Ai To Hokori

3 Destinos opostos - Reencontro


Notas iniciais
Bom aí está o terceiro capítulo! Espero que gostem, agradeço os comentários feitos nos dois primeiros.

Cinco anos haviam se passado desde que Rin fora deixada na vila por Sesshoumaru, todavia, nesses cinco anos a menina nutria esperanças de que seu amado voltaria para buscá-la, porém isso nunca ocorreu.

Agora a jovem estava para completar vinte anos de idade, ajudava Kagome a cuidar dos doentes da vila, aprendera um pouco sobre ervas que tinham poder curativo, no geral o fazia para ocupar a mente e tentar não entrar em desespero ou cair em tristeza profunda, era uma boa pessoa, sempre gostou de ajudar as pessoas e ao menos assim podia se sentir mais útil. Kohaku desde que ela chegara na vila resolvera morar ali, embora continuasse trabalhando como caçador de youkais, apenas visitava a vila de seus ancestrais para preparar as armas necessárias.

Kagome e InuYasha tiveram um filho, Shiro, o jovem nascera com os cabelos prateados assim como o pai, porém a aparência dele lembrava mais um humano do que um hanyou, exceto pelas orelhas que tinha, porém não tão chamativas como as de InuYasha, os olhos nasceram negros como os de Kagome e o temperamento também era muito parecido com o dela, explosivo.

Shippou vivia com eles, tratando ainda Kagome como uma espécie de mãe, claro, agora muito mais velho, tinha a aparência de um jovem de seus vinte anos de idade, tinha aproximadamente a altura de InuYasha, porém o temperamento sempre fora o mesmo. Ambos viviam discutindo, Rin tornara-se amiga do pequeno e também de Kohaku, porém o garoto continuava demonstrando interesses além de amizade por ela.

O que fazia com que a mulher se sentisse um pouco desconfortável, apesar de já estar começando a entender que Sesshoumaru jamais voltaria atrás ainda o amava e isso não iria mudar.

- Rin-chan! — Shippou aparecera com um pequeno embrulho, enquanto agarrava por trás a garota distraída. — Feliz aniversário! — Sorria, divertido com o pulinho que ela dera ao sentir os braços envolvendo-a. De fato era engraçado assustá-la daquele jeito.

- Shippou, você me assustou! Quer me matar por acaso? Ah, obrigada pelo presente, não precisava. — Sorriu gentilmente, virando-se e abraçando o amigo e por fim se afastava segurando o embrulho que o mesmo entregava.

- Sabia que eu já tinha até me esquecido? Na verdade... Eu não me lembro direito do dia que nasci, mas Sesshoumaru-sama sempre me dava alguma coisa nesse dia... Porque foi nessa data que ele... — Os olhos da garota se enchiam de lágrimas, fora exatamente naquela data que ela revivera graças a espada de Sesshoumaru e a partir dali o youkai sempre lhe dava uma lembrança, como se tivesse feito daquele dia o seu aniversário.

- Rin-chan... Não chore! Esse é um dia de felicidade e não de tristezas, você não deveria ficar por aí sofrendo desse jeito, se o Kohaku te ver assim vai acabar brigando com você de novo. — Shippou tentava fazer a amiga parar de chorar, mas no fundo sabia como era doloroso para ela, tinha certa mágoa de Sesshoumaru, pois gostava muito da pequena Rin e o que ele fizera fora algo realmente cruel ao ver do youkai raposa.

- Olha, eu não ia te contar agora, mas já que você está triste vou te animar! Kagome e Sango com a ajuda de Kohaku estão organizando uma festa de aniversário surpresa pra você, mas não diga que eu contei se não o idiota do InuYasha vai me encher de cascudos quando ele voltar. — Sorria, divertido enquanto alisava os cabelos da garota.

- Festa? Ah, não precisava... E depois eu... — Parava de chorar, apesar de não querer admitir sentia-se realmente contente por saber que era importante para todos ali. Não fosse por eles certamente teria morrido de tristeza quando Sesshoumaru a deixara.

- Ahn, eu espero que eles não façam nada muito grande. — Indagou preocupada, na verdade preferia ficar junto da ‘família’ e uns poucos conhecidos, mas conhecia Kagome e ela adorava promover eventos e festivais, imaginou que a mulher certamente tinha planejado uma festa para o vilarejo inteiro, seria difícil demonstrar felicidade na frente de todos quando na verdade sentia-se solitária, principalmente naquela data.

- Não seja chata, Rin-chan! Você precisa se animar... Bom, eu vou indo, vou ajudar nos preparativos, tente fazer cara de surpresa na hora da festa ok? — Piscou para a garota, virando-se e seguindo seu caminho.

- Certo... Surpresa... — Suspirou, vencida, abriu o embrulho que o amigo lhe dera e deixou transparecer um leve sorriso. Era um lindo colar com uma pedra brilhante, de fato era de muito bom gosto. Apertou o presente contra o peito e foi em direção ao templo, ajudar a velha Kaede, ela já não tinha condições de continuar atendendo os aldeões, pois estava em idade avançada e um pouco doente.

Assim sendo Kagome assumira seu lugar como protetora da vila e Rin ajudava com os feridos quando era necessário.
Sesshoumaru retornara as terras do Oeste, de inicio imaginou que esqueceria facilmente de Rin, pois teria muitas coisas para organizar, mas mesmo assim não fora tão simples. Apesar de sempre estar ocupado com as tarefas de Lorde e com o exército de youkais que juntara para lutar por ele e proteger aquele território, todos os dias perdia-se em pensamentos sobre Rin.

Imaginava como estaria sendo a vida da garota, se ela sentira tanta falta dele como ele sentia dela, se aquele maldito humano ainda continuava cortejando-a. Cerrou os punhos, batendo forte na mesa do escritório que lhe era de direito, uma rachadura se formava no local.

“- Concentre-se... Isso não é problema seu!” — A consciência lhe dizia, mas ainda sim era impossível ignorar, a porta se abria e um dos servos abaixava a cabeça, adentrando o escritório enquanto fazia uma pequena reverência, tirando-o dos devaneios.

