Agentes da CIC - INTERATIVA
8 Zona morta
Notas iniciais
Ethan havia lavado o rosto e respirado profundamente. Não lembrava de ficar tão nervoso perante alguém. Apesar de ter visto Helena várias vezes e saber que era bonita, pensava nela apenas como uma colega de trabalho. Resolveu se recompor, pois poderia prejudicar a missão. Balançou a cabeça para retirar esses pensamentos e saiu de lá, voltando a se sentar na cadeira. Os dois viram como ele estava descabelado e molhado, mas o rapaz falou com calma, como se nada tivesse acontecido.
— O que tu tava achando que iria aparecer lá mesmo, Ricky? – perguntou Ethan, passando a mão nos cabelos e tentando os assentar, mas teimavam em ficar de pé.
— Armas biológicas. Escutei uma dica lá que falava no interesse na mata daqui do Brasil, pela grande diversidade pra pesquisas. O governo anterior facilitou a instalação, e no contrato tinha que não teria interferência.
— E não falaram nada de leis ambientais? – questionou Helena.
— Nadinha. Esse contrato foi feito nas coxas.
— Pensaram que iriam conseguir algo? Com uma empresa de fora? – disse Ethan, sarcástico – Até parece que empresas, ainda mais das grandes, tem coração bom.
— Pois é. Ainda tô querendo entender o porquê deles terem aceitado – comentou Ricky, pondo a mão no queixo – Vai adiantar de nada quebrar a cabeça pensando. Quando a gente chegar lá, vamos invadir e descobrir logo.
Dito isso, eles descansaram mais um pouco e chegaram. O aeroporto era bem moderno, com baias e hangares, várias pessoas andando por pequenos corredores de embarque. Apesar disso, eles não pararam lá: imagina passar pela segurança do aeroporto com todo aquele equipamento bélico. Estacionaram a aeronave num dos hangares. Se armaram com seus “brinquedos”, vestiram o colete e desceram em fila indiana. Puseram também o comunicador na orelha.
— Testando, testando... – escutou a voz de Rachel.
— Sim, senhora, senhora! – disse Ricky comicamente, o que arrancou uma risada dos dois, e de uma pessoa do outro lado da comunicação.
— Engraçadinho – respondeu Rachel, estalando a língua – Bom, agora que escutamos vocês, lembrem de abrir o display de seus óculos táticos. Assim, teremos visão em tempo real do que vocês verão.
— Beleza – disse Ethan, e sacou os óculos com um movimento dramático, pondo de uma vez. Ao fazê-lo, Helena e Ricky olharam com desaprovação – Que foi? Eu sempre quis fazer isso.
Mais uma onda de risadas saiu do comunicador, que não interrompeu a ativação dos óculos através do relógio de agente. Assim que apertaram um botão holográfico, os óculos começaram a chover informações, como se estivesse dando o “boot” do sistema. Poucos segundos depois, mostrava a olhada deles com informações de integridade do colete, saúde física, estado das armas, suprimentos e uma pequena tela que mostrava informações do local onde a ORBIS estava. O sistema de GPS ativou quando eles saíram do hangar, entrando num jipe.
— Parece com a tela de um jogo – disse Ethan, ao ver as opções no display. Estava sentado no banco de trás, checando suas armas e observando os arredores, vigilante.
— Deve ter sido o pessoal de TI. Eles adoram colocar coisinhas assim – disse Ricky, enquanto manobrava o corpo para falar com o parceiro. Helena ia conduzindo, com o auxílio do GPS.
O caminho era sem dúvidas de uma metrópole, passando por grandes prédios, muitas pessoas andando e pouco verde, numa verdadeira selva urbana. Continuou até saírem do centro da cidade e se dirigirem para a estrada que levava à ORBIS. Imediatamente os prédios foram dando espaço para as árvores, a estrada bem cuidada foi dando lugar à um asfalto desgastado e com grãos de areia das margens. Poucos quilômetros mais à frente e eles estavam andando de jipe praticamente dentro da floresta, com as largas copas das árvores cobrindo a rua, um forte tapete de folhas cortado apenas pelo caminho dos carros e um silêncio quebrado apenas pela imensa quantidade de insetos.
