After that Everything Changed
17 What Was Bad Enough, Got Worse...
Notas iniciais
Scott Simpson
Eu confesso que nunca me imaginei nessa situação, eu sempre gostei de ser o centro das atenções, mas não nesta situação. Muitas garotas e gays ficavam assoviando para mim e gritando:
— Ô lá em casa...
— Vem cá, gostoso, me deixe te consolar!
— Delícia...
— Que isso!
E outros comentários mais que são mais impróprios do que me ouvir falar o dia inteiro, porque eu sei que falo muita merda, muitos palavrões, mas essas garotas estavam conseguindo ser piores do que eu, e ah, os veados também. Sem querer ofender os homossexuais...
Peguei minhas roupas no fim da escada, me tapei com as roupas e fui até o banheiro me vestir, dizendo:
— O show acabou...
— Ah... — Ouvi em coro.
Eu ri um pouco, me vesti e saí do banheiro. Tinha várias garotas que ficaram na porta, acho que me esperando quando abri e muitas se lançaram em cima de mim, fazendo me entrar no banheiro de novo, acho que tinha umas cinco.
— Agora você é nosso... Disse uma delas.
Todas elas sorriam para mim e eu confesso que fiquei um pouco sem graça, até porque eu não estava a fim de orgia, não mesmo.
— Foi mal, gatinhas, mas hoje eu não estou no clima. Sinto muito decepciona-las... — Falei indo até a porta.
Eu passei por todo mundo, não quis saber mais de bebida, mulher, nem nada, só queria ir para casa e me esquecer do que aconteceu. Entrei no meu carango e fui.
— Puta merda, eu falei que estou apaixonado por ela na frente de todo mundo... Eu não acredito que eu fiz isso! Exclamei me lembrando disso enquanto dirigia.
Eu soquei o volante de raiva por ter sido tão idiota e burro, e fiquei bufando de ódio por isso.
Amber Connor
Eu fiquei um bom tempo chorando, meus olhos ardiam muito, mas mesmo assim eu não conseguia parar de chorar. Eu não conseguia acreditar que ele falou aquilo mesmo na frente de todos. Será que é mais uma de suas mentiras? Mas ele pareceu ser tão sincero que eu estou confusa, eu não podia ter feito isso. Que ódio! Ele não vai me perdoar nunca por isso, eu tenho certeza que não... Ouvi batidas na porta e falei:
— Está ocupado, sinto muito.
— Sou eu amiga, abre aí. Disse Kate do outro lado da porta.
Eu enxuguei o rosto, me levantei da cama e abri.
— Ai meu Deus... Exclamou ela.
Eu abaixei a cabeça e ela me abraçou, dizendo:
— Relaxa amiga. Se ele realmente disse a verdade, se está apaixonado por você de verdade, ele vai te perdoar.
— Eu não devia ter feito isso. Falei soluçando.
— Calma... Pense positivo, você não vai precisar fazer mais nada para mantê-lo afastado de você e outra, você conseguiu o que queria, a vingança. Disse ela.
— Mas não era para ser assim, eu imaginava que me sentiria melhor, vitoriosa, mas estou me sentindo um lixo por ter sido tão má com ele e eu estou me odiando. Respondi desabando em lágrimas.
— Ei... Calma. Tudo bem, você não precisa mais fazer mais nada. Acabou amiga. O único problema é que ele está apaixonado de verdade... Disse Kate.
— Como você pode ter tanta certeza? Perguntei enxugando o rosto novamente.
— Ele nunca se declarou para nenhuma garota, ainda mais peladão — e riu — Me desculpe, mas a atitude que ele teve deixou mais do que claro que você, milagrosamente conseguiu muda-lo de cafajeste para um bobo apaixonado... Meus parabéns!
— Isso é horrível... Falei chorando ainda mais.
— Por quê? Amber, esse é o sonho de toda garota que já foi iludida, ter o canalha nas mãos e você o tem, basta saber usa-lo, e eu sei que você quer, admita, você ainda gosta dele... Disse ela me fazendo refletir sobre isso.