- Senhor Sesshoumaru, perdoe por interromper, mas Lorde Yoshitora veio das terras do Leste e deseja vê-lo. — Disse de forma respeitosa, enquanto ainda mantinha uma postura servil, com a cabeça levemente abaixada.

- Diga que entre! — Sesshoumaru respondia impassível, agora mesmo tentando manter a mesma face fria de sempre acabava por deixar transparecer o quão mal humorado estava.

Assim sendo o servo se retirava, deixando Sesshoumaru que agora estava de pé a observar a janela, olhava em direção ao jardim, para uma linda arvore de flores de cerejeira. Era primavera, por isso a arvore estava em seu ápice, deixou a mente se perder mais uma vez em devaneios, lembrou-se do quanto Rin gostava de flores e sabia também que aquele dia era importante para ambos.

Suspirou, cansado e triste por não ser capaz de arrancar a humana de seus pensamentos, virou os olhos, irritado e viu a figura do Lorde das terras do Leste adentrar o recinto com um sorriso irônico expresso no semblante, não gostava daquele youkai, todavia, sabia que para que tudo desse certo precisava tê-lo como aliado, afinal, as coisas estavam difíceis.

Depois da guerra contra Naraku, os youkais agora se sentiam novamente tranqüilos para brigar por territórios, não havia mais nada a temer, pois aquele que parecia nunca ser capaz de ser destruído estava morto!

- Yoshitora... Ao que devo a ‘honra’ de sua visita? — Sibilou, demonstrando ironia extrema, sentou-se e indicou por fim para que o outro fizesse o mesmo.

- Quanta gentileza de sua parte, Sesshoumaru. — Provocou o outro, deixando claro que odiava Sesshoumaru na mesma medida que ele. — Amidamaru das terras do Norte está se aliando com alguns inimigos nossos, Sesshoumaru, querem começar uma guerra e atacar nossos territórios. — Disse sério, encarando a face do mais jovem que ainda continuava fria como o gelo. — Imaginei que você não demonstraria surpresa ou... Olha, serei franco! O exército deles é grande, se não nos unirmos nesses tempos estaremos com sérios problemas. — Concluiu.

- Oras, e já não somos aliados? — Sesshoumaru começou, demonstrando um pouco de irritação pela forma que aquele homem falava. — Por acaso está me dizendo que pretende desfazer nosso contrato de paz? — Elevou um pouco o tom de voz, notando um sorriso irônico na face do mais velho.

- Não seria tão idiota, Sesshoumaru, o que eu quero dizer é que para que tudo saia como queremos devemos deixar claro a todos que estamos realmente nos entendendo. E para que isso ocorra eu tenho uma idéia! Você sabe que como líderes de nossos respectivos clãs, temos a obrigação de termos descendentes... Você ainda não tem uma esposa e eu tenho uma filha em idade ideal para se casar, o que acha que alterarmos nosso contrato de paz e selar um outro com o casamento de vocês? — Disse finalmente, divertido com a expressão surpresa que o youkai cão fazia. De fato ele não estava esperando por isso, concluiu.

- Casamento? Eu não tenho intenção de me casar com a sua filha! Você deveria... — Não pode terminar a frase, pois Yoshitora levantou-se dando alguns passos, parecia pensativo.

- Sesshoumaru, temos que pensar com cuidado nas atitudes que tomamos, você não escolheu uma esposa adequada, Sayuri é uma youkai muito poderosa, além é claro de ser uma Lady, minha filha! Se nós acertamos esse casamento poderemos fazer com o que Lorde Kanemaru se junte a nós, ele não suporta você... Não suporta essa sua soberba e o fato de se achar superior, mas se você firmar um contrato de casamento vai estar demonstrando que mudou de atitude e ele se sentira a vontade para se unir a nós. — Disse nervosamente, tentando deixar claro o quão importante aquilo seria. — Seu pai, InuTaishou tomou sua mãe como esposa para deixar um descendente forte, você sabe, aja como homem e aceite fazer o mesmo, Sesshoumaru! — Concluiu friamente, olhando a face de raiva contida que o jovem ostentava no momento.

- Você vem em meu castelo, fala comigo desrespeitosamente e ainda ousa tocar no nome de meus pais? Quem você pensa que é? — Sesshoumaru levantou-se irritado, segurando-se para não iniciar uma luta com o atrevido Lorde do Leste, chegou a segurar com força o cabo da espada, mas controlou-se ostentando novamente a face de frieza que era costumeira. — Yoshitora... Trate de entrar em contato com Kanemaru e diga que faremos uma reunião para discutir a respeito dessa guerra que vai se iniciar. — Anuiu vencido, enquanto procurava voltar a sentar.

- Muito bem, essa é a atitude de um verdadeiro líder, na verdade, Sesshoumaru, eu imaginei que você tomaria a decisão correta, por isso entrei em contato com Kanemaru antes de vir pra cá, ele está vindo das terras do Sul, creio que estará aqui dentro de duas semanas. Voltarei ao meu castelo e farei com que Sayuri saiba do casamento. Kanemaru virá comigo da próxima vez, esteja preparado. — Disse e por fim maneou com a cabeça, um gesto extremamente rude e desrespeitoso na opinião de Sesshoumaru.

- Certo. — Disse simplesmente, enquanto o outro se retirava do escritório e logo após adentrou Jaken, um pouco preocupado.

"- Se ele pensa que vai mandar neste Sesshoumaru, se ele pensa que pode impor seus desejos vai perceber que está completamente enganado! Ninguém manda nesse Sesshoumaru, ninguém impõe suas vontades, é fato que preciso de você Yoshitora, é fato que preciso dessa aliança, mas eu não vou me casar com a sua filha!" — O pensamento invadiu a mente do cão youkai, fazendo-o perder-se por alguns instantes.

