After the pain
45 Mas que raios?
Notas iniciais
Primeiro dia de aulas, estou tão entusiasmada... só que não. Mal acordei fui logo tomar o meu banho e vesti-me. Mas antes pus a minha playlist preferida a tocar. Calcei as botas que a minha mãe me tinha oferecido, enfiei as minhas calças de ganga e uma camisola creme e claro, o casaco que a minha tia me tinha dado. Coloquei a minha gola azul água e lá fui eu. Já tinha o pequeno almoço adiantado.
—Então meu amor pronta para começar mais um período de aulas? — pergunta a minha mãe mal me sento ao seu lado na mesa.
—Não, quero as minhas férias de volta — resmunguei, fazendo biquinho e com uma voz falsa de choro. Ambas se riram.
—Oh coitadinha do nosso bebé! — disseram dando-me um beijo. Rimo-nos.
—Acredita vais te sentir mais capaz quando comeres o que a tia te preparou.
—E mais gorda também.
Fui para a escola. Tudo estava na mesma as mesmas pessoas do costume a porta da escola. Lyla estava à minha espera como de costume com um guarda chuva e com o mesmo sorriso do ano passado. Era bom saber que algumas coisas permaneciam as mesmas. Esperamos pela Sarah mas desta vez de baixo de uma árvore para reduzir ao máximo a quantidade de chuva que apanhávamos.
Chegou o Andrew que vinha com Jenny. Despediram-se dentro do carro com um beijo e depois ela saiu.Passado algum tempo chegou Josh e estacionou ao lado do Andrew. Ambos saíram e correram para a entrada da escola. Também avistamos Michael que chegou na sua carrinha velha, uma pick up. É a vida! Nem todos nós podemos ter BMW topo de gama. Nada contra, nem é inveja só a constatação de um facto (triste facto este). Também isso não é tudo, há coisas bem mais importantes, é só que às vezes não é injusto. O que alguns têm de se esforçar para ter algo trabalhando dias a fio, outros arranjam dum dia para outro. . Nisto chega a Sarah com o pai. Ela correu até nós escapulindo-se para debaixo do meu guarda chuva e eu abrigo-a.
Mas quando vinha a correr até nós pisou numa poça e sujou-se a si e sujou-me a mim.
—Raios! Sou um desastre! Desculpa Riley. — diz Sarah.
—Não faz mal. Vamos limpar-nos na casa de banho.
—Ainda por cima esqueci-me do meu guarda-chuva. — lamentasse Sarah.
—Não te preocupes. Havemos de dar um jeito nisso.
—Ahahah ano novo azar velho ou se calhar também é novo visto que este parece ser muito mais criativo — disse apontando pro nosso estado.
—Ahahah muito engraçadinha menina Lyla! Vejo que também compraste um livro de piadas novas ou será que foi o Pai Natal que deixou no teu sapatinho?
Lyla riu se.
Assim que entramos as peruas foram logo ao ataque e começaram a gozar connosco.
Sarah ficou triste e sentiu se culpada mas não era. Acidentes acontecem.
—Deixa lá. Vamos à casa de banho tratar disto — dei-lhes um olhar de morte e agarrei no braço da Sarah e puxei-a até à casa de banho. Antes disso vi aqueles três ao fundo a olharem para nós.
Agarrei nuns papéis e em água e tentei limpar aquela sujeira. Lyla trazia um mini secador no saco de educação física e andamos lá à ninjas a tentar secar-nos.
Fomos para a aula de biologia.
Andrew já estava sentado junto da janela com o rosto apoiado na mão e a olhar pela janela. Os olhos dele simplesmente estavam lindos. O cabelo estava ligeiramente a gotejar, talvez da chuva que apanhou durante a corrida que fez até à entrada da escola. Desde que tínhamos chegado daqueles dias fora nunca mais tínhamos falado muito. Talvez fosse melhor assim. Estávamos constantemente a discutir e isso deixava-me mal e claro que depois havia as peruas. Assim acho que é da maneira que elas me deixam mais em paz. Não que eu tivesse com medo delas, simplesmente só queria um pouco de paz. Sentei-me duas cadeiras atrás dele na mesma bancada que as minhas amigas e fiquei juntamente com o resto da turma a espera do professor.
Passado algum tempo ele chegou. O resto das aulas foi normal. Foi mais soft porque ainda era o primeiro dia mas a partir dali ia ser sempre a doer.
