After that Everything Changed
8 He saved me?!
Notas iniciais
Eu passei correndo por todos que estavam dançando, peguei minha jaqueta e, quando cheguei à faixada da casa eu já estava mais que cansada de tanto correr, tirei os saltos e fui andando até o meu, ou melhor, o carro do meu irmão, o destravei e entrei nele. Eu ainda estava um pouco tonta por causa da caipirinha e com um pouco de sono, por medo de sofrer algum acidente, eu preferi dormir ali mesmo, dentro do carro e assim eu fiz, ajeitei o banco para que eu me deitasse, é claro, com ele quase todo travado, mas com os vidros um pouco abertos para que eu não morresse asfixiada.
No dia seguinte, ou melhor, quando amanheceu, eu acordei com o reflexo do sol, estava amanhecendo. Eu abri os meus olhos, que ardiam um pouco, minha cabeça parecia que ia explodir a qualquer momento, me levantei e olhei para a faixada da casa onde foi à festa, estava uma bagunça, cheia de copos pelo gramado, papeis sobre as plantas, algumas pessoas dormindo pelo meio do caminho... Uma coisa bem louca, mas festas são sempre assim, coitados dos que terão que limpar isso tudo. Ajeitei o banco, coloquei o cinto de segurança, liguei o carro e fui embora dali. Olhei no relógio do painel do carro e marcavam 5h21, provavelmente meus pais ainda não acordaram, ainda bem! Depois de 15 minutos eu já estava em casa. Subi as escadas correndo na ponta dos pés e fui até o meu quarto tentando fazer o mínimo de barulho o possível.
Eu tranquei a porta do quarto e saí arrancando as roupas do corpo para tomar um banho bem relaxante. Entrei no box, liguei o chuveiro e deixei a água cair sobre mim por um tempo, depois me ensaboei, passei shampoo nos cabelos, me enxaguei. Depois do banho, eu me sequei, enrolei a toalha na cabeça, vesti um roupão e saí da suíte me lançando em minha cama e caindo no sono.
— Amber? Filha, abra essa porta! Ouvi a voz de minha mãe juntamente com as marteladas que ela parecia dar na porta.
— Argh... Depois... Respondi parecendo estar bêbada, mas não estava, era sono mesmo.
— Você está bem, querida? Que horas chegou? Perguntou ela.
Eu não estava nem um pouco a fim de conversar e então respondi:
— Eu estou com sono, mãe! E com muita dor de cabeça... Me deixe dormir.
— Isso se chama ressaca! Exclamou ela.
— Aham... Aham... Respondi caindo no sono de novo.
Horas depois eu acordei, eram 15h56 da tarde. Eu fui cambaleando até o guarda roupas, peguei uma roupa larga, um casaco uma regata preta e uma calça moletom, prendi muito mal os cabelos, escovei os dentes e desci a escada, aquela ressaca me deixava tonta. Eu estava com fome, muita fome, então desci as escadas ainda andando toda errada, tropecei no penúltimo degrau e Josh riu da minha cara, dizendo:
— É bom encher a cara, não é tampinha?
— Vai se ferrar! Respondi estando moribunda.
— Não tem nem forças para me insultar direito. Disse ele ainda rindo.
— Tadinha amor... Amber, coma e tome um remédio e logo isso passa. Disse Scarlett com uma expressão amigável.
— Tá bom... Respondi.
Fui até a cozinha e minha mãe já tinha preparado um prato para mim. E o prêmio de melhor mãe do mundo vai novamente para Rose Connor, minha mãe!
— Me desculpa por ter sido um pouco grossa mais cedo? Perguntei fazendo carinha de cachorrinho que caiu da mudança.
— O que você não me pede rindo, que eu não faço chorando?!... Disse ela sorrindo.
— Ah, qual é mãe? Falei rindo e a abraçando.
Peguei o prato e o coloquei dentro do micro-ondas para aquecer a minha comida.
— Tem remédio para ressaca, mãe? Perguntei.
— Não, acabou... Não acredito que você bebeu ontem, Amber. Disse ela surpresa.
