Agora Ou Nunca

7 Almoçando com o inimigo - Parte 1


Notas iniciais
Como o capítulo fcou muito grande, dividi em duas partes, mas hoje mesmo postarei a segund parte.
Boa Leitura!

A semana mal começou, era segunda de manhã e lá estava Sasuke mais uma vez caminhando em direção à mesa de Sakura.

Era hoje a apresentação da campanha do absorvente interno. Ele estava incrivelmente lindo. Até Sakura teve de admitir, internamente claro. Nunca admitiria uma coisa dessas em voz alta. A camisa verde clara, com dois botões abertos dando uma pequena mostra de seu peito deixa-o extremamente charmoso. Não havia uma mulher ali que não tinha pensamentos nada puros direcionado ao Uchiha. Menos Sakura. Admitia que ele estava lindo, mas ela não tinha tempo para pensar em sexo. Ainda mais a revelação da doença do amigo na sexta fazia com que Sakura não tivesse outro tipo de pensamentos que não fosse focado no amigo.

Assim que viu o moreno próximo á sua mesa Sakura mudou de expressão. Tornou-a mais dura e enigmática, mais ainda, pois ainda estava tensa por conta de seu amigo.

— Bom dia Saky! – o sorriso largo de Sasuke lhe ocupou todo o rosto.

— Sr. Uchiha. – porém Sakura reagiu com frieza e um olhar que assustaria qualquer um. – Meu nome é Sakura se não se importa. – Manteve a frieza e o olhar. Ficou esperando que ele se retirasse, e de preferência intimidado.

Em vez disso, ele se apoiou em sua mesa e começou a rir. Assustou-se, não esperava esse tipo de reação. Era a primeira vez que alguém não se intimidava com a sua voz fria e o olhar fulminante. Teve a sensação que um desastre aconteceria.

Mas o pior aconteceu, pelo menos para ela. Não sabia o porque, mas começou a reparar nos seus dentes, todos alinhados e brancos. A proximidade permitia reparar no porte físico. Mesmo vestindo camisa e paletó sabia que ele tinha ombros largos e os dois botões abertos da camisa permitiam olhar um pouco no peitoral. O rosto fino, a barba bem feita. Não estava gostando daquilo. Sasuke é um homem bonito e atraente. Epa! Ficou receosa de si mesma. Muito receosa. Ele finalmente parou de rir.

— Sr. Uchiha. – imitou a voz dela com os olhos negros olhando para Sakura com o que pareceu ser uma onda de afeição. Imóvel, ela o encarou, fazendo o que podia para sustentar a frieza, mas estava difícil. – Sr. Uchiha... – repetiu ele. – Adoro isso! Sabe de uma coisa, Sakura? Você é maravilhosa.

Ao ver que ela olhava para ele impassível, disse:

— Desculpe se a ofendi dando a impressão de intimidade. Vou tratá-la de Sakura de agora em diante. A não ser que prefira ser chamada de Srta. Haruno.

A fração de segundo que ela levou para externar um protesto foi longa demais. Sasuke rolou de rir, mais uma vez, dizendo:

— Acho que prefere isso. Pois muito bem, será srta, Haruno, então. Agora, Srta. Haruno – continuou com um tom de voz profissional. – precisamos marcar uma reunião para discutirmos o excesso de despesas na conta da cerveja Smith. Os executivos do absorvente estão chegando para a apresentação da campanha, de modo que seria melhor discutirmos o assunto durante o almoço.

— Almoço? – perguntou ela, com indiferença. – Pago com a verba de que cliente? – Sakura não estava disposta a ser comprada.

No mundo da propaganda é muito comum almoçarem em um restaurante caro e da moda. Afinal na maioria das vezes são nesses almoços que os publicitários ganham seus clientes. Mas Sakura era a contadora da agência. Ela não mostrava empolgação nenhuma sobre isso, pelo contrário. É mais fácil ela se irritar diante a idéia de uma campanha estourar a verba, e esses almoços ajudavam e muito a estourar.

— Afinal, — continuou ela – se o assunto é excesso de despesas, não me parece apropriado que discutamos isso gastando mais dinheiro ainda.

Eu pago o almoço. – ofereceu Sasuke, dando ênfase do eu.

Sakura riu, mas Sasuke não se sentiu encorajado pelo tom do riso.

— Boa tentativa Uchiha. – elogiou ela – Mas saiba que eu vou verificar todas as requisições de reembolso depois. Você sabe disso.

Os diretores de contas, na publicidade, jamais pagam coisa alguma. Guardavam os recibos de tudo o que consumiam na vida, e depois tentavam um reembolso pela empresa. A função de Sakura e olhar todos os recibos e realmente fazer o cheque com o valor justo. Mas a rosada já viu de tudo e mais um pouco ali. Eles eram abusados (e folgados).

— Você tem a minha palavra. – insistiu ele. – Vou pagar pelo almoço com dinheiro do meu próprio bolso.

— Não.

— Ora, vamos. – brincou ele. – Almoço. Com Sasuke Uchiha. Não aceite produto genérico e nem similar.

— Não.

— Sakura, isso não é uma cantada. – sua expressão tornou-se séria pela primeira vez. – Eu realmente preciso conversar com você a respeito do excesso de despesas na planilha de uma das contas.

