Agora Ou Nunca

6 Um amigo como Gaara


Notas iniciais
Problema com a net resolvido. Capítulos fresquinhos.
Boa Leitura!

Ino estava nervosa ainda com a revelação da doença de Lee. A chegada de Neji a distraiu um pouco, mas não a ponto de esquecer do problema. Aliás, começou imaginar que a chegada do primo de Hinata traria mais problemas. Tenten implicava com ele a qualquer hora e por qualquer coisa. Não entendia como ele agüentava calado. Ele é um poço sem fim de paciência. Até Hinata que é a mais condescendente das quatro tinha perdido a paciência com a castanha. E ele? Apenas sorria para ela. Não com deboche, mas com afeição. Vai entender...

Mas esse é o seu menor problema. Aliás, não é seu problema. Deixaria esse cabo-de-guerra para eles resolverem. Pelo menos ela iria se divertir a custa deles enquanto o moreno estivesse morando com elas. Afinal aquelas implicâncias eram engraçadas.

Estava com dor de cabeça. Por mais que se distraía durante o dia, quando chegava a hora de dormir, ficar rolando de um lado para o outro e era vencida pela insônia. Estava cansada naquela segunda, e olha que os problemas ainda nem tinham começado... Sua aparência estava horrível e era a primeira vez que não se importava com isso.

Isso chamou a atenção de Gaara. Sempre viu a amiga bem produzida, maquiada, perfumada e hoje parecia que tinha travado uma verdadeira batalha com o espelho e com o guarda-roupa. Nunca tinha visto Ino assim. Com certeza aconteceu alguma coisa. Sabia disso porque via que ela olhava para a tela do computador e não a via com clareza. Seus pensamentos de vez ou outra fugia de sua mente e quando parecia que ele voltava, ela soltava um longo suspiro.

Ele não tinha como não reparar. A cabine onde trabalhava era em frente à cabine de Ino. E quando ela deu o oitavo suspiro do dia, sim ele estava contando, ele decidiu dar um basta naquilo. Saiu de sua cadeira e foi em direção à sua amiga. Ficou atrás dela e iniciou uma massagem relaxante em suas costas.

— Vamos me conta. O que te aflige tanto? Não me diga que não tem nada e que está tudo bem porque eu te conheço muito bem e sei que tem alguma coisa te incomodando. Sei que não é a falta dos seus cartões de crédito picados outro dia porque você sempre liga para os bancos pedindo outro. Isso não é problema para você. Então só posso presumir que seja uma coisa com o anêmico do Sai, ou algo mais grave. Espero que seja algo mais grave porque não vou permitir que você se estresse com aquele anêmico. Já te disse que ele não é homem pra você. Você merece alguém melhor.

— Não fala assim do Sai! Eu amo ele. Ele é o homem certo pra mim. Vocês vão ver, ele vai se separar da mulher. É ela que fica atrapalhando a vida dele.

— Ino, Ino... Quantas vezes tenho que te dizer para não se iludir com isso. Cai fora dessa confusão. Isso só está te fazendo mal!

— Pára Gaara! Sai me ama. Nós vamos ficar juntos. Mudando de assunto, meu problema não é com ele. É o Lee na verdade.

Gaara para a massagem e senta-se ao lado da loira interessado no rumo da conversa. Gostava do Lee.

— O que aconteceu com ele?

— Sexta-feira fui com as meninas até a casa dele, já que ele tinha nos chamado. E então ele nos soltou uma bomba na nossa cabeça. Ele está com câncer no sistema linfático. Doença de Hokin, ou algo do gênero.

— Hodgkin.

— Isso!

— Sério mesmo? Isto é, já foi confirmado?

— Sério sim. Já foi sim. Sinceramente não sei o que fazer. Lee não merece isso.

— Ino... Vocês têm que ser forte por ele. Ele precisará de vocês, não será nada fácil para ele.

— É eu sei. Lembrei do que você passou com a sua mãe.

— Quando minha mãe descobriu o câncer de mama já era tarde. Não havia muito que fazer por ela. Mas com o Lee será diferente. Ele sobreviverá. Mas você terá que ter a coragem que insistirá em fugir dele.

— Não sei se terei essa coragem toda...

Gaara levantou-se e ficou novamente atrás de Ino e recomeçou a massagem. Abaixou a cabeça e falou em seu ouvido:

— Quando chegar a hora você encontrará.

Ino virou seu rosto em direção à Gaara, ficando milímetros de distância do ruivo e perguntou:

— Será?

— Tenho certeza. – e Gaara dá um sorriso reconfortante para a loira.

Mas são interrompidos por uma voz que invadiu a sala onde trabalham:

— Interrompo algo? – era Matsuri, namorada de Gaara.

Matsuri e Gaara se conheceram na faculdade, e desde então namoram. Gostavam-se sem sombra de dúvida, mas a garota era ciumenta, sendo que toda a briga do casal era por causa desse ciúme infundado dela. Ela nunca teve ciúme da loira, mesmo porque sabia que Ino tinha namorado (só não sabia que ele é casado). Mas depois da cena que estava vendo começou a ficar intrigada. Ino é bonita, não podia negar, e ela está sempre com o seu namorado. Será que ele estava começando a se interessar por ela? Ia começar a prestar mais atenção nos dois.