— Foi só um pouquinho... Acho que sou fraca demais com bebidas. Respondi sem graça.
— Então não beba mais. Disse ela indo lavar as louças.
— Tá mãe, eu vou tentar... Respondi pegando o minha comida.
— Sobre o remédio, assim que terminar de comer vá à farmácia, é aqui perto. Disse ela enquanto eu ia até a sala para comer assistindo TV.
— Tá bom... Respondi me sentando no sofá.
Eu almocei vendo “The Vampire Diares” e depois que terminei de comer, não estava nem um pouco a fim de me arrumar, então peguei o dinheiro do remédio e fui até a farmácia comprar. A rua estava muito pouco movimentada, pelo menos comparando a como era há dois anos. O tempo estava nublado, as ruas estavam um pouco escuras por conta disso, a farmácia era um pouco longe de onde eu morava, mas eu fui andando até lá, mesmo estando um pouco grogue. Quando eu estava há duas ruas antes de chegar à drogaria, eu tive uma leve impressão de estar sendo seguida, olhei várias vezes para trás, porém não vi ninguém. Entrei no estabelecimento e fui ao balcão pedir o medicamento. Percebi que alguém parou ao meu lado pedindo o mesmo que eu e, automaticamente virei-me para ver quem era, e mais uma vez Scott. Ele sorriu para mim e eu virei o rosto.
— Que ironia do destino eu te encontrar de novo... Disse ele.
— Você acha? Perguntei olhando para outro lado.
— Acho que eu é quem deveria estar assim com você pelo que fez ontem. Disse ele.
Isso já estava começando a ficar chato!
— Talvez a minha intenção tenha sido essa, te afastar de mim. Respondi.
— Que pena, acho que quanto mais você foge de mim, mas eu quero te alcançar. Disse ele.
O farmacêutico me entregou o medicamento, eu o paguei e fui andando até a saída sem dar resposta alguma ao Scott, que me seguiu novamente. Chato...
— Ei! Espere... Disse ele andando um pouco atrás de mim.
— Eu não me lembro de ter pedido sua companhia. Respondi sem olhar para trás.
— Mas quem disse que precisa pedir? Eu faço questão. Disse ele me alcançando.
Eu revirei os olhos e ele disse:
— Eu só queria entender o porquê de você me tratar assim, só isso.
Eu parei de andar, me virei para ele, respirei fundo e falei:
— Você tem certeza que não sabe? Por que Scott, eu não acredito que você não saiba...
— Como sabe o meu nome? Perguntou ele.
Tá, aquilo estava me assustando de verdade.
— Porque eu não sei se você está me reconhecendo, mas eu sou aquela garota que você esnobou na frente de todos na escola, no baile de inverno de 2011, se lembra? Falei.
— Amber? — Disse ele parecendo estar surpreso — Amber Connor...
— É impossível de acreditar que você não tenha realmente me reconhecido. Respondi chateada.
Ele estava pasmo comigo e disse:
— Mas... Eu, eu não te reconheci mesmo... Você está tão...
— O quê? Gostosa? Perguntei com uma das sobrancelhas erguida.
— É! Quer dizer... Não! Não é isso, você está diferente e... Porra... Disse ele me analisando de cima a baixo.
— O que foi? Acha inacreditável? Perguntei.
— É... Quer dizer, não! Me desculpe, mas eu não estou acreditando. Disse ele ainda me analisando.
Eu revirei meus olhos de novo e saí andando o deixando para trás novamente.
— Espere aí!
— Para o quê? Ver você me analisando como se eu fosse um pedaço de carne?! Poupe-me, Scott. Respondi ainda andando.
— Mas eu não estou fazendo isso. Mentiu ele.
Que cara de pau! É claro que ele estava me olhando como se eu fosse um pedaço de carne sim! Que ridículo!
— Cale a boca! Pedi.
— Mas me espere... Pediu ele.
— Não! Desde quando eu faço acordos com você? Perguntei olhando para trás.
