After that Everything Changed
22 The Test
Notas iniciais
P.O.V Amber Connor
Assim que entrei na casa, não havia mais ninguém na sala. Fechei a porta e subi as escadas. No corredor tinha um criado e havia um papel dobrado, eu o peguei e comecei a ler:
Meu anjo, eu não sei quando você vai achar esse bilhete, se é que o encontrará, mas caso tenha o achado e esteja lendo eu só quero lhe dizer que estou partindo, não dá para ficar aqui sabendo que não me pertence por completo, que tem outro rapaz em sua mente, e supostamente em seu coração. Eu a amo tanto que sou capaz abrir mão da minha felicidade pela sua, porque você sabe que eu só serei feliz ao seu lado, mas se você ama outro cara, não tem porque eu a impedir de ser feliz.
Eu imagino que você realmente goste dele mesmo, então não serei egoísta, você está livre para ver se realmente é isso o que deseja, livre para amar e ser amada por outro. Você não tem noção do quanto é doloroso para eu ter que me acostumar com essa realidade, até porque eu não escondo, não vou mentir e te digo com todas as letras quantas vezes for preciso que eu te amo e sempre te amei, sinto que amarei até minha morte. Torço por sua felicidade e espero que seja muito feliz, eu estou aqui e não sei por quanto tempo estarei para você, caso encontre a resposta, por favor, deixe-me ciente, pois não sei se suportarei por tanto tempo essa espera.
Com amor,
Henry, seu idiota.
Eu fiquei boquiaberta ao ler, senti um aperto em meu peito ao saber que ele realmente foi embora, senti-me confortável ao saber que ele me compreendia e que estava disposto a abrir mão de sua felicidade por mim?! Ele estava conseguindo me fazer me sentir ainda mais culpada ainda, ele só me prova ainda mais que me ama, porque só o amor verdadeiro é capaz de abrir mão de ser feliz para ver quem a gente ama feliz... Ele é perfeito! Eu não posso estar amando outro, eu não vou me conformar de estar, não mesmo. Agora, mais do que nunca eu preciso ir em frente com o que eu decidi fazer, mas não será como o Scott imagina, eu tenho uma surpresinha para ele amanhã.
***
No dia seguinte, eu procurei pelas minhas roupas antigas e separei um look simples, uma calça jeans gasta nada atraente, uma blusa larga e um All Star velho. Não fiz nada de especial no meu cabelo, o deixei natural, somente o penteei, deixei dividido no meio, tirei minhas lentes e coloquei meus óculos de grau, tomei um banho, passei uma maquiagem bem fraca, me vesti, perfumei-me, escovei os dentes e fiquei esperando por ele.
Cinco minutos depois que terminei de me arrumar, ouvi o som da buzina do carro do Scott. Saí do meu quarto, desci as escadas e meus pais e Lice me olharam espantados e minha mãe disse:
— O que deu em você hoje?
— Eu só quero testar uma pessoa e o primeiro passo é a minha mudança de visual. Respondi confiante.
— E que mudança, se não me dissesse que faria isso eu não a reconheceria. Disse Lice.
— Espero que dê certo, minha filha. Disse meu pai.
— Eu estou sentindo que vai dar pai — Respondi indo até a porta — Beijos e desejem-me sorte.
— Toda do mundo, querida. Disse a minha mãe me mandando beijo.
Eu respirei fundo, abri a porta, saí e fechei. Assim que olhei para onde estava o carro, Scott estava escorado nele, me esperando. Eu fui até ele e reparei que ele ficou surpreso a me ver assim, mas não mudou seu tratamento em relação a mim.
— E aí, linda. Disse ele sorrindo e me cumprimentando.
— Ainda sou linda?! Perguntei.
— É claro que é. Disse ele acariciando o meu rosto.
Eu fiquei sem graça, abaixei a cabeça e falei:
— Para onde vamos?
— Ah, tem um restaurante muito maneiro que acho que você vai gostar. Disse ele abrindo a porta para mim.
Eu entrei no carro, ele deu a volta e entrou e ligou o carro. Eu liguei o rádio do carro, porque eu amo ouvir música e estava tocando “Locked Out of Heaven” do Bruno Mars. Nós dois começamos a cantar juntos, cantamos muito mal, muito mesmo, se dependêssemos disso, morreríamos de fome. Eu comecei a rir, porque éramos extremamente desafinados e ele ainda errava quase toda a letra da música.
— Pare de rir. Disse ele rindo também.
— Pare você também. Falei tentando parar, mas não conseguia.
— Com você rindo assim, não dá. Disse ele.
Eu respirei fundo, parei um pouco, mas ele começou a cantar fininho o refrão e eu não me contive, era hilariamente, hilário!
— Você está me desconcentrando, por isso estou desafinado. Disse ele rindo.
— Você não está desafinado, você é desafinado. Respondi sendo sincera e rindo.
— Nossa! Nem magoou... Disse ele fingindo estar sentido.
