Notas iniciais
Olá, meu nome é Igor, e sou o criador do Aftermath. Este é meu projeto que venho desenvolvendo há meses, e pretendo engrandecê-lo e um dia expandí-lo pra outras plataformas (jogos, livros, produções audiovisuais). Agradeço aos que leram, e caso se interessarem pela trama poderão acompanhar também pelo blog, cujo link estará nas notas finais. Obrigado a todos, e boa leitura =)

–Isaac? – Lucy não acreditou no que via. Estava suja e visivelmente exausta, e parecia não ter passado bons momentos com Erick. – É você mesmo? Mas como? Erick fechou as entradas para o Limbo, só era possível sair...

Então foi isso. Mesmo que subíssemos o Sarkany, não poderíamos entrar. O único jeito de voltar pra cá seria morrendo.

–Bom... eu morri, Lucy. Como você mesma disse, ceifadores acordam aqui se morrerem de outro jeito senão por uma arma sobrenatural.

–Inteligente. E corajoso. Sei como morrer é doloroso, mas pra você parece ser algo banal. Já é o que, a segunda vez?

–É, a segunda. O que houve quando nós saímos?

–Tentamos lutar com Erick, mas ele está absurdamente forte. Lee e eu fugimos pra cá, nas Colinas, e ainda estamos pensando no que fazer. É quase impossível acertá-lo.

–O quão forte ele está?

–Você já deve imaginar que ele ganhou controle sobre os portais. Pois não é só isso, viu a quantidade de monstros aqui? Ele pode transformar almas em troca-peles instantaneamente, ou pior, em colossos. Seus poderes telecinéticos estão ainda maiores, juro que ele levantou todo o castelo de Thanatos no ar quando nos escondemos lá. Não sobrou quase nada além da muralha.

–É, vai ser um grande problema.

–Com certeza tem mais. Conhecendo-o como conheço, ele deve ter mais cartas na manga. Veja, Lee voltou.

Azalee, antiga ceifadora africana do Mar de Cinzas, chegou ofegante.

–Olha só quem voltou. Olá, rapaz da Taiga.

–Bom te ver, Lee. – eu disse. – Onde esteve?

–Estamos nos revezando pra vigiar o lugar. Se Erick aparecer, nós corremos. Aliás, não há sinal dele.

–Precisamos de um plano de ataque, e rápido. – disse Lucy.

–Isaac, onde está Eva? – Lee perguntou. – Com certeza ela ajudaria bastante.

–Está na Terra, encontramos uma cidade com sobreviventes bem ao lado de um portal. Luke estava lá, e vivo.

Lucy sorriu emocionada.

–Jura? Que ótimo, mal posso esperar pra ver meu irmão de novo!

–Mas porque eles não vieram com você? – Lee continuou.

–Eu vim pra cá por acaso – respondi. – Houve um mal-entendido, e Eva... acabou me matando. Ela estava tão furiosa... Acho que nunca mais vai querer me ver de novo. Nunca a vi desse jeito.

–Podem ser os hormônios – Lee disse. – Mas se é a primeira vez que ela fica assim... Diga-me, Isaac, vocês dois são namorados, certo?

–Éramos. Agora, já não sei mais. Espera aí, você está dizendo que ela...

–Sim – Lee interrompeu. – Mas não sou especialista. É melhor acabarmos com isso o mais rápido possível pra que você volte pra Terra logo.

...

O plano estava armado, e a determinação era alta. Lucy estava no topo da colina mais alta da região, esperando sentada pelo inimigo. Se é tão difícil assim derrotá-lo de igual pra igual, vamos pegá-lo com a guarda baixa.

Lee e eu nos escondíamos em colinas diferentes, adjacentes à de Lucy. Provavelmente só teríamos uma chance de acertar o golpe.

Não demorou mais que algumas horas para Erick aparecer. Ele flutuava devagar, com uma armadura acinzentada, repleta de ornamentos bizarros com formatos de crânios e pequenos espinhos. Deve ter a conseguido no castelo de Thanatos, depois que o destruiu.

–Finalmente cansou de correr – ele disse. – Já estava ficando sem paciência, Lucy. Cadê sua amiga, a Lee? Não está se escondendo, está? Porque não vai adiantar.

Erick empunhou a kusarigama, antes pendurada em suas manoplas. Sua mão brilhou uma aura de cor de esmeralda, igual à que surgia ao redor de Lucy, fazendo-a flutuar em direção a ele.

–Espere, Erick! Eu não quero lutar! – Lucy gritou.

Erick a largou, e ela voltou a cair no chão.

–Você conseguiu – ela disse, se ajoelhando. – Se tornou forte como um deus, e é assim que deve ser tratado. Por favor, poupe minha vida e me deixe seguir ao seu lado!

Ele desceu até ela, e parou em sua frente.

–Um pouco de reconhecimento sempre é bom – ele disse. – De fato, estou mais poderoso do que nunca, e sei usar meu poder. Eu admiro o que está fazendo, Lucy. Sei que não deve ser fácil para você se unir ao inimigo, mas sua vida é mais importante, não é?

Erick esperou uma resposta, mas Lucy ficou calada.

–Infelizmente pra você – ele continuou. – não estou contratando no momento. – ele a ergueu no ar com a telecinese e preparou um golpe com a kusarigama pela esquerda, quando foi surpreendido por um espiral de lava que subiu ao seu redor. Lucy tinha sido rápida, e o susto o fez largá-la no chão. Logo, ele estava dentro de um cilindro de fogo de mais de dez metros de altura.

