After that Everything Changed
26 And When Everything Seems to be in Place
Notas iniciais
Depois de ter “aquele momento” com ele, lá estávamos nós dois deitados na cama ainda suspirando, eu olhava para o teto ainda não acreditando no que aconteceu e na resposta que o meu coração me deu... Eu não sei se era de aceitar, mas a verdade é que eu amo o Scott, hoje e agora eu tenho absoluta certeza disso e não tenho para onde correr.
— Amber. Chamou-me.
— Oi. Respondi virando-me para ele.
— Eu não sei se esse é o momento ou não, mas eu preciso te dizer uma coisa. Disse ele virado para mim, me olhando nos olhos.
— Diga. Pedi.
— Já faz um tempo que eu desconfiava disso, mas agora eu tenho toda a certeza do mundo... Eu nunca disse isso para ninguém, nunca senti necessidade de dizer, na verdade, mas eu amo você... Disse ele me olhando nos olhos.
Eu fechei meus olhos apertando-os, até porque após ele dizer isso eu senti algo dentro de mim que implorava que eu dissesse o mesmo, mas eu não queria dizer isso a ele.
— Droga... Falei me sentando na cama, cobrindo-me com o lençol.
— O que foi? Você sabe o que sente por mim agora? Tudo bem, eu não quero pressiona-la a sentir algo por mim, ou a ter a resposta agora...
Eu comecei a chorar, abaixei a cabeça e respondi:
— Eu a tenho.
— O quê? Perguntou ele.
Eu levantei meu rosto olhando para ele, ele sentou-me ao meu lado me abraçando e acariciando minhas costas nuas e eu disse:
— A resposta.
— E qual é? Eu preciso saber Amber. Tudo bem se você gostar mesmo do outro carinha lá... Disse ele ansioso.
Eu mordi meu lábio com força e respondi:
— Eu também... Eu... Amo você. Hoje eu tive a real certeza disso.
— Mas e o outro carinha? Perguntou ele.
— Eu posso te dizer que sim, eu o amei, ou talvez eu tenha confundido os meus sentimentos, mas eu não posso negar que ainda sinto um carinho imenso por ele, mas amor, amor de verdade, aquele que todos costumam dizer, meus pais dizem sentir um pelo outro, nos filmes as pessoas descrevem, nos livros os autores expressam, sim é esse o amor que eu estou sentindo e, droga... Esse amor é por você, pelo garoto mais babaca que já conheci em toda a minha vida... Porra, Scott. Eu te odeio. Falei e ele me beijou.
Ele sorria e ficava com cara de surpreso, acariciava o meu rosto e dizia:
— Eu não estou acreditando... É sério? Porque você gosta de brincar, ainda mais comigo e eu não sei se acredito em você...
— Eu estou falando sério, idiota. Respondi sorrindo e chorando ao mesmo tempo como louca.
— Por que está chorando? Perguntou ele enxugando o meu rosto.
— Porque eu sei que alguém vai ficar mal nessa história... A pessoa que eu menos quero que sofra e que eu gosto tanto e admiro demais... Respondi cabisbaixa.
— Calma, vai ficar tudo bem... Eu prometo te fazer feliz, a mulher mais feliz do mundo. E sabe o seu amigo, ele vai encontrar a garota certa para ele. Disse ele me dando um beijo na testa.
— Eu devo confiar em você? Perguntei.
— Confiar eu não sei, mas fica ao meu lado que eu farei valer a pena cada momento. Disse ele me olhando nos olhos.
— Mas como eu vou falar com ele? Ele me pediu que dissesse quando tivesse a resposta... Falei com medo por saber que o Henry vai ficar magoado.
— Eu não sei, mas se acha que é o momento certo para isso, vá em frente. Disse ele.
— O problema é esse, eu não sei se esse é o momento certo. Respondi confusa.
Alguém bateu na porta e logo nós ficamos assustados e ele disse:
— Quem é?
— Sou eu, filho — Disse o pai dele — O que estão fazendo aí?
