Agony
3 Answer,answer,answer...
Notas iniciais
Não faço a mínima se ficou bom ou não...
Agradeço também as divas que estiveram em meu review anterior,Amo vocês!
Perdoem-me pelos erros e boa leitura! ^^
19h00min
Estou pensando em como estou em frente a um bar com sinuca há 40 minutos esperando Mello chegar.Encaro o visor do meu celular como um inimigo que está prestes a me matar,já liguei para o loiro 5 vezes e na 6° vez,o celular foi desligado.Vestindo uma camisa branca e por cima meu casaco listrado preferido,calça jeans colada ao corpo e meu velho ar de esperança de que Mello tenha coragem de aparecer para o encontro que ele mesmo marcou sem me fazer esperar mais.
Eu sou mesmo um babaca.
A sinuca fica em mais um beco escuro na região mais sombria de Kanto.Conhecida pelos seus milhares de crimes e perigos em cada centímetro quadrado de suas ruas escuras e sem nunhum tipo de iluminação decente.Encaro o poste de luz a minha frente,que parece que sua pequena luz está prestes a se apagar,revelando a escuridão de mais uma ruela sinuosa.
Deveria ter ido embora,mas meu instinto idiota estava me dizendo “-Relaxe Matt,sabe que o Mello leva horas para arrumar aquele cabelo de Madonna”
Estava.
Flashback on
–Hey Matt,que tal irmos lá na sinuca de sempre?-Perguntou Mello com seu ar infantil,causando-me arrepios crescentes.
–Mello,se você me der bolo,eu nunca mais falo com você- Virei-me e notei que seu ar era de arrependimento.Talvez eu esteja mesmo pegando pesado com ele.
–Tudo bem,nos encontramos lá ás 18h00min.
–Ok.
Flashback off
Deveria ter notado que ainda estava de “mau” com Mello e que sair com ele como se nada tivesse acontecido não estava nos meus planos de coração partido.Mas como antes,não consigo dizer não a ele.
Encontro-me agora andando de volta para casa.Sozinho.Lembrei-me que todos os dias íamos a esse bar sem nome,para jogar,apostar e ver Mello xingar alguém por causa de jogo.saudades desses tempos...
Na minha cabeça,penso que mais uma vez falhei.Não devia ter deixado que me dominasse novamente.
Bury all your secrets in my skin
Come away with innocence,And leave me with my sins
The air around me still feels like a cage
And love is just a camouflage for what resembles rage again...
Paro num instante para atender o celular.
–Mochi-mochi?
–Yo Matt,onde está?
–Raito.Estava esperando Mello na sinuca -Continuo andando sentindo que meu casaco listrado não está dando nesse frio que cerca as ruelas em que passo.Raito se cala e suspira.
–Ele está aqui em casa.Com o Near.
Paro.Não acredito no que ouço.Mello teve coragem de me deixar novamente por causa daquele filho de uma ovelha inexpressiva!Como eu posso ser tão idiota?
–Matt?Matt,venha até aqui em casa!
Desligo o celular e o jogo longe,extravasando toda minha raiva.Andando em passos lentos,me esgueiro até um beco sujo e mal iluminado.Desabo ali lentamente,sentindo meus olhos arderem querendo liberar toda minha raiva e frustração.Finalmente,lágrimas salgadas caem em meu rosto,que agora está pálido e sem vida.
–MELLO SEU FILHO DA PUTA!-Grito com todas as forças que tenho,as palavras sujas que pronuncio se misturam e fazem eco com minha solidão.Não dá mais.Não dá para viver desse jeito!De cabeça baixa,sinto uma silhueta se aproximar lentamente de mim e se senta ao meu lado.Não tenho coragem de fazer nada,espero que seja alguém que acabe com minha agonia e leve ao inferno.