- S-senhor Sesshoumaru. — Começou o sapo, olhando o mestre suspirar. — O senhor não vai ver Rin este ano? — Disse cuidadoso, notando a ‘paz’ sumir do semblante de Sesshoumaru.

- Não. — Anuiu, olhando vidrado em direção do servo. — Jaken, mande que preparem a ala Sul do castelo, Kanemaru, Yoshitora e sua filha virão para cá dentre de algumas semanas, espero que esteja tudo impecável, do contrário eu mesmo acabo com sua raça, entendeu? — O Lorde disse a contragosto, na verdade não queria receber aqueles seres, não queria se casar e nem tampouco queria que tudo ficasse ‘perfeito’. Tinha vontade de ir ver sua amada Rin, mas sabia que agora estaria ainda mais impossível.

- Lady Sayuri? — O sapo arregalou os olhos vendo a expressão entediada do mestre. A jovem era linda! Tinha um belo corpo, era apenas um pouco mais jovem que Sesshoumaru, dona de cabelos longos e vermelhos como o fogo, uma youkai tigre, a hime das terras do Leste. Jaken sabia que Yoshitora já tinha intenção de fazer ambos se casarem, mas nunca imaginou que Sesshoumaru aceitaria a presença da fêmea no castelo.

- S-sim senhor Sesshoumaru, este servo vai fazer com que tudo esteja perfeito para recebê-los. — Concordou vencido, ao notar que Sesshoumaru não iria responder mais nada.

O dia tinha passado rápido, já era pôr do sol e Rin tinha sido instruída a vestir um belo kimono, claro que já sabia os motivos daquele pedido, todavia, tentou demonstrar surpresa quando Sango e Kagome vieram ajudá-la a vestir-se. Já pronta, agora caminhava em direção ao centro do vilarejo, usava um kimono extremamente elegante, vermelho com pétalas de Sakura como adorno, os longos cabelos negros agora chegavam até os joelhos, estavam soltos e adornados com alguns enfeites dourados.

Os lábios com uma cor rubra, graças ao brilho que Kagome passara sutilmente nos mesmos. No pescoço carregava o presente que Shippou havia dado, quando chegou no centro da vila estava tudo muito decorado, com algumas pessoas encarando-a com sorrisos doces, tudo estava realmente muito bonito, mais parecia um festival.

- Parabéns, Rin-chan! — Um coro de vozes invadiu os tímpanos da menina que tentou fazer cara de surpresa e agradeceu de forma polida, tinha música, muita comida, conversas alegres por toda região e ela tentava demonstrar alegria na voz, na face, mas no fundo sentia-se um pouco perdida. Saiu das vistas de todos e ficou parada próxima a floresta, olhando vidrada para um caminho escuro, quem sabe aquele ano ele viesse.

O coração apertava e aquela idéia tomava conta da mente da garota, porém o caminho continuava silencioso, já era bem tarde da noite, a festa estava ótima, ela ainda podia ouvir os risos alegres dos aldeões, mas a floresta continuava silenciosa e escura como sempre. Uma pequena lágrima escorreu pelos cantos dos olhos da garota, que só não se prostrou no chão, porque foi amparada pelos braços fortes de alguém que ela nem precisou se virar para perceber que era Kohaku.

- Rin-chan, feliz aniversário. — O garoto balbuciou próximo ao ouvido da garota, fazendo-a sentir um pequeno arrepio, corou, voltando a postura costumeira e afastando-se um pouco, porém foi segurada pelo braço, forçada a encarar o homem. — Não fuja de mim, Rin. — Kohaku disse com uma voz embargada, já estava cansado de tentar falar de seus sentimentos e ver a garota fugir sem nem ao menos lhe dar chance.

- K-kohaku-kun... — A garota deixou fugir pelos lábios entreabertos, enquanto olhava surpresa pela forma que aqueles olhos a encaravam agora. De fato ele a amava, sabia disso, há muito tempo, mas sabia também que não conseguiria amá-lo como ele merecia, pois em sua mente e coração só existia Sesshoumaru. — Por favor, eu não... — Foi calada com os lábios de Kohaku, que agora a puxava contra o corpo de forma possessiva, subiu uma das mãos para a nuca da mulher, querendo assim intensificar aquele beijo e a outra mantinha presa na cintura da mesma.

De inicio não soube o que fazer, queria afastá-lo, mas algo naquele ato a fizera temer faze-lo, em todos aqueles anos Kohaku fora sutil, nunca a forçara a nada, porém naquela noite ele parecia diferente, permaneceu quieta, sem corresponder o beijo, porém ele não parecia se deter, afastou-se sem fôlego e encarou os olhos úmidos da garota.

- Rin-chan, por favor, digo eu! Eu sempre te amei, fiz de tudo para te proteger e demonstrar que poderia te fazer feliz, mas você continua esperando por ele! Você nunca se quer me deu uma chance de provar que posso fazer você esquecer Sesshoumaru, você acha isso justo? — Dizia alterado, lágrimas começavam a surgir nos cantos dos olhos de Kohaku que a encarava extremamente magoado, entendia Rin, entendia que era difícil, mas não achava justo ela passar a vida toda esperando alguém que jamais voltaria.

- Rin-chan, case comigo! Deixe-me fazer você feliz, esqueça Sesshoumaru, pois ele nunca irá voltar! — Frisou a parte ‘nunca’, as lágrimas da garota agora escorriam, sabia que aquilo a machucava, mas acha que dizer a verdade talvez a fizesse abrir os olhos de vez.

- Hai... — Respondeu mecanicamente a ferida ainda estava aberta, o coração ainda sangrava por Sesshoumaru, mas o que iria dizer? Ele estava certo, não? Sesshoumaru não voltaria! Ele não viria buscá-la, pois ela era uma humana inútil... Ele mesmo dissera, as lágrimas de Kohaku comoviam Rin, pois sabia que seus sentimentos eram e sinceros, mesmo que não o pudesse amar, ao menos daria uma chance a ele. Ao menos tentaria faze-lo feliz já que para ela seria impossível. — Mas...

