Notas iniciais
Bem, não tive nenhum voto quanto ao que iria acontecer, mas a história não iria parar por causa disso, não é? Demorou, mas saiu: um pouco mais curtinho que o normal.

— Que tipo de assunto, chefe? – perguntou Ethan, preocupado.

— Recebi recentemente uma informação da Corporação ORBIS.

— ORBIS, ORBIS... – começou Rachel – Ah! A Organização de Biologia e Segmentos: eram uma grande empresa há algum tempo, lá nos Estados Unidos.

— Exatamente, Rachel, inclusive vieram recentemente para o Brasil, há quatro anos. O governo aprovou sua entrada pelo grande avanço que teríamos na parte de pesquisa, com associação nas universidades e laboratórios do país.

— Mas então, o que aconteceu com ela pra que tenha sumido assim? – indagou Ricky.

— O FBI nos contatou e informou do passado da empresa: mesmo com todo o foco em ajudar a humanidade, eles eram responsáveis por fornecer armas biológicas e tecnológicas a terroristas, visando receber prisioneiros de áreas de conflito para avançar em suas pesquisas antiéticas.

— Que perigo... – comentou Helena – Confabular com terroristas não é saudável pra ninguém.

— Sem falar que assim tá financiando a violência e o medo na população – disse Jed.

— Descobrindo isso, o FBI abriu uma operação que revelou o que a empresa fazia, e assim a fechou, apagando todos os registros possíveis há dois anos.

“Porém, Keira Walker, a atual chefe do bureau, me chamou, avisando que teve movimento da Corporação aqui no Brasil. E é isso que eu quero que vocês investiguem... Pode não ser nada, mas considerando o histórico dela, não posso tomar riscos.”

— Onde ela tá? A Corporação... – disse Ethan, pensativo.

— No norte do país, perto da Zona Franca de Manaus.

— Puts! – exclamou Ricky, passando a mão nos cabelos – É longe pra caramba.

— Cuidarei pra que tudo esteja pronto até amanhã. Quero que estejam cientes que não será uma missão fácil: o Norte ainda tem pouca exploração, e a ORBIS está num local isolado próximo à junção do Rio Negro com Solimões. Vou também despachar um aviso para a CIC do Amazonas.

Ethan e Helena deram um largo sorriso agradecido perante a informação, mas o rapaz não deixou de visualizar tudo que poderia dar errado. E o que a Corporação ORBIS havia feito no Brasil, depois de dois anos no limbo? Havia ainda o problema que eles não sabiam qual o “movimento” que a chefe do bureau mencionou: poderia ser reativação de tecnologia de armas, experimentos biológicos, desenvolvimento de transportes camuflados, qualquer coisa. No fim, Ethan estava com um mal pressentimento, que foi percebido por Rachel.

—--

Foram até Darla no dia seguinte Ethan, Ricky, Helena e Rachel. A mulher estava numa das estantes, de pé numa escada, procurando alguns componentes para modificar as armas que tanto adorava. Escutou o farfalhar das roupas e pisadas das pessoas na bancada, descendo com um pulo e correndo até eles.

— E aí pesso-- Nossa, veio o país todinho, foi? – brincou Darla, mas ainda surpresa.

— Pois é – confirmou Ricky – Valentine deu o aviso pra tu, num foi?

— Deu, deu. Pera que vou catar ali.

Darla andou várias vezes de lá para cá, cada vez voltando com uma maleta de aspecto pesado e depositando pesadamente na frente deles. Quando deixou as cinco, começou a explicar.

— Pra Ricky, a sua preferência: armas automáticas – disse a mulher enquanto apresentava o equipamento, abrindo a maleta de uma forma dramática – uma submetralhadora de calibre .45, com coronha rebatível, pente de alta capacidade e uma mola de impacto, tudo para causar mais estrago. E para completar, um rifle de assalto de calibre 5,56, com apoio compensador de recuo e mira de ponto para mais precisão. Vem com uma pistola de choques pra acompanhar.

— Oh, papai: nem sabia que era meu aniversário – disse Ricky, sorrindo bastante e pegando a maleta.

— Ethan, você me deu trabalho, mas aqui tá um rifle de precisão de calibre .308, feito para estourar cabeças, com mira ótica de 20 vezes e um apoio para chão. Venho também com uma pistola de calibre .40, acoplada com silenciador, suporte para coronha externa e pente estendido. Lembra que ela também pode ser colocada no automático.

— Obrigado! – agradeceu Ethan, fechando a maleta e indo para o cubículo.

— Pra Helena fiz algumas coisas mais furtivas, mas ainda servindo pra qualquer combate: aqui tem uma submetralhadora de 9mm, com mira a laser, silenciador e visão noturna. Pra completar, uma pistola tática de 9mm com lanterna e pente estendido para os combates mais longos.

A mulher meneou a cabeça, admirando a qualidade das modificações das armas. Pareciam também novas, como se nunca tivessem saído da caixa. Pôs a mão na pistola, sentindo seu peso, e a arma pareceu se ajustar perfeitamente à sua pegada, sendo bem confortável e equilibrada.

