After that Everything Changed
4 Fulfilling My Promises
Notas iniciais
Depois de alguns minutos, Kate e Tyler me encontraram e me olharam com cara de preocupados e eu comecei a dizer:
— Vocês não precisam sentir pena de mim, está bem?
— A gente só veio aqui porque nos preocupamos com você... Disse Tyler.
— Me desculpem, mas... — Comecei a chorar de novo — Eu estou tão confusa e... Eu preciso sumir desse lugar!
— Calma! Eu vou te levar para casa, você não está em condições de sair dirigindo assim. Disse Tyler me ajudando a levantar.
— Eu não estou bêbada e sim triste. Falei enxugando o rosto.
— Eu sei, mas é como se estivesse bêbada, ou pior. Disse ele.
Fomos até o meu carro, eu, ele e Kate. Eu entreguei as chaves para ele e ele nós levou até lá, estacionou na garagem de minha casa, me entregou as chaves e, antes que eu entrasse, ele me disse:
— Amber, tente esquecer tudo isso, está bem? Fique tranquila, finja que nada aconteceu... Sei lá... Eu nem sei o que te dizer...
— Então não diga... — Falei entrando — Tchau para vocês.
E fechei a porta. Meus pais já haviam ido dormir, eu joguei as sandálias em qualquer canto e subi correndo as escadas chorando. Entrei no meu quarto batendo a porta e me jogando sobre a cama aos prantos. E assim foi aquela noite, passei toda ela em claro aos prantos.
No dia seguinte, eu só consegui dormir mesmo ao amanhecer, minha mãe foi até o meu quarto me chamar para o café. Mas notou que eu estava toda torta na cama, ainda com o vestido do baile e com a maquiagem toda borrada. Ela sentou-se ao meu lado na cama e me abraçou, me fazendo acordar.
— Minha filha, o que foi que fizeram com você? Sussurrou ela acariciando meus longos cabelos loiros que estavam embolados.
— Mãe, eu quero ir embora! Eu preciso ir morar com Josh em Liverpool... Falei com a voz fanhosa de tanto chorar.
— O quê? Por quê? Perguntou ela não entendendo.
— Porque ninguém naquela escola gosta de mim, eu odeio a quase todos, tirando meus amigos, odeio todos daquele lugar! Não quero passar nem mais um segundo lá. Eu preciso ir embora! Respondi.
— Mas filha, você está terminando ainda o primeiro semestre, como conseguiremos transferência para você, ainda mais em Liverpool, querida? Perguntou ela preocupada.
— Eu não sei, não importa! Eu preciso ir embora! Não quero mais saber de Ohio! Eu vou para Liverpool, avise ao Josh! Respondi me levantando.
— Eu vou falar com seu pai, nós temos que ver nossas despesas se eu e ele teremos dinheiro suficiente para você morar lá, viajar para lá... Disse ela.
Tudo bem. De primeira, meu pai não aceitou de jeito nenhum que eu fosse embora, mas eu e minha mãe falamos tanto no ouvido dele que ele acabou aceitando. Avisamos ao Josh, ele já providenciou um colégio para mim, meus pais fizeram tudo certinho para que a minha transferência fosse feita, eu fiz as minhas malas e por último, avisei aos meus amigos, que foram até o aeroporto se despedir de mim.
— Você promete manter contato, não se esquecer da gente e nos visitar? Perguntou Kate.
— É claro que eu prometo! Respondi sorrindo com os olhos marejados.
— Promete que vai guardar esse livro que eu comprei para você com carinho? Perguntou Evan me dando o livro que eu mais queria naquela época.
Eu fiquei sem palavras e dei um abraço bem apertado nele, dizendo:
— É claro que eu prometo! Muito obrigada!
— Você promete que vai guardar esse pequeno álbum também? — Disse Tyler me dando um álbum com todas as nossas fotos desde que nós quatro nos conhecemos — Eu espero que sim, pois eu e a Kate fizemos questão de monta-lo para você.
— Eu amo vocês! Vocês são os melhores amigos do mundo! Falei abraçando os três.
— Eu prometo guardar tudo, prometo que quando eu vier, trarei presentes para vocês, tirarei várias fotos, visitarei vários lugares e contarei tudo a vocês. Mas também não se esqueçam de mim, mandem fotos, vídeos, e-mails e tudo mais que puderem para mim. Falei chorando.
