Afterlife

25 Um lugar horrível para morrer


— O que você quer? — Aaron perguntou.

Ryan, como Claire, acabara de entrar em um quarto onde Aaron encontrava-se sentado na ponta da cama fitando a paisagem de fora através da janela pouca coberta pelas persianas.

— Aquela garotinha desse tamanho — Ryan demonstrou o tamanho dela no ar —, com cabelo preto e curto...

— Yana?

— Tanto faz — Ryan deu de ombros, mostrando o quão irrelevante aquela informação era — O que é a habilidade dela?

Aaron sorriu maliciosamente e ergueu uma de suas sobrancelhas.

— Por que quer saber?

Ryan rolou os olhos e suspirou forte, inteiramente impaciente.

— Você poderia me falar?

— Claro, querida. Sabe, não sei se já disse, mas você parece bem mais bonita que aquela outra. Eu gosto do que fez com o cabelo — Aaron mexeu nos fios da pessoa à sua frente, que logo rebateu sua mão.

— Responda — Ryan se irritou. Aaron bufou.

— Ela pode ver certas coisas. Memórias das pessoas, principalmente de longo prazo.

Ryan ficou apreensivo e respirou fundo, porém sem perder a pose. O que imaginava era realmente verdade.

— O que foi? — O homem perguntou, começando a ficar um pouco preocupado.

— Eu preciso me livrar dela.

Aaron franziu a testa.

— Você fala isso com tanta facilidade...

— Como se você nunca tivesse feito isso antes — Ryan sorriu ironicamente.

Após alguns segundos de silêncio, o homem perguntou:

— Então quer dizer que precisa da minha ajuda para isso? — Voltou a sorrir.

— Não — Ryan respondeu firmemente — A garota está conversando com a ruiva. Eu preciso que você faça com que a ruiva não se lembre de nada.

— Eleonor?

Ryan fez uma feição de incredulidade com a repetição de informações desnecessárias.

— O que te faz pensar que eu posso fazer isso? — Aaron indagou.

— Eu não sou estúpida — Ryan disse, sorrindo — Eu sei o que você é — Pausou — Inccubus — disse, após alguns segundos.

Aaron ficou surpreso.

— Você é realmente esperta.

Ainda sorrindo, Ryan piscou o olho.

— Ok — O homem concordou, após algum tempo.

— Ótimo.

*

Por conta das várias árvores, os raios de sol acertavam não completamente aquele lugar um pouco distante. Passarinhos cantando podiam ser ouvidos. Yana, de costas para a “casa”, encarava a árvore à sua frente, porém estava imersa em seus pensamentos. Sua expressão estava ligeiramente apreensiva. Eleonor havia saído dali há pouco tempo com uma feição parecida, porém mais firme de si e do que iria fazer, diferentemente daquela garota que não sabia bem o que pensar da memória que captara ao tocar Michael.

— Olá — uma voz feminina e delicada pôde ser escutada.

Yana se sobressaltou, virando de uma vez e defrontando-se com uma Claire sorridente e doce.

— Oh, é você — a garota suspirou, sentindo-se aliviada, enquanto Ryan a olhou de cima para baixo. Mais calma, Yana sorriu levemente.

— Você parece nervosa. Algo aconteceu? — Ryan perguntou, mostrando-se de maneira preocupada.

— Oh, não é nada... — A garota disse — Eu tenho que ir.

Antes que Yana pudesse desviar de Ryan, ele deu um passo para onde ela iria, impedindo-a de seguir em frente, ainda demonstrando um micro sorriso. A garota já achou aquilo estranho. Ela começou a ficar levemente com medo.

— Uma garota tão bonitinha... — Ryan disse, e então começou a olhar para os arredores — Escolhendo um lugar tão horrível para morrer — Com um semblante de pena, voltou a fitar Yana.

Ao ouvir aquilo, a garota ficou inteiramente assustada. Iria gritar por socorro, porém Ryan, que já demonstrava seriedade naquele rosto de Claire, colocou sua mão com força no pescoço da outra, impelindo-a contra a árvore.

Com sua boca aberta, Yana lutava por ar, mas não conseguia. Seu semblante de temor era evidente e por razões óbvias, porém também pelo choque do quanto de força estava sendo usada por um corpo nada musculoso como o de Claire. Ryan, que assistia a vitalidade desaparecendo daquela garota com a cabeça erguida, olhando-a com seriedade e superioridade, decidiu acabar logo com aquilo e quebrou o pescoço dela, observando-a cair ao chão sem muita importância.

Alguém se aproximava, mas Ryan não se alarmara muito, pois sabia quem era. Ao chegar mais perto, Aaron começou a falar:

— Pronto, resolvi...

Aquilo que dizia fora interrompido pela visão da garota caída e sem vida. Completamente pasmo, perguntou, ainda sem acreditar no que presenciava:

— O que diabos você fez?! — Ele franzia a testa. Não se mostrava assombrado, mas discordante.

— Eu te disse que iria me livrar dela.

— Aqui?! E se eles descobrirem?!

— Poderia relaxar? — Ryan disse, ficando sem paciência — Eles não irão descobrir. Agora me ajude a me livrar do corpo dela.

Aaron fez um olhar furioso. Ryan revirou os olhos e fitou o outro com as sobrancelhas erguidas, aguardando-o. Aaron bufou, mas logo se dirigiu até o corpo para fazer o que fora pedido. Afinal, cada um tinha algo contra o outro.

*

— Então... Nós somos companheiros de crime agora? — Aaron perguntou.

O homem encostara-se à lateral da porta aberta do banheiro em que Ryan lavava suas mãos. Este olhou para o espelho e, fazendo um semblante de asco, disse:

— Nunca.

— Você é tão má...

— E algo me diz que você gosta disso.

Aaron, em sua pose sensual, sorriu maliciosamente, focando nos olhos daquela à sua frente. Em alguns segundos, começou a olhá-la por inteira.

— Essa roupa não parece com algo que você usaria...

Ryan suspirou.

— Não é — Ele enxugava as mãos. Virou, em seguida — Mas tenho que vestir algo que Claire vestiria. Ou pelo menos próximo.

— Claro.

— Agora, falando de Claire... — Ryan passou por Aaron e, no quarto em que o banheiro se encontrava, girou em seus calcanhares, voltando a observar o outro. — Quando poderei tê-la? — Sorriu.

— Sobre isso... — ele começou a falar, e desmanchou seu sorriso — Você não a terá.

Aaron fizera um acordo com Claire e planejava cumpri-lo. É verdade que não precisaria contar nada para aquela pessoa diante de si, porém o seu ego grande demais e a vontade de zombar dela não deixaria aquilo passar.