— Conseguiu fazer isso tudo de ontem pra hoje? – exclamou Rachel, impressionada.

— Ah, minha filha, eu sou rápida que você nem sente.

Antes que Rachel pudesse falar, Ricky chamou todos para o local da equipe, onde iriam se juntar a Jed para planejar o curso de ação.

— Ué, Jed? – perguntou Rachel, vendo o homem de cabelos loiro-escuros se virar na mesa do computador, parecendo um chefão de máfia. Só faltava o gatinho para alisar – Não vai pra campo não?

— Ah, não, não. Eu não dou muito certo em operações de campo: meu trabalho sempre foi mais de escritório. Mas não se preocupem: vou dar suporte total a vocês via rádio, satélite e internet.

— Saquei, seu medroso – comentou Ricky, mas não parecia irritado – Bom, vamos ter que ter suporte lá. Manda uma mensagem pra lá avisando que a gente tá indo e que vai precisar de agentes de lá.

— Beleza, chefe!

Ao seguirem para a garagem, o homem comentou para os dois: “É tão legal ser chamado de chefe!”, o que rendeu um soco no ombro de Ethan e um tapa de Helena. Desceram a pequena ladeira para o subsolo, onde viram o acervo de veículos estacionados. Helena pegou um dos carros que ela mesma modificou e foram dirigindo até o aeroporto, onde lá iriam pegar um avião particular para então se dirigirem para o Norte.

O caminho foi tranquilo, só atrasado pelo trânsito de motos frenéticas, caminhões de carga e carros antigos pelo centro comercial de Santa Rita. Ao contrário de outras capitais, o aeroporto da cidade de João Pessoa fica em sua área metropolitana, afastada alguns quilômetros da área urbana, numa área isolada para permitir expansões. Apesar de pequeno, o aeroporto já é reconhecido por ser internacional, também recebendo voos de todos os estados. Em pouco menos de meia hora de trajeto Helena conseguiu estacionar no hangar de aeronaves. Desceram do carro, vendo o avião que iriam pegar: era pequeno, do tipo que ricaços teriam em seu quintal da mansão, de cor branca, asas um pouco longas e duas turbinas na traseira. A escada estava descida, com o piloto esperando. Entraram após mostrarem seus relógios e se acomodaram nas confortáveis poltronas. O copiloto veio falar com eles pouco antes de partirem, após obter o sinal verde para sair.

— Vai ser uma viagem de 7 horas. Caso queiram descansar, temos camas na parte de trás da aeronave – disse o homem com um sotaque do centro-oeste do país.

— Beleza, compadre, valeu – agradeceu Ricky e dispensou o homem. Este retornou para o cockpit e fechou a porta, voltando a visão para seu companheiros – Esperamos muita resistência por lá: acho que a ORBIS tá com alguma coisa carregada...

— Bem – disse Ethan, puxando a caixa de sua pistola .40— Só vamos saber quando chegar. Bem que estranhei a CIC ter armado a gente pra uma guerra.

— Nada de anormal aí, né? Acho que a gente devia mesmo andar armado até os dentes – comentou Helena, se espreguiçando na cadeira – Evita ser pego de surpresa.

— Mas a população ficaria com medo de nós.

— Melhor assim: fica mais fácil de trabalhar. Sem curiosos. E além do mais, meu caro Watson – respondeu a mulher, se aproximando bem rosto do rapaz – A CIC tá aqui pra acabar com o crime, não ficar amigo do povo.

Ethan não falou nada, só retribuiu firmemente o olhar de Helena. Sabia que o que ela falava fazia sentido, afinal eles haviam sido chamados para acabar com o crime organizado e ajudar a sociedade a viver sem medo nas ruas. Mas também partilhava do pensamento que se uma corporação tão poderosa como a deles fosse a lei, então eles teriam se tornado aquilo que queriam combater. Viver no lado certo não era nada fácil, e com esse problema só aumentava a responsabilidade que tinham sobre suas ações e sobre o povo.

— Por favor, não liguem pra mim, podem continuar – subitamente a voz de Ricky soou, repleta de malícia. Ethan olhou para o parceiro, que estava com aquele sorriso safado e depois voltou o olhar para Helena, que o encarava agora confusa. Foi aí que ela viu como estava debruçada sobre o rapaz, com os braços apoiados na poltrona, o tronco inclinado e bem próxima do rosto dele. Imediatamente, o rapaz arregalou os olhos e se afastou dela como se fosse um imã de polaridade igual, virando a face para os lados, levemente vermelha. Ethan se levantou e foi para o banheiro, com o coração acelerado.

Helena se sentou e olhou para Ricky com confusão e ligeira vergonha. Não havia pensado assim antes, mas começou a rir, imaginando o que teria se passado na cabeça do rapaz. Resolveu deixar pra lá: parecia que iria se divertir muito com ele ainda.

Notas finais
Sério, depois que me deram uma sugestão, ficou interessante trabalhar nisso. Quanto ao próximo capítulo, deve sair no prazo normal. Talvez demore mais um pouco, pois estou em semana de provas, mas ainda dentro do limite máximo. O que estão achando da trama até então?