Against the grain
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Ela dançava como se sua vida dependesse disso. Como se os movimentos do seu corpo pudessem salvar o mundo. E essa era a parte mais empolgante da sua vida. Estava rodeada de pessoas que não conhecia, mas que dançavam como se estivessem alguma ligação secreta. Era empolgante. Ninguém ali sabia que ela havia sido expulsa do seu curso de enfermagem por se envolver com um professor ou que possuía incontáveis travas emocionais por ter crescido em um orfanato horroroso. Ninguém nem ao menos sabia que ela estava morando no seu próprio carro, e que provavelmente não podia gastar tanto com uma noite de bebidas e diversão. Mas quem liga?
A garota de cabelos castanho escuro encontrou o ar frio da madrugada as cinco e vinte e três da manhã. Sentou no meio fio, um pouco longe da casa noturna, bêbada e cansada demais para caminhar até o seu fusca azul-calcinha que nem estava estacionado tão longe assim, mas estava sóbria o suficiente para ter noção da burrada que havia feito. Ela tinha uma entrevista de emprego em exatamente quatro horas e sete minutos e ela estava completamente acabada. Era certo que um emprego em uma porcaria de lanchonete não era exatamente o que ela desejava, mas ela não podia esperar por algo melhor.
–Ei, o que você pensa que está fazendo?- Ela gritou com a voz um pouco rouca ao ver uma mulher observando a sua lata velha de um jeito duvidoso.
Ela tirou seus sapatos de salto e andou até seu carro, já que a mulher continuava lá.
–Nem pense que vai roubar a minha lata velha!- Gritou ao lançar um de seus sapatos na mulher, que desviou facilmente.
–Não quero roubar o seu carro. E acho que ninguém em sã consciência iria tentar roubar uma "lata velha"-. A mulher, que era ruiva e possuía uma voz rouca, falou friamente.
–Então desapareça antes que eu acabe com a sua cara.- A dona dos cabelos escuros lembrou de como havia aprendido a lutar antes de fugir do orfanato. Ela era tão boa de briga como era teimosa.- Preciso ir para casa, então preciso que saia da frente do meu carro, a não ser que esteja querendo morrer atropelada.
–Que casa, Elizabeth? Que eu saiba, essa velharia é sua casa.
–Como você sabe quem eu sou?- Ela perguntou com os olhos cerrados.
–Bom, eu costumo saber de tudo.- Disse a ruiva com um leve sorriso irônico.- E sei que você vai querer me acompanhar.
–Isso é algum tipo de sequestro?
–Isso depende de você.- Ela disse e estendeu a mão para a jovem.- Sou Natasha Romanoff, e preciso que você venha comigo. Temos assuntos a tratar.
Ela já havia ouvido esse nome em alguns momentos. Sabia que aquela mulher não tinha medo de sujar aos mãos, ela era a Viúva Negra. Elizabeth não queria que aquela mulher apagasse ela naquele estacionamento vazio, onde ninguém nem notaria. Sua vida podia ser um grande desastre, mas ela preferia não arriscar para ver. Estendeu a mão para a ruiva e a cumprimentou, desconfiada, e em seguida a seguiu e entrou em um carro preto e veloz. Ela não queria morrer, até poderia dar um jeito de fugir, mas naquele momento ela aprendeu que a curiosidade realmente pode até matar. A garota de cabelos escuros não costumava sentir medo, era uma aventureira nata. E não era como se sua vida pudesse piorar mesmo.
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