Tentava tirar o Andrew da minha cabeça. Eu queria simplesmente que ele me deixasse em paz. Fogo! Mesmo não falando comigo da-me cabo da cabeça! Parece que faz de propósito! Mas é que com ele tudo parece tão mais fácil... é como se fossemos para uma guerra tranquilos porque tínhamos todo um exército topo de gama ao nosso lado que nos fazia sentir mais corajosos e confiantes. Neste caso ele representava grande parte desse exército. Mas eu não queria que isso fosse verdade. Ele já fazia parte doutro quartel.
Educação física.
Continuei o caminho até às bancadas do ginásio e sentei-me, cruzei os braços e fiquei com aquela expressão de que ficava sempre que tinha quando sentia que algo me estava sempre a escapar. Sarah e Lyla tinham ido ao bar comprar o lanche delas.
"Andrew".
"-Oh! Obrigada! É mesmo disso que preciso agora! que o meu próprio subconsciente me ataque!"
Embrulhada nos meus pensamentos cruzei os braços e fiquei com aquela cara pensativa.
— Então... que se passa entre ti e o Andrew? — pergunta Lyla tirando-me dos meus devaneios sentado-se ao meu lado.
—Nada. Está tudo igual e não temos falado muito. — respondo de forma rápida e seca.
—Hum...então estás assim porque não têm conversado é? — continua a provocar Lyla desembrulhando o bolo que trazia e dando uma trinca generosa.
—Não. Eu não disse que estava ...ah esquece não vale a pena!
—Pois não vale a pena mentires até porque não me enganas. Queres um bocadinho? — ela estende-me o bolo semi comido e eu simplesmente cruzo os braços como uma menina mimada e embufada que não recebeu o seu pónei no dia de Natal recusando a sua oferta babada.
A conversa terminou ali mas os meus pensamentos continuaram a viajar até pararem no nome Andrew. Outra vez então lembrei-me daquela história do Valentine e perguntei-me como estaria toda essa confusão.
Será que ele estava com problemas outra vez?
Estávamos na aula de história e o Andrew e o Josh ficaram mesmo à minha frente.
Espera lá! Pára tudo Riley! E se o Josh também está com problemas?!
Lembrei-me do Andrew uma vez ter mencionado que o Valentine não iria parar de o chatear agora que ele também estava envolvido naquela confusão. Assim que o professor o chamou para ir ao quadro observei-o. Não sei o que estava à procura ou o que esperava encontrar, mas de certeza que ele não tinha a resposta escrita na testa. Então enquanto observava o todo e o nada ao mesmo tempo reparei na leve sombra roxa no olho direito provavelmente disfarçada.
Hum... aqui há gato e é dos bravos. Ai é é!
Comecei a magicar planos e tive uma ideia! Eles hoje têm treinos, e se eu... eu posso inventar uma desculpa para a Lyla e investigar. À tarde foi altura de pôr o plano em prática.
E foi o que fiz! Disse a Lyla que ia ficar a estudar. Sorte a minha que ela disse que também ficaria mas tinha de ir trabalhar. Bendita folga para compensar o domingo!
Fui até aos balneários. Sabia que eles eram sempre os últimos. Fiquei na entrada dos balneários dos árbitros. Ainda estava la o Kyle e o David.
—Este treino foi bem duro. — ouço Kyle a dizer.
—Yah o treinador puxou muito por nós hoje- responde David.
—Ele está nervoso com os próximos jogos. Ele fica pior que estragado quando perdemos. — agora é a voz de Andrew que se pronuncia.
—Até amanhã! — Kyle e David despediram-se.
— Vemos-nos amanhã. — despede-se Josh.
Ouviu-se um som de palmadas. Talvez um daqueles cumprimentos a rapaz esquisito.
—Tens falado com a Riley? — pergunta Josh. A resposta de Andrew não se ouve. Deve apenas ter abanado a cabeça.
—Pois, eu também não tenho falado com a Lyla... Aliás, nem com nenhuma delas. Principalmente depois daquilo do Valentine. Já agora porque é que ele ameaçou a Riley?
— Não sei o que vai naquela cabeça doentia.
Alto e pára o baile!
Espera lá!
Lyla?! Estava explicado o porquê de ele a andar a evitar! Pensei que fosse por causa do incidente da Tracy mas realmente era um pouco insignificante. Uou. Pára tudo! Ele disse Valentine? Agora as peças do puzzle encaixam!
Pum!
Ai! Porra! Sorte tramada! O raio da vassoura caiu.
—Quem está aí?