Essa era a primeira parte do plano. Agora era minha vez, e logo fiz a matéria negra da foice tornar-se uma sombra que correu todo o caminho até a torre de lava e segurou os pés de Erick, prendendo-o ali onde estava.

Lee se pôs em posição para a sua vez. Invocou suas lâminas, espadas e lanças, e arremessou-as com enorme velocidade contra a lava como se fossem simples flechas.

A torre de lava começou a se desafazer, e Erick continuava preso à minha sombra, totalmente perfurado com as lâminas e tossindo sangue. Lee e eu nos juntamos a Lucy na frente de Erick, que lutava para se manter de pé, tamanho o peso do metal de Lee.

–Vocês sabem – ele disse, cambaleando e rindo. – eu não vou morrer aqui. Vocês ainda vão me ver matar cada um de seus amigos... – tornou a rir.

–Ele precisa morrer por uma arma sobrenatural – Lee disse. Lucy não se movia, parecia gostar de vê-lo sofrer. Não a julgo, já que esse desgraçado foi o responsável pela morte das famílias dos ceifadores, incluindo a minha.

Caminhei até atrás dele, e empurrei-o para o chão, fazendo-o cair ajoelhado.

–Últimas palavras, ladrão de almas? – perguntei.

–Ladrão? – ele disse, virando-se pra mim. – Seu pai também era um, se me lembro bem. Roubou um livro muito valioso pra mim.

–Um livro? O Legado de Runak?

–Sim, é esse mesmo. Parece que seu pai lhe deu algo que era meu, filhote de ceifador. Sei que foi ele, pois só com aquele livro poderia ressuscitar você.

–Não foi Harry quem roubou, Erick – disse Lucy. – Você o perdeu, e eu o encontrei. Harry apenas o pediu emprestado para mim.

Erick riu, e tossiu mais sangue. Aquilo já estava durando mais tempo do que deveria.

–Já chega de conversa – eu disse. Com minha foice, perfurei-lhe as costas, atravessando pela barriga e erguendo-o no ar. Retirei a foice, e girei rapidamente, cortando-lhe a cabeça.

Erick se desfez no chão, junto com as lâminas de Lee. De seu cadáver, restaram apenas as almas brilhantes sobre a armadura sinistra que vestia. Tanto poder... E tão próximo... As almas me atraíam como uma mosca. Lucy e Lee não me impediram quando toquei as almas, então absorvi elas todas. Era apenas uma bola de luz maciça, mas seu toque me fez sentir diferente, sem saber exatamente como.

...

Talvez Erick estivesse certo sobre uma coisa: ele sabia mais do que ninguém como aproveitar o poder das almas. Já haviam se passado várias horas, mais do que consegui contar, e não cheguei nem perto de fazer as coisas que ele fez quando se rebelou contra nós. Lembro-me de como ele ficou imediatamente poderoso quando matou Arthur.

Eu ganhei uma nova habilidade, na verdade. Talvez um aprimoramento do que já tinha. Eu consigo misturar meu corpo à matéria da foice. Agora posso, literalmente, me tornar uma sombra. Eu e a foice sobrenatural somos um só.

–O que acontece agora? – perguntava Lee. – Só somos nós três no Limbo. Em pouco tempo, tudo vai virar um caos, cheio de colossos por aí.

–Agora... – eu disse. Nada mais saiu, pois na minha mente só havia Evangeline. Ainda que fosse um mal entendido, sentia que devia desculpas a ela, não poderia viver com essa dúvida que Lee me pôs na cabeça. Precisava voltar o quanto antes pra Manneuver, para os braços dela.

–Agora nós cuidamos desse lugar – disse Lucy. – E do jeito certo, sem Thanatos e sem Erick.

–Se está dizendo pra dividirmos as seis regiões entre nós, pode me tirar dessa – Lee reclamou. – Não aguento mais colher almas.

–Não disse isso – Lucy explicou. – Nós vamos administrar o Limbo. Precisamos de pessoas, de novos ceifadores. Isaac, você podia voltar pra Terra e procurar aquele livro que Erick mencionou. Nele estão escritos alguns feitiços úteis, inclusive o ritual do ceifador, que vamos precisar pra tornar meros mortais em ceifadores.

–Achei que fosse um livro de algum outro mundo – eu disse. – Como pode ter feitiços de um deus grego?

–E é de outro mundo, Valíseos. Acontece que Erick escreveu tudo o que sabia nele também. Sei disso pois fiquei com o livro por bastante tempo.

–Sim, e até chegou a emprestá-lo ao meu pai.

–Pois é. Só não imaginei que ele iria ressuscitar você. Eu nunca compreendi a escrita Valisiana, e se soubesse dos planos de Harry teria pedido ajuda pra ressuscitar meus pais também.

–Certo, eu volto pra buscar o livro. E depois?

–Procure pessoas de confiança que estejam dispostas a largar tudo pra serem ceifadores. Precisamos de seis desses.

–Posso cuidar disso – disse Lee.

–Tudo bem, a Lee se encarrega dos ceifadores. Quanto a mim, vou ver se ainda podemos usar o castelo de Thanatos pra nos encontrarmos.

–Governantes do mundo dos mortos – eu disse. – Parece legal pra mim.

Notas finais
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