— Melhor passar um negócio pra evitar desses mosquitos pegarem a gente – disse Ethan, puxando um vidro de repelente e cobrindo as áreas expostas.
— Pela quantidade, parceiro, elas vão é carregar a gente – riu-se Ricky, enquanto também passava.
Helena era a mais incomodada, visto que estava dirigindo e era particularmente difícil conduzir enquanto desviava dos ocasionais buracos (leia-se crateras), passando o repelente. Poucos minutos andando e eles chegaram no topo do morro que dava acesso à ladeira da Corporação ORBIS: de lá de cima, eles viram a imensidão que era a área ocupada pela empresa.
A construção passava facilmente o tamanho de qualquer indústria automobilística, siderurgia ou qualquer outra de produção. Era uma cidade, com ruas, alojamentos e principalmente laboratórios e linhas de produção. Parecia abandonada, mas o local dava uma sensação de sigilo, como se o que fizessem por ali não fosse para os olhos da ética e moral.
— Sim, o suporte da CIC daqui vai encontrar a gente – disse Ricky, olhando para o relatório da conversa que mandaram no caminho.
— Vai ser só uma pessoa? – perguntou Ethan, confuso.
— Não é como se um grupo maior fosse fazer muita diferença. Aí, vai ficar parecendo invasão mesmo.
— Saquei – e puxou um binóculo eletrônico, conectando com seu óculos tático sem fio – Vou ver se encontro inimigos, por enquanto.
Passou uma varredura perto da guarita, que estava fechada e desgastada, não encontrando ninguém. Identificou câmeras de vigilância na entrada, escondidas em pontos estratégicos. Mas não via uma pessoa lá pelas ruas, mesmo com o sol não tão forte no horário. Ativou a visão térmica da câmera, vendo se haveria algum reconhecimento, entretanto não obteve maior sucesso, só vendo alguns pássaros e um ou dois animais pelas ruas.
— Jed? Pode tentar ver alguma coisa por satélite? Não tô conseguindo encontrar ninguém daqui.
— Pode deixar!
Trocou o binóculo pelos óculos, vendo que as informações começavam a passar de lado enquanto Jed movia o satélite até lá. Apesar disso, não conseguiu mostrar nenhuma informação acerca do pessoal lá dentro.
— As paredes são cercadas com chumbo: não tenho olhos lá dentro. Posso tentar hackear as câmeras e providenciar apoio tático.
— Beleza, faz isso. Rachel, pode olhar o comportamento da galera lá quando Jed tiver visão?
— Já no aguardo – respondeu a mulher prontamente.
Poucos minutos depois, enquanto Ethan esperava e observava, Ricky e Helena se juntaram lado a lado, também analisando a imutável e aparentemente abandonada estrutura.
— Algum progresso, Ethan? – perguntou Helena.
— Nada ainda. Tentei reconhecer a área com o binóculo, mas não tem um pé de pessoa. Pedi pra Jed ver com o satélite, mas as paredes de todo o complexo são revestidas com chumbo, aí não mostra nada. To esperando ele hackear as câmeras pra podermos invadir. Alguma notícia do suporte?
— Tá já chegando – disse Ricky – A sede não é muito longe.
De fato, quando ele falou não se esperou mais que 2 minutos, quando viram ao longe um carro popular parar. Como estavam escondidos, viram a pessoa ainda no veículo, mas não dava para identificar a silhueta. Apesar disso, o relógio de agentes deles conectaram com o de lá, mostrando que era um agente da CIC.
Quando a pessoa saiu, viram que não se tratava de uma pessoa comum: era uma mulher alta, parecendo ter a mesma altura de Rachel. Tinha cabelos longos e ondulados, dotados de um preto reluzente e sedoso. Tinha pele branca, evidenciado pelas marcas de bronzeado de sua blusa de alça preta. Seu rosto era fino e charmoso, com fartos lábios e olhos castanhos quase amarelos. Era dotada de um corpo de boas proporções, com seios grandes e cheios, quadril largo, cintura fina e pernas grossas. Quando ela virou o rosto para os homens e a mulher que estavam parados lá, acenando, andou até perto do grupo e disse, com uma voz melodiosa e com um tom de sedução.
— Olá, agentes.
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