After that Everything Changed
7 A girl a Little Bad
Assim que cheguei ao supermercado, comprei várias guloseimas até porque o que seria dos meus filmes sem as guloseimas de acompanhamento? Quando fui até o corredor onde tinham os doces, peguei um pacote alcaçuz e senti alguém cutucar o meu ombro, dizendo:
— Amber Connor?
Eu me virei curiosa para ver quem era, pois não reconhecia a voz, quando olhei era uma garota morena com cabelos curtos, estilo channel, mas eu não me lembrava dela. Eu sorri sem graça e falei:
— Me desculpe, mas nos conhecemos de onde?
— Eu sabia que era você! Nossa, o que o tempo e um belo banho de loja não fazem, em... Então, eu sou a Rebecca Coles, nós fizemos trabalhos de física juntas, não lembra? Perguntou ela esperançosa de que eu me recordasse disso, mas infelizmente não recordei.
Mas fingi me lembrar e respondi:
— Ah, claro! Como poderia me esquecer? — Menti.
— Então, amei o seu cachecol! Escuta, amanhã vai ter uma festa na minha casa e você está convidada, ok? Vou te esperar lá. Disse ela com um sorriso simpático.
— Está bem, mas eu não sei onde você mora. Respondi.
— Não esquenta, eu vou te mandar o endereço pelo face, ok? Foi bom revê-la. Até mais. Disse ela indo embora com sua cestinha cheia de bebidas.
Pois é, a festa vai ser boa. Desde minha popularidade em Liverpool, eu nunca mais recusei ir a festas. Fui até o caixa, paguei minhas compras e fiquei pensando em qual roupa usar nessa festa, até porque tinha certeza de que todos da escola estariam lá. Cheguei a casa indo direto ao meu quarto, deixei as minhas sacolas na cama e comecei a montar o meu look da festa. Eu não queria nada muito vulgar, mas não queria muito santinha, eu queria ser provocativa, mas no ponto certo. Depois de passar quase horas escolhendo a roupa perfeita, finalmente coloquei o primeiro filme para assistir e comecei a me empanturrar de salgadinhos. Assisti três filmes em sequência, é claro, antes dos meus pais chegarem e me fazerem desligar a TV e dormir. Meus pais sendo... Pais. Eu escovei os meus dentes, tomei um banho e minhas roupas de dormir, deitei na cama e apaguei.
No dia seguinte, eu acordei e antes de mais nada entrei no Facebook pegando o endereço da festa, pensei em chamar Kate para ir comigo, mas não pegaria bem, até porque eu teria que chamar o Tyler senão ele ficaria com ciúmes e o Evan para que não ficasse chateado, então resolvi ir sozinha mesmo. Agi como sempre em todas as manhãs, tomei o café da manhã da mamãe que era maravilhoso e avise que iria a uma festa a noite, meus pais me olharam surpresos, porque antes eu realmente não ia a nenhuma festa, eles não me proibiram nem nada, me deixaram ir numa boa. Por isso ter sido uma filha boazinha antes foi bom, ganhei muitos pontos com os dois, que felicidade! As horas pareciam estar passando arrastadas, quanto mais eu queria que chegasse a hora da festa, mais demorava a chegar. Scarlett foi até o meu quarto enquanto eu esperava dar a hora certa para me arrumar e disse:
— Hm... Já chegou se enturmando.
— Não exatamente, eu acho. Uma garota água de salsicha me convidou para ir à festa na casa dela, mas eu nem me lembro dela. Diz ela que me conhece das aulas de física, mas eu sei lá. Nem sei se os “mais mais” de minha velha escola estarão lá... Espero que sim. Falei.
— Hm... Já começou o seu plano? Perguntou me sentando em minha cama.
— Já. Comecei a rir recordando-me do dia anterior.
— E quem foi a primeira vítima? Perguntou-me empolgada.
— Samantha Tomes, a vadia da escola que me infernizou por muitos anos. Respondi com repulsa.
— E como foi? Perguntou ela.
E então contei tudo com detalhes, ela riu muito de quase tudo e disse que adorou e queria estar lá para assistir isso. Depois eu contei que encontrei o Scott na locadora e contei sobre a “nossa conversa”.
— Tem que ter muita cara de pau mesmo, viu? Se fosse eu em seu lugar, dava-lhe uma bofetada bem na cara. Disse ela, até porque ela entendia mais ou menos do que se tratava.
— Eu até pensei nisso, mas ele estava trabalhando e acho que só as minhas respostas curtas e grossas já foram de bom tamanho, pelo menos de início. Respondi.
— E o que você planeja fazer com ele? Perguntou ela.
— Bom, eu não faço ideia. Mas como eu percebi que ele gostou muito do que viu ontem, acho que vou jogar um pouco com ele. Respondi com um sorrisinho malvado.
— Isso parece ser legal, mas você terá que ter cuidado, até porque, muitas das vezes, quando fazemos esses joguinhos de sedução a gente acaba se envolvendo demais. Disse ela.