Kate também chorou comigo e Tyler disse:
— Só não choro porque vou parecer gay.
Eu revirei os olhos rindo dele e falei:
— Idiota! Chorar é normal, garoto.
— Senhores passageiros do voo 156, dirijam-se ao setor de embarque.
— Bom, acho que está na minha hora. Falei saindo do meio deles.
Dei um abraço bem apertado em meu pai, dizendo:
— Acho que esse é o milésimo abraço que eu dou no senhor, mas não tem problema. Obrigada por me entender, pai. Eu amo muito o senhor e sentirei muito sua falta.
— De nada, querida. Por mais que eu não queira que você vá, eu não posso te impedir, até porque você já fez as suas escolhas. Espero que consiga atingir os seus objetivos lá e ser feliz. Só não invente de querer dar confiança a estranhos, principalmente homens. Disse meu pai, sendo pai.
— Tá bom, pai. Respondi soltando-o enxugando o rosto rindo.
Minha mãe veio até mim, me abraçando e dizendo:
— Ah minha filha, eu vou sentir tanto a sua falta. Você tem certeza de que é isso mesmo o que você quer?
— Absoluta mãe. Eu preciso de um tempo longe, mas prometo voltar, ou pelo menos vir visitar vocês. Respondi decidida.
— Eu te amo, filha. Disse ela me dando beijos no rosto, ainda abraçada comigo.
— Eu também te amo, mãe. Cuide bem do papai e pai, cuide bem dela, viu? — Falei rindo e chorando ao mesmo tempo — Eu amo muito vocês...
— Senhores passageiros, o voo 156 sairá daqui a 5 minutos, dirijam-se ao setor de embarque.
Soltei a minha mãe, peguei minhas malas, enxuguei mais uma vez o rosto e falei:
— Chegou a hora... Tchau. Eu sei que já falei várias vezes e digo mais uma vez, eu amo muito todos vocês!
— Nós também te amamos, Amber. Disse Kate que estava abraçada com Tyler aos soluços.
Eu fui embora olhando para trás acenando e eles acenaram de volta para mim. A cada passo que eu dava, eles ficavam ainda mais distantes de mim, aquilo me cortava o coração, saber que eu ficaria um tempo longe das pessoas que eu mais amava, mas era preciso e assim fiz. Fui até o setor alfandegário, deixei minhas malas lá, só fiquei com uma bolsinha com alguns objetos básicos e fui até o avião. Sentei-me ao lado da janela, peguei o álbum e comecei a rever as minhas fotos com os meus melhores amigos. Eu sorria e chorava ao mesmo tempo, pois as lembranças com eles eram as melhores, nós nos divertimos tanto, mas eu tive que os deixar para trás, mas eu voltaria e esperava reviver todos aqueles momentos novamente. Depois de algumas horas de voo, cheguei ao aeroporto de Liverpool, peguei as minhas bagagens e fui procurar pelo Josh. Ele estava com uma placa escrita:
“Estou aqui, tampinha!”
Eu confesso que ri daquilo e fui até ele dando um abraço bem apertado nele.
— Poxa, achei que não chegasse hoje. Disse ele.
— A culpa não é minha se a América é tão longe daqui. Que saudade de você! Respondi dando um abraço ainda mais apertado nele.
— Eu também senti sua falta. Escuta, é sério mesmo que o Scott vacilou com você? Perguntou ele me afastando.
— Não quero falar sobre isso, vamos esquecê-lo? Pedi.
— Está bem, não está mais aqui quem falou, mas que otário. Eu deveria quebrar a cara dele quando ainda estava lá. Disse ele me fazendo rir.
— Deixe para a próxima oportunidade — Falei rindo — E então, tem um quartinho arrumado para mim?
— Até tem, mas eu tenho que te contar uma coisa. Disse ele coçando a nuca.
— O quê? Perguntei.
— Uma amiga minha da faculdade está morando comigo. Disse ele já esperando um comentário meu.
— Amiga? Aham... Sei... Respondi.
Ele pegou as minhas malas, me deixando só com a de rodinhas e a bolsinha, dizendo:
— É sério! A gente só estuda junto.
— E nunca deram uns amasses? Perguntei não sendo nem um pouco discreta.
— Que palavreado é esse, dona Amber? Perguntou ele estranhando-me, pois nunca falei assim com ele.
Eu ri e respondi:
— Pare de graça, estou na idade de falar assim.