Nós nos olhamos ainda assustados por estarmos nus e ele disse:
— Ah... Viemos respirar um pouco, lá embaixo está muito cheio e queríamos um pouco de... Privacidade.
Eu tentei me segurar, mas ri de nervoso e da resposta do Scott me levantando da cama e procurando minhas roupas que estavam espalhadas pelo quarto.
— Hum... Sua prima está atrás de você, ela quer tirar uma foto contigo e com a Amber. Disse o pai dele.
— Daqui a pouco eu vejo se desço. Disse ele se levantando da cama também.
— Só não demore muito, daqui a pouco ela vai embora para a lua de mel dela. Disse o pai dele.
— Tá. Disse ele vestindo sua cueca.
Eu vesti o meu sutiã, peguei o vestido e tentei vesti-lo, mas ele veio rapidamente me agarrando por trás e me assustando, eu dei um tapa forte nele e ele disse:
— Ei!
— O quê? Perguntei olhando para ele.
— Por que me bateu? Perguntou ele.
— Porque você me assustou, seu babaca. Respondi.
— Isso não é motivo para você me bater. Disse ele me virando para ele.
— Ah não? Perguntei arqueando a sobrancelha.
— Não... Disse ele com voz rouca aproximando os lábios do meu pescoço.
— Ei... Temos que descer, Scott. Falei sem graça.
— Eu sei... — Disse ele — Tem uma marca no seu pescoço.
— O quê? Perguntei.
Ele riu e disse:
— Tá roxo.
Eu o afastei de mim, corri até o espelho que tinha no quarto e vi, dizendo:
— Seu filho duma...
— Olha lá o que você vai falar, minha mãe pode estar lá fora te ouvindo. Disse ele.
— Olha o que você fez! Como vou voltar para a festa assim? Perguntei revoltada, até porque ficou muito roxo mesmo e não foi tão forte assim o chupão que ele me deu.
— Vai com o cabelo solto, ué. Disse ele.
— Aham... Só assim mesmo. Falei soltando o meu cabelo que já estava mais do que bagunçado.
— Por mim, a gente nem descia mais. Disse ele me olhando com um olhar malicioso.
— Nem vem... Se uma vez só você já fez isso, não quero nem imaginar do que é capaz se rolar outras vezes. Respondi me ajeitando.
E ele riu, dizendo:
— Eu te avisei que sou perigoso...
— Você é um tarado idiota, isso sim. Respondi revirando os olhos.
— Mas você gosta. Disse ele com um sorriso debochado.
E eu não respondi nada.
P.O.V Henry Arnecker
Depois de passar por essa semana que parecia que não ia acabar nunca longe de casa e sofrendo, finalmente chegou o dia da minha partida. Por mais que eu quisesse ver face dela novamente, eu não podia, até porque eu disse que tinha ido e seria estranho ir na casa dela agora, sem mais nem menos...
Minhas malas estavam arrumadas, eu terminei de me arrumar e fui até a porta com minhas bagagens. Eu entrei não quis sequer entrar em contato com a Alie, até porque eu sabia que quando ela fosse ao aeroporto, Amber estaria com ela, mas droga, o horário do embarque é o mesmo... Acho que não me faria tão mal vê-la só mais uma vez, quem sabe ela já saiba o que quer.
***
Cheguei ao aeroporto de táxi, paguei a corrida e desci pegando minhas coisas. O aeroporto estava mais movimentado do que eu esperava, mas eu fiquei na expectativa de conseguir encontra-la novamente. Caminhei olhando para os lados, mas não vi nem sinal da presença dela ou da minha irmã, mas quando cheguei ao setor alfandegário, lá estava Alice na fila, eu me aproximei dela e disse:
— Veio sozinha?
— Oi Henry, eu vou bem também e você? Disse Alice sendo irônica.
— Me desculpe, mas eu...
— Tudo bem, eu vim com os pais dela, a Amber viajou e não pôde vir comigo. Disse ela desviando o olhar, ela parecia esconder algo.
— Como assim viajou? Perguntei confuso.
— Viajando... Olhe, é a minha vez. Disse ela colocando suas coisas na esteira e passando pelo detector de metais.
