After the pain

46 Parem de me apanhar desprevenida!


Notas iniciais
E aí galera? Desculpem pela demora mas tenho andado super ocupada com a escola e exames. Peço desculpa também pelos possíveis erros.

"Eram 4 homens. Dois ficaram mais atrás de vigia enquanto os outros dois andaram mais para a frente. Não eram tão assustadores como os primeiros, embora o do lado esquerdo parecesse jovem e bem forte. Havia algo nele que me parecia familiar. Tinha carapuço e era alto. Aproximou-se de Josh, derreou-se e pegou no saco que estava aos seus pés.

Mas assim que se levantou tirou o carapuço e olhou para Josh e Andrew.

Michael?!"

A minha cabeça doía.

Não podia ser verdade, simplesmente não podia ser! O Michael?!

Encostei-me à parede e abracei os meus joelhos. Lágrimas rolaram pela minha face abaixo. Estava a entrar em parafuso! O que é que eu ia dizer à Sarah? Não, eu não podia dizer nada... ela iria ficar destroçada.

Tudo era uma mentira!

Não podia acreditar que passei este tempo todo a desejar que eles ficassem juntos...e namorassem!

Eu não queria que ela namorasse um criminoso, mas era o que ele era!

Espreitei por cima do amontoado de paletes e assim que avistei-os a irem embora também decidi ir. Já não estava lá a fazer nada. Tinha demasiada informação para ser processada e assimilada.

Toda a minha vida ouvi falar que nos devem sempre dizer a verdade, não quero com isto dizer que quero que me enganem ou que me façam de parva, é só que às vezes não sei até que ponto a verdade nos pode destruir. Neste caso se calhar até preferia continuar na ignorância. Não sei... É como quando os mágicos revelam os truques, tudo perde a magia ou quando vimos como se fazem os filmes. Tudo perde a sua graça. É como se a verdade estragasse sempre o sonho e a ilusão, nos esteja constantemente a relembrar que a realidade é dura.

Coloquei o carapuço na cabeça para me proteger da chuva miudinha que caía.

Não dormi nada. Só andei às voltas na cama tentando todas as posições e mais algumas. Experimentei ler, viajar pela Net, televisão, ouvir música e até exercícios de biologia! Tomei um comprimido mas nada. O meu sistema nervoso estava a dar luta a tudo que me pudesse ajudar a adormecer. Nessa noite nem preguei olho.

O desafio foi de manhã conseguir disfarçar a soneira e o ar de cansada que em mim estava bem presente e marcado.

—Ih! Que marca era o camião te atropelou?

—Marca pesada de certeza.

—Sarah, esse relógio é mesmo bonito! — comenta Lyla.

— Achas?! Eu também gostei muito! Foi um presente do meu pai da última viagem a Los Angeles.

— Uau! Los Angeles! Quanto é que custou 100 milhões de euros.- brinca Lyla cutucando-me no braço chamando-me à atenção — Riley, onde estás com a cabeça? — ela toca-me no braço mas não percebo o que ela diz.

— Hmmm... o quê?

— Com certeza não é aqui. Que se passa?

— Nada.

— Nada não! Eu sei que se passa algo e vê-se pela tua cara de tacho! — insiste Lyla.

— É só nervos por causa do teste de matemática. — nem sei para que é que disse isto. Nem sei quando é que o raio do teste é!

— Mas só é daqui a um mês, Riley!- disse Sarah.

—Pois... e então? Já falta pouco tempo. Vou à casa de banho. — disse tentando fugir dali. Porque é que eu não estou a conseguir disfarçar?

Hmmm não sei... talvez porque se calhar isto tudo é de mais e, ah, espera! Já sei! És humana. É isso!

Oh por favor cala-te subconsciente ridículo! Se pudesse despedia-te!

À vontade! Não me pagas de qual das maneiras.

Ia nesta luta interior estúpida comigo própria (o que soa ainda pior dito assim) quando alguém me puxa pelo braço e quando vou a dar por elas, estou numa sala e o Andrew está à minha frente a segurar-me pela cintura porque quando ele me puxou bati contra ele.

— Não tinhas outra maneira de dizer que precisavas de falar comigo? — resmunguei de mau humor, enquanto massajava a testa porque o peito dele devia ser feito de pedra. Andrew não respondeu. Permaneceu carrancudo e meteu a mão ao bolso. Tirou de lá a minha pulseira, com o símbolo das asas, que a Lyla me tinha oferecido no Natal.

—A minha pulseira! Obrigada! — disse tentando pegar nela.

