After that Everything Changed
11 In Love.
Notas iniciais
Sabe, o ruim de estarmos apaixonados é que na hora de irmos dormir, a droga do sono não vem, a gente fica pensando na pessoa, nossa mente vaga no passado, nas nossas melhores lembranças com a pessoa que amamos, viaja para um futuro incerto nos mostrando o que queremos que aconteça com a gente, tipo que nós fiquemos juntos, tenhamos uma casa, casemos e tenhamos um casal de filhos e um cachorro com o nome de Ralf. Tão clichê e idiota, mas isso é o que a gente deseja quando realmente estamos apaixonados por alguém. Ao invés de conseguirmos dormir, sonhamos acordados. E assim foi naquele dia, eu acho que só depois que escolhi o nome que colocaria no gato que nós adotaríamos, finalmente eu consegui dormir.
— Amber, acorde! Josh e Scarlett estão indo embora. Ouvi minha mãe dizer do outro lado da porta.
— Hm... Mas já? Respondi ainda com os olhos fechados.
— Sim, eles marcaram para embarcar às 6h20, você vai ao aeroporto conosco? Perguntou ela.
— Ah... Já vou — Respondi morrendo de sono me levantando ainda de olhos fechados — Peça para eles me esperarem que eu irei com vocês.
— Está bem, só não demore. Disse ela.
Quando eu fui me levantar, de tanto sono que eu estava sentindo naquele momento, eu ainda não tinha aberto os olhos, quando fui me levantar escorreguei no tapete que ficava ao pé da minha cama e caí sentada, resmungando:
— Merda! Quem foi que colocou essa porcaria aqui?
Depois desse tombo eu despertei um pouco, abri os meus olhos com medo de cair de novo e fui tomar um banho. Vesti-me com uma roupa não muito chamativa, até porque fala sério, ninguém aguenta ficar “fabulosa” o dia inteiro principalmente às 5h10 da manhã. Eu escovei os dentes, arrumei o cabelo, passei uma maquiagem fraca, só para esconder os inchaços matinais do rosto e desci para tomar café. Na verdade, eu nem estava com fome, comi uma maçã básica e fomos até o carro, até porque eles estavam me esperando.
— Achei que tivesse morrido lá em cima. Disse Josh, como sempre o apressado.
— Ainda não... Acho que estou nova e feliz demais para morrer agora. Respondi sorrindo e mostrando que eu estava realmente feliz.
— Hm... E como se chama essa fonte de felicidade? Perguntou Scarlett me caçoando.
— Não vai dizer que é o Scott. Disse Josh fechando o punho e socando a outra mão.
Eu revirei os olhos e falei:
— É óbvio que não, é o meu britânico favorito — Respondi sorrindo e suspirando sem perceber.
— Achei que vocês tivessem terminado... Disse Josh não entendendo.
— Mas terminamos. Respondi.
— Não entendi agora. Disse minha mãe se virando para a gente.
— É que nós conversamos ontem pela internet... Ele continua sendo aquele idiota, fofo, carinhoso e lindo de sempre... Respondi sorrindo.
— Lá vem ela com esse papinho de apaixonada de novo. Ainda bem que você vai ficar por aqui mesmo, porque eu acho que não ia aturar mais você com essa coisa de “ah ele é tão lindo” “ah, ele é tão fofo” “ah, ele beija tão bem”... Disse ele imitando a minha voz, sendo que não parecia nada comigo falando.
Meus pais e Scarlett riram bastante e eu fiquei com cara de tédio.
— Não tem graça nenhuma gente, para! E eu não falo assim.
— Ah não? Perguntou Josh rindo de mim.
— É claro que não! Respondi me virando para a janela do carro com um bico enorme.
E eles continuaram rindo de mim.
Chegamos ao aeroporto, eles pegaram suas malas no porta-malas do carro do meu pai e fomos até onde podíamos para nos despedirmos deles. Esperamos um tempo até o voo deles ser anunciado.
— Não se esquece de me contar como está sendo a vingança. Disse Scarlett me abraçando.
— Pode deixar, vou mandar torpedos para vocês. Respondi sorrindo.
Nós nos soltamos e Josh me abraçou, dizendo:
— Já sabe né?
— Se o Scott tentar algo é para te avisar, porque você vai quebrar a cara dele e blá, blá, blá... Respondi fazendo cara de tédio.
Todos nós ficamos rindo.
— Eu te amo, tampinha. Disse ele me soltando.
— Também te amo, Josh. Respondi sorrindo para ele.
— Não se esqueçam de nos visitar. Disse Scarlett indo com ele para o setor de embarque.
— Pode deixar, não deixem de nos ligar. Exclamou minha mãe acenando para eles.
P.O.V Scott Simpson
Aquela garota estava conseguindo mexer muito comigo, mas como? Cara, ela é a Amber! Caraca, como é que pode ela ter ficado tão gata assim? É inacreditável mesmo. Ela é tão metida à durona que me faz querê-la ainda mais e eu tenho certeza que a terei, mais cedo ou mais tarde Amber Connor será minha.