Ai senhores! É desta que me dá o piripaque e que vou cantar com as anjinhos e a minha voz vai destoar as suas vozes já para não falar na beleza! Eu não quero ir estragar tudo.
—Deve ser o fantasma da pobre vassoura! — disse Josh num tom de brincadeira. Então decidi correr e rezar para sobreviver. Olhei para trás enquanto corria e alívio atingiu-me quando percebi que eles não me viram... até chocar contra a parede e cair bem de rabo no chão. Autch!
Assim que olhei para cima e me deparei com aqueles olhos conhecidos verdes a olharem para mim. Congelei. Parei de respirar. Vi a minha vida a andar para trás, os meus primeiros passos, o meu primeiro beijo tudo em 1080p a 200 quilómetros por segundo. Espera. Eu não tive nenhum primeiro beijo. Ups! Andrew estava de braços cruzados e com uma expressão séria.
—Mas como?! — são as únicas que consigo pronunciar pois o meu cérebro após uma súbita paragem estava a começar a iniciar o programa.
—Chamam-se corredores e portas internas que tu obviamente não conheces. — disse arqueando a sobrancelha de uma maneira assustadora. Engoli em seco. Porque é que eu tinha que ser sempre apanhada? Não tenho sorte nenhuma!
—Andrew, meu, é preciso munição? — ouço Josh a perguntar em tom alto.
—Não esta aqui é inofensiva! — olha para mim — Pensando bem... traz um alicate, para o caso de ela não querer colaborar e dizer-nos o que raios está aqui a fazer.
—Ah és tu! — Josh apareceu e alívio pareceu tomar conta dele.
—És tu? Josh, ela ouviu a nossa conversa.
—Não, não ouvi. — apresso-me a dizer.
—Que estás aqui a fazer? — perguntou Andrew direccionando a cabeça para mim e dando a entender que ele não acreditava no facto de ter dito que não tinha ouvido a conversa.
—Eu...eu ...eu... — mas que raios é que eu lhe ia dizer? — Vinha perguntar-te se me podias dar boleia, mas depois lembrei-me que ainda não deviam estar prontos e achei melhor esperar lá fora. — Até eu não acredito no que acabei de dizer.
—Primeiro Riley, nunca me pedirias boleia, és demasiado orgulhosa. Segundo estavas a correr e terceiro estás a temer e a gaguejar. Claramente estás a mentir.
Um barulho de passos ecoou pelos corredores e logo sinto Josh pegar-me pelos braços e a sussurrar-me um vamos. Só então apercebi-me que ainda estava de bunda no chão.
Andrew puxou o meu casaco fazendo com que eu me aproximasse dele. Levou-me para dentro do balneário e escondi-me no armário da limpeza.
—Olha olha se não são o meu o capitão e o sub capitão preferidos. Caramba, as meninas demoram muito a a maquilharem-se!
Que queres Valentine? — pergunta Andrew com um tom de voz ameaçador.
—Primeiro quero saber se está aqui alguém. Pareceu-me ouvir a voz de outra pessoa.
—Só estamos nós. Andas a ouvir coisas. Deve ser efeitos secundários das coisas que andas a tomar. — responde agora Josh também zangado.
—Humm... preciso de um serviço logo à noite. Tenho uma entrega importante. Não deitem tudo a perder. Tomem lá o saco. É para estar às 11 na estação de comboio abandonada.
Valentine saiu.
—Já podes sair. — disse Andrew com um tom de voz sério. Quase que me assustei.
Agradeci mentalmente o facto de eles serem melhores mentirosos que eu e por o Valentine ter acreditado. Sou agarrada e até me assustei quando perplexa reparei que Andrew me olhava nos olhos.
—Riley, ouve-me bem. Tu não vais aparecer. Não vais fazer nada ok? Nem vais à Lyla entendido? Vais ficar em casa sentadinha e nada de aventuras percebido? — ele disse isto tudo em desviar o seu olhar do meu. Falou tudo pausadamente para que desse a certeza que eu percebia todas as palavras. O verde dos seus olhos estava turbulento tal como se uma tempestade se aproximasse. Isso não é nada bom.
—Sim capitão! — disse imitando um militar.
—Riley isto é importante. É realmente perigoso. — continuou segurando um braço meu e com o outro afastou-me a repa da frente dos olhos. Assim que a ponta dos seus dedos frios tocou a minha testa arrepiei-me.
—É por isso que o Josh levou uma coça?