— Aham... não tão rápido minha menina — Andrew não deixou. Invés disso, olhou para mim sério e zangado. Fechou-a no seu punho e meteu-a outra vez no bolso. Isto não vai correr bem... cheira-me que estou metida num grande sarilho e vem aí tempestade. Eu só rezava para que a tivesse deixado no balneário ou no carro. Por favor santinhos não me abandonem!

— Não queres saber onde a perdes-te?

—No teu carro ou no balneário talvez...

—Hmmm interessante. Até porque eu encontrei esta linda pulseira....- disse pausadamente enquanto a tirava do bolso, a erguia no ar e a admirava, o que fazia com que eu ficasse mais nervosa — encontrei-a na estação abandonada ...ONTEM.

Estou frita. O mundo acabou. Engoli em seco.

—O gato comeu-te a língua?- não respondi — Riley, eu pedi-te para ficares em casa e tu prometes-te! E que é que fizeste? Trais-te a minha confiança! Já deu para perceber que não me posso acreditar nas tuas promessas. Sinceramente, porque é que me desobedeces-te?

—Eu só queria garantir que nada de mal acontecia. — disse envergonhada e a olhar para baixo pois não conseguia encarar o seu olhar forte. Não era capaz de ver a sua desilusão em mim naquelas esmeraldas.

—E se eles te encontrassem? Aí sim, íamos ficar todos em maus lençóis. O que é que viste?

—Nada de mais... só a troca de mercadoria. O que mais haveria de ter visto?

—Nada. Só queria perceber o tempo que estiveste lá.

—Não muito. Na verdade esses negócios são bem rápidos.

—Para a próxima vez vou-me certificar que estás mesmo onde dizes estar.

—Como assim?

—Tranco-te se for preciso. — encaro-o para tentar perceber se ele estava a brincar mas o seu olhar demonstrava que ele estava a falar muito a sério.

—Tu não podes fazer isso. — digo indignada.

—Ai não? Não me desafies Riley. Tu não sabes do que sou capaz.

Ok, este Andrew era muito diferente do Andrew que eu conheço. Não que eu tivesse medo dele mas é só que é diferente.

O sermão ficou por ali até porque ele virou costas e saiu.

-Ei! Espera! A minha pulseira!

— Vai ficar comigo até eu decidir dar-ta. -responde sem se virar para mim.

— Mas...

Mas nada. Fiquei plantada foi o que foi. Lyla estava fula mas estava com Sarah por isso não apanhou seca.

—Cais-te pela sanita abaixo? — perguntou de uma maneira trocista e arqueando a sobrancelha.

— Hmmm não, fiquei colada. E se tivesse caído estaria molhada! — tento aliviar o ambiente, porém a tentativa falhou miseravelmente.

—Muito engraçada Riley.

— E estava fila. — mas será que hoje toda a gente tirou o dia para se chatearem comigo?

Cada vez que olhava para Sarah era como se levasse um murro no estômago e 20 na cabeça. Estávamos no corredor a conversar e ele apareceu. Parecia cansado mas assim que chegou ao pé de nós abriu um sorriso e eu comecei a suar frio.

—Olá meninas! — disse cumprimentando-as, mas quando se dirigiu a mim eu apenas recuei.

— Constipação, desculpa. — disse nervosa sorrindo forçadamente. Michael não pareceu acreditar e franziu a sobrancelha. Perto de nós Andrew e Josh observavam a cena . Agora é que estou tramada... e se eles perceberem? É só que eu estou tão confusa e tenho esse direito, acho. Preciso de tempo para assimilar, se é que algum dia vou conseguir. As pessoas não eram o que eu esperava e parece que tenho que me habituar a esta ideia até porque vai me poupar mais desilusões. Passados dois dias já não adiantava de nada porque toda a gente se apercebeu que se passava algo sério.

—Aquela mulher é maluca! Como é que ela acha que vamos encontrar estas informações todas num dia?! — resmunga Lyla por causa de um trabalho que a professora de Biologia tinha mandado fazer.

—Não faço a mínima ideia. Só sei que se não as encontrarmos aí sim estaremos bem tramadas.- reconheceu Sarah.

—Riley, querida... — começa Lyla de forma carinhosa.

—Ui, que é que tu queres? Coisa boa não é de certeza.

—Nada de mais...

—Diz lá de uma vez.

—Podias ir chamar a funcionaria se faz favor?

—Ei! Não sou vossa empregada. — resmunguei cruzando os braços de uma maneira dramática.

—Por favorzinho... — viram-se as duas para mim fazendo cara de carneiro mal morto.

—Só porque quero um lugar lá em cima. — disse apontando para o céu.

Corri a biblioteca e nem sinal da mulher. Será que foi à sala dos funcionários? Precisávamos mesmo da ajuda dela.