Eu passei a noite toda só tendo alguns cochilos, porque além de estar todo dolorido, graças a ela a dor era menor, mas mesmo assim ainda doía, ou melhor, incomodava. Eu não achava nenhuma posição boa para dormir e isso estava me irritando. E outra, aquele sorriso não saía da minha mente, isso mesmo, o sorriso dela, da Amber... Porra, eu estou ficando maluco! Eu quero dormir, mas que droga!
Já tinha amanhecido e no relógio marcavam 7h34 e eu ainda não tinha dormido direito. Meus olhos queimavam de sono, minha cabeça doía como se eu tivesse enchido a cara na noite anterior e o meu humor não era dos melhores naquele dia.
— Scott, o café está na mesa, filho. Disse minha mãe depois de dar duas batidas na porta.
— Tá... Respondi irritado, não com ela, mas comigo por não ter conseguido dormir.
— Você não vem? Perguntou ela.
— Já vou. Respondi me levantando com um pouco de dificuldade.
Abri a porta e fui até o banheiro escovar os dentes, fazer minhas necessidades e tomar um banho. Depois do banho, me sequei e saí do banheiro só de toalha como sempre. Peguei qualquer roupa no quarto, vesti e desci.
— Bom dia, filhão. Disse o meu pai na mesa com o seu famoso jornal da manhã em mãos.
— Bom dia, velho. Respondi me sentando a mesa pegando um prato e colocando as panquecas nele.
— Filho, qual é o dia em que começam mesmo as aulas na Yale? Perguntou minha mãe.
— Daqui a duas semanas. Respondi pegando o suco.
— Que orgulho desse garoto. Disse o meu pai todo sorridente.
E eu abri um sorrisinho e comecei a devorar o café da manhã, até porque estava morrendo de fome.
— Espero que essas marcas que estão em você sumam até lá, não quero que você chegue nesse estado lá. Disse a minha mãe.
— Relaxa mãe. Até lá só ficarão as cicatrizes. Respondi bebendo suco em seguida.
— Então é verdade mesmo que você salvou a filha dos Connor. Disse o meu pai.
— É pai, salvei. Respondi.
— Muito bom. Disse ele fechando o jornal deixando ao lado de seu prato.
Depois disso, eles não falaram mais nada, eu terminei o meu café e subi para pegar minhas coisas para ir abrir a locadora, que eu costumava abrir 8h30. Eu tive que fazer o curativo em cima da sobrancelha, eu fiz do meu jeito, peguei os meus óculos escuros para disfarçar um pouco peguei as chaves do meu carango e fui trabalhar.
***
Abri o estabelecimento e arrumei tudo, eu tinha apenas dois colegas de trabalho, a Megan que organiza os DVD’s e o Kyle que me substituí de noite e no horário do almoço. A Megan era uma roqueira meio gótica, ou sei lá o que, era bonitinha de rosto, mas o seu estilo não era nem um pouco atraente. Aquele cabelo todo colorido, verde, preto e vermelho não era nada legal, ainda mais quando ela cismava de vir direto das festas Haven dela, aquela maquiagem toda borrada e aquele cabelo embolado me deixava assustado, mas tirando isso ela até que era legal. Era uma das poucas garotas que nunca cantei ou peguei. O Kyle era um carinha que parecia meio nerd, todo lerdão e viciado em jogos. Às vezes eu tinha que ficar até tarde na loja porque ele perdia a hora por jogar o dia inteiro e perder a noção do tempo, mas era gente boa.
— Bom dia, gatão — Disse Megan aparentemente arrumada — O que houve contigo? Caiu de bicicleta?
— E eu lá tenho cara de quem anda de bicicleta? Eu levei foi umas porradas mesmo. Respondi checando o caixa.
— Ui que ele está valentão agora — Caçoou ela — Posso saber por quê?
— Eu fui defender uma garota aí... Respondi não querendo falar da Amber, até porque a Megan estudava na mesma escola que a gente e sabe de toda a história, isso ia ser um belo motivo para ela me gastar.
— Hm... Tô vendo que está afim dela. Insinuou.
Que merda, cara! Por que as mulheres tem essa mania de achar que só porque eu ajudei outra mulher eu estou afim dela? Tudo bem que eu quero pegar a Amber, mas mesmo se fosse uma velhinha eu a salvaria e não seria porque eu estou “afim” da velhinha.
— Não viaja Megan. Respondi.
— Qual é o nome da garota? Perguntou ela.
Fodeu! Se eu contar ela vai me zoar, eu tenho certeza disso.
— Ah, sei lá... Era uma garota aí. Respondi olhando para outro lado.
— Eu sinto que você está mentindo, Scott... Qual é? Diga o nome dela. Insistiu ela.
— Porra, tu é chata em... Tá! É a Amber. Respondi falando bem baixinho.
— Quem? Eu não consegui entender. Perguntou ela.
— A Amber. Respondi baixinho.
— Fala direito, merda! Disse ela se irritando comigo.