Fomos até o seu apartamento rindo. Assim que cheguei lá, vi que não era um dos maiores que já fui, mas era jeitoso. Por ter uma mulher na casa, até que estava arrumado, até porque Josh era o mestre da bagunça, o quarto dele parecia um chiqueiro, como dizia a mamãe. Ele me levou até o quarto de hóspedes, que seria o meu quarto por um tempo, era minúsculo, três vezes menor que o meu de Ohio, mas era confortável. Deixei minhas malas num canto e comecei a guardar as minhas roupas no guarda roupa que tinha nele. Acho que naquele momento, a “amiga” do meu irmão ainda não estava em casa, eu fiquei curiosa para conhecer a minha nova cunhada. Depois de terminar de guardar toda a minha roupa, organizei alguns livros e objetos meus no quarto o deixando com cara de meu. Depois disso tudo, eu peguei uma roupa e fui tomar um banho. O banheiro era bonito e espaçoso, maior que o meu quarto, que injustiça, porém, não tinha banheira. Eu tomei o meu banho tranquilamente, coloquei uma roupa leve e confortável e fui até a cozinha ver o que tinha para comer. Assim que cheguei lá, dei de cara com uma garota ruiva, cheia de sardas que parecia estar fazendo o jantar, acho que é ela a amiga.
— Olá. Falei tentando ser educada.
Ela olhou para mim com cara de desentendida e assustada, depois pareceu ter se lembrado de algo e sorriu gentilmente e disse:
— Oi... Você deve ser a Amber, acertei?
— Sim, sou eu. E você é... Falei não sabendo mesmo o nome dela.
— Scarlett Williams, prazer. Disse ela vindo até mim e apertando minha mão.
Bom, pelo visto, ela não é americana, além do jeito de cumprimentar o sotaque a entregava.
— Prazer. Sorri.
Ela voltou até a pia, onde estava fazendo algo que parecia ser o tempero de algum prato que desconheço e começou a dizer:
— E então, Josh disse que você veio para estudar e ainda está no colegial...
— Sim. Eu queria dar um tempo de Ohio, por isso vim para cá, além do mais, eu estava morrendo de saudades do meu irmão... Respondi sorrindo.
— Josh me contou, não precisa ter medo de dizer o que realmente aconteceu... Sabe, eu te entendo e se eu tivesse a oportunidade que você teve, faria o mesmo. Disse ela.
Droga! Que garoto mais língua solta e isso porque ela só é “amiga” dele.
— Acho que não, você não entende. Até porque você não é como eu. Respondi sendo sincera, até porque ela era bonita e estilosa como as outras namoradas do Josh.
— E se eu te dissesse que eu não fui sempre assim? Se eu te dissesse que eu já fui um motivo de piada na escola por ser obesa? Disse ela me deixando boquiaberta.
Oi? É isso mesmo que eu ouvi? Ela só pode estar brincando comigo, nada a ver ela com aquele corpo de Barbie me dizer que já foi obesa, conta outra, querida.
— É verdade, eu tenho fotos aqui no meu celular que comprovam o que eu estou dizendo, pelo menos que eu era gordinha. Disse ela pegando o celular no bolso e me mostrando.
Realmente, ela era bem gordinha, mas era bonita do mesmo jeito.
— Tudo bem, mas porque você era motivo de piada? Você era e ainda é bonita. Perguntei.
— Pelo simples fato de ter sido gorda. Mas como não tive como mudar de escola, eu resolvi mudar a mim mesma, fiz uma dieta intensiva e consegui chegar aos meus 52 kg pelo menos para ir para a faculdade. Respondeu ela.
— Uau! — Respondi surpresa — Mas eu não quero esperar até a faculdade para mudar, eu quero mudar agora, estou cansada de ser chamada de nerd, ser tratada como nerd, vista como nerd se nem sou isso e sim, Geek.
— Tá, o que é isso? Geek?! Perguntou ela sorrindo.