- Ponderou, olhando o sorriso desaparecer dos lábios do ‘noivo’. — Permita-me fazer uma coisa antes de nos casarmos... — Concluiu.
- O que você deseja, Rin? — Kohaku disse, olhando-a atentamente enquanto tentava imaginar o que se passava na mente da mulher.

- Eu quero... Ver Sesshoumaru-sama uma ultima vez. — Disse por fim, vendo Kohaku se afastar um pouco decepcionado, ele estava na verdade magoado, irritado pelo pedido, andava de um lado a outro considerando aquela idéia, depois de pensar por algum tempo aproximou-se novamente segurando as mãos da amada.

- Rin... Se você deseja ver Sesshoumaru então faça-o, mas volte para mim... Não se humilhe, Rin, pois isso eu não poderia perdoar! — Olhou-a, vendo a garota assentir com um manear de cabeça, jogou-se sobre o noivo, abraçando-o. Iria ver Sesshoumaru, iria se despedir de uma vez por todas, afinal, sentia-se na obrigação de contar a ele a decisão que tomara.

- InuYasha e Miroku não estão na vila, portanto, pedirei a Sango que vá com você até as terras de Sesshoumaru. — Kohaku disse, puxando a menina até o centro da vila, as pessoas cessaram a conversa vendo ambos caminharem até o centro.

- Pessoal. — Kohaku disse com um tom de voz mais elevado, enquanto ficava em um lugar onde todos pudessem vê-los. — Rin-chan aceitou se casar comigo! — Disse com um sorriso bobo no semblante enquanto os aldeões aplaudiam e diziam palavras de encorajamento e felicidade para ambos. Rin apesar esboçou um sorriso, um tanto triste, mas passou despercebido pela maioria, exceto por Sango, Kagome e Shippou que olhavam para ambos um pouco surpresos e preocupados com o rumo que as coisas haviam tomado.

Já haviam passado três dias depois da comemoração de aniversário de Rin, Kohaku conversara com Sango sobre o pedido de Rin e a mesma aceitara a contragosto acompanhar a morena.

Não que não gostasse dela, porém desconfiava que o casamento de ambos seria um terrível engano. Mesmo após tanto tempo Rin ainda suspirava por Sesshoumaru, não era segredo pra ninguém, então não conseguia compreender os motivos de Kohaku em forçar a menina a aceitar seu pedido de casamento, sim, porque Sango considerava aquelas palavras que ele mencionou ter usado como uma espécie de ‘chantagem’, ela era uma boa menina, sabia ser grata, como poderia recusar depois de tantas coisas ditas?

Suspirou, terminando de ajeitar as coisas dentro de casa. Com tudo pronto, chamou os filhos, agora tinha três, a pequena Koyuki agora tinha 8 anos de idade e atendia prontamente o chamado da mãe, puxando os dois irmãos mais jovens pelas mãos, eram gêmeos; Yuki e Yuri. Juntos, caminharam até a casa de InuYasha e Kagome, Rin já esperava com as coisas prontas, ansiosa. Assim que a caçadora de youkais apareceu, chamou Kagome um tanto eufórica.

- Kagome-chan! Sango-chan já está aqui. — Disse com os orbes chocolates ostentando um brilho especial que Kagome desaprovou quando viu, apesar de estar contente pela reação fez da garota, sabia que não deveria demonstrar-se tão feliz por ir encontrar outro homem enquanto deixava o noivo esperando na vila, suspirou, sendo literalmente empurrada por Shiro que tomava a frente da mãe olhando para Rin, emburrado.

- Tsc... — Virou a cara, olhando Rin que abaixava um pouco triste e tocava o ombro do pequeno.
- Não faz assim, Shiro-kun, Rin promete que volta logo, certo? — O garoto ainda mantinha uma expressão de poucos amigos, a verdade é que aprendeu a amar Rin como a uma irmã mais velha e vê-la partir estava sendo difícil para ele. — Por favor, Shiro-kun... — Fez uma expressão chorosa, vendo o menino levantar as mãos vencido.

- Certo, mas volte mesmo! Não quero que vá embora, eu gosto muito de você Rin-nee. — Se jogou nos braços da garota, notando um sorriso iluminar os lábios da mesma. — É uma promessa, voltarei logo você vai ver. — Disse por fim, afastando-se do garoto.

- Sango! — Exclamou uma Kagome contente, tomando a frente de ambos, não brigaria com o filho pela grosseria, pois sabia como o menino era apegado a Rin e aquela era a primeira vez que a garota deixava a vila. Se aproximou da amiga e cumprimentou as crianças com um sorriso maternal.

- Bom, já deixei tudo pronto! — Sango abraçou a amiga e depois se desvencilhou dos braços da mesma para abraçar Shiro.

- Agora... — Olhou para os filhos, com um leve sorriso. — Venham cá. — Disse para os mesmos que se agarraram a mãe, chorosos. — Se comportem certo? Seu pai estará logo aqui, então enquanto estiverem na casa da tia Kagome tentem não dar muito trabalho. — Sorriu, orgulhosa quando os três responderam ‘sim’ em uníssono.

- Sango-chan! — Foi a vez de Rin se aproximar, sorrindo gentil, trazendo consigo uma mochila amarela que ela há muito não via, Kagome provavelmente devia ter emprestado para a garota. Céus, como aquele utensílio trazia lembranças, assentiu com a cabeça e ambas deixaram para trás Kagome e as crianças.

- Rin-nee, se cuide! Não deixe de cumprir a promessa — O hanyou gritou, acenando para uma Rin contente que virava para encará-lo.

- Hai! Pode deixar, nem vai notar que saí, você verá, voltarei tão rápido que nem vai dar tempo de ter saudades. — E assim sendo se dirigiram para a saída da vila, onde encontraram Kohaku recostado sob uma árvore. Sango saiu de perto, dando espaço para os ‘pombinhos’ se despedirem.