— Eu sei disso, mas com o ódio que eu estou dele, não tem a mínima chance de eu me envolver, só quero deixa-lo de quatro por mim e dar um belo de um bico no meio do traseiro dele, em grande estilo. Respondi decidida.
— Ui... Como eu queria poder ficar para assistir isso. Mas já que não vou ficar, por favor, tente manter contato. Ligue-me contando tudo e com detalhes, ok? Disse ela parecendo ficar empolgada com o que eu disse.
— Pode deixar. Respondi batendo continência para ela.
Ela riu.
Um tempo depois, ela desceu e eu fui me arrumar. Tomei meu banho, me maquiei e passei o batom vermelho, uma sombra escura estilo balada, um rímel que aumentasse o volume e tamanho dos meus cílios, deixei os meus cabelos lisos mesmo, mas o joguei para o lado para tentar dar um volume a mais. Já a roupa, peguei um top preto com detalhe dourado, um short preto de cos alto e com botões nas laterais, meia calça, um salto bem alto preto e uma jaqueta preta de couro. Pintei rapidamente minhas unhas de vermelho para combinar com os lábios e ter um pouco de destaque. Depois de pronta eu me olhei no espelho e aprovei o look, era bem diferente do que eu costumava usar, meio dark, porém eu gostei. Peguei minha bolsa coloquei o batom, algumas coisinhas necessárias e o meu celular. Assim que terminei, desci para ir a festa.
— Uau... Que gata! Disse Scarlett quando me viu.
— Eu sei, eu sei... Respondi me fazendo de metida.
— Tem certeza que precisa disso tudo? Perguntou meu pai.
— Tenho. Respondi sorrindo.
— Está linda filha. Disse minha mãe sorrindo para mim.
— Já sabe, não é? Se o Scott tentar algo com você, me avise, eu quebro a cara dele. Disse Josh.
Eu revirei os olhos rindo, porque tinha certeza de que ele não quebraria nada.
— O papo está bom, mas a festa deve estar bombando, tchau família. Falei acenando para eles indo até a porta.
— Tchau filha, vê se não chega muito tarde, está bem? Pediu minha mãe.
— Pode deixar mãe. Respondi fechando a porta.
Fui até o antigo carro do Josh, entrei nele o ligando, fechei a porta, coloquei o cinto e fui até a festa. Assim que cheguei lá, me deparei com a casa dela que estava cheia de luzes neon, da esquina se ouvia a música que tocava, a faixada da casa estava cheia de gente que já parecia ter bebido bastante, sendo que ainda era cedo. Eu saí do carro pegando minha bolsa, fechei a porta e travei-as.
— Esta noite será sua, Amber. Sussurrei para mim mesma
Entrei na casa que estava cheia, e sim, todos os populares estavam na festa, fora alguns alunos que não eram tão populares assim, mas que estavam sempre por dentro de tudo, muitos ficaram olhando para mim, não sei se me reconheceram ou me acharam gata, mas parecia que tinham holofotes me seguindo por onde eu passava na casa. Eu peguei um ponche e me fiquei num canto bebendo e vendo a maioria dos convidados dançando nos fundos da casa, onde fizeram uma pista de dança.
— Você... Ouvi alguém dizer bem próximo de mim.
Quando olhei, era o Scott. Aff!
— Você. Respondi o olhando invocada.
— Me desculpe perguntar assim, mas eu te fiz algo? Perguntou-me.
— Acho que você deveria se perguntar isso. Tenho certeza de que achará a resposta sozinho. Respondi olhando para outro lado bebendo mais um pouco.
— Hm... Seja lá o que for, me desculpe, eu não fiz por mal. Disse ele pegando em minha mão.
Eu tirei a minha mão da dele, me afastando e fui até a pista dançar um pouco, só para me livrar dele. Estava tocando a música “Who’s That Boy (ft. Dev)” da Demi Lovato. Eu aproveitei a música e comecei a dançar provocando-o. Eu improvisei uma coreografia que pareceu chamar a atenção dele. Enquanto eu rebolava, eu olhava para ele com um olhar malicioso, ele fitou seus olhos em mim e parecia estar gostando daquilo, pois ele me olhava mordendo o lábio inferior. Idiota... Eu continuei dançando como minhas amigas de Liverpool me ensinaram, até porque elas eram muito boas em chamar a atenção dos garotos da escola dançando e eu não queria ficar por fora daquilo, era preciso aprender. Eu me virei de costas para a direção dele, ainda rebolando e dessa vez mexendo com cabelo. Depois que essa música acabou, começou a “SOS” da Rihanna, eu amava demais essa música. Dancei ainda mais, dessa vez senti alguém atrás de mim movendo-se de acordo com meus movimentos, olhei de rabo de olho e vi que me olhava do mesmo jeito, parecia ter ficado paralisado. Eu ri e me virei de frente para o garoto e o afastei de mim com o dedo indicador no ritmo da música e fiquei me movendo como se estivesse me mostrando para ele e ele chegou mais perto, me girou e começou a dançar comigo de novo. Eu olhei de novo para o Scott e ele parecia não estar mais gostando, eu ri de novo, mas dessa vez mordendo os lábios. Depois que a música acabou e entrou “California Girls (feat. Snoop Dog)” da Katy Perry em sequência, eu pedi um tempo para o garoto que estava dançando comigo, tirei minha jaqueta deixando-a em qualquer canto e fui beber um pouco mais. Eu estava um pouco cansada, mas aquilo era só o inicio de minha noite, eu gostava muito de dançar. Nunca imaginei que um dia iria gostar antes, mas eu gostava. Dessa vez eu peguei caipirinha e bebi de frente para a mesa. Senti alguém me abraçar por trás, como na festa de Halloween e dizer ao pé do meu ouvido:
— Você está conseguindo me deixar louco...