E então eu comecei a explicar. Ela sorriu e disse que também era como eu, era super fã de Harry Potter como eu, até que enfim uma namorada do meu irmão é legal! Enfim, nós conversamos bastante, eu super me identifiquei com ela e, é claro, viramos amigas. Ela me prometeu que iria me ajudar a mudar, me disse que no dia seguinte, iríamos ao centro comprar roupas novas para mim, porque eu estava precisando e seria mais que radical essa minha mudança. Eu fiquei ansiosa por isso. Depois que ela terminou o jantar, eu a ajudei a arrumar a mesa para que nós três jantássemos. Josh saiu de seu quarto lendo um livro, coisa que eu nunca tinha visto antes, nunca mesmo. Mas então, nós jantamos, contamos para Josh que eu e Scarlett nos simpatizamos, ele pareceu ter ficado feliz com isso, eu notei que eles não eram amigos nem aqui, nem na China, até porque desde o momento que sentamo-nos à mesa, os dois trocavam carícias direto, acreditando que realmente estavam disfarçando, só que não, estava mais que óbvio aquele Love todos. Fiquei feliz por saber que dessa vez o meu irmão ter encontrado uma garota que parecia ser uma boa pessoa e que cozinhava super bem. Depois daquele momento família feliz, eu fui até o meu quarto e dormi mais que ansiosa para o dia do meu banho de loja.
No dia seguinte, eu acordei mais que cedo, fiz minhas necessidades, tomei o meu banho, me arrumei do meu jeito, desci e preparei um cereal para mim.
— Bom dia! Disse Scarlett chegando a cozinha.
— Bom dia, cunhada. Respondi sorrindo.
Ela riu e disse:
— E aí, pronta para mudar definitivamente.
— Estou... Quer dizer... OMG!
— Relaxa, não vai doer nem um pouco. Disse ela rindo de mim e preparando um chá.
Depois que tomamos café, eu peguei um dinheiro emprestado com Josh, porque eu me esqueci de trocar os dólares por euros e tive que usar o dinheiro dele e o cartão de crédito também. Nós duas fomos a várias lojas, ela que escolheu todas as minhas roupas, quer dizer, quase todas, eu também opinei algumas, até porque eu as usaria, ela até que gostou de minhas escolhas e me deu dicas de combinações que seriam perfeitas. Depois de comprar as roupas, fomos até as lojas de calçados e quase acabamos com os saltos e botas da loja. Depois compramos maquiagens e acessórios. Eu até que gostei de tudo o que compramos e tentei ficar me imaginando toda produzida. Por último, fomos até um salão de beleza e ela disse ao cabelereiro:
— Eu preciso que você capriche! Não precisa mudar a cor do cabelo, que é linda, só precisa ser retocada e valorizada... Faça uma make perfeita, eu preciso que ela se sinta a garota mais linda do mundo... Amber, nós nos esquecemos de sua lente, fofa.
— Ah é. Respondi.
— Não seja por isso, tem uma ótica ótima no fim dessa rua. Eles fazem lentes ótimas e rapidamente. Até o seu primeiro dia de aula eu garanto que não terá mais que usar esses óculos. Disse ela sendo convincente.
— Obrigada, Scarlett. Você está sendo muito legal comigo. Agradeci.
— Que nada menina, amigas são para isso, principalmente se sua amiga também for a sua cunhada. Disse ela sorrindo para mim.
— Eu odeio estragar os momentos melhores amigas, mas eu preciso cuidar dessa mocinha aqui. Disse o cabelereiro.
— Está bem, eu vou te esperar bem ali. Disse ela apontando para a sala de espera.
— Ok. Respondi.
— Podemos começar? Perguntou ele.
— Claro, à vontade. Respondi respirando fundo.
Ele me virou de costas para o espelho para que eu só visse quando estivesse tudo pronto. Eu estava mais que ansiosa por aquilo, até porque eu não sabia se iria me reconhecer ou não, eu precisava notar o início de minha mudança. Depois uma hora e meia ele terminou, dizendo:
— Está pronta para conhecer a nova você?
— Estou mais que pronta! Respondi quase explodindo de ansiedade.
E então ele me girou deixando-me boquiaberta com o resultado. Mesmo não me enxergando muito bem, vi que eu era outra pessoa, peguei meus óculos e o coloquei para vê-me melhor. Eu estava incrível!
— E então, menina? O que achou? Perguntou o cabelereiro sorrindo para mim.
— Eu nem sei o que dizer... Respondi abobalhada.
— Que gata! Disse Scarlett vindo até mim.
— Obrigada! Muito obrigada mesmo, Scar e cabelereiro. Vocês são demais! Respondi sorrindo.
Paguei o serviço, fomos até a ótica e encomendamos as minhas lentes de contato.