- Kohaku-kun. — Rin sibilou, um tanto desconcertada, claro que pretendia vê-lo antes de partir, mas não sabia como seria até estar ali. Agora mantinha-se um pouco distante, tentando ocultar a felicidade imensa que tinha em deixar a vila. A verdade é que obviamente sentiria saudades de seus amigos, mas estava feliz por ir ao encontro de Sesshoumaru.

- Rin, cuide-se, certo? E não demore muito, volte pra mim! — Disse sério, aproximando-se da garota e abraçando-a de forma possessiva, ela retribuiu o abraço meio sem jeito, porém quando fez menção em afastar-se para consentir sentiu a pressão dos lábios do garoto nos próprios, impedindo-a de dizer ou fazer qualquer coisa. Afastou-se completamente vermelha, olhando na direção de Sango que parecia tentar não encarar ambos.

- Pode deixar, voltarei em breve. — Afirmou, soltando-se do noivo e indo de encontro a Sango e então ambas começaram a caminhar.
Já era noite, Sesshoumaru sentia-se estranho, não sabia o motivo, mas depois de aceitar o maldito acordo de casamento pensava cada vez mais em Rin.

Sentia mais saudades, sonhava com ela todas as noites, não que nesses cinco anos aquilo nunca tivesse acontecido, pelo contrário, durante todo aquele tempo perdera as contas de quantos sonhos tinha tido com a pequena, porém em sua maioria eram sonhos tristes, sonhos estes que faziam-no lembrar da crueldade que fizera por orgulho, deixando-a naquela vila humana enquanto se distanciava ouvindo seus pedidos e suas suplicas.

Porém agora sonhava que a reencontrava e que apesar de tudo Rin ainda o amava e que sentia tanta falta dele como ele dela. E então os sonhos se transformavam em um martírio ainda pior que os pesadelos, ele a beijava, tocava-a, no geral acordava excitado e se amaldiçoando por sempre acordar na melhor parte. Nem mesmo em sonhos conseguia fazê-la dele. Isso já se repetia há duas noites, portanto, para evitar constrangimentos e até mesmo frustração resolvera passar a madrugada daquela noite acordado, evitando ser levado pelo subconsciente, porém falhara miseravelmente, naqueles últimos dias andava bastante ocupado, no geral patrulhando as fronteiras de seu território, alguns problemas começavam a surgir e mesmo tendo muitos youkais poderosos em seu exército procurava sempre resolver as coisas pessoalmente, pois assim podia ocupar a mente e mandar para longe a frustração que sentia e aqueles pensamentos. Claro, também se aproveitava disso para descontar a raiva e matar quantos fracassados encontrasse pelo caminho.

- Rin... — Murmurou, colocando o livro sob a cabeceira da cama, estava com sono e mesmo a leitura era incapaz de afastar a morena dos pensamentos do Lorde, vencido resolvera tentar dormir, duvidava que conseguiria, mas ainda sim se deixava levar pelo sono e então adormecera.

- L-Lady Sayuri! — Exclamou um Jaken extremamente surpreso ao abrir os portões naquele horário, o que uma garota de família nobre faria ali naquele horário? Deu passagem para a ruiva que olhava o sapo com indiferença.

- Onde está Sesshoumaru? — Dizia friamente, mas ainda sim com um sorrisinho pervertido no canto dos lábios. Jaken a olhava reprovador ao escutar ela pronunciar o nome do Lorde com tanta intimidade. Certo, iriam se casar, mas ainda sim não deveria ser tão atrevida, fora cortado em seus pensamentos quando a garota adentrou o castelo sem esperar uma resposta.

- E-espere Lady Sayuri, Sesshoumaru-sama está repousando no momento, não acho prudente que o acorde, pois o Lorde esteve muito ocupado esses dias e... — Foi acertado por um chute, olhava indignado enquanto tentava erguer o corpo, porém o mesmo ainda estava preso sob o pé da ‘Lady’.

- Não acha prudente? E desde quando um ser insignificante como você tem a permissão de dar conselhos a uma Lady? Não seja desaforado seu imbecil! — Forçou ainda mais o pé sob o frágil corpo do youkai sapo que murmurava algumas coisas sem nexo devido a dor que sentia, somente o soltou quando se sentiu satisfeita, após literalmente pisoteá-lo.

- M-me perdoe, minha senhora, este servo não quis ofender! — Disse a contragosto, na verdade gostaria que Sesshoumaru expulsasse aquela mulherzinha nojenta do castelo, mas pelo rumo que as coisas iam seria praticamente impossível. Sentia falta da pequena Rin, ela sim sabia ser um amor de pessoa, embora vivessem discutindo, pois ele achava o comportamento infantil da pequena para com seu mestre deveras desapropriado.

- Tanto faz... Entretanto. — Encarou o pequeno com um sorriso maldoso. — Agora que estamos ‘entendidos’ sobre quem manda aqui... — Ergueu a mão e apontou para o espaço onde se encontravam, ou seja, o castelo. — Me diga onde é o quarto do Lorde Sesshoumaru. — Ironizou o ‘Lorde’ e o pequeno sapo deu um suspiro, erguendo-se do chão, ainda todo dolorido pela pequena demonstração ‘delicada’ da jovem.

- O Lorde não vai gostar nada disso. — Exclamou pensativo, notando que a mulher se preparava para bater nele novamente, se adiantou. — Mas... — Disse um pouco receoso, não querendo mais apanhar, já que teria que ser castigado, preferia que fosse o próprio Sesshoumaru a faze-lo. — Suba aquelas escadarias. — Apontou para um grande lance de escadas a direita. — Depois siga o corredor até o final é a ultima porta a esquerda. — Fez uma pequena reverência e deixou a youkai na sala.

Sesshoumaru estava em sono profundo, novamente se via com Rin, a jovem o olhava com aquele doce sorriso e então se aproximava do mesmo com uma expressão tímida.