— E quem disse que esse é o meu objetivo? Perguntei sem me virar, porém sabendo que era o Scott.
— Ninguém, seu olhar me mostrava sua intenção. Respondeu ele me girando e fazendo me ficar de frente para ele, quase sentando-me na mesa.
Eu ri, ele tentou me beijar, mas eu virei o rosto. Ele ficou beijando o meu rosto e foi descendo até o meu pescoço, eu o empurrei e falei:
— Não é assim que as coisas funcionam comigo...
— Me ensina então como funcionam? Estou louco para aprender... Disse ele ofegante.
Eu revirei os olhos o empurrando e fui andando até a pista de novo para dançar mais, estava tocando “Good Girls Go Bad” do Cobra Starship. Eu fui até o meio e fiquei dançando sozinha. Outro garoto veio para dançar comigo, quando vi era um dos que me zoavam na escola, então o empurrei e fui para outro canto dançar sozinha novamente. Eu bebi um pouco mais e já estava começando a ficar um pouco tonta, eu sabia que não ia prestar se eu continuasse bebendo, então parei e só fiquei dançando até cansar. Depois que cansei, fui até a varanda da casa e me sentei num banco que tinha lá para respirar um pouco e ver se aquela tontura da bebida passava para que eu pudesse ir embora.
— Amber? Você veio. Disse Rebecca toda sorridente, a dona da casa, que estava de braço dado com Candance.
— Amber Connor? Disse Candance com cara de nojo.
— Candance... Respondi ríspida.
— Acho que alguém aprendeu a se vestir como mulher. Disse ela tentando me ofender.
— E alguém ainda não deixou de se vestir e agir como vadia. Respondi a altura.
— Meninas... Paz e amor, por favor! Pediu Rebecca fazendo o sinal da paz.
Eu ri dela e falei:
— Me desculpe, Rebecca. Onde fica o banheiro?
— A segunda porta a direita. Disse ela apontando para dentro de sua casa.
— O que foi? Está enjoadinha? Perguntou Candance insistindo em me provocar.
— Se estivesse enjoada, vomitaria em você, até porque acho que essa é uma das funcionalidades de um lixo... Respondi com uma das sobrancelhas erguida.
Eu me levantei e fui até o banheiro. Quando abri a porta, vi que tinha um casal se pegando para valer em cima da pia, eles pararam me olhando assustados e eu disse:
— Me desculpem...
— Bem que a gente poderia estar fazendo aquilo? Ouvi alguém falar aquilo atrás de mim.
Eu olhei para ele, que era de novo o Scott e falei:
— Você de novo... Não desiste de mim?
— Não, enquanto não for minha, eu não vou desistir. Disse ele tentando se aproximar ainda mais.
— Está perdendo o seu tempo. Respondi fugindo dele.
— Por quê? Perguntou ele.
— Porque eu nunca vou ser sua! Respondi firmemente.
— Como pode ter tanta certeza disso? Você é lésbica? Perguntou ele.
Eu fiquei boquiaberta com aquela pergunta tosca e respondi:
— Não, eu não sou. Mas também não sou essas putas que você pega por aí.
— Eu posso até só pegar putas, mas posso abrir uma exceção para você. Disse ele.
— Você é tão insistente... Confessei chegando ao fim do corredor sem saída.
— E você é tão difícil... Disse ele abrindo um sorriso cheio de malícia.
— Para você eu sou impossível, inacessível, intocável... NUNCA vou ser sua. Falei.
— Vamos ver se não. Disse ele me deixando sem saída.
Eu fiquei entre ele e a parede, ele foi se aproximando, eu fui indo contra a parede, ele foi ficando cada vez mais perto, eu não sabia o que fazer, me virei para ele e dei-lhe uma joelhada bem certeira em seu ponto fraco. Ele se encolheu todo de dor indo para um canto se escorando na parede, eu aproveitei e saí correndo. Fui embora antes que ele me alcançasse e eu fizesse alguma merda com ele. Não gosto nem de pensar nisso...
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