Eu fiz o mesmo processo e assim que cheguei ao outro lado, falei:
— Por que sinto que está escondendo algo?
— Quem? Eu? Perguntou ela se fazendo de desentendida.
— Acho que sim... Diz logo, ela foi para onde? Perguntei.
— Você tem certeza que quer saber disso assim? Perguntou ela parecendo estar penalizada em relação a mim.
— Acho que será melhor do que eu continuar nessa agonia imaginando coisas. Respondi.
— Está bem... Ela foi para um casamento na Califórnia...
— Mas se os pais dela vieram com você, ela foi sozinha para lá? Perguntei confuso.
— Henry...
— Ela foi com quem? Perguntei impaciente.
— Bom... Ela foi com o amigo dela. Disse ela.
— É o outro cara? Perguntei fechando o punho.
— Se eu te disser que não, estarei mentindo... Disse ela.
Eu maneei a cabeça e falei:
— Acho que ela já fez a escolha dela.
— Você não deu um tempo para ela? Então, ela precisa saber também o que ela sente. Assim como ela passou um tempo com você, agora ela está passando com ele só para entender e saber distinguir os sentimentos que ela tem tanto por você, quanto por ele. Tente entender isso. Disse ela.
— Você diz isso como se fosse a coisa mais fácil do mundo saber que a garota que mais amo no mundo está nos braços do desgraçado que a magoou, não é? E que ela sente algo por ele? Perguntei indignado.
— Eu sei que não é simples e muito menos fácil, mas tente ao menos aceitar? A culpa não é minha se foi você mesmo quem a deixou sozinha depois de saber que ela “supostamente” tem sentimentos pelo outro lá, tenho? Eu no seu lugar ficaria lá até o último minuto, não sairia um momento sequer de perto dela, não mesmo, sabe por quê? Quando a gente ama uma pessoa e ama de verdade, nós temos muito medo de perder tal pessoa, por isso permanecemos com ela, só desistimos quando realmente tudo acaba. Disse ela tendo razão, até porque eu fui covarde de deixa-la.
Como eu fui burro! Eu poderia ter ficado e, mesmo que ela goste do outro, eu poderia reconquista-la, não sei... Acho que eu só saberia se eu fizesse tudo diferente, mas agora o outro lá deve ter se aproveitado da situação e, droga! Eu fui um idiota!
— Henry?! Disse Alice.
Eu estava chorando, porque eu me arrependi de ter ficado tanto tempo longe, mesmo estando perto, se é que me entendem, de não ter lutado por ela, de ter a entregado de mãos beijadas para ele... Eu nunca vou me perdoar, nunca! Alice me abraçou e disse:
— Calma. Tudo vai ficar bem, nada está perdido ainda.
— Será? Perguntei.
— Senhores passageiros, o voo com destino à Liverpool decolará daqui a cinco minutos. Ouvimos o anúncio quando já estávamos chegando à escada do avião.
Eu olhei para trás, na minha frustrada esperança de que ela poderia vir, mas ela não veio. Abaixei a minha cabeça enxugando o rosto e entrei no avião.
— Você tem certeza que quer voltar mesmo agora? Perguntou Alice.
— Não tem mais porque eu ficar. Eu perdi tempo demais. Respondi me sentando ao lado da janela.
P.O.V Scott Simpson
Depois de um tempo nós descemos novamente, ela estava ainda mais linda com seus cabelos soltos, mas o que ela tinha de linda, tinha de marrenta, ainda mais depois do que eu fiz. Tudo bem que não fica bonita aquela marca, mas eu não consegui me controlar vendo ela tão linda... Linda não, porque fica gay, ela estava gostosa mesmo, muito gostosa e eu já estava daquele jeito, então não consegui me segurar. Ela estava me evitando tanto que foi ficar perto da minha mãe e me largou sozinho, eu fiquei bebendo sozinho num canto, até que meu tio parou do meu lado, dizendo:
— E aí, rapaz.
— Oi tio Kennedy. Respondi com uma das mãos no bolso e com bebida na outra.