- S-senhor Sesshoumaru. — Movia os lábios sutilmente, observando o homem que estava a centímetros de seus lábios. — Eu te amo tanto... — Dizia antes de ser tomada por um beijo voluptuoso, cheio de desejo contido, deslizava as mãos avidamente pelas costas da pequena que ofegava por entre os intervalos do beijo. O Lorde, agora recostava o corpo da pequena sob uma árvore que havia no jardim, era fim de tarde, o sol já estava se pondo, porém a primavera dava um clima agradável, o vento gentil acariciava a pele de ambos, enquanto as flores da bela árvore parecia contemplar aquele encontro com uma chuva de pétalas cor-de-rosa.

- Rin... — Murmurava o homem, desfazendo o laço do kimono e a outra não fazia nenhum movimento para impedi-lo, apesar sorria, deixando escapar um leve gemido enquanto ele passava a beijar a pele desnuda do pescoço e depois mordiscava o ombro da mesma, enquanto levava uma das mãos até as pernas bem torneadas da mulher, erguendo-a sutilmente, prensando ainda mais o corpo da garota contra o tronco da árvore, ela por sua vez, suspirava, deixando um gemido fugir por entre os lábios ao notar a excitação eminente do youkai.

- Eu te quero tanto, Rin... — Sussurrava as palavras do ouvido dela, sentia aquele cheiro doce que exalava do corpo da amada, o cheiro puro e desejoso que ela tinha no momento parecia deixá-lo louco.

As mãos delicadas tocando o abdômen despido dele, arranhando aquela região sutilmente, porém fora novamente desperto, mas não como as outras vezes, agora era diferente, aquele cheiro, aquele não era o cheiro de sua Rin, tinha certeza, há alguns minutos atrás o cheiro delicado e puro que sentia desaparecia, dando lugar a um aroma um pouco menos suave, não que fosse ruim, todavia, parecia não agradá-lo.

- Sesshoumaru... — Ouviu uma voz estranhamente familiar sendo sussurrada próxima ao seu ouvido, fazendo-o se sentar rapidamente da cama e encarar a dona daquela voz.

- O que pensa que esta fazendo? — Olho-a incrédulo, não podia acreditar no que estava vendo, Sayuri, sua suposta noiva estava praticamente deitada sobre ele, encarando-o com uma expressão debochada e ao mesmo tempo desejosa. Somente ai se lembrou de um ‘pequeno’ detalhe, estava nu, detestava dormir coberto, claro que quando não estava no castelo costumava utilizar roupas, mas ali, dentro de seu quarto gostava de se sentir livre para dormir mais a vontade.

E então as cenas vieram a mente do youkai lembrando-o de mais um detalhe, que estava excitado e ela o encarava, observando sua face e ora olhando para o membro, desejosa.

- ... — Não comentou absolutamente nada, apenas puxou as cobertas e tratou de esconder — ao menos tentar — a evidencia de sua excitação. A mulher o encarou, um pouco decepcionada agora, soltando um suspiro.

- Por acaso esta com vergonha de mim, Sesshoumaru-sama... — Entoou certa ironia, aquela forma de chamá-lo pareceu ao youkai demasiadamente grosseira e vulgar vindo daquela mulher.

- Você ainda não respondeu minha pergunta! — Disse irritado, levantando-se ainda enrolado no lençol. — O que está fazendo aqui? — Repetiu a pergunta, olhando-a friamente.

- Pensei em fazer uma visitinha ao meu noivinho, oras. Não posso? — Perguntou manhosa se atirando na cama. — Venha, me faça sua, Sesshoumaru, confesso que não tinha a intenção de me entregar a você hoje, mas depois de ver o seu estado seria um crime desperdiçar a oportunidade. — Anuiu maliciosa, mordendo delicadamente os lábios, enquanto observava o corpo maravilhoso que ele tinha. A pouca luz adentrava o quarto, contornando o corpo do youkai, os longos cabelos prateados pareciam brilhar, assim como os olhos âmbares. Era de fato irresistível, só de imaginá-lo sobre ela, fazendo-a gemer de prazer já deixava a mulher consideravelmente excitada e isso não passou despercebido pelo youkai que podia sentir o cheiro do desejo da mulher.

Aproximou-se da cama, encarando-a com uma expressão indecifrável, segurou os pulsos da mulher com força, fazendo-a sorrir de satisfação, adorava aquele jeitinho agressivo dele.

- Você me quer, Sayuri? — Disse no ouvido da fêmea, fazendo-a soltar um leve suspiro, enquanto ele mordiscava o lóbulo da orelha da mesma.

- Sim, por favor, Sesshoumaru, eu imploro. — Disse enquanto tentava livrar-se das mãos fortes do Lorde, queria tocá-lo, beijá-lo, perder-se naquele corpo tão atrativo. Fazia cinco anos que conhecia Sesshoumaru e desde o primeiro momento que o viu desejou estar naqueles braços, quando o pai lhe contara sobre o casamento não pôde deixar de ir atrás de seu macho, queria vê-lo, precisava se certificar que aquele casamento iria mesmo acontecer.

- Me quer muito? — Ele dizia, agora prendendo as mãos dela apenas com uma, deixando a outra deslizar pelo corpo da mulher que parecia estar em chamas, pôde constar isto, pois a roupa que a ‘Lady’ usava era um tanto quanto exposta demais, era um vestido justo, extremamente decotado, na verdade Sesshoumaru detestava aquele tipo de vestimenta, não achava nada atraente mulheres vulgares demais e Sayuri, sem dúvidas era vulgar, tão vulgar que não precisou nem ao menos tocá-la para fazê-la excitar-se.

- Céus, Sesshoumaru, por favor, não me faça implorar mais, eu preciso de você agora! — Praticamente gritou a ultima palavra, mais uma coisa que Sesshoumaru detestava, escândalos, um sorrisinho cafajeste surgia no canto dos lábios do Lorde, de fato ele não costumava sorrir, foram poucas vezes que isso aconteceu, mas naquele momento era impossível, puxou a mulher com tudo para cima, fazendo-a ficar de joelhos da cama e então segurou o queixo da mesma, ainda mantendo uma das mãos segurando as dela.