–Que coisa feia,Mail.Não deveria estar aqui
Com a voz embargada pelo sarcasmo,Beyond brinca com uma faca ensanguentada no meu braço.Não me movo.Na verdade,não temo Beyond,só tenho a lhe agradecer pelos momentos em que sumiu com Near para conversar e deixou-me as sós com Mello.Num estante,ergo meu olhar e encontro os de Beyond,aqueles orbes escarlates como o sangue que corre em minhas veias e sinto um arrepio quando este abre um sorriso mais demoníaco que Mello.
–Veio aplaudir minha dor? -Hesito num instante e digo em voz fraca e embargada pelo choro.
–Sua dor é um privilégio para mim.-Diz sem nenhum resquício de maldade- Mas somos amigos Matt,por mais que amo dor e sofrimento,meu irmão tem razão.Você está sofrendo atoa.
Atoa?Talvez seja isso mesmo.Agora dentro de mim,cresceu uma fagulha de raiva,ódio e uma idéia de que tudo que me cerca,é uma mentira sem igual.Não faço nada a não ser me lamentar por ser rejeitado por um filho da puta que nunca me disse nada além de mentiras e idiotices.Levanto-me devagar,sentindo novamente a dor tomar conta de mim e Beyond me acompanha com sua faca ainda em mãos.
–Eu te prometo Beyond -Pego sua faca e faço um pequeno corte na palma da minha mão.Ele acompanha meu gesto fascinado-Que nunca mais vou amar alguém e deixar que Mello pise em mim -Pego sua mão e aperto com força -E vou deixar tudo para trás e me esquecer do que já fiz!
–Admiro você.Agora vamos embora.
–-------////---------///-------/////----------////////-------
Curativo feito,sentado no sofá,recebendo carinhos na cabeça da minha mãe.Só minha mãe e Beyond para entender o que sinto.Tenho raiva de Raito por sempre se esconder do mundo e de Lawliet por sempre ter razão.Mello e Near?Não consigo comentar o que sinto quando ouço esses nomes.Foco-me na televisão,que está passando um filme qualquer.Lembro-me da promessa que fiz a Beyond o psicopata nato,lhe prometendo que não deixaria nada me abater novamente.
Dessa vez,não irei fracassar!
–Oh amore mio! -diz suavemente mamãe enquanto afaga meus fios ruivos e sinto seu calor emanando para meu corpo.-Odeio te ver assim.
–É a última vez mãe — Murmuro e a encaro nos olhos com um ar confiante.
–Estava pensando,que tal irmos a Itália visitar meus parentes?Assim você sai dessa fossa infernal e volta e ser meu pequeno.-Beija suavemente minha face e a acaricia.
Na verdade,Charllote não é minha mãe de sangue.Mas a amo como minha verdadeira mãe desde que a vi sentada em um dos bancos de meu antigo orfanato.Ela é ruiva,olhos castanhos e seu jeito exclusivamente acolhedor e aconchegante como uma tarde de primavera.Aconchego-me mais em seu colo e acabo pegando no sono,mas sem sonhos.
Acordo num pulo,xingando-me por ter quebrado o maldito celular em meu acesso de raiva.Depois de minha higiene matinal,encontro na mesinha de cabeceira do quarto um bilhete da minha mãe com sua linda caligrafia
“Pequeno,lembre-se do que lhe falei ontem.Tenha um ótimo dia na escola e não se meta em encrencas!Xoxo,“Nona”
Um sorriso contagiante abre em meu rosto,causando-me um crescente ar de confiança.Será mesmo que devo deixar Kanto por um tempinho?Ou seja,deixar Mello para trás?Deixo os devaneios me dominarem enquanto tomo uma xícara de chocolate quente.Lembro-me de tudo que aconteceu até agora e vejo que talvez possa valer à pena ir para Itália e viver lá com minha mãe.Sem Mello,sem Near,sem ninguém...