— Você quer mesmo que eu te responda? Perguntou ele me fazendo lembrar-me de quando eu era capacho dele.
— Vai se ferrar! Respondi voltando a olhar para frente.
Eu fiquei um bom tempo andando na frente, eu não dizia nada nem ele. Aquele silêncio estava sendo muito agradável, até o momento em que o idiota resolveu abrir a merda da boca, dizendo:
— Então é isso mesmo?
— Isso o quê? Perguntei impaciente.
— Você some por dois anos e volta gosto... Gata! E fica me esnobando, é isso? Perguntou ele.
Bingo! Eu dei os ombros para ele.
— Então você só está gostosa assim por minha causa?! Disse ele.
Convencido...
— Não! Eu estou “gostosa” assim por MINHA CAUSA! Eu não preciso que babacas me notem, pena que depois da minha mudança o que eu mais atraio é garotos babacas... Respondi segura do que dizia.
— Vou fingir que acredito que foi por “sua causa”... Eu ainda vou te pegar. Disse ele sendo altamente ridículo.
— O quê? Eu não sei se você se lembra, mas você disse na frente de todos que queria a minha distância. Falei com rancor me lembrando daquela droga de baile.
— Mas naquela época você era estranha, mas agora tudo mudou. E que mudança em... Disse ele.
Que idiota! Eu o odeio, com todas as minhas forças!
— Vai se foder! Exclamei com ódio dele por me chamar de estranha.
— Só se você for comigo... Disse ele.
— Só nos seus mais profundos sonhos, querido. Respondi sambando na cara dele.
— Vamos ver se eu não realizo esse sonho. Disse ele.
— Quer realizar um sonho meu? Perguntei me virando para ele.
— É claro, estou aqui para isso. Disse ele com um sorriso safado.
Revirei os olhos e respondi:
— Fique quieto! Você calado é um poeta.
— Ha! Ha! Você é tão engraçadinha. Disse ele forçando um sorriso e depois ficando sério.
— E você continua falando. Respondi fazendo cara de tédio me virando de costas para ele.
Eu andei um pouco mais rápido que antes, atravessei a rua para não ter que ouvir mais nenhuma baboseira que saía da boca daquele escrúpulo e fingi não o conhecer. Eu cismei de cortar caminho, entrei num beco que estava muito deserto e fui andando. Aquele beco era estreito, porém cumprido, quanto mais eu andava, mas ele não parecia ter fim. Teve um momento em que vi um grupo de rapazes estranhos num canto do beco que me olhavam esquisito, um deles disse:
— Hm... O que uma gracinha dessas está fazendo aqui sozinha?
Eu comecei a ficar nervosa com medo do que ele poderia fazer me esqueci de até que Scott estava atrás de mim, na verdade, achei que ele já tivesse ido embora. Eu não respondi nada e apertei o passo, ele e seu bando foram atrás de mim, meu coração parecia que ia sair pela boca de tanto medo e eu comecei a soluçar de nervoso. Eles me fecharam e um deles disse:
— Não precisa ficar com medo, gatinha. Ninguém aqui vai te morder, só se você pedir...
— O que é que está acontecendo aqui? Ouvi a voz do Scott.
Droga! Mais um para me violentar, que merda! — Pensei na hora.
— Cai fora, playboy. Disse um deles.
— Nada disso, ela é a minha garota. Disse ele se enfiando no meio deles e tentando me tirar de lá.
Eles começaram a rir dele, eu comecei a chorar de medo e um dos que estava no grupinho, disse:
— Hoje ela será nossa...
— Não mesmo. Disse Scott me tirando do meio da rodinha.
Quando eu já estava meio que salva, me afastei mais, eles focaram nele, ouvi vários palavrões e todos começaram a bater nele.
— Corra Amber! Disse ele.
E então eu corri, corri como se estivesse fugindo da morte, eu ainda chorava, mas não só por medo deles me alcançarem e me matarem, mas dele matarem ao Scott também, até porque ele foi legal de tirar de lá... Ele me salvou... Caramba! Ele me salvou!
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