- Mulherzinha vulgar... — Disse, enquanto olhava frio a expressão de confusão que a mulher ostentava. — Saia. — Soltou a mulher e deu as costas a mesma.

- O que disse? — Exclamou surpresa.

- És surda, mulher? Eu disse saia! — Esbravejou o youkai, olhando-a por cima do ombro de maneira entediada.

- Como ousa? — Pulou pra cima dele como se quisesse esganá-lo, todavia, o youkai apenas moveu o corpo, agarrando os braços da mulher e fazendo-a encará-lo.

- Quero você fora daqui! Fora do meu castelo, fora das minhas terras, não se engane comigo, Sayuri. — Avisou, ainda mantendo frieza, um olhar tão intenso que chegava a causar arrepios na mulher. — Não pense que este Sesshoumaru está feliz ou deseja esse matrimonio. Não entre no meu quarto, não chegue no meu castelo quando lhe der vontade. — Empurrou a mulher, quase fazendo-a cair sobre a cama por perder o equilíbrio.

- Sesshoumaru! — Exclamou irritada, vendo-o pegar o kimono e vestir-se sem nem olhá-la.

- Você tem dez segundos para sumir da minha frente, acredite, se insistir em ficar aqui não respondo por mim. — Apenas colocou a calça, encarando-a, enquanto ela parecia fuzilá-lo com olhar.

- Você me paga! — Ameaçou, retirando-se do quarto, estava humilhada, irritada, não ia admitir aquilo. Se aquele maldito pensava que podia se livrar dela como se fosse uma vadia qualquer estava enganado!

Não disse absolutamente nada, apenas olhou para fora, vendo a mulher sair apressada pelo jardim e por fim encontrando Jaken, próximo ao portão da entrada do castelo, não sorriu ou sentiu-se vitorioso por mandá-la embora, porém se sentiu mais tranqüilo. Como homem tinha necessidades, obviamente, mas não conseguia entender os motivos de não sentir nada por nenhuma outra fêmea desde que deixara Rin na vila.

Rin e Sango já estavam andando há um certo tempo, claro, com a ajuda de Kirara, a viagem estava quase no fim, todavia, não queriam deixar a pequena muito cansada, por isso optaram por caminhar já que estavam quase em seu destino.

Já fazia cinco dias que estavam viajando, agora acabara de amanhecer, Rin foi a primeira a acordar, chacoalhando Sango que suspirava, cansada.

- Rin, ainda é cedo... O sol acabou de nascer! — Exclamou a mulher, abrindo os olhos ainda sonolenta.

- Por favor, Sango-chan, estamos quase lá. — Mordeu os lábios nervosamente, notando que a caçadora erguia o corpo. Tinham se informado direitinho em algumas vilas que encontraram pelo caminho, todos comentavam que as terras que ficavam ao Oeste eram domínios de um youkai muito poderoso e que não se atreviam a pisar na região, porém elas não temiam, Sango sabia se defender, levava consigo a arma que utilizava em seus tempos de caçadora, além de ter Kirara para auxiliar e provavelmente quando chegassem Sesshoumaru não permitiria que ninguém fizesse mal a Rin.

Tudo estava perfeito, exceto pelo jeito insuportavelmente irritante que Rin vinha agindo, mal paravam para descansar, fora um milagre convencer a pequena que viajar durante a noite era demasiado perigoso para todos, mas assim que o sol nascia a garota se punha de pé e fazia questão de fazer Sango se apressar.

- Ao menos coma alguma coisa, Rin, você não tem comido quase nada desde que essa viagem começou. — Sango se levantava, tratando de arrumar as coisas e retirar algumas frutas que tinha conseguido numa vila no dia anterior, entregava a menina que fazia uma careta de desgosto, não que fosse enjoada para comer, mas se sentia feliz demais para se quer lembrar que precisava se alimentar, queria chegar logo.

- Certo. — Aceitava a contragosto. — Eu vou tomar um banho, volto logo. — Disse a caçadora e seguiu para um rio que passava perto. Após um tempo retornou, utilizando um kimono belíssimo, vermelho, com alguns detalhes dourados, os longos cabelos estavam perfeitamente alinhados.

- Podemos ir? — Olhou para a caçadora que agora já estava com tudo pronto, Kirara já estava transformada, subiu na youkai, dando a mão para Rin, ajudando-a e for fim seguiram viagem.

Viajaram a manhã inteira, nem se falavam direito, embora Sango quisesse tocar no assunto ‘casamento’ com Rin, sabia que naquele momento a garota só tinha tempo para pensar em Sesshoumaru, esperava poder achar a hora certa de conversar.

O sol já estava alto, estava quase na hora do almoço, mas estavam tão perto que decidiu não dizer nada, sabia que a garota não iria aceitar. Finalmente agora estavam chegando, já dava para avistar ao longe o castelo do Lorde, finalmente, suspirou.

- Rin, chegamos... — Comunicou, apesar de já compreender que a garota tinha notado, pois se mexia nervosamente, vez ou outra apertando a manga da roupa de Sango, optaram por voar até perto dos portões, pois temiam que alguns guardas viessem barrá-las no meio do caminho e isso iria deixar Rin muito frustrada.

Se arrumara bastante, tentando aparentar o mínimo de cansaço possível, estava realmente muito bonita, não queria ter que acabar com as esperanças da pequena. Assim que o youkai pousou no chão, ambas desceram, Rin apreensiva e Sango cansada. Rin se aproximou do grande portão e tocou gentilmente o mesmo, parecia pensar se chamava logo ou se ficava ali o dia todo observando os detalhes entalhados na madeira avermelhada. Sango, por fim, após escutar diversos suspiros e ensaios da garota tomou a frente, batendo e chamando.

- Sesshoumaru! — Gritou a caçadora, observando uma Rin apreensiva puxá-la pelas roupas. Não tinha tempos para formalidade e nem sabia como deveria agir numa situação daquelas, afinal, nas vilas que tinham castelos como aqueles, vilas humanas, os portões geralmente estavam abertos e sempre se podia encontrar alguém para pedir informação, mas ali era diferente.