E eu, é claro, dei um empurrão no ombro dele de leve e ele riu. Ele parou o carro na frente de um restaurante, ou melhor, de uma lanchonete muito maneira, na verdade, a melhor da cidade no conceito da galera jovem, é claro.
— Nossa, não passou pela minha cabeça que me traria aqui, não mesmo. Confessei saindo do carro.
Ele sorriu e disse:
— Vamos?
— Claro. Respondi sorrindo.
Fazia anos que eu não vinha aqui e está reformada, espero que o lanche continue delicioso como sempre. Ele escolheu a melhor mesa para a gente, escolhemos os nossos lanches, a garçonete anotou tudo e foi embora.
— Bom, já que estamos aqui... Fale-me um pouco sobre você. Algo que eu não saiba. Disse ele sendo direto.
— Uau, foi direto ao ponto — Ri — Ah, eu sou fã da saga Harry Potter, ficção científica, amo todos os quadrinhos e filmes da Marvel, muito mais do que todo o tipo de romance e filmes de garotinhas... Não gosto nem um pouco de Crepúsculo, mas gosto da série The Vampire Diaries, Once Upon a Time, C.S.I. e essas coisas. Sou chocólatra, louca por doces, não dispenso salgadinhos, já fui viciada em games, hoje em dia nem tenho mais tempo para isso. Gosto de moda, desenho looks, ou melhor, desenhava.
— Uau... Você realmente me surpreendeu. Para mim você só era uma nerd que gostava de estudar, do Harry Potter eu desconfiei, mas eu imaginava que você era fã da saga Crepúsculo — Disse ele surpreso — E, caramba, você gosta de games, que irado! Eu confesso que também assisto C.S.I. quando dá, The Vampire Diaries eu assisti algumas vezes, mas não tive paciência de acompanhar, sou fã da Marvel e, estou surpreso.
Eu ri um pouco dele, até porque eu reparei que seus olhos brilharam mesmo quando falei da Marvel e de games, meus amigos diziam que a mulher dos sonhos de muitos homens são as que gostam de esportes, games e ficção científica, mas eu achava que era só para eles, mas acabei de ver que não, deve ser o sonho de consumo masculino mesmo.
— Mas e você? Perguntei.
— Não tenho nada a dizer de mim. Disse ele.
— Como assim? Perguntei.
— Não tenho mesmo, eu sou muito transparente — Respondeu-me — Descreva o que você sabe de mim.
— Espero que não se sinta ofendido — Pensei um pouco — Você era galinha, usava garotas com quem usa roupas, uma por dia, se não mais. Nunca ligou para sentimentos, só queria saber de futebol, festas, bebidas, garotas e curtição. Nunca pensou em se amarrar a alguém, gostava de se aproveitar da bondade de alheios...
— Você está fazendo de propósito para me ofender? Perguntou-me.
— Não. Respondi.
Ele riu um pouco e disse:
— Está bem... Deixe que eu me descreva, pelo menos do que sei de mim. Eu já falei de games e Marvel, sou apaixonado por futebol, bebidas e festas. Dei um tempo de garotas.
— Prefere garotos no momento? Caçoei.
— Não vou nem te responder... Eu realmente nunca pensei em relacionamentos sérios, nunca tive, mas isso foi antes... Para mim, essas coisas de relacionamentos, amor teriam que serem resolvidas e deixadas para depois que eu me formasse na faculdade. Eu nunca pensei em mulheres com a cabeça de cima, se é que me entende, e sim com a de baixo, sempre. Daí você apareceu e mudou isso, mudou o meu jeito de pensar, de agir, de ver a vida. Mudou tudo e sem fazer esforços. Disse ele me olhando nos olhos.
— Acho que o assunto está se direcionando a outro rumo, vamos nos concentrar, certo? Pedi.
— Certo... É mesmo verdade o que me disse no sábado? Perguntou-me.
— O quê? Eu falei tanta coisa e ainda estava bêbada, é um pouco difícil eu me lembrar.
— Que você não é mais virgem. Disse ele.
— Acho que é mais do que óbvio que eu não sou mais, ou quer que eu detalhe tudo? Perguntei.
Ele riu e disse:
— Achei que esse seu sarcasmo era proposital, mas acho que é o seu jeito mesmo.
— É sim, eu só fazia questão de ser duas vezes mais antes, só para ser insuportável mesmo. Respondi sorrindo.
— Parece que o efeito foi inverso. Disse ele me olhando nos olhos novamente.
Pare com isso!
— Mas com quem foi sua primeira vez? Perguntei.
— O quê? Perguntou.
— Com quem foi a sua primeira vez? Perguntei fazendo sinal.
Ele riu e disse:
— Ah, eu tinha 15 anos, foi no primeiro ano, com uma garota do terceiro, Hayley Johnson.
— Como foi? Perguntei.
— Foi a pior transa da minha vida — Disse ele rindo — Acredito que a sua primeira vez tenha sido numa cama, mas a minha foi no banheiro, ou melhor, no vestiário.
Eu comecei a rir dele e disse:
— Não brinca...