Repentinamente sinto uma mão a tapar-me a boca e um braço agarrar-me puxando-me para dentro de uma sala o que fez com que ficasse muito assustada.

Porque é que me fazem sempre isto? Podem sempre chegar à minha beira e pedir para falar num sítio sossegado. Breve ainda me dá um ataque com tantos sustos!

Assim que tentei perceber o que tinha acontecido deparei-me com o Michael. O pânico começou a aumentar. Tentei soltar-me e fugir, tentei empurra-lo mas ele parecia que estava preso ao chão. Não parou de me segurar mas ao menos não me estava a magoar.

—Riley, pára! — obedeci porque nem valia a pena tentar quando ele têm o muita mais força- Eu vou soltar-te. Apenas promete que não gritas ou foges, por favor. — ele segurava-me de forma que estávamos cara a cara e eu conseguia ver que ele estava meio desesperado.

Acenei e assim que ele me largou empurrei-o apanhando-o desprevenido e desatei a correr mas bati contra algo ou alguém... Andrew e Josh? Novamente?! O meu cérebro tinha dado um nó cego, mas também não tive tempo de o desfazer pois Andrew apanhou-me, virando-me e segurando-me contra o seu peito. Tentei sair do seu aperto mas era uma perda de tempo.

—Eu disse que ela era perigosa e que não era de confiança. — riu-se mas isso não acalmou os meu estado de nervosismo. Michael estava à minha frente sereno.

— Calma, ninguém te vai magoar. Ouve só. — Andrew segurou-me num aperto mais forte e sussurrou-e. Parei de me debater o que fez com que ele me largasse.

— Riley, não é o que estás a pensar. Eu não sou um criminoso- disse devagar na tentativa que eu assimilasse — Eu sei que o que faço ou fiz não é o mais correto nem tenho orgulho nisso ok? Tudo isto tem uma justificação.

—E qual seria?

—Eu não te posso contar. Compreendes não compreendes?

—Não sinceramente não compreendo. Primeiro dizes que não és um criminoso depois admites que o és mas que tens uma justificação e quando eu te pergunto qual é dando-te uma oportunidade para te justificares, tu dizes que não podes! Eu confiei em ti. Eu considerava-te um amigo. Tu conheces as minhas amigas, és colega de trabalho da minha melhor amiga, e... — parei. Achei melhor não falar no assunto Sarah. — O que raio é que queres que eu pense quando te vejo metido numa coisa destas? Eu quero acreditar! Palavra de honra que quero.

— Riley, eu não quero que tenhas medo de mim ou que penses que eu posso fazer algum mal à Lyla ou à Sarah. Peço-te que confies em mim. Eu continuo a ser o mesmo Michael.

Baixei o olhar. Eu já não tinha tanta certeza. Michael caminhava na minha direção o que fez com que eu ficasse tensa e Andrew pareceu notar, até porque bati contra o seu peito.

—Por favor, eu só preciso de tempo, estou confusa.

—Não contes a ninguém por favor, nem à lyla ou à Sarah. Eu não quero que elas também tenham medo de mim. Eu seria incapaz de vos magoar.

Michael saiu mas Andrew permaneceu, assim como o Josh que ainda não tinha dito nada. Aos poucos Andrew deixou de me apertar e virou-me de frente para ele. Eu estava estática. Nem um músculo mexia.

—Riley, mais que ninguém sabes que nem tudo o que parece é. Apenas tens que confiar em nós.

—Eu preciso de pensar.

—Apenas pensa em voz baixa ok?

—Já disse que não vou contar nada. — saí deixando-os e voltei para a beira das outras.

—Riley, onde foste? Nunca mais vinhas, por isso tivemos que ir nós à procurar da funcionária e tu nem estavas lá! — Lyla tira-me do meu transe. Elas mal me viram vieram a correr ter comigo.

—Estava-me a doer a cabeça e fui comprar uma água ao bar para tomar o comprimido.

— E já te sentes melhor? — pergunta Sarah de forma meiga.

—Sim, o comprimido já deve estar a fazer efeito.

—Óptimo, até porque ainda temos muito trabalho pela frente. Esta tarde vai ser longa.

—Realmente não estás com boa cara- disse Sarah — Parece que viste um fantasma ou coisa parecida.

—Acredita, teria mais pena do fantasma afinal ele é que ia dar de caras com isto! — apontei para a minha cara arrancando gargalhadas delas.

Hoje era dia de trabalho e dia de folga para a malandra da Lyla. Podia ser que me ajudasse a pôr as ideias em ordem ou então que me ajudasse a esquecer por uns minutos.