- Céus, Rin, pare de me puxar! — Sango exclamava irritada, notando a garota fazer um bico infantil como se estivesse reclamando da bronca. — De qualquer forma alguém vai aparecer, então calma! — Mal terminou de falar aquilo e o portão se moveu, um jovem de longos cabelos dourados encarava as duas, um pouco confuso.

- Yare... Humanas? Isso é tão... — Parecia pensativo, não sorria, nem se irritava, nem ironizava, apenas observava ambas de maneira curiosa. — Inusitado! — Complementou.

- Ahn, er... S-Sesshoumaru-sama... — Rin tomava a frente de Sango, ganhando a atenção do jovem que utilizava uma belíssima armadura, era muito bonito de fato, nem podia descrever o quão sem jeito ficou ao sentir os olhos azuis daquele belo youkai sobre ela. Apenas abaixou um pouco a cabeça.

- Ora, Lorde Sesshoumaru? — Perguntou confuso, imaginava desde quando seu Lorde tinha negócios a tratar com humanos. — Bom, ele está nesse exato momento na biblioteca, não sei o que fazer... Na verdade eu cheguei há pouco, Jaken foi avisar ao Lorde sobre minha chegada e então eu escutei vocês chamando com tanta vontade que não resisti vir ver do que se tratava. — Sorriu, maroto, observando Rin corar.

- Mas, já que chegaram até aqui, creio que não seja eu que vá expulsa-las ou impedi-las, não é? Vamos, entrem, deixemos que Jaken decida o destino de ambas. — Puxou Rin para dentro e foi seguido por Sango, quando entrou complementou a beleza do local, tinha um belíssimo jardim, apesar de tentar ignorar os olhares enjoados e desconfiados dos guardiões que se mantinham do lado de dentro do portão, fora impossível. Era de fato incomodo, andou de cabeça baixa até encontrar o fim do jardim e observou o loiro parar ao lado dela.

- Então... Desculpem perguntar, mas de onde conhecem Sesshoumaru? — O loiro abaixou um pouco a cabeça, olhando diretamente para o rosto de Rin que permanecia abaixado, ela levou um pequeno susto e deu um pulinho para trás, quase caindo, não fosse as mãos abeis do youkai a impedirem. Ele deu um pequeno riso, observando a face da garota ficar mais vermelha que uma rosa em seu ápice. — Desculpa! É que eu realmente... Hahaha — Riu de novo. — Desculpa, mas sua reação foi tão engraçada... — Ajudou a jovem a se equilibrar e então ergueu o rosto dela com a mão.
- Ei, calma, não lhe farei mal, apenas estou curioso. — Ele não odiava humano, tão pouco os apreciava, todavia, diante de uma garota tão bonita era impossível não demonstrar agrado.

- S-Sesshoumaru-sama... — Moveu os lábios sutilmente, encarando a face do Lorde que agora parecia andar em passos largos até onde se encontravam. Imaginava se ele podia sentir sua presença mesmo daquela distância, quer dizer, não sabia onde ficava a tal biblioteca, mas ainda sim era incrível. Ele estava tão lindo, não usava armadura, estava apenas com um kimono normal, carregava as espadas na cintura, mas parecia bem menos formal do que quando usava a armadura. Os longos cabelos prateados continuavam longos e belos, tão belos que superava as lembranças da pequena. Ela sentiu as pernas fraquejarem, tentou correr, mas as juntas reclamavam, quase fazendo-a ir ao chão, mas ainda sim tentava manter-se de pé. Não se incomodou pelos olhares desconfiados do loiro que ainda estava curioso, olhando a reação dela.

- Sesshoumaru-sama... — Os olhos da morena marejaram, assim que o youkai pousou os olhos na pequena, estancou, não conseguia mover um só músculo, imaginava estar ficando louco quando sentiu a fragrância de Rin, imaginava que era mais um devaneio, mas sem saber o motivo desatou a andar rapidamente para fora da biblioteca e percorrer o corredor mais rápido do que o normal. Jaken passou por ele, tentando chamar a atenção do Lorde, mas nem conseguiu faze-lo notar sua presença.

- Rin... — O homem moveu os lábios de forma tão sutil e a voz saiu tão embargada que mal tinha som, apenas observou a pequena se aproximar, tremula, chorosa, tentou se conter, mas antes mesmo que pudesse deixar o orgulho falar mais alto, envolveu a cintura da mulher, puxando-a para si.

- Sesshoumaru-sama, eu... Eu senti... Oh, Sesshoumaru-sama... — A garota não conseguia deixar nada com muito nexo, só chorava, sentindo aquele abraço apertado, chorava ainda mais, recostou a face sob o peito do homem, puxando as vestes do mesmo com desespero, chorando e demonstrando o quão doloroso fora aquele tempo longe dele. Quanto tempo esperou por aquilo? Quantos anos? Céus, estava no céu, estava quase acreditando que sofrera um acidente na viagem e morrera, indo parar no paraíso, ele estava ali, abraçando-a.

- Rin... — O homem ainda não parecia acreditar que aquilo era real, tampouco se importava com a expressão de extrema surpresa do general que observava ambos tentando compreender o que se passava ali. Afrouxou um pouco o abraço, levando uma das mãos até a face chorosa da garota, deslizou os dedos sutilmente pela pele alva, sentindo o calor e a delicadeza daquela tez, colheu as lágrimas que pareciam não cessar e após isso novamente a abraçou, deixando o rosto repousar na curva do pescoço da morena que deixou um pequeno suspiro escapar.

- Não acredito... É você mesma! — Mais parecia tentar convencer a si próprio, convencer-se de que aquele não era mais um de seus sonhos, mais um devaneio, continuou segurando firme o corpo frágil da garota que não se incomodava nenhum pouco com a situação.

Notas finais
Gente eis o fim do terceiro capítulo! Espero que tenham gostado e se possível comentem, deixem sugestões, assim posso colocar em prática a idéia de vocês também. See ya! ;*