—O quê? Espera como sabes? E eu não levei uma coça. Os gajos é que eram mais fortes. E era um contra 3. Luta muito injusta.- Josh começou a divagar atónico.
—Hum...não sei... porque se calhar tens uma sombra roxa no olho e porque não são cocegas que resultam nisso.
—Eu disse te meu! Devias ter pedido a alguma rapariga para te ter posto base ou assim. — resmunga Josh virando-se para Andrew e dando-lhe um murro no braço com não muita força.
—Vamos. Vou levar-te a casa. Josh, tens o teu carro certo? — disse puxando o meu casaco de novo.
— Sim. Não te preocupes comigo. Trata mas é dela antes que arranje sarilhos. — e assim Josh vai embora.
—Não é preciso. Vou muito bem de autocarro.
—É claro que ias, se ele não tivesse espera — disse olhando para o relógio — passado à 15 minutos atrás. — bufei detestava quando ele tinha razão — Além disso, não me vieste pedir boleia?- ok isto já era razão a mais e ainda tinha que engolir as minhas palavras.
Então continuou a puxar-me pelo casaco. Por este andar ia me dar cabo do casaco novo.
—Eu consigo andar. Podes largar-me.
—E depois tu foges. Aliás tens tendências suicidas e eu hoje não posso cuidar de ti por isso porta-te bem e não saias de ao pé de mim por favor.
—Eu não sou uma criança.
—Não é o que parece. — dito isto deixou de segurar o meu casaco. Liberdade!
O que é que ele está a fazer?
Agarrou a minha mão e um choque vai percorrendo todos os meus neurónios até chegarem ao centro nervoso que incapaz de enviar uma resposta simplesmente colapsou.
—Andrew, larga-me! — pedi tentando tirar a mão o que fez com que ele aumentasse o aperto tornando impossível a fuga da minha pequena mão daquela jaula à prova de bala. Ele apenas-se limitou a olhar para mim. Deve ter-se deparado com uma das minhas hilariantes caretas pois um minúsculo sorriso surgiu no canto dos seus lábios mas logo se desfez.
Quando chegamos ao carro ainda olhei em volta. Podia sempre fugir.
—Posso estar cansado do treino mas continuo a ser mais rápido que tu. — ameaçou adivinhando o meu plano.
Lancei-lhe um olhar mortal.
Já tinha perdido a conta das vezes que tinha andado naquele carro e apesar de ser confortável eu raramente me sentia confortável. Andrew nunca ligava o rádio e isso intrigava-me.
—O que o Valentine quer?- curiosidade e vontade de quebrar aquele silêncio ensurdecedor falaram mais alto.
—O mesmo do costume.
—Como é que o Josh conseguiu aquela marca? -ele desviou o olhar da estrada e encarou-me. Preferia que não o tivesse feito.
—Riley, como deves imaginar as pessoas da droga não são propriamente amigáveis e não têm por hábito cumprimentar-nos com dois beijos. Além disso acho que o Valentine fez de propósito e não meteu o dinheiro todo no saco então eles não ficaram contentes. Eu e Josh tivemos o azar de ter que fazer essa entrega e bem... digamos que tenho uma marca semelhante à que o Josh tem na cara só que no ombro.
"Estúpido" murmurei entre dentes.
—E de que ameaças estava a falar o Josh?
—Tu não desistes! — afirmou abanando a cabeça de uma maneira negativa.
—Não até conseguir as respostas que quero.
—Ele voltou a ameaçar-nos que se não fizéssemos as coisas como ele quer, iriam haver consequências.
—Que tipo de consequências? — perguntei enquanto me arrepiava a imaginar a resposta.
—A família e....- esperou um pouco como se tentasse arranjar uma maneira de formular a resposta — tu. — disse olhando-me.
—O quê? Porquê eu?- estava mais preocupada com o facto do porquê de ser minha pessoa do que propriamente com o facto da minha segurança estar comprometida.
—Riley, ele sabe que és importante para mim e que eu me preocupo contigo. Tal como ele ameaçou o mesmo para Lyla. Acho que consegues imaginar como o Josh está.
"Como assim? Aquele Valentine não deve jogar com o baralho todo. No entanto tem as cartas na manga..." disse o meu subconsciente.
—Apenas promete que não vais sair de casa. Fico muito mais descansado se souber que estás em casa a assistir alguma série enquanto abraças o Mr Popper e choras porque o Stevan e a Ruby não ficam juntos.