Depois do meu dia de beleza, eu fiquei mais três dias em casa, sexta, sábado e domingo. Eu passei a sexta feira inteira no maior tédio, não tinha quase nada o que fazer, meu irmão não tinha notebook, computador ou algo do tipo, eu estava sem créditos para ligações e torpedos internacionais, estava sem vida! Fiquei o dia inteiro vendo TV, meu irmão e a Scar estavam na faculdade, depois eles iam trabalhar. Eu já estava mais que entediada, então fui para o meu quarto e comecei a desenhar. Desenhei vários modelos de roupa diferentes, esse era um dos meus hobbies prediletos. Mas tarde, eu já estava com fome, porém nunca tinha fritado um ovo sequer na vida antes. Não tinha comida pronta, nem macarrão instantâneo, nem nada. Só coisas que quem sabia cozinhar saberia fazer. Então eu me arrumei e fui à rua procurar algum restaurante, cafeteria ou algo do tipo, pois a fome me consumia. Eu estava com uma roupa das que minha querida cunhada escolheu para mim, por não estar tão frio, eu resolvi usar uma blusa de manga cumprida, um cachecol mais como acessório, como ela mesma me ensinou, uma calça jeans escura e botas channel de salto fino. Fui até uma cafeteria que tinha do outro lado da rua, bem de frente para o condomínio onde meu irmão residia. Era bem aconchegante, estava um pouco vazia, mas as pessoas que lá estavam pareciam ter mais ou menos a minha idade. Eu me encostei sobre o balcão e pedi um cappuccino e um rocambole. Quando eu ia me virar para esperar em uma mesa, dei de cara com um garoto muito bonito. Ai não, de novo não! Ele era tão branco que suas bochechas eram meio rosadas, ele tinha olhos castanhos com pontinhas esverdeadas, um rosto largo e um cabelo castanho claro bem arrumado, não só o cabelo como ele também.
— Me desculpe, eu não tenho costume de me esbarrar em moças bonitas. Disse ele com um sorriso simpático.
— Não... Tudo bem, eu é quem te devo desculpas, eu nem notei que tinha alguém atrás de mim. Respondi um pouco envergonhada.
— Tudo bem. Disse ele fitando bem os meus olhos.
— Cappuccino com rocambole! Exclamou uma funcionária da cafeteria.
— Nossa, que rapidez. Confessei me virando para pegar os meus pedidos.
Ele ainda estava atrás de mim, dessa vez um desviei dele, que ainda olhava para mim sorrindo enquanto me via passar, e eu fazia o mesmo. Será que eu estou me apaixonando de novo? Ai não! Você não pode fazer isso, Amber! Foco! Respirei fundo indo até uma mesa próxima a janela. Eu me sentei e comecei a lanchar, ou melhor, me deliciar com aquele cappuccino maravilhoso, o que era aquilo? Eu nunca provei um tão gostoso quanto aquele. Depois eu comecei a comer o rocambole e fiquei distraída com o meu lanche.
— Você se importa de ter uma companhia? Perguntou o cara do esbarrão.
Sim, eu me importo! Responde vai! Responde!
— Não, pode sentar. Respondi sorrindo.
Meu subconsciente ficou desapontado comigo. Ele ficou me fitando enquanto bebia seu café, assim que terminou de ingerir o primeiro gole, disse:
— Você costuma vir sempre aqui?
— Não, eu não sou daqui. Sou norte-americana. Respondi.
— Ah, claro. Eu deveria ter notado isso, perdoe-me. Disse ele.
Oi? Perdoe-me? Quantos anos você tem, cara?
— É você, é daqui mesmo? Perguntei não querendo ser mal educada e deixar o assunto morrer.
— Sou, na verdade, eu sou de Londres, mas moro aqui há sete anos. Respondeu ele.
— Ah sim. Falei bebendo um pouco mais o cappuccino.
— É delicioso. Disse ele.
— Oi? Perguntei.
— O cappuccino daqui, é um dos melhores da cidade. Disse ele sem tirar os olhos de mim, aquilo estava me deixando sem graça.
— Ah é, na verdade, é o melhor do mundo! Confessei.
E ele riu.
— Me perdoe perguntar assim, mas você tem quantos anos? Perguntou-me sem rodeios.
— 16 e você? Perguntei olhando para ele de baixo para cima, pois estava um pouco encolhida comendo o rocambole.
— 17, fiz mês passado. Disse ele.
— Hm... Respondi.
Depois disso, eu terminei o meu lanche, não conversamos mais nada, eu me despedi dele e voltei para o apartamento.
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