— Como você cresceu garoto. Disse ele sorridente.
— Pois é — É só isso o que os tios sabem dizer?
— Vi que você estava com uma loira... Hm... É sua namorada? Perguntou-me.
— É sim. Menti mas só para não ter que explicar tudo.
— Muito bonita. Se não fosse sua namorada, eu ia pedir para me apresenta-la, mas mesmo sendo, por que não me apresenta? Perguntou ele brincalhão.
— Ah, ela está com a minha mãe por aí. Em outra oportunidade, quem sabe? Falei dando mais uma golada no whisky.
— Tudo bem — Disse ele se afastando — Eu vou ver como está a minha filha, daqui a pouco ela vai embora.
P.O.V Amber Connor
Florence me fez andar por quase todo o hotel apresentando-me aos parentes do Scott e amigos da família, eu estava um tanto sem graça, até porque eu basicamente tinha acabado de fazer “aquilo” com o filho dela e ter que fingir que não houve nada e ainda sorrir para todos, ainda estando sem graça foi constrangedor, mas eu fiz o possível para não deixar transparecer a minha timidez. A minha mente também estava a mil, eu ainda pensava em como eu contaria a verdade para Henry sem magoa-lo... Eu sei que é impossível, mas eu não queria machuca-lo ainda mais...
Resumindo essa noite, minutos depois que conheci quase todos que estavam no salão, o Scott me pegou e me levou para conhecer aos noivos e tirar fotos com eles, eles eram muito simpáticos e educados, eu adorei conhece-los, na verdade, todos eram simpáticos. Depois da festa, voltamos a suíte, mas não fizemos nada de mais, até porque o Scott bebeu um pouco mais do que o que deveria e só soube dormir quando chegamos ao quarto, eu tomei um banho, um remédio para evitar a ressaca do dia seguinte e dormi também.
No dia seguinte, tomamos um café da manhã reforçado e depois seguimos viagem retornando para nossa cidade. Acho que as coisas mudaram até demais depois dessa festa, até porque desde o momento em que eu e Scott acordamos, não conseguíamos mais para de trocar carícias e beijos, mesmo na frente dos pais dele que ficavam rindo de vez em quando, quando extrapolávamos nos amasses.
— Então vocês estão namorando... Disse a mãe dele.
— Sim! Disse ele.
— Não! Falei junto com ele.
— O quê? Perguntou George rindo.
— Ah... Scott, não é só porque nós... Você sabe, que eu sou sua namorada. Respondi.
— Acho que o feitiço virou-se contra o feiticeiro... Debochou a mãe dele, acho que ela sabia da fama do filho dela.
— Ei! Como que é isso? Perguntou ele brincando.
— Você sabe muito bem como é. Respondi sorrindo para ele e ele beijou os meus lábios.
— Eles são modernos demais, querida. Disse o pai dele rindo.
— Estou vendo... Disse ela.
***
Depois que cheguei a casa, meus pais é claro, me encheram de perguntas e tudo mais, eu não contei tudo nos mínimos detalhes, mas o suficiente, depois eu entrei no Facebook e tinham várias mensagens da Alice dizendo que já tinha chegado e pediu para avisar aos meus pais, certamente ela já estava com o Henry e caramba, eu não sei ainda o que dizer a ele.