—Anda. Eu dou-te boleia. — Andrew estava ao meu lado de carro.

—Prefiro ir a pé.

—É perigoso. Já é praticamente noite.

—Acho que consigo me defender sozinha- disse sarcástica- até porque já sou bem grandinha.

—É claro que podes, porque a Riley é a toda poderosa! Se chega alguém com uma arma, ela defendesse na boa com a sua arma secreta que é, deixa cá ver. — diz ironicamente levando a sua mão ao queixo numa pose pensativa. — Já sei! O seu mau humor e ironia — revirei os olhos.

—Quero estar sozinha. Preciso de arrumar as ideias. Além disso já disse que não vou contar nada, podem parar de me perseguir.

—Ninguém te anda a perseguir.

—Sério? Eu não tenho tanta certeza. O Michael anda a fazer perguntas estranhas como se a tentar perceber se eu dei com a língua nos dentes e até o Josh está com medo que eu diga alguma coisa. Que tipo de pessoa acham que eu sou? Uma parva do pior que não se preocupa com as pessoas e que ia deitar tudo a perder? Eu tenho a noção do quanto isto ia estragar a vossa vida e já está a estragar. — Andrew encarava-me desviei o olhar mantendo o na rua, tentando perceber se alguém me tinha ouvido ou assim.

—Já acabas te?- perguntou Andrew sarcástico olhando por cima do ombro como que a fazer o mesmo que eu à segundos atrás e depois baixou o olhar, para me encarar.

— E já agora, custa muito virem ter comigo e pedir para falar comigo em vez de me apanharem desprevenida? Não é assim tão complicado. É só chegar calmamente à minha beira e dizer "Olá Riley. Importaste que fale contigo num sítio mais privado?". Poupavam-me muitos sustos.

— E agora... já acabaste? — voltou a perguntar arqueando a sobrancelha.

— Já acabei? Eu nem sequer comecei, mas também não pretendo continuar. — Dei de costas. Andrew pôs-se a minha frente

—Onde é que pensas que vais?

—Trabalhar.

—Eu disse que te levava.

—E se a memória não me falha eu recusei educadamente.

—Riley, não tornes isto pior do que já é. Larga essa teimosia e entra no carro por favor.

—Senão o quê?

—Vou ter que te obrigar a entrar — disse desafiando-me. Malditos desafios dele!

—Claro que vais, até porque ultimamente é o que melhor sabem fazer, obrigar-me , darem-me ordens, agarrarem-me e usarem a força.

—Ambos sabemos que a tua curiosidade e teimosia não ajudam. Já para não falar no íman de problemas que tu és e estás sempre a correr riscos desnecessários e estúpidos porque não pensas. És inconsequente!

—Mais alguma coisa?

—Sim Riley, muitas coisas. Pára de ser egoísta. Sabes o quanto as pessoas que te rodeiam-se preocupam? Não, não sabes! Porque se soubesses não andavas por aí a atirar-te para frente de carros, a enfrentar pessoas que te podem magoar e a procurares o perigo indo até uma transação de droga. Tu não paras para pensar no que a tua mãe ou a Lyla ou a Sarah iam sentir se alguma coisa te acontecesse. Não se trata só de ti, mas sim delas.

—Não é culpa minha se me preocupo e se não quero que os meus amigos andem metidos com uma escumalha, a traficar droga e sabe Deus mais o quê?! — gritei desesperada.

—Vamos. — abriu me a porta.

—Eu já disse que não vou contigo.- Andrew fechou os olhos, respirou e disse com um tom de voz como se estivesse a contar até dez para manter a calma -Riley, entra por favor. Apenas obedece desta vez.- Bufei e soltei um "mandão" que tenho quase a certeza que ele ouviu, porque deu um sorriso de canto murcho, mas continuava a ser o seu sorriso. Andrew rapidamente voltou a pôr o motor do carro a funcionar.

—Eu também não gosto nada disto, mas não posso simplesmente deitar tudo a perder.

Fechei os olhos e encostei a cabeça no banco.

—Podemos apenas parar de falar nisto por favor.

—Como queiras. Estás bem?- perguntou com um tom de voz que transmitia preocupação. Continuei de olhos fechados até porque tinha a certeza que ele me encarava e isso fez com que decidisse permanecer de olhos fechados.

Quando chegamos saio do carro apressadamente e desajeitadamente. Limito-me a dizer um "obrigado" pois apesar de estar a chateada ainda tenho boas maneiras. Nem sei se ele me respondeu ou não porque mal falei fechei logo a porta.

Entrei na livraria e deparo-me com imensos caixotes empilhados estavam à volta do balcão.