— É sério. Eu não sabia como fazer, ela que me ensinou do jeito dela e quase não rolou. Disse ele abaixando a cabeça.
— Ei! Não acredito que está com vergonha. Falei rindo.
— Você acha que é fácil para um cara que pegou várias garotas admitir que não foi tão bom com a sua primeira vez? Eu nunca contei isso para ninguém, sinta-se privilegiada. Disse ele rindo.
— A minha foi boa, só não foi perfeita porque foi numa cama de solteiro, mas só de pensar que foi em Londres com alguém que eu confio e que me ama, já é o suficiente para mim.
O semblante dele mudou quando mencionei algo sobre Henry e eu sussurrei:
— Desculpa.
E ele sorriu para mim.
— E o seu primeiro beijo? Perguntou-me mudando de assunto.
— O quê? Perguntei.
— Com quem foi? Perguntou-me.
— Ah... Eu não sei, até hoje. Respondi.
— Como assim? Perguntou.
— É que, foi numa festa a fantasia no primeiro ano. Um carinha fantasiado de Zorro me beijou e eu fui embora depois que a inspetora nos deu uma dura. Respondi.
Ele começou a rir e disse:
— É claro! O seu primeiro beijo foi comigo.
— O quê? Exclamei.
— Eu era o Zorro. Disse ele sorrindo.
— Como pode ter tanta certeza de que era você? Perguntei.
— Eu me lembro da dura, me lembro de ter olhado nos seus olhos. Disse ele tirando os meus óculos.
Eu fiquei um pouco sem graça e não enxergando quase nada de quebra e ele disse:
— É claro! Como não desconfiei que era você?! Doces ou travessuras? — E ele riu se lembrando do que me havia dito.
Eu ri e falei:
— Pode me devolver os óculos?
— Você fica tão linda sem eles. Disse ele me olhando.
— Linda e cega... Debochei.
— Sério? Achei que você tivesse operado. Disse ele surpreso.
— Não, eu uso lentes, mas hoje resolvi usar os óculos. Respondi pegando da mão dele e colocando novamente.
Nossos lanches chegaram, lanchamos e estava tudo delicioso.
— Como sempre, o lanche daqui arrebenta! Falei me deliciando.
— Verdade, é o melhor da cidade. Disse ele.
— Eu sentia tanta falta disso. Falei dando a última mordida no meu sanduíche.
— Estou vendo que vou passar pelo mesmo na Yale. Disse ele.
— Você passou para a Yale?! Exclamei surpresa.
— Passei. Respondeu ele com um sorriso de canto.
— Meus parabéns! Falei sorrindo para ele segurando em sua mão.
— Obrigado, mas e você? Aposto que passou para várias. Disse ele.
— Realmente, passei, mas somente duas me interessam que é Stanford e a universidade de Belas Artes em Londres. Ainda estou confusa. Respondi sendo sincera.
— Você é muito confusa. Disse ele.
— Realmente, sou mesmo. Respondi.
— Ainda bem que só fui escolhido para uma. Disse ele.
— Sorte a sua... Falei.
Terminamos de comer, ele pagou tudo, mesmo com a minha insistência em pagar ao menos a minha parte, ele me disse que tinha outro lugar que ele queria me levar, eu implorava aos céus que não fosse um motel, ou um lugar deserto, porque ele é desses. Ele nem chegou perto do carro, me levou até um prédio que era perto da lanchonete e me fez subir até o terraço, mas até que valeu a pena andar tanto. A vista era linda, dava para ver toda a cidade de lá, a brisa era deliciosa, eu estava com frio, até porque não trouxe nenhum casaco.
— E então, o que achou? Perguntou-me.
— Surpreendente... É lindo! Nunca imaginei que você gostasse disso. Respondi sendo sincera.
— Mas eu gosto. Ultimamente eu tenho vindo muito aqui, gosto de ver as luzes da cidade daqui, sentir essa brisa, pensar na vida, no meu futuro, em você... — Disse ele me olhando — Você está tremendo, Amber — Ele tirou sua jaqueta — Vista, por favor.
— Não, não precisa obrigada. Respondi tremendo e trincando os dentes.
Ele não me deu ouvidos e cobriu-me com sua jaqueta e me abraçou de frente, dizendo:
— Vou te esquentar.
— Ouvindo isso de você não tem como não pensar besteiras. Respondi.
— Mas com você é diferente e você sabe disso. Disse ele me olhando nos olhos.
Desviei o meu olhar e mordi o lábio com um nervosinho básico, ele pegou no meu rosto de leve me fazendo olhar em seus olhos novamente e disse:
— Você não precisa ter medo de mim.
— Eu não tenho medo de você, mas sim de mim mesma. Respondi fitando seu olhar.
— Acho que eu sou mais perigoso. Disse ele beijando-me em seguida nos lábios, sem preliminares, sem beijos no rosto, sem pestanejar, sem rodeios...
Eu correspondi e nos beijamos de um jeito bem romântico, me senti num filme de Hollywood naquele momento, o cenário e momento perfeito, fora o beijo dele que é fantástico.
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