P.O.V Alice Arnecker
Depois daquela conversa que tivemos no aeroporto ontem, o Henry não falou mais nada, ele só sabia ficar emburrado, disfarçar que estava chorando e me evitar, ou melhor, evitar a todos que estavam a sua volta, mas eu o entendia, é horrível mesmo a gente amar e não ser amado na mesma intensidade, e ele era intenso até demais. Eu torço pela felicidade do meu maninho. Eu tentei animá-lo de tudo o que era maneira, mas nada dava jeito, e antes que nós chegássemos à Liverpool, eu pedi que nossos amigos nos esperassem lá, só para que ele se sentisse bem, mas acho que não deu muito certo... Eu não sei se devo revelar um segredo que não é meu, não que eu seja fofoqueira, mas uma de minhas amigas sempre gostou dele, desde quando éramos pequenos, ou melhor, viemos para Liverpool e a conhecemos, o nome dela é Marie. Ela sempre tentou esconder, mas eu sempre reparei muito bem o jeito como ela ficava quando estava perto do meu irmão, ela sempre o tratou diferente dos outros meninos, mas quando a Amber chegou e eles começaram a namorar finalmente ela me confessou que realmente gostava do Henry, mas como ele gostava mesmo da Amber, não tinha porque ela ficar sofrendo por ele, então ela começou a namorar o Wallace e eles ficaram juntos um bom tempo, mas como ele era um pinguço assumido e não gostava de namorar uma só por muito tempo, eles terminaram, mas ela sempre me diz que não ficou tão triste até porque nunca o amou, não tanto quanto ao meu irmão. Então, só para vocês saberem, ela passou maior parte do tempo com o meu irmão depois que chegamos, ou melhor, desde que chegamos, ela não desgrudou dele e até agora está lá no quarto dele, não sei muito bem o que fazem, mas como ela é uma pessoa ótima em aconselhar e levantar a autoestima das pessoas, então eu acredito que eles estão se dando bem, porque por mais fofo e carinhoso que o meu irmão seja, quando ele está na deprê dele, não tem nada que o faça deixar alguém se aproximar dele, ele se fecha totalmente para o mundo e para que ele volte a se comunicar com alguém, só um milagre.
Curiosa do jeito que eu sou, eu fui até o quarto dele, mas fiquei tentando escutar a conversa deles dois por trás da porta... Sei lá, vai que ela se declara e eles se pegam... Brincadeira, gente, até porque o meu irmão não é assim e a vida não é como nos filmes.
P.O.V Henry Arnecker
Eu sinceramente não sei o que deu na Marie hoje, desde que cheguei, ela não saiu de perto de mim, eu confesso que fui grosseiro, ríspido e seco com ela, mas mesmo assim ela não desiste de mim, e me trata totalmente diferente, ela é compreensiva, carinhosa e atenciosa comigo... É estranho vê-la ser assim comigo, até porque desde que a conheço, ela sempre foi a que mais se destacou de mim, sempre foi a calada, mas agora ela está mostrando que é uma pessoa ótima, acho que seria uma perfeita psicóloga.
— Por que está me tratando assim? Mesmo eu não sendo a melhor companhia, você não me deixou e ainda me faz senti-me melhor. Falei confuso.
— Porque eu sei como se sente... Quer dizer, eu sei que está triste e... A Alice me contou mais ou menos tudo o que houve e, eu não gosto de te ver assim. Respondeu-me parecendo temer a minha reação.
— Só a Alie mesmo... Ela não devia contar a minha vida para ninguém, eu resolvo os meus problemas, sozinho. Respondi.
— Tem certas situações de nossa vida que precisamos de alguém para nos ajudar a ficar melhor, alguém que não nos deixe por nada... Que segure em nossa mão — Ela pegou na minha e olhou nos meus olhos, dizendo — E diga, eu estou e permanecerei até quando puder ao seu lado.
Eu desviei o meu olhar, me senti sem graça por sentir uma leve impressão de que ela estaria dizendo indiretamente que gosta de mim, não sei se realmente é isso, mas eu não quero fazê-la sofrer, não como eu estou sofrendo.
— Eu não sei se poderei aceitar que alguém fique ao meu lado, por mais que eu precise, eu não quero que ninguém se fira por minha causa, acho que o meu sofrimento já basta. Respondi me afastando dela.
— Hen, eu estou disposta a passar o que for por você, se for para te ajudar, não te ver triste, eu odeio vê-lo triste e não poder fazer nada para mudar isso... Eu confesso que eu... Desde quando te conheci eu sempre senti algo diferente por você, mas nunca quis dizer ou demonstrar porque você nunca demonstrou que sentia o mesmo, ainda mais depois que a Amber chegou... Por mais que você diga que não quer me ver sofrer, acho que já sofri o suficiente durante todo esse tempo que vocês passaram juntos... Ainda mais porque eu não podia dizer nada, eu fingia não ligar e que tudo estava bem, mas na verdade eu chorava toda a noite sozinha, por saber que mesmo eu te amando, você amava e pertencia a outra que parecia te amar da mesma forma — Disse ela disparando palavras — Ai droga! Eu falei mais do que o suficiente e... Eu preciso ir embora.