—Olá Riley!

—Oh olá Sr. O'Donnell. Como está?

—Vou bem e tu? Como anda esse coraçãozinho problemático?

— A fazer das suas. Chegaram novos livros?

—Sim, são aqueles que encomendei na semana passada. Pensei que ia demorar mais, mas eles foram relativamente rápidos.

—Sendo assim, é melhor deitar mãos à obra.

—Obrigada Riley. Realmente és uma grande ajuda.

—Bem, acho que é o meu dever. Afinal é para isso que o patrão me paga. — o Sr O'Donnell riu-se. Estes livros eram uma perdição. Enfim há que resistir.

Não tornei a ver o Andrew que devia ter ido falar com Michael. À ida para casa parecia que tudo conspirava contra mim: estava a chover muito e um carro passou por mim e molhou-me toda e para completar a minha mãe pediu que passasse no supermercado para comprar azeite. Cheguei lá e o supermercado estava quase a fechar. Tive que implorar à mulher que durante o atendimento não parou de reclamar. Assim que cheguei a casa respirei fundo, parecia que me tinham rogado uma série de pragas, mas ao menos a tia Glória ficou toda contente porque precisava do azeita para o jantar.

Essa noite não preguei olho e tive outra vez pesadelos. Até já tinha medo de adormecer. Quando acordei todo o meu corpo doía, a minha cabeça latejava e o meu estômago parecia uma concertina. Assim que pus os pés fora da cama senti algo subir e fui a correr para a casa de banho vomitar. Foi uma sensação horrível até porque não tinha nada no estômago. Lavei a cara, preparei-me e desci. Aquelas duas já tinham percebido que algo estava errado.

—E essa cara filha?

—Dormi mal.

É oficial. Estou com ar de quem foi atropelada por uma manada de bisontes. Manada de bisontes é pouco! Parece que fui atropelada pela selva toda! Para melhorar adormeci na aula de inglês. Em nome da minha pessoa devo desde já acrescentar que aquele professor não ajuda muito. Por sorte a Sarah acordou-me antes que o professor me visse. Assim que acordei tinha uns olhos verdes a encararem-me. Porra Riley! À hora de almoço voltei a sentir aqueles enjoos desatando a correr em direção à casa de banho e... bam, vomitei. Lyla e Sarah vieram logo atrás de mim ver como eu estava, mas perderam o espetáculo do pouco (quase nada) que comi a sair.

—Riley, que aconteceu? — pergunta Lyla apanhando os meus cabelos para que não ficassem todos sujos e fedorentos.

—Está tudo bem. O almoço caiu-me mal.

—Qual almoço? Aquele em que não tocaste? Riley, conta outra.

—Estou só um pouco enjoada.

— Trus trus. — diz uma voz do outro lado da porta e Andrew entrou.

— Casa de banho errada. — disse eu.

—Nós vamos buscar-te alguma coisa e já voltamos.- Queria gritar para que elas não me deixassem sozinha com ele.

— Que aconteceu?

— Já estás no 11º, acho que já sabes o que acontece quando as pessoas vomitam — disse ajoelhando-me no chão e fechando os olhos.

—Isto está a dar cabo de ti. — suspirei e calei-me. Mesmo de joelhos sentia tudo à minha volta a girar até que um braço forte me envolveu e consegui estabilizar -Tens dormido?

—Não.

—Temos de dar um jeito nisso.

—Como?

— Não sei. Qualquer coisa. Comprimidos talvez?

—Já tentei e não resultou e sinceramente não me apetece andar a toma-los.

—Podemos sempre falar com o meu irmão.

—Isso não é sequer uma opção. O quê é que íamos dizer lhe? Olha Logan não se passa nada de mais, sabes como é... ela anda só preocupada connosco porque andamos metidos numa grande alhada e agora descobriu que o Michael também, mas de resto não é nada de grave- disse no extremo da minha ironia. — Podes arranjar uma maneira de eu conseguir esquecer tudo e ter umas boas noites de sono?

—Pára de te preocupar. Nós vamos dar conta do recad. Tu queres que eu confie em ti e em troca só te peço para confiares em nós.

— É claro que vão. — disse revirando os olhos. -Eu já disse que só preciso de tempo- sussurrei tirando o cabelo da minha frente dos meus olhos. Agora se não te importas... — apontei para a porta dando a entender que queria que ele saísse.

Eu não quero ser injusta, mas e só que às vezes é difícil procurar a justiça, no meio da grande injustiça que é a vida.

Notas finais
Que acharam? Deixem a vossa opinião na caixinha mágica mais abaixo! Até ao próximo.