After the pain
25 Amigos são para as ocasiões
Acordei e encontrei Logan a apontar os valores das máquinas horrorosas que supostamente ainda me estavam a dar algum auxilio.
– Então, sentes-te melhor? — pergunta ele enquanto aponta os últimos valores das máquinas voltando-se de seguida para mim.
– Sim. Uhm......quando posso ir embora?
– Breve, tens só que fazer mais alguns exames e depois podes ir.
– OK — disse eu virando a cara e respirando de alivio por finalmente poder sair daquele buraco infernal.
Mal podia esperar para sair do perímetro daquele hospital. Como Logan prometera, fiz alguns exames só para verificar que estava tudo bem e depois tive alta.
A minha casa espera-me!
Cheguei a casa e a primeira coisa que fiz foi atirar-me para a minha adorada cama. Bem... não me atirei porque estava meia zonza e doía-me o corpo todo. A minha mãe teve de me ajudar a tomar banho e digamos que no resto da semana fui tão mimada que me sentia como uma criança de 5 anos.
Quando a Lyla me contou mais sobre o acidente fiquei a cismar. Eu mal podia acreditar que ela desmaiou e que o Andrew chorou. Isso mexeu comigo. Mas era normal não era?! Provavelmente se visse um colega meu atropelado mesmo à frente do meu nariz e pensar que estava morto também choraria. Até porque pode se dizer que sou uma pessoa sensível e tenho as lágrimas a flor da pele.
Tive alguns enjoos e cheguei a vomitar. Tinha tonturas, mas Logan mencionara que era provável que isto acontecesse. Até parecia mentira mas estava ansiosa para ir para a escola só para sair da exagerada atenção que recebia da minha mãe e tia que insistiam em fazer praticamente tudo por mim. Só não iam à casa de banho por mim porque enfim... é biologicamente impossível!
Acordei com raios de sol a entrar por a janela pois as cortinas encontravam se entreabertas. Mas logo percebi que era sol de pouca dura pois no céu nuvens escuras ameaçavam tapa-lo.
Preparei-me para o meu primeiro dia de aulas depois do acidente. A minha mãe e a minha tia encheram-me de perguntas. Queriam ter a certeza que estava em condições de ir para a escola e eu lá consegui convence-las que ia ficar bem e se me sentisse mal pedia a Lyla que me ajudasse.
Quando cheguei Lyla estava com um ar triste.
– Oh...podias ao menos disfarçar a tua alegria por me veres!!
– Olá... Desculpa e sê bem vinda!- disse abraçando-me carinhosamente.
– Que se passa? — pergunto eu já preocupada com a minha melhor amiga. Não era costume ela estar assim...
– Sempre a mesma! Acabaste de sair do hospital porque puseste a vida dos outros à frente da tua. Agora mal chegaste já estás preocupada comigo. Quando é que vais aprender?!
– Ok desculpa! — digo levantando os braços em sinal de rendição — a partir de agora vou ser insensível. Oh... olha ali um passarinho com a asa partida — digo apontando para um sítio vazio fingindo que o pássaro realmente estava lá — I don't care! Ele que se desenrasque — disse eu na brincadeira. Lyla revirou os olhos
– Sempre a mesma!
– Agora a sério, fora de brincadeiras, o que se passa?
Lyla virou-se para mim:
– Riley, tu tens tantos problemas! Não queiras tomar conta também dos dos outros.
– Onde cabem 1000 problemas, cabe mais um. — digo tentando encorajá-la. Lyla continuou a andar —
Sabes que não saber deixa me pior.
– Eu sei desculpa. Mas mesmo assim prefiro que não saibas.
As aulas foram uma seca tremenda. Perdi tanta matéria que os professores marcaram horas fora das aulas para me explicarem.
Cheguei a casa completamente estoirada, parecia que me tinham voltado a atropelar.
Finalmente paz. Acabei por adormecer. Acordei com a minha tia a balançar-me gentilmente.
– Querida, anda jantar!
– OK tia, já desço.
Estávamos a jantar quando alguém bate a porta.
Fui abrir.
Assim que abro a porta dou de caras com Lyla. Do seu pequeno rosto caíam lágrimas e os seus olhos estavam vermelhos e inchados. As suas roupas estavam molhadas e o seu cabelo gotejava. Lyla atirou-se para mim e abraçou-me forte como nunca me tinha abraçado. Murmurou um desculpa no meio de soluços. Depois que me largou agarrei na mão dela e subi para o meu quarto avisando as duas mulheres que estavam à nora do que se estava a passar que ia subir.
– Agora vais contar-me o que se passa Lyla. — sento-me na cama e Lyla sentasse ao meu lado. A minha mão ainda agarrava a sua para lhe tentar transmitir segurança, algo que ela precisava neste momento.