— O quê? Perguntei incrédulo.
— Esqueça o que eu acabei de dizer. Disse ela pegando sua bolsa na minha cama e indo até a porta.
— Não, Marie! Caramba, eu preciso saber disso... Eu nunca notei, eu achava que você era distante de mim porque não gostava da minha companhia, porque eu não era bem o tipo de amigo que fazia o seu tipo...
— Exatamente, eu sempre tive o mesmo pensamento e opinião, porque eu não conseguia gostar de você só como amigo, nunca, em nenhum momento. Disse ela segurando a maçaneta da porta.
— Por que nunca disse? Perguntei.
— Porque eu não sou de me declarar, eu não queria que sentisse pena de mim, não queria tomar a atitude que você poderia ter tomado se gostasse de mim, mas não gosta e nunca gostou, não como eu ainda gosto de você... Disse ela ficando vermelha e com os olhos marejados.
— Marie... Disse indo até ela.
— Por favor, Henry, eu não quero que sinta pena de mim e que tente algo que não vai dar certo para você... Eu só vim até aqui e fiquei esse tempo todo com você porque eu queria te consolar, mas isso não significa que eu quero que fique comigo apenas porque eu gosto de você, mas que primeiro goste de mim, não sou do tipo que gosta de amar por dois. Disse ela me olhando nos olhos enquanto eu me aproximava dela.
Eu não sei por que eu estava indo até ela, não daquele jeito, mas eu ia, aquela confissão mexeu demais comigo, eu não sei se é porque eu não esperava aquilo, ou porque eu já estava sensível, ou se é porque eu estava a entendendo naquele momento, só sei que eu lhe dei um abraço bem forte e apertado e sussurrei:
— Me desculpe por não ser como você queria, por não sentir o mesmo que sente por mim, por não ter percebido antes a pessoa incrível que você é, por me consolar nesse momento e por não me abandonar, mesmo eu não merecendo tudo isso...
— Não! Você merece sim, Hen, você é o garoto mais incrível e fofo que eu já conheci na minha vida... Você não tem do que se desculpar. Você não tem culpa de nada, na verdade, ninguém tem. Respondeu ela ainda abraçada comigo.
— O cara que tiver você, será um cara de muita sorte. Falei dando um beijo na cabeça dela.
— Digo o mesmo da garota que tiver a sorte de ter você. Disse ela se afastando de mim com o rosto úmido.
— Está chorando, Marie? Perguntei enxugando o rosto dela.
— Não... Eu só... Ai... Eu vou indo, outro dia a gente conversa. Disse ela abrindo a porta.
Eu não sei o que deu em mim, mas eu peguei em seu pulso, ela olhou para mim e eu não pensei duas vezes antes de trazê-la para mim e beijá-la. Talvez eu tenha feito isso por insanidade ou carência, ou até mesmo por ser solidário ao sentimento dela, ou poderia estar a confundindo ainda mais, droga... Eu parei o beijo e me afastei dela, dizendo:
— Eu não devia ter feito isso, mil perdões...
— Você não precisa se desculpar, até porque eu sei o quanto eu quis isso todo esse tempo. Não precisa se preocupar comigo, se eu vou criar expectativas ilusórias com você, porque eu não vou, eu sei que esse beijo foi por impulso e comoção de sua parte... Disse ela me surpreendendo.
— A minha intenção não foi...
— Iludir-me, eu sei — Ela me olhou meigamente de uma forma tímida e se direcionou até a porta dizendo — Eu vou indo, até mais Hen.
— Até mais, Marie. Respondi ainda confuso por ter sido tão impulsivo, eu nunca me imaginei nesta situação e agir desta forma, ainda mais eu que sempre fui tão controlado e tentei fazer de tudo para não magoar ninguém com ilusões.
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