—Espera. Como é que sabes disso tudo? Quer dizer do Mr Popper, do Stevan e da Ruby? Tu andas a espiar-me? — ele não pára de me surpreender.
—Eu não diria espiar... sou apenas um bom observador- disse piscando para mim e com um sorriso nos lábios.
—Isso é o que todos os stalkers dizem.
— Olha quem fala a Miss normal! Só tu para dares um nome de um filósofo a um peluche.
—Em minha defesa devo dizer-te que o nome é fofo ao contrário do filósofo que me deu uma trabalheira. — retalio fazendo biquinho e cruzando os braços a fingir que estava a fazer birra.
—Claro, claro. Apenas promete. — Andrew puxa levemente um dos meus braços descruzando-os.
—Prometo. — disse fazendo figas ao meu lado.
—Riley, descruza os dedos. E desta vez encara-me nos olhos.
Ups! Apanhada!
Cruzei as pernas em vez.
—Para tua informação vou estudar e não ver séries.
—Não importa desde fiques em casa quieta e sossegada.
Bufei. Este tempo era horrível. Detestava o inverno o que ajudava em muito o estado de espírito não haja dúvida! Em contra partida era o meu tempo favorito para estudar, o que claramente não era o que ia fazer naquela noite.
Assim que saí do carro o Andrew olhou-me sério e disse:
— Bom estudo. — porque é que eu tenho a sensação que aquilo foi mais uma ameaça do que propriamente votos para que o meu estudo fosse realmente bom.
—Claro chefe! — despeço-me virando-me para trás em direção a casa.
—Riley.
— Sim? — viro-me para ele.
—Apenas fica em casa ok?
—Ok. — disse encarando aquela cara desta vez com um semblante fofo e por momentos senti-me culpada por estar a mentir-lhe e interiormente estar a pensar em algo que justamente era o que ele não queria que eu visse. Ahahah brincadeira não me senti nada culpada.
Fui para casa quase a correr continuando a traçar planos mentalmente e formas de os pôr em prática e nas 1001 maneiras de fugir em caso que aquilo dê para o torto.
—Boa noite! — cumprimentei aquelas mulheres que nunca deixavam as pobres panelas em paz.
—O jantar já esta praticamente pronto. — anunciou a minha mãe olhando as horas -Vieste de autocarro? — perguntou arqueando a sobrancelha.
—Hum não. O Andrew trouxe-me.
—Uuu! — pronuncia-se a tia Gloria aparecendo com uma tigela na mão e com a outra a mexer uma provável massa de uns dos seus deliciosos bolos com o auxílio de uma colher de pau.
—Uuuu nada. Foi só uma boleia suas casamenteiras.
No final de jantar tive medo que elas ficassem a ver a telenovela mas ambas disseram que estavam bastante cansadas e por isso iam-se deitar e "eu também fui".
Desci quando eram quase 23 horas. A estação não era muito longe mas ainda tinha que andar um bocado a pé, o que nã me agradou. Calma Riley. Não te vai acontecer nada.
A noite estava escura e era a segunda vez que fazia isto.
Deixei-me estar num sítio escondido no lugar combinado à espera que alguém aparecesse. Primeiro chegaram o Andrew e o Josh. Ambos saíram do carro com o saco. Estavam vestidos diferentes de à umas horas . Ambos usavam roupas escuras com casacas de cabedal. Se eu não os conhecesse diria que o ar deles me dava medo. Até Josh que era sempre alegre vestia agora umas calças escuras, uma t-shirt preta e uma casa de cabedal com carapuço. Sabem quais são as melhores pessoas para pedir roupa emprestada para um funeral quando não se tem quase nada no armário? Traficantes de droga! Eles até podiam abrir um negócio extra de alugar roupa preta para funerais. Andrew e Josh não pareciam estar nervosos. Estavam sérios e transmitiam mais confiança do que a aquela que realmente tinham.
Chegou outro carro. Não era o mesmo da outra vez. Silenciosamente mas com movimentos seguros saíram e aproximaram-se deles. O meu coração começou a bater louco.
Eram 4 homens. Dois ficaram mais atrás de vigia enquanto os outros dois andaram mais para a frente. Não eram tão assustadores como os primeiros, embora o do lado esquerdo parecesse jovem e bem forte. Havia algo nele que me parecia familiar. Tinha carapuço e era alto. Aproximou-se de Josh, derreou-se e pegou no saco que estava aos seus pés.
Mas assim que se levantou tirou o carapuço e olhou para Josh e Andrew.
Michael?!
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