— Claro que não! Ino só está com alguns problemas e por isso estávamos conversando.

— Ah, ta! Sei...

— Vou deixar vocês a sós. Sai me mandou um e-mail me chamando para almoçarmos juntos. Vou indo. Beijos.

E Ino pegou sua bolsa e saiu. Era verdade que Sai a chamou para almoçarem juntos e estava morrendo de saudades do seu moreno, mas pela primeira vez se sentiu incomodada com a presença de Matsuri. Viu ódio nos olhos dela e estavam direcionados à ela, percebeu isso. Só não entendia o porque. Mas não ia se preocupar com isso agora. Estava se sentindo um pouco melhor depois da conversa com Gaara e decidiu se encontrar com Sai com esse pouco bom humor que tinha.

Chegou no restaurante e teve que esperar um pouco até Sai chegar.

— Desculpe a demora. Fiquei preso conversando com um cliente.

— Não tem problema. O importante é que está aqui. – Ino tentou beijá-lo.

— Aqui não Ino. Estamos num lugar público, esqueceu? – disse Sai desviando da loira.

— Desculpe. – Ino ficou cabisbaixa. Nunca podiam demonstrar carinho em público e isso a frustrava às vezes.

— Feliz Aniversário atrasado. – Sai segurou a mão de Ino brevemente enquanto a felicitava, mas logo tirou a mão. – Vamos pedir nossa comida?

— Claro. – a loira ficou feliz com aquele breve carinho.

— Preciso te contar uma coisa, Ino. Vou dar entrada no pedido de divórcio.

Ino não escondeu a felicidade diante da notícia. Finalmente o teria só para si!

— Sabe, não dá mais. Essa última viagem foi a gota d’água. Mas lhe peço descrição, por favor! Precisamos diminuir nossos encontros. Não sei como ela reagirá com o pedido de separação e não quero confusão com isso. Não quero te envolver nessa história. Por favor, me entenda!

— Claro que entendo, Sai! Mas que notícia boa!

— É sim. Tenha um pouco mais de paciência, ok?

— Terei toda a paciência do mundo, por você!

Assim, nesse clima de felicidade Ino almoçou com Sai. Pela primeira vez ele não a levou até o serviço dela. Alegou que era para não levantarem suspeitas e a loira concordou. Foi nesse clima de alegria que voltou à sua mesa e encontrou um Gaara bravo olhando a cidade pela janela.

— Não me diga que você e Matsuri brigaram?

— Tá bom, não direi.

— O que foi dessa vez?

— Ela está com ciúme de você. Disse que conversávamos muito próximos. Argh!

— Quer que eu converse com ela?

— Não, mesmo porque não quero conversar sobre isso com você. Como foi o seu almoço com Sai?

— Ótimo! Ele vai finalmente se divorciar da vaca sem teta da mulher dele.

— E você acreditou?

— Gaara! – Ino o repreendeu. Tudo bem que o ruivo não gostava do Sai, mas podia pelo menos respeitar o amor que ela sentia pelo moreno, não é?

— Tudo bem. Não falo mais nada. Você sabe o que faz. Não quero falar sobre aquele anêmico também. Estava te esperando para terminar nossa conversa sobre o Lee. Vem, vamos nos sentar.

Assim sentaram Ino em sua cadeira e Gaara ao seu lado.

— Ino, deixe de lado um pouco de lado a sua história com o Sai. Seu amigo Lee está precisando muito mais de você. Como eu disse antes você precisa ser forte por você e por ele. Lee ficará debilitado e isso o deixará deprimido, mal humorado. Você não poderá se abalar com isso, pelo menos na frente dele. E quando você sentir que vai fraquejar, me liga, mas não deixe isso transparecer à ele. Ino, isso é sério. Se quiser eu posso passar na casa do Lee e conversar com ele.

— Obrigada Gaara. Seria ótimo, mas ele está no hospital. Ficará hoje e amanhã pelo menos. Hoje está fazendo uma série de exames e amanhã talvez já começará o tratamento.

— Não tem problemas. Posso ir até lá. E quando você irá vê-lo?

— Amanhã de manhã. Ele não quer ninguém hoje com ele, mas pediu para mim e para as meninas estarem com ele amanhã.

— Ótimo. Esteja sim e sempre com um sorriso no rosto. Mas com um sorriso sincero. O que ele menos precisa é que sintam pena dele. Bem, de manhã não poderei vê-lo, afinal alguém tem que segurar as pontas na sua ausência, mas posso dar uma passada no hospital quando sair daqui, depois do expediente.

— Obrigada. Você não existe! É bom tem um amigo como você.

Gaara sorriu para Ino. Um sorriso fraterno, como se assim a confortase. E a abraçou forte. Ino sentiu escorrer uma lágrima.

Era tão bom ser abraçada, amparada, consolada. Sentia falta disso em Sai. Nunca podiam demonstrar qualquer carinho que fosse em público. De repente se sentiu aquecida, completa ao lado do amigo. Seu coração não estava mais oprimido, sentiu como se tirassem um peso enorme sobre suas costas. Gaara tinha esse poder sobre ela. Sabia que poderia contar sempre com ele.