— Eu não sei se realmente ainda gosto, tem o Henry, por mais que ele supostamente esteja com outra, eu ainda gosto dele. Falei.
— E se ele estiver com a outra? O que você vai fazer? Não vai se permitir virar essa página? Vai ficar igual uma otária sofrendo atoa, tendo o garoto que um dia foi o dos seus sonhos nas mãos, mas o deixando de lado?! Acorda, Amber! Faça logo a sua escolha... Se você gosta do Scott, vai atrás dele e peça perdão, mesmo se não gostar dele, você deve fazer isso porque eu confesso que foi muita maldade o que fizemos hoje, se quiser eu vou contigo pedir desculpas, mas o que você não deve fazer é fugir... Disse ela parecendo estar confusa com suas próprias palavras.
— Eu preciso beber... Falei indo até a porta.
— Nesse estado? Negativo! Primeiro que você vai vomitar a casa toda, segundo que você está toda inchada e lá embaixo está lotado ainda, quer que todos te vejam assim? Perguntou ela, tendo razão.
— Está bem... Dispensa todo mundo, por favor... Eu preciso dormir. Pedi já não tendo clima algum para festa.
— Ok... Sim senhora! Disse ela batendo continência para mim e indo embora.
Eu me deitei novamente na cama e fiquei tentando dormir.
Henry Arnecker
Depois de horas no avião, eu e Alice chegamos ao aeroporto de Ohio e os pais da Amber foram nos buscar, como Josh havia dito que buscariam, mas como Amber não saberá que cheguei se os pais dela estão aqui e vamos para a casa dela? Perguntei-me em pensamento, mas fui até eles que estavam com uma placa, dizendo:
“Aqui estão seus sogros, genro britânico que beija bem!”
Isso só podia ser ideia do Josh, ele adorava zoar comigo por causa dos comentários apaixonados que ele dizia que Amber fazia o tempo todo. Eu e Alice rimos bastante fomos até eles.
— Ah, então é você o beijoqueiro... Disse o pai dela, ele parecia muito com Josh.
Eu ri um pouco sem graça e respondi:
— Acho que sim.
— Sejam bem-vindos, queridos. Vocês deram sorte que a Amber foi dormir na casa da amiga e só volta amanhã, então vocês vão poder dormir tranquilamente lá em casa, amanhã eu vou ligar para a Kate e nós acertaremos de você dormir lá, ao menos amanhã, está bem, Alice, não é? Disse a mãe da Amber.
— Sim, está bem. Disse Alice sorrindo.
— Obrigado. Falei sorrindo para ela.
Eles ajudaram Alice com as malas, eu levei somente uma mochila, o violão no estojo e uma mala pequena, sabia que não ficaria mais que uma semana, mas sabem como mulher é não é? Alice levou três malas, uma mochila e uma bolsa. Exagerada... Fomos até o carro deles, eles ficaram falando muitas coisas sobre a Amber, perguntaram se ela aprontou muito conosco e mais outras coisas, nós conversamos bastante, mas eu confesso que estava com muito sono, até porque não consegui dormir direito no avião e estou acostumado com o outro fuso horário.
Não demorou muito, chegamos à casa deles, era uma casa bonita, a vizinhança era bem silenciosa, os bairros eram como nos filmes que vemos sempre de Hollywood, não tem divisórias, nem muros, no máximo arbustos que dividiam as casas. Entramos na casa, que é bem aconchegante, o pai da Amber, senhor Rudolf Connor, me levou até o quarto onde eu ficaria o velho quarto do Josh. Era bem legal, tinham vários pôsteres de bandas de rock e bolas de basquete que decoravam. Tinha um abajur em forma de cesta de basquete, com uma bola. Pelo visto, ele era louco por basquete mesmo...
