Sesshoumaru.

Notas finais
Bom gente eis o fim do segundo capítulo, espero que vocês não fiquem bravos comigo e nem com o Sesshy. Ele tá confuso, tadinho. S2
Agradeço a todos que lerem e espero mesmo que gostem! Se quiser dar sugestões se achar que falta algo são bem vindas, ok? O capítulo ficou meio dramático, mas era isso que eu queira mostrar mesmo, porque o Sesshy é de fato um youkai frio, mas todos nós sabemos que ele tem um carinho todo especial pela nossa Rin-chan.
See ya! ;*