Afterlife
26 Garantia
Ryan franziu a testa e comprimiu os olhos levemente. Demonstrava-se de forma desentendida. Cruzou os braços e perguntou:
— O quê? — Sua voz seca era carregada de raiva.
— Sim. Desculpe — Aaron deu de ombros e fez uma feição de pena, sorrindo alguns segundos depois.
O loiro, que podia e fazia uma versão assustadora daquela mulher que era gentil e serena, começou a gargalhar. Ainda com o sorriso no rosto, disse:
— Você realmente não faz ideia do que está fazendo, não é?
— Estou livrando uma pessoa que já sofreu o bastante para que não sofra mais. E também estou ferrando você — Aaron falou, aproximando-se.
— Você não deveria...
— O que você vai fazer? Só porque matou Yana acha que vai conseguir me matar também? — Com sua voz firme, ele claramente zombava de Ryan.
— Sim, irei.
Aaron, que já estava com seu corpo bem próximo àquele de que Ryan se utilizava, olhava levemente para baixo, focando nos olhos de uma Claire irritada.
— Boa sorte com isso — ele disse em uma atitude provocativa.
Ryan, que iria socar a face de Aaron, teve seu pulso segurado pelo outro, que se mostrava contente. Com uma expressão atônita e de assombro, Ryan tentava retirar sua mão do domínio de Aaron, porém em vão.
— Viu? Você não pode fazer nada. Pelo menos não nesse corpo frágil.
Foi quando Ryan, ainda no corpo de Claire, transformou sua expressão em desdém e facilmente puxou sua mão de volta, deixando Aaron surpreso. Em questão de segundos, Ryan socou o rosto do outro com a outra mão, o qual caiu ao chão. Em seguida, foi até a porta do quarto e a encostou para que pouco barulho que adviesse dali pudesse ser ouvido pelas pessoas do lugar.
— Mas que porra... — Aaron, levemente desequilibrado, levantava-se.
— Como eu disse... — Ryan, com a voz feminina e calma de Claire, fitava o homem com a cabeça erguida e com uma feição de satisfação enquanto dava demorados passos sensuais em direção a ele — Eu vou matá-lo. A não ser que me diga onde ela está.
Aaron finalmente se levantou, ligeiramente assombrado.
— Você tem super força também? — ele perguntou com seu semblante preocupado.
— Não exagere — Ryan continuava se aproximando.
Quando Aaron sentiu que Ryan chegara perto o suficiente, desferiu um soco, o qual o outro desviara. Continuara com seus movimentos de luta, os quais deixavam claro que ele era treinado pelo menos um pouco, porém nenhum era certeiro por conta da agilidade daquela diante dele. Após desviar de alguns ataques, Ryan, ainda no corpo de Claire, segurou e puxou o braço de Aaron, levando-o para as costas deste em um movimento de submissão. Ryan o empurrou contra a parede, em seguida.
— Não vou perguntar de novo. Onde ela está? — O homem transfigurado na mulher estava perdendo a paciência completamente.
— Lembra quando eu te beijei? — Embora gemesse levemente de dor, Aaron perguntou de uma maneira suspeita.
— Não consigo entender como isso se encaixa aqui.
— Tem certeza? Mesmo sabendo que sou um Inccubus? — O homem riu.
Em poucos segundos, Ryan, que franzia a testa, soltou o outro, que se virou depois de algum tempo com sua outra mão tentando confortar o braço machucado.
— Você não quer me machucar — Aaron disse — E, só para reafirmar... — Ele beijou aquela à sua frente mais uma vez.
Ryan nada fizera a não ser beijar de volta. Havia uma influência vinda do homem de cabelos escuros. Era sua habilidade.
— Você beija muito bem — Aaron falava de modo a zombar — Eu realmente não esperava por nada disso, mas, como eu disse, você não vai me matar. Você vai ficar aqui, parada, e eu vou embora. Está ok, querida? — Passou sua mão no rosto daquela pessoa que parecia obedecê-lo.
Ryan demonstrava um brilho em seu olhar, de forma alegre, quase que como se estivesse apaixonado pelo Inccubus. Em seguida, respondeu:
— Claro. Qualquer coisa por você.
Aaron, então, ainda assustado com tudo aquilo, pegou algumas coisas suas e rapidamente deixou aquele lugar.
*
A entrada do galpão se abrira. Aaron, um pouco desesperado, entrara velozmente e sem nem fechar o lugar. Ele só queria soltar Claire como prometera e ir embora dali. Alguns passos para dentro foram dados, até que ele parou diante da viga em que a outra era amarrada. Sua expressão de choque era clara.
Claire não estava lá. Nem na viga, nem em canto algum. A reação de Aaron foi olhar para o pequeno refrigerador onde guardava algumas bolsas com o sangue da mulher. Ele correu até lá, e abriu instantaneamente, deparando-se com o vazio. Não havia nada ali também.
Ele começara a ficar inquieto, nervoso. Sua respiração descompassada deixava isso claro. “Não!”, ele gritou, e chutou o refrigerador.
— Só pode estar de brincadeira comigo — uma voz feminina disse.
Ao reconhecer aquela voz, Aaron se virou de uma vez na esperança de que a mulher não tivesse realmente ido embora. Mas, para sua infelicidade, não era de fato Claire ali como ele esperava. Era sua “cópia” maligna, o que deixara o homem ainda mais apreensivo.
— Como você está aqui?! Eu te ordenei para...
— Você não tem nenhuma influência sobre mim — Com a mão na cintura e uma expressão de superioridade, Ryan disse subitamente, interrompendo-o — Só queria que viesse ao seu esconderijo para que pudesse segui-lo. Você vai ter que fazer muito melhor do que aquilo se quiser me parar.
Aaron estava aterrorizado com aquela mistura de acontecimentos em tão pouco tempo. Ele não sabia o que fazer. Então notou a pistola na mão daquela pessoa e focou nela. Ryan percebeu, balançou a mão que possuía a arma, evidenciando-a, e disse:
— Isso? Eu planejava usar em você depois que pegasse Claire, mas pelo visto mais uma vez algo tinha que dar errado — Bufou — Mas até que estou com vontade de usá-la agora — falou, ficando furioso — Como pôde perdê-la?!
— Eu não a perdi! — respondeu indignado. Aaron suava bastante.
— É o seguinte, Aaron — Ryan queria muito atirar naquele homem — Você irá achá-la, e então irá me devolvê-la. Do contrário, eu realmente irei matá-lo.
O homem em desespero, dessa vez, não possuía nenhuma piada e nenhum sorrisinho sarcástico. Ele sabia da merda em que havia se inserido.
— Além disso... — Ryan começou a dizer, quando um homem de boné e de altura mediana entrara no local — Só para ter certeza, farei com que não desvie de sua tarefa.
— Quem é esse? — Aaron perguntou, apreensivo.
— Minha garantia.
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