– Desculpa... eu não queria chatear-te com os meus problemas mas eu preciso de ti. — diz Lyla encarando a cama evitando olhar para mim.
– Que estupidez Lyla! — encosto a mão livre à sua cara e levanto-a de maneira a que ela me pudesse encarar nos olhos — tu não tens de pedir desculpa e é claro que eu quero ajudar-te. És a minha melhor amiga, vou ajudar-te sempre que precisares quer queiras quer não. Cheguei-me mais para a sua beira e comecei a passar-lhe as mãos nas costas como incentivo para que continuasse com o seu desabafo.
– O meu pai estava com problemas no trabalho, parece que eles andam a cortar no pessoal e ...Despediram-no. — concluiu Lyla deixando lágrimas escaparem-lhe — A minha mãe está desesperada porque ela só faz horas nos sítios que arranja não tem um emprego fixo. Se o meu pai não conseguir arranjar um emprego depressa em breve não conseguiremos pagar as contas.
– Não fiques assim. Vais ver que ele vai conseguir arranjar outro.
– Não sei. Não vai ser fácil ainda para mais com a idade dele.
– Já sei! — disse quase dando um salto na cama — E se arranjássemos um para ti? Só ao fim de semana para puderes dar um empurrão lá em casa. Eu também podia arranjar um para ajudar a minha mãe com as despesas.
– Eu já pensei nisso, mas tenho medo que não seja suficiente?
– Então?! Onde está a Lyla que eu conheci?! Aquela come peruas ao pequeno almoço? — Lyla riu-se.
– Acho que foi de férias e se perdeu pelo caminho. — diz Lyla ainda com um sorriso fraco nos lábios.
– Que burra! Também não sabe levar um GPS!? — Lyla riu-se novamente, ainda com um sorriso triste mas não deixava de ser um sorriso.
–Oh... trouxe as minhas coisas para dormir cá, se não te importares claro!
– Claro que não me importo. Sabes bem que não e és sempre bem vinda cá em casa. — Avisei a minha mãe que ela ia dormir cá e claro que a minha mãe ficou contente. Ficamos tempos infinitos a conversar e óbvio que a conversa tinha que ir parar ao capitão da equipa de andebol da nossa escola.
– Quando é que admites? — insiste Lyla já com a cara normal e sem rastos de quem esteve a chorar a instantes atrás.
– Admito o quê? — pergunto sem compreender ao certo sobre o que Lyla estava a falar.
– Que gostas dele?
– Ele quem?
– Riley, não te facas de desentendidas! Sabes perfeitamente de quem eu estou a falar.
– Não, não sei.
– O nome Andrew...diz-te algo?
– Sim... fica em algumas aulas connosco e é capitão da equipa de andebol da escola. Uh... e namora com a perua principal!
– E de quem tu gostas! — disse Lyla orgulhosa.
– Quando desmaias-te, bateste com a cabeça forte não foi?
– Ahaha... por a caso não! O Josh apanhou-me. — disse corando.
– Oh... tão fofo! — tento conter um guincho — O príncipe salvou a sua princesa de cair.
– Não desvies o assunto!
– Sim sim... olha para as horas! Ih, é tão tarde e amanhã temos escola. Vamos dormir! — digo dando o assunto por encerrado.
– Claro que é para tu sonhares com ele. — Atirei-lhe com uma almofada que lhe acertou em cheio na cara, mas ela continuou a rir. Deitei-me.
– Sonha com o teu príncipe! — provoco.
– Sonha com o teu capitão! — responde à provocação não contendo o riso.
– Bahhh- deitei-lhe a língua de fora e virei a cara para o lado oposto. Ouvi um riso abafado da Lyla e adormeci.
Acordei com a Lyla em cima de mim.
Sua onça preguiçosa!
– Ai! Sua baleia sai de cima de mim! — Lyla saiu fazendo-se de ofendida e eu ri-me da cara dela.
Fogo! A Lyla deve me ter rogado uma praga! Não é que eu sonhei mesmo com o Andrew. Nada de lamechas. Sonhei que ele estava à minha espera na escola e depois deu-me a mão e Jennifer namorava com o pé grande ahahahah!
Os sonhos são mesmo estranhos! Assim que me lembrei da imagem da Jenny com o pé grande ahahahah. Era giro era ahahahhahah.
Fomos para a escola e o que é que vemos logo?! Uma enorme demonstração de afeto ente Valentine e Tracy que estavam aos beijos. Depois de um pequeno almoço tão bom ninguém merece... Uhgg
No final das aulas, Lyla e eu, combinamos procurar algum trabalho.
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