— A Amber! Amber Connor, satisfeita? Exclamei irritado.
Ela começou a rir de mim e disse:
— Não sei por que ter medo de dizer que salvou a esquisitinha da escola...
— Esquece essa merda. Pedi pegando os DVD’s que estavam no balcão para que ela levasse para suas prateleiras e me deixasse em paz.
— Ah... Claro! Tu tá afim da esquisitinha! Por isso está cheio de segredinho aí... Disse ela pegando os DVD’s de minhas mãos rindo de mim.
— Você diz isso porque não viu ela ainda. Ela está tão gostosa que até você se apaixonaria se fosse homem... Respondi sem pensar.
— Então você está apaixonado pela Amber?! Perguntou ela assustada, até porque ela sabia que eu não me apaixonava por ninguém.
— O quê?! Está doida? Você sabe que eu não sou de me apaixonar, ou não me conhece mais? Falei a estranhando.
— Mas você mesmo disse que se eu fosse homem até eu me apaixonaria... Se fodeu! Ainda mais porque você foi um idiota com ela. Aposto que se ela ainda não pisou em você, vai pisar de todas as formas. Se eu fosse ela, pisaria. Disse ela ainda rindo de mim.
— Vai, ri mesmo. Pode rir. Eu não estou apaixonado por ninguém mesmo. Respondi mesmo estando um pouco confuso.
— Aham... Mas vai se apaixonar, quer apostar? Disse ela.
— Como pode ter tanta certeza disso? Perguntei.
— Simples... Todo homem tem mania de querer o que não pode ter, aí eu estou até vendo você correndo igual a um cachorrinho atrás dela, nisso quando menos esperar estará apaixonado. Disse ela como se essas coisas de filmes acontecessem de verdade.
— Está vendo filmes demais... Falei maneando a cabeça.
— Não é só em filmes que essas coisas acontecem, gato. Disse ela me dando uma piscadela e indo até as prateleiras.
P.O.V Amber Connor
Aproveitei que não teria que fazer nada para ninguém, eu peguei os filmes que ainda não tinha visto e comecei a assistir comendo minhas guloseimas. Meus pais foram trabalhar e a casa era toda minha e somente minha. Ha! Ha! Mas eu nem liguei para o resto da casa, assisti aos filmes no meu quarto mesmo, até porque teria que devolvê-los ainda hoje. Que droga! Eram sete filmes e eu estava louca para ver todos, mas acho que não ia dar tempo, mas mesmo assim tentei assisti-los. Eu assisti dois dramas e não aguentei ver o terceiro, até porque eu já tinha me acabado de chorar, então vi as ficções científicas. Já estava ficando tarde, o dia passou tão rápido que eu nem percebi. Não almocei, só comi porcarias, ou melhor, preciosidades. Não senti nenhuma falta de comida de verdade, como minha mãe dizia. O último filme que assisti acabou eu me arrumei e fui entregar, até porque eu sempre fui muito pontual com essas coisas de entregar os filmes, até porque se passasse algum dia assim, tinha que pagar juros que acrescia a cada dia que passava. Meus pais ainda não tinham chegado quando saí de casa, fui de carro porque ainda estava assustada com o que aconteceu no dia anterior e não queria que acontecesse novamente.
Cheguei à locadora, vi que não era mais o Scott que estava no balcão como no outro dia, estranhei um pouco, mas entreguei os filmes, paguei e fui embora. Cheguei a casa e meus pais já estavam lá. Meu pai vendo reportagens e minha mãe preparando o jantar, como o normal. Dei um beijo no rosto dele e fui até a cozinha dar um beijo no rosto dela também.
— A senhorita nem tocou na comida que deixei preparada para você... Disse ela me fazendo lembrar que havia comida no micro-ondas para mim.
Eu abri um sorriso amarelo e falei:
— Eu me esqueci mãe, desculpa.
— E encheu a cara de porcarias, não é? Disse ela.
— Como você sabe? Perguntei.
— Eu dei uma passadinha no seu quarto e achei vários pacotes de doces e salgadinhos... Isso faz muito mal, minha filha. Espero que não tenha se alimentado assim na casa do seu irmão. Disse ela parecendo estar preocupada comigo.
— Não tinha como mãe. Ele não deixava dinheiro para mim, a namorada dele sempre deixava comida pronta lá. Os pratos que ela fazia eram deliciosos, eram típicos. Eu quase não comi besteiras por lá. Respondi sendo sincera.
— Pelo menos isso. Disse ela parecendo aliviada.
Ouvimos o som da campainha e eu perguntei:
— Quem deve ser a essa hora?
— Vá saber... Disse ela.
Fui até a sala e vi que meu pai estava conversando com alguém na porta, cheguei mais perto e ele disse:
— Amber, o rapaz quer falar com você.
— Hã? Quem? Perguntei.
De onde eu estava não dava para ver. Assim que cheguei atrás do meu pai vi o Scott com um buquê de rosas vermelhas nas mãos sorrindo para mim.
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