Deixo a xícara na pia e pego minha mochila no quarto sem pressa.Hoje,vou ter que tomar uma das decisões mais difícies que já tomei.Rumo à escola,ando como se cada segundo que passasse fosse uma eternidade.Colocando meu típico cachecol listrado,deixo que meus pensamentos dancem e rolem mente adentro,sonhando com o dia que irei me livrar do frio que está corroendo meu coração.
Poético não?
Ultimamente,as coisas para mim estão a esse nível absurdamente alto.Queria que tudo voltasse ao normal.Minha cara enfiada nos jogos,cigarros,jogos e apostas,Mello e suas crises de meninas,tudo como era antes.
Não se pode voltar...
Chegando na escola,a última coisa que se passava pela minha mente era assistir aula.Decidi mandar tudo para a puta que pariu e ir para o refúgio enfrentar meus fantasmas.Andando em passos largos pelos corredores,nada iria me impedir de ir lá novamente.As paredes sujas de algo que eu não sei,cheiro de cigarro e chocolate,coisas bagunçadas.
Estaca zero...
Nesse momento,não há mais ninguém aqui.Sentado no chão,pego meu abandonado PSP dentro da mochila e tento-me destrair jogando Mário world.No contexto,acabo pegando um cigarro e o acendo,sentindo a nicotina entrando e fazendo a festa dentro de mim.Tragando lentamente,sinto uma sensação de aconchego,de quando éramos só Mello e eu no orfanato.Também lembro-me de Melissa,uma menina que ficava comigo nos dias frios na biblioteca do lugar.Ela era tão linda!Seus longos fios loiros penteados de um jeito especial,seu perfume,seu jeito carinhoso de tratar tudo e todos,suas orbes azuis que me traziam a Mello sem eu nem notar.
Poderia ter me apaixonado por ela... Mas acabei me apaixonando por um idiota e perdido minha razão... Gosto de ser enganado.
Porta aberta.Levanto o olhar e vejo todos entrarem.Felizes como sempre.Menos Beyond,menos eu.
Filhos da puta!
–Ohayo Matt! -Diz Raito com seu ar de felicidade.A raiva que hibernava em mim estava se liberando mais rápido que pensei.Dei um sorriso diabólico e fuzilei todos com o olhar.Um a um.O único que não se abalou foi Beyond,que se sentava ao meu lado com um pote de geléia na mão e um curativo igual a meu.
–Que curativo é esse Matt?-Perguntou L,pousando o polegar nos lábios esperando minha resposta.
Não dei.
–Er Matt,desculpa se faltei ao encontro que marcamos ontem.Foi mal.
A gota d’água.Num instante,peguei a faca que estava no chão e a lancei ao lado de Mello com toda a fúria que havia no meu corpo.Causando um grito dele e uma série de babacas com a boca aberta,tentando assimilar minha raiva com a adrenalina,falei estreitando os olhos:
–Seu filho da puta,eu fiquei esperando mais de uma hora para ouvir o Raito me dizer que estava com Near agarradinhos! -Já era.se não for agora,não vai ser nunca mais. -Quer saber?Estou farto dessa merda de amizade que você diz para todos ouvirem!Vai se fuder e engula sua amizade com você e nunca,eu repito,NUNCA FALE MAIS COMIGO!
Mello engoliu em seco e o clima ficou pior do que estava.Todos me olhavam como se eu fosse Beyond,e o mesmo parecia me aplaudir mentalmente.A faca ainda estava fincada na parede descascada e o olhar de Mello era puro medo.
–Isso mesmo Matt!-Disse Beyond batendo palmas freneticamente sorrindo diabolicamente -Mello,você tinha que estar vendo sua cara de medo!
Te adoro Beyond...
Notas finais
O que vocês acham:Mando o Matt para a Itália ou mando a Melissa para destruir a vida do Mello?Mandem suas opiniões!
O toque de celular do Matt é a música "Snuff" do Slipknot->Música que eu usei nessa última parte.
Ja nee!
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