— Então, garoto, você parece cansado. Caso queira tomar um banho, o banheiro fica na primeira porta do corredor à direita. Eu vou pedir para Rose providenciar toalhas para você. Disse ele saindo do quarto.
— Está bem... Respondi um pouco sem jeito.
Eu me sentei na cama, peguei uma roupa boa para dormir na mala e fiquei aguardando-o. Ele chegou com a toalha, sabonetes e travesseiros para mim.
— Então, aqui estão os travesseiros que compramos para você e sua irmã — Disse ele me entregando — Pegue a toalha e os sabonetes também, pode ir tomar o banho, e caso precise de mim, estarei no meu quarto.
— Está bem, muito obrigado, senhor Connor. Agradeci pegando as coisas do banho, minha escova e pasta de dente, indo até o banheiro.
— Que nada, garoto. Esse é o mínimo que posso fazer por você, aliás, você e sua irmã são nossos hóspedes. Boa noite. Disse ele indo até o seu quarto.
Entrei no banheiro, me despi e tomei um banho. A água era bem fresca, ótima. Eu me ensaboei todo, passei shampoo no cabelo e logo me enxaguei. Fiquei imaginando, ansioso o momento em que veria aquele lindo rosto novamente. Terminei o banho, me sequei, vesti-me, escovei os dentes e fui até o quarto dormir, até porque estava muito exausto.
Amber Connor
Depois de um tempo, a música parou e acho que todos foram embora. Eu não consegui dormir direito, virava de um lado para o outro tentando achar uma posição, mas não conseguia pregar os olhos. Passei a madrugada em claro, uma dor enorme de cabeça, era embriaguez misturada com tristeza com uma doze de arrependimento, acompanhado de olhos inchados de tanto chorar, minha cabeça parecia que ia explodir. Eu me levantei da cama quando amanheceu, fui até a cozinha procurar um remédio e beber água. Tomei o remédio e fui até o banheiro ver o meu estado que eu tinha consciência de que não era dos melhores. Quando me vi no banheiro, meus cabelos estavam mais embolados que o normal, meu rosto estava mais vermelho que ontem, a maquiagem estava mais que borrada, meus olhos pareciam de sapo de tão inchados, eu estava horrivelmente, horrível! Preparei o café da manhã, a casa estava de cabeça para baixo, eu tinha noção de que eu, Kate e o Tyler, se ainda estivesse aqui, teríamos muito trabalho pela frente. Depois de deixar o café pronto, eu não sei se vocês já sabem, mas eu aprendi a fazer o café da manhã... Até panquecas eu aprendi a fazer, até porque eu não tinha escolhas, ou aprendia sozinha, ou morreria de fome quando a Scar não estivesse em casa, lá em Liverpool. Deixei pelo menos a mesa bem arrumada, fui até o banheiro tomar um banho, fiquei quase uma hora embaixo do chuveiro. Depois me sequei, enrolei-me na toalha, escovei os dentes e fui até o quarto de hóspedes, pegar a minha maquiagem e tentar disfarçar a desgraça que eu estava. Depois de algumas tentativas, consegui esconder aquele inchaço, não me perguntem como. Vesti umas roupas que levei para passar o dia na casa e fui tomar café sozinha, já que Kate e Tyler não levantaram e parecia que não levantariam tão cedo... Até que as panquecas estavam boazinhas, eu sempre amei come-las bebendo leite. Eu não sei por que, mas eu não senti enjoo por causa da bebida de ontem.
— Bom dia, amiga. Hm... Vejo que alguém aprendeu a fazer café da manhã e parece estar delicioso. Disse Kate, vindo até a mesa juntamente com o Tyler.
— Bom dia, Amber. Realmente parece está muito bom. Disse Tyler sentando-se ao lado da Kate atacando as panquecas.
— Bom dia, gente. Respondi um pouco tristinha, eu ainda estava e não era para menos, não é mesmo?
— Bom, temos que acabar com essa bagunça antes que a minha mãe chegue, quem vai me ajudar? Perguntou Kate.
— Eu ajudo. Respondi terminando de comer.
— Ah... É muita bagunça amor. Reclamou Tyler.
— Eu sei, por isso precisamos de mais mãos de obra. Disse ela dando beijo esquimó nele.
Eu me levantei da cadeira, levando a louça que sujei para lavar. Depois disso, nós arrumamos tudo, ou quase tudo o que estava bagunçado. O telefone da casa começou a tocar e, como eu estava próxima dele, exclamei:
— Eu atendo!
Assim que atendi, falei:
— Alô?
— Filha? Ouvi a voz da minha mãe.
— Oi mãe... Daqui a pouco eu estarei em casa. Falei achando que ela iria me dar uma bronca, até porque ela não era de ligar para a casa da Kate atoa.
— Está bem, meu amor. A Kate está? Perguntou ela e eu estranhei.
— Está... Respondi.
— Chame-a, por favor, preciso falar com ela. Disse ela.
— Tá. Espere um pouco. Falei levando o telefone até a Kate desconfiada de que elas aprontariam algo.
A Kate saiu de perto de mim com o telefone e eu voltei a catar os copos que estavam espalhados pelo chão da sala e colocando-os no saco de lixo.
— Quando você acha que terminaremos? Perguntou Tyler.
— Provavelmente, amanhã. Respondi já me sentindo cansada.
Kate veio até a gente com os olhos arregalados por encontrar uns sete maços de maconha na varanda da casa dela.
— Se o meu pai visse isso, ele acharia que eu fumei e me mataria dizendo que eu estou grávida. Disse Kate me fazendo cair na gargalhada.
— Ele não te mataria, ele ME mataria. Disse Tyler tendo razão, sendo que nenhum deles dois fuma.
E eu continuei rindo. Nós limpamos toda a casa, isso levou a manhã toda e parte da tarde. Eu já estava mais que morta de cansaço, nós comemos sanduíches e bebemos Coca-Cola, depois eu tomei outro banho, peguei minhas coisas e fui para casa. Eu cheguei a casa e estranhei um pouco, até porque já estava anoitecendo e a casa estava com as luzes apagadas. Eu tentei puxar em mente se o meu aniversário estava próximo, mas não, não estava... Dei os ombros e entrei na casa. Assim que liguei o interruptor, dei de cara com várias pétalas de rosas vermelhas espalhadas pelo chão e o Henry sentado no meio da sala com um violão me olhando, ele começou a tocar e cantar a música “Here Without You” da banda 3 Doors Down. Eu fiquei boquiaberta, sem reação nenhuma olhando para ele enquanto cantava:
“A hundred days have made me older
Since the last time that I saw your pretty face
A thousand lies have made me colder
And I don't think I can look at this the same
But all the miles that separate
They disappear now when I'm dreaming of your face.”
“Cem dias me fizeram mais velho
Desde o ultimo momento em que eu vi seu lindo rosto
Milhares de mentiras me fizeram mais frio
E eu não sei se eu posso ver isso da mesma maneira
Mas toda distância que nos separam
Desaparecem quando eu sonho com o seu rosto”
Eu comecei a chorar por me lembrar de tudo, tudo o que estou passando, tudo o que fiz, do que ele fez. Mas que merda! Por que ele tem que vir? Como pode ter tanta cara de pau de vir até aqui e ainda cantar para mim? Eu também estou errada nessa história... Eu não vou suportar isso.
“I'm here without you baby
But you're still on my lonely mind
I think about you baby
And I dream about you all the time
I'm here without you baby
But you're still with me in my dreams
And tonight, it's only you and me...”
“Eu estou aqui sem você, baby
Mas você ainda está em minha mente solitária
Eu penso em você, baby
E eu sonho com você o tempo todo
Eu estou aqui sem você, baby
Mas você ainda está comigo em meus sonhos
E hoje à noite, somos só você e eu...”
Fale com o autor