— Sinto muito. – Sakura mentiu. – Estou com muito trabalho, por causa do fechamento do ano fiscal. – A verdade é ela já conseguiu adiantar tudo, mas não ia lhe contar isso. – Por que não conversa com a minha assistente, Meg? Ela tem condições de ajudá-lo, e estou certa de que apreciaria almoçar fora com a sua pessoa.

— Certo. – disse Sasuke desolado, e se afastou.

Mas não se deu por vencido. Aquilo não era uma coisa que normalmente ele faria, mas estava desesperado diante de mais um fora. Queria aquela rosada. Com esse pensamento foi até a sala de Kakashi pedir-lhe que mexesse alguns pauzinhos.

— Kakashi, preciso que você me faça um favor. – disse Sasuke, dispensando as amabilidades.

Kakashi já sabia o que Sasuke queria, pois estava observando a conversa entre ele e Sakura.

— Desiste cara. Ela não cai na conversa de ninguém. Porque não dá uma chance à Karin? Eu sei que ela está totalmente na sua.

— Não obrigado. Acontece que independentemente de qualquer outra coisa, eu preciso realmente conversar a respeito da verba da conta da Smith com Sakura.

— Você pensa que eu nasci ontem? Converse com Meg. Ela é outra que apreciaria a sua presença.

— Por favor. Fale com Sakura. – pressionou Sasuke – e eu ficarei em débito com você.

Kakashi parou para considerar o assunto. Sasuke era um cara muito teimoso, conforme já percebeu pelo insistente interesse na Sakura. Começou a considerar que se ele conseguisse chegar a algum lugar com a Senhorita Gelo, ia acabar perdendo o interesse nela. A essa altura, então seria ela que provavelmente estaria a fim dele, e isso sim, ele gostaria de presenciar.

— Está certo, então. – resmungou Kakashi, levantando-se pesadamente da sua cadeira.

Quando Sakura viu Kakashi se arrastando devagar em sua direção. Olhou mais a frete e viu que Sasuke estava na sala dele. Sacou o que vinha em seguida. Sasuke tinha feito queixinha ao chefe. Porém, não podia negar que ele estava tentando, e com vontade, de chegar nela.

— Olhe aqui, escute uma coisa, – começou Kakashi – você vai ter que sair com Sasuke para discutir a porcaria das verbas. – Já começou atacando afinal tratando-se de Sakura ele achava que assim seria a melhor defesa.

— Isso é uma ordem?

— Podemos dizer que sim.

— Você não é meu superior.

— Sei que não sou seu chefe direto. Acontece que o rapaz está super preocupado com a conta e Meg pode ser boa, mas ele quer resolver o assunto direto com quem comanda as coisas. É apenas um almoço! Pra falar de trabalho!

Era apenas um almoço, tinha que reconhecer.

— Certo. – suspirou e concordou.

Kakashi foi devagar, mas de forma altiva, em direção à sua sala.

— Você está dentro, meu jovem. – comunicou a Sasuke, que parecia aflito. – Não se esqueça de me contar depois como é que foram as coisas. – e completou com um sorriso safado.

O telefone em sua mesa tocou.

— O pessoal do Absorvente já chegou. Boa sorte. – avisou assim que ouviu o recado.

Não sabia se era a euforia, afinal finalmente conseguiu um momento com Sakura, mas a apresentação foi um sucesso. Seu desempenho foi tão poderoso que eles mesmos quase começaram a acreditar nas qualidades do produto.

— Acho que já estão no papo. Precisamos comemorar. – comentou Naruto ao ver os homens saírem maravilhados.

Normalmente depois de uma apresentação bem-sucedida, como aquela, toda a equipe saía para comemorar com um almoço farto e regado à bebida. Entretanto, naquele dia Sasuke abriu mão de se juntar a eles. Apesar disso, incentivou-os a ir, dando-lhes as suas bênçãos, não sem antes verificar que restaurante pretendiam invadir. Queria levar Sakura para o mais longe possível desse local.

Do outro lado, Sakura passara a manhã atolada até o pescoço de projeções e assuntos contábeis. Tinha pedido autorização para entrar mais tarde e sair mais cedo do serviço durante um mês. Não se esqueceu do amigo Lee, sabia que ele pediu para que todas passassem a manhã com ele, mas queria ficar o máximo de tempo com o amigo. Além do mais, é uma excelente funcionária, e essa mudança em nada atrapalharia no seu desempenho. Porém, com tanta coisa martelando na sua cabeça, esquecera-se por completo de Sasuke Uchiha.

À uma hora da tarde, Sasuke, com jeito tímido, se materializou diante de sua mesa. A euforia já dissolvida pelo embaraço por ter apelado a fim de sair com ela.

Ela por sua vez, tinha os olhos tão vidrados na tela do computador que demorou para perceber a presença do moreno. Apenas deu-se conta com o pequeno pigarro que ele deu à sua frente. Virou-se para sua direção e só então lembrou:

— Ah, sim! Claro, o almoço de trabalho a respeito da conta da Smith – disse indiferente, mantendo-o parado ali, enquanto ela terminava de fazer alguns cálculos. Era algo que não tinha pressa, mas por que deixar o trabalho inacabado?

Desligou o computador, pegou sua bolsa e parou ao lado do moreno.

— Então vamos? – perguntou Sakura.

— Claro.

E rumaram em direção porta à fora. Sasuke é claro segurou a porta esperando Sakura